sábado, 7 de fevereiro de 2026

Hurricane (Furacão) ||||||||| Homenagem ao poeta Bob Dylan


Bob Dylan

 

Tiros de pistola ouvidos no bar

Patty Valentine entra pelo corredor de cima

Ela vê o garçom em uma poça de sangue

Grita, 'Meu Deus, eles mataram todos eles!'

Aqui vem a história do Furacão,

O homem que a policia veio culpar

Por algo que ele não fez

Colocado em uma cela, mas um dia ele poderia ter sido

O campeão do mundo.

 

Três corpos deitados, Patty vê...

E outro homem chamado Bello, se movendo misteriosamente

'Não fui eu', ele diz e levanta as mãos

'Eu só estava roubando o caixa, espero que você entenda’.

‘Eu os vi saindo,' ele diz e para

'Acho melhor um de nós chamar a polícia.'

E então Patty chama a polícia

E eles chegam ao local com suas luzes vermelhas piscando

Na noite quente de New Jersey.

 

Enquanto isso, em outra parte da cidade

Rubin Carter e alguns amigos estão dirigindo

Primeiro concorrente para a coroa de peso-médio

Não tinha ideia da merda que estava pra acontecer

Quando um policial o parou na estrada

Igual a outra vez e, antes disso,

Em Paterson, é assim que as coisas são

Se você é negro, é melhor nem aparecer na rua

A não ser que queira chamar atenção.

 

Alfred Bello tinha um parceiro

e ele tinha informações pra polícia

Ele e Arthur Dexter Bradley estavam xeretando

Ele disse, 'Eu vi dois homens correndo,

eles pareciam pesos-médios.

Eles entraram num carro branco com placa de outra cidade'

E a senhorita Patty Valentine concordava com a cabeça

O policiail disse, 'Esperem, meninos, esse não está morto'

E eles os levaram para a enfermaria

E, apesar do homem mal conseguir ver,

Eles disseram que ele poderia identificar os culpados.

Quatro da manhã e eles entram com Rubin

Eles estão nos hospital e o levam lá pra cima

O homem machucado olha através de seu único olho

Diz, 'Porque vocês o trouxeram aqui? Ele não é o cara!'

Quatro meses depois, os guetos estão em chamas


Rubin está na América do Sul, lutando por seu nome

Enquanto Arthur Dexter Bradley ainda está no jogo de roubar

Os policiais estão o pressionando,

procurando por alguem para culpar

'Lembra daquele assassinato que aconteceu no bar?'

'Lembra que você disse que viu o carro fugir?'

'Você acha que gostaria de jogar com a lei?'

'Você acha que pode ter sido um lutador

que você viu correndo aquela noite?'

'Não se esqueça que você é branco.'

 

Arthur Dexter Bradley disse, 'Eu não tenho certeza.'

A policia disse, 'Um garoto pobre como você

precisa de um descanso

Nós vamos o culpar pelo trabalho no motel

e estamos falando com seu amigo Bello

Se você não quer voltar para a prisão, seja um bom menino

Você estará fazendo um favor à sociedade

Aquele filho da puta é valente e está ficando mais atrevido

Nós queremos pegá-lo

Queremos o culpar pelo triplo assassinato

Ele não é nenhum cavalheiro.'

 

Rubin pode derrubar um homem com um soco só

Mas ele nunca gostou de falar sobre isso

É meu trabalho, ele dizia, e eu faço por dinheiro

E quando acaba, eu saio fora

Pra algum paraíso

Onde as trutas nadam e o ar é bom

E ando de cavalo por um trilho

Mas então o levaram para a cadeia

Onde tentam transformar um homem em um rato.

 

O destino de Rubin já estava marcado há muito tempo

O julgamento foi um circo, mas ele nunca teve chance

O juiz fez as testemunhas de Rubin

parecerem bêbadas da favela

Para os brancos que assistiram,

ele era um mendigo revolucionário

E para os negros, ele era só um preto louco

Ninguém duvidou que ele puxou o gatilho

E apesar de não terem achado a arma

O promotor disse que foi ele que atirou

E o júri de brancos concordou.

