terça-feira, 11 de junho de 2019

Dos ratos e das baratas (insetos de asa)




Chuva ácida
Ela é ávida
Vida plástica
Monumento
À base nuclear.

Nas ogivas
Das gengivas
Dos tiranos
Que dominam
E se ‘santam’
Sem saber orar.

Sem comungar,
Os camundongos
Saem devorando
E se envenenando
Com aquele Detefon
Que não serve mais.

As baratas se fortaleceram
Quando voam, me arrepio
É como a água gelada do rio
Dos ascos que floresceram
Insetos voam em volta da luz
E, assim, escurecem as lâmpadas
Em busca de somente ofusca-las.




(Cristiano Jerônimo – 11062019)


sexta-feira, 7 de junho de 2019

Lobo bruxo



(Setenta e tantos tempos)

Um lobo maluco
Com coração
De criança
Vivia solitário
Num mundo
Encantado
E, de repente,
desencantou.

Um lobo bruxo
De alma pura
Veio e se apurou
Na vastidão
Dos paraísos
E infernos
Astrais.

Mata densa
Lago manso
Lobo fértil
Ele cantou
O lobo uivou
Ele dançou
Para a ruiva.

Desencantou
De novo
Como pássaro
Uma águia
Que troca
De garras.

Como um profeta
De fazer pensar
Sua alma de poeta
Seu dom sonoro
Um lobo pintou
O lobo cansou
O lobo chorou
O lobo uivou
Desde aurora
Esperando
A sua ruiva
Que nunca
Mais voltou.

O lobo navegou
Nos naufrágios
Do destino
Amor e dor
Desde menino
A fera espera
Como um carcará
Quer tanto bem
À sua presa
Que lhe dá
O que tem
Mesmo quando
a estrela leva
tudo que’lhe vem.

E a alma explodiu
Em flor, com o amor
Então fostes
Sorrindo
Com o dedo
Em riste
Pra quem
Não existe.



(Cristiano Jerônimo – 23052019)

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Dito pelo não dito



O que é pouco visto
E nem é bem quisto
Como mares bonitos
Numa chuva de verão.

Do que é pouco feito
Queira tirar proveito
Do que há no peito
Que aquece o coração.

Bomba primordial
Do tempo...
Bate na minha porta
Só porque me notam
Fingem que se importam.

Se nem todo dito é feito
Todo político só é eleito
Para nos enganar sempre;
Até dinheiro das enchentes.

Serenar sereníssima mente
A natureza tem toda a cura
Tudo que o homem procura
Encontra na própria mente.

Para, depois, voar...


(Cristiano Jerônimo – 29052019)


sexta-feira, 24 de maio de 2019

Lobo bruxo solitário


Lula...
(Setenta e tantos tempos)

Um lobo maluco
Com coração
De criança
Vivia solitário
Num mundo
Encantado
E, de repente,
desencantou.

Um lobo bruxo
De alma pura
Veio e se apurou
Na vastidão
Dos paraísos
E infernos
Astrais.

 
Mata densa
Lago manso
Lobo fértil
Ele cantou
O lobo uivou
Ele dançou
Para a ruiva.

Desencantou
De novo
Como pássaro
Uma águia
Que troca
De garras.

Como um profeta
De fazer pensar
Sua alma de poeta
Seu dom sonoro
O lobo pintou
O lobo cansou
O lobo chorou
O lobo uivou
Desde aurora
Esperando
A sua ruiva
Que foi-se
Embora.

O lobo navegou
Nos naufrágios
Do destino
Amor e dor
Desde menino
A fera esperava
Como um carcará
Quer tanto bem
À sua presa
Que lhe dá
O que tem
Mesmo quando
a estrela leva
tudo que’lhe vem.

E a alma explode
Em flor, com o amor
Você vai sorrindo
Sorrindo
Com o dedo
Em riste
Pra quem
Não existe.



(Cristiano Jerônimo – 23052019)

sábado, 18 de maio de 2019

Corações de cata-ventos


Lá do alto do vale do catimbau
resisti a mais brava tentação
vi toda vastidão do meu sertão
pulsação, de um bioma anormal
olhando o alto do céu do infinito
uma forte tentação para voar
passou voando no sono de um mito
às vezes, de longe, o mar e o grito 
uma luz com brilho paira neste mar
algo que habita em todas essas eras
tão tenras e pueris em meio à terra
como um cálculo vil que ainda se erra
Encarando a exuberância do ventar
vai, que se sairás tão bem no tempo
energias com grandes movimentos
serenando aquilo o que não é igual
matando tudo aquilo que é do mal
profundos corações de cata-ventos.


Regra predominante: ABBAACCDDC
(Cristiano Jerônimo – 17052019)

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Direito de pensar



Foi quando eu
E o computador
Silenciamos,
Sem olharmos
Um para o outro,
Ficamos pensativos.

