terça-feira, 21 de julho de 2026

Eu sou Sertão


Sou sertanejo

Uma espécie cactácea em extinção

Dou as flores mais formosas

Tenho frutos para os pássaros

E os espinhos para nossa proteção.

 

O casaca-de-couro e seus gravetos

O glaustro do exótico João de Barro

A camuflarem de um camaleão

Uma coruja, uma iguana no sertão.

 

Nas rochas e baixios do meu Moxotó

Há tantos brincantes encantados sós

A Serra da Zabumba e a sua percussão

São fatos, são lendas e existem entre nós

Nosso imaginário, caipora e mãe da lua

São as lágrimas do sol quente do sertão.

 

Carros de boi, teju na estrada e os tatus

Nada deles fui eu quem postou no mato

O fogo vertigem da salamandra e do rato

Que comemos um dia da sua espécie, o preá

Eu sei lá. Eram tempos de caças que cessaram

Foram alvoreceres que também repousaram

E as manhãs de neblina na serra tudo pagaram

Com dias incertos na vida de uma família rural

Que se perpetua, há séculos, no memo local...

 

 

(Cristiano Jerônimo - 21.07.2026)

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Violinos violetas

 


Se a canção se for

A gente vibra som

A gente vai lá feliz

O palhaço ainda existe

Intangível solução

Faz do amargo

Uma bela canção

Foge para ser feliz.

 

Cacos do nada

Vida que diz seguir

Eles não sabem

Eles não voam

E acabam-se

Por eles mesmos

Os tiranos vocalizam

Sons aos quais sós

Sem saber que amanhã

É tão distante.

 

Não fique triste

Porque lá tem coração

As abelhas são mansas

Elas não têm mais ferrão

É no amanhã que se vive

Mate o ontem que te fere

Seja aquele que nos serve.

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano- 20.07.2026)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...