 

Rubin Carter foi falsamente julgado

O crime era assassinato. Adivinha quem testemunhou?

Bello e Bradley mentiram descaradamente

E os jornais, seguiram a onda

Como pode a vida de um homem assim

Estar nas mãos de um tolo?

O vendo incriminado

Não pude evitar sentir vergonha de viver em uma terra

Onde a justiça é um jogo.

 

Agora todos os criminosos de terno e gravata

Estão livres pra beber Martinis e ver o sol nascer

Enquanto Rubin senta como Buda em uma cela minúscula

Um homem inocente no inferno

Essa é a historia do Hurricane

Mas não vai acabar até que limpem seu nome

E devolvam o tempo perdido

Colocado em uma cela, embora um dia pudesse ter sido

O campeão do mundo.

 


Bob Dylan: primeiro compositor a

ganhar o Prêmio Nobel de Literatura

em função de letras de músicas


Bob Dylan ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2016 por criar "novas formas de expressão poética dentro da grande tradição da música americana", sendo o primeiro músico a receber o prêmio; uma decisão que gerou surpresa e debate sobre a definição de literatura, mas que foi defendida pela Academia Sueca ao compará-lo a poetas como Homero e Safo. A premiação destacou sua maestria lírica e influência duradoura, com um discurso de aceitação sendo entregue meses depois da cerimônia oficial, cumprindo o requisito para receber o valor em dinheiro.  

Detalhes da Premiação

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Feito pela Academia Sueca em 13 de outubro de 2016.

Motivo: 

"Por ter criado novas expressões poéticas dentro da grande tradição da música americana". 

Contexto: 

Dylan é um cantor, compositor, pintor, ator e escritor americano, nascido em 1941, conhecido por suas letras poéticas que abordam temas sociais, políticos e filosóficos.

Significado: 

Foi a primeira vez que um músico recebeu o Nobel de Literatura, sendo reconhecido por sua contribuição poética através da música.

Repercussão e Aceitação:

Surpresa

A escolha foi vista como surpreendente, gerando discussões sobre se a música popular se qualificaria para o prêmio.

Silêncio Inicial: 

Dylan inicialmente não se pronunciou sobre o prêmio, causando polêmica, mas depois aceitou o reconhecimento.

Discurso: 

Ele enviou um discurso de aceitação (ou realizou um show) dentro do prazo de seis meses, cumprindo a exigência para receber o prêmio em dinheiro.

Obras e Influência:

Além de suas canções, Dylan publicou livros como a coleção de prosa poética Tarântula (1971) e sua autobiografia Chronicles (2004).

A Academia comparou sua obra à tradição oral de poetas antigos, como Homero, destacando a força de sua performance e texto.


Fonte: Pesquisa/Internet



segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Exilado do mato



É que o meu mundo

É o próximo mundo

Tudo muda num segundo

A dúvida toma conta do dia

Jovens constroem denovo

Com uma frustração cruel

Que a frustração devora

Aparece a qualquer hora

O desejo e a expectativa

Ora lampejos de alegria

Ora a contrariedade

Me desafiam toda a hora.

 

É por isso que,

No meio desse mundo,

Sou o pássaro da gaiola

Que fugiu para voar

Tímido na viola

Impávido no falar

Passarinho sem ter terra

Passarinho que é do ar

Passarinho assim voa

Todo dia a trabalhar

Faça chuva ou faça sol

Sempre há um rouxinol

Disposto a planar e a cantar

Eu, exilado do mato,

Não sou daqui

Voei e não sonhei voar.

 

 (Cristiano Jerônimo – 25.01.2026)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Pelo rio, eu vou voltar

 


Eu rio só

e só sorrio

eu sou o rio

não só o rio

mas sou o mar

sem andar só

no caminhar.

