Ao Boqueirão da Barra
O disco acaba, mas o samba segue solto
Sempre tem a festa do pessoal do morro
Carne assada e sangue no pandeiro
Herança das senzalas e dos guetos.
Tudo posto ali em nossas lisas mãos
Com a matéria e a essência do feliz
Vamos ver as incógnitas emoções
Pra fazer o que a gente sempre quis.
Bem pior do que o último episódio
De uma série interessante da Netflix
Sem espaço para o rancor ou o ódio
Pior do que o fim de um milk shake.
Aquele saboroso suco doce de limão
Na feira de frutas, coco e chimarrão
Como as noites estreladas do Sertão.
Com a espada que herdei de Lampião,
Tangi as onças e as feras que nós somos.
(Cristiano Jerônimo – 07.08.2026)