Constatamos
O tamanho da crise
Que se abate
Sobre o povo
A nossa resistência.

Quando a política
Dispara contra a ciência
É o fim de quem elabora
Quem pensa em paciência
Pode começar a exercitá-la
Agora.



(Cristiano Jerônimo – 16052019)



Não me tolera? Reza pra mim!



Tolerância com as diferenças
só fala quando a gente sente
no mais, “isso tudo é frescura”
nos olhos dos outros, pimentas.

A intolerância inicia em casa
alimentada na sala da escola
competitivo e óbvio mercado
nas religiões, nos estádios,
no cabelo, da cabeça aos pés
no que se usa e abusa a lambuja
cada átomo de fé e existência
seguem as eras e depois se vão.

Eu vivo é por pedaços de céu
na casa do general nasceu um poeta,
na do outro um coronel.
o filho do comendador é gay
vocalista de uma banda de rock
tudo pode o que é tudo pop
o garoto legal tinha fama de rei.

Criança sufocada! Criança ferida
menino pra morte! também para a vida
criança no ovo furando a casca
já sai ciscando em busca de comida
não sabe, nunca viu uma mesa farta
e a mãe com a asa partida
digere toda essa dor
que vem de onde ela nem imagina
mas o seu terço abençoado vê
o tamanho do buraco
que há em mim
e que eu busco sempre
encontrá-lo
para tapá-lo
mas é depois do fim...
Não me tolera?
reza por mim...



(cristiano jerônimo – 16052019)

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Oráculo



Para a poetisa amiga Érika Renata

Universo
Verso único.
Oniverso
A poesia
Do dia a dia
Da beleza de Maria
E do universo pulsante.

Na eternidade do tempo
E noutras dimensões
Novas vidas, os afazeres
Aqui do lado.

Onipotente
Onisciente
Onipresente
Que não intervém.
Deixa.

A cada dia basta
O seu mal
E a sensação
De que tudo isso é real
No rastejar,
Somos primitivos,
Muitas vezes
Imprensados
Pelas forças do mal.

Na prática não é real
Mas sua mente
Precisa saber ao certo
O que diz seu mapa astral.




(Cristiano Jerônimo Valeriano – 15.05.2019)



segunda-feira, 13 de maio de 2019

Impressos decadentes



Máquinas de chapas brilhantes e fotolitos
Cortejadas off sets de mesa para os gritos
O futuro da impressão não ficou bonito;
Máquinas nas gráficas iniciam o gemido.

Rotativas CMYC antigas RGB
Máquinas muito modernas
Imprimem cada vez menos
Os encartes dos impressos.

Metade das redações só faz on line
Não há mais nas bancas, revistas e jornais
Ele por ele mesmo, as revistas musicais
O universo virou-se para outro lado.

Por isso, agora, calado, sei que
Há mais computadores ligados
Do que jornais e revistas fechados.
Do imediatismo do amanhã,
Só se leva o que é lembrado.


(Cristiano Jerônimo – 13052019)

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Mar reticente



Para Lula Côrtes – Nos seus 70 anos
Se tu estivesses
Comigo hoje
Pintando...
Enquanto conversava e fumava
As fumaças de um tempo bom...
Um tempo de aflição, mas de ternura,
Não ia passar em branco, com amigos.

As velas iluminariam a luz cortada
E um monte de gente achando nada.
Escravo e amante da pintura por labor
Valor de todo o caos em que lambiam
Em gestos de “carinho” e “muito amor”...

Quando aquelas crianças aprendiam arte
E merendavam iguarias que providenciavas,
Estavas recompondo um pedaço do tempo.
E, como o tempo só segue numa direção,
Fostes sempre um bruxo de bom coração.

Notícias de que estamos bem. Sem reclamar
E aqui na terra continua reticente o teu mar,
Seu Lula.

E tu estás no mar e olhando o sereno
Cuidando dos mastros das embarcações
Mirando com teus olhos esverdeados
Seguido teu melhor caminho então traçado.


(Cristiano Jerônimo – 09052011)

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Se ela tem coração



A menina de amarelo
Neste céu azul
Saída de seda
Corpo quase nu.

Seu vestido
É uma vitrine
Para os seios
Seus desejos.

Insaciáveis vezes
Digo ao seu ouvido:
Coração de malandro
Não pode ser iludido.

Você subiu na lancha
Com outras bailarinas
Eu fiquei só te olhando
Na solidão dessas marinas.

Dizem até que baixou
Na Coroa do Avião,
Eu não sei...
Se ela tem coração.


(Cristiano Jerônimo – 06052019)

Clássicos revolucionários

Um encontro à toa Com um garoto gente boa Tendo riscos coloridos Risos pelo corpo ardido Sem resistência ao coração Quando se abre a esperan...