 

Ora caminho

voo sozinho

sou volume

pois sou rio

sempre sorrio

à beira-mar.

 

E o rio passa

com suas águas

com seus sorrisos

que se desfazem

e se recuperam

 como algo a sonhar.

 

Flutuar nas águas

navegar até os mares

nadar até a foz do rio

e virar um ser pirata

quando mergulhar

e juntar marujos

prontos para zarpar.


pelos segredos da vida

pelos segredos de lá

pelo globo céu rosado

Infinito e flutuante

Ponto invisível

Bússola equidistante.

 

Quando o rio desaguar

À nascente eu for voltar

Pelo mesmo calmo lugar

De onde vim antes pra cá.

 

Eu sou do Sertão de Caroá!

 

(Cristiano Jerônimo – 08.01.2026)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Farinha da existência


É da necessidade que prosperam as pessoas;

Se não buscam saídas, nem clima nem nada,

Criaturas ficam atrás porque ficam paradas

Outras se acomodam e pensam: a vida é boa.

 

A felicidade é uma esfera inoxidável e quente

Donde dá pra ver quem está triste ou contente

Normas ditadas nos dizem que é para Disney

Sensatez nos volta para sermos humanitários.

 

Preciso, inclusive, de uns sorrisos profundos

Algo que dê prazer em permanecer no mundo

Eu não mudaria de nome, nem de cachaçaria

Nem adiantava proibir o que já estava proibido.

 

É da necessidade dos homens que vem o fogo

É da necessidade dos homens que vem o jogo

As guerras malditas, a busca para sermos pior

Roubando marcas falsas de qualidade melhor.

 

O consumismo em tudo controverso e nobre

Vem dizer que os filhos de ricos são os pobres

Há uma coisa que me diz no existencialismo

Ninguém nasceu pobre, muito menos rico...

 

 

(Cristiano Jerônimo – 19.12.2025)

 

domingo, 7 de dezembro de 2025

O canhão da guerra do consumo


Hoje eu também queria fazer

Um poema dos que não faço

Um textinho bem pequenino

Curto, mas demasiado ácido.

É mentira que está tudo certo

Tranquilo sem armas capitais

Sem nenhuma faixa ou muros

Para surgir e matar o capataz.

Na aridez de quando minha alma seca

Na insensatez de viver entre os lados

Do que está parado e que colou errado

São nulos os atos por eles praticados.

Angola, tua luta tão legítima faz 50 anos

São 50 anos também de Moçambique

Na mesma faixa que segue Guiné-Bissau

Tupiniquim não ouviu o Zumbi falar

Os índios nunca atravessaram o mar

Morreram aqui mesmo no Atlântico

Ou pelos Andes, nos povos do Pacífico.

Ouviu falar na casa de ouro, Peru?

Então não sabes o que é saquear um povo...

Uma civilização... Toda uma cultura...

E ainda há quem me diga que é frescura.

Fodam-se. Desde que essa porra é gente

O homem vive para roubar e escravizar

Nem que as populações tivessem condições

Ele jura que não é mais um escravo a pensar

Ele monta um mais novo e dourado canhão

Diz em rede nacional para cuidar do coração.

 

                                                                         (Cristiano Jerônimo – 07.12.2025)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

NÃO PARE NA PISTA


Plagiando o pai e filho,


Digo “O hoje é apenas

Um furo no futuro;

Por onde o passado

Começa a jorrar...’

 

E eu aqui isolado

Onde nada é perdoado

Vejo o fim chamando o princípio

Para poderem se encontrar...

 

Muitas mulheres eu amei

E com algumas me casei

‘Mas agora sou eu mesmo

Que eu vou ter que encontrar...’

 

‘O hoje é apenas um furo no futuro
Por onde o passado começa a jorrar
E eu aqui isolado onde nada é perdoado
Vi o fim chamando o princípio 

pra poderem se encontrar...’

 

‘E assim torto e de verdade,

com amor e com maldade,

um abraço e até outra vez...’

 

NÃO PARE NA PISTA




quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Irmão nas armas


Diante do sucesso

Você se boicota;

Mais dois versos

E tudo já bastaria.

 

Entre o onírico

A ligeireza do som

Foram dias fatídicos

Inimigos nobres irmãos.

 

Será meio mais sincero

Poder abrir o coração

Sem ter o tom da terapia.

 

Esse senso de justiça

Que me afoba e muda

Nada que dispense

A segurança de uma jura.

 

“Brother’s in arms”...

 

(Cristiano Jerônimo – 03.12.2025)

Eu jogo logo é bomba!



O que é que pode ser feito

daqui por diante, agora?

Se o passado evaporou

e o futuro não demora.

 

São nossos passos dos dias

Nos quais a juventude se esvai

Os anos e as décadas dizem,

Pode tudo novamente, então vai.

 

Nunca perdi ou venci guerras

Guerra não é coisa que se ganhe

Genocídio, coisa que não se faz

E os burgueses lisos na parede.

 

Ah, Sociedade Ovo de Província

Saco de quem está pra obedecer

Não é assim comigo, jogo bomba!

E então espero a paz reflorescer...

 


(Cristiano Jerônimo – Valeriano – 04.01.2025 – Recife-PE)

terça-feira, 25 de novembro de 2025

As almas frias



A contradição desta transformação

De olhar as coisas da raiz do coração

Os casario ruim que explodia até o fim

Na vista da lama, alagamento é salgado

Nos dois olhos que falam tudo pra mim

A devoção dos amores quando vale amar

Reprodução, mídias cristalinas e cristãos

No meio do último quadrante da era atual

Na vez de resgatar essa nossa porção índio

E os lados femininos da aldeia amazônica

Equilibrem o senso de justiça de mãe e pai

Não pode olhar com os olhos de ninguém

E sentir, da mesma forma é algo individual

Com dialética, tese, contra, entendimento

E o nome da pesquisa vai mudar de novo

E esses meninos do terceiro ano do Médio

Uma geração inteira morta pela Pandemia

Seguindo vidas, praças e calçadas de igreja

O status quo tem uma reserva de almas frias.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 24112025)

sábado, 15 de novembro de 2025

Guerrilheiro camponês

 


As pisadas firmes

das alpercatas do meu pai,

nas terras herdadas dos seus ancestrais

no meu sertão que sofre muito e vive em paz.

 

Nas estradas infinitas eternizadas pelas memórias.

Pelas histórias de cada olhar pitoresco e a menina bonita

Que beijava a minha boca com seu suave gosto de favo de mel.

 

Nas veredas, pisadas de cavalos, de carros-de-boi socando a terra

Nas estradas onde a mata se recompôs, ele não viu o tempo passar a era

Também não contemplou a geografia infinita do universo eternamente quântico.

 

Viciado em dinheiro que até dá pânico, está sem os olhos abertos

Não sabe ao certo o que é errado ou o que é mais correto.

Amplidões com o medo absurdo do que já passou.

 

Eu colhi algodão; o besouro barbeiro acabou.

Eu fiz plantio de cana e a seca secou

Eu quis entrar num grande pranto

Mas meu olho não entrou

No turvo poço de lágrimas

Como as águas salobras

Que aos meus olhos

Reservaram-se

Para nós.

 

Combato com o trovão

Foice e martelo na mão

Porque sou camponês

Guerreiro de coração.

 

(Cristiano Jerônimo – 22012020)

Hurricane (Furacão) ||||||||| Homenagem ao poeta Bob Dylan

Bob Dylan   Tiros de pistola ouvidos no bar Patty Valentine entra pelo corredor de cima Ela vê o garçom em uma poça de sangue Grit...