Sou sertanejo
Uma espécie cactácea em extinção
Dou as flores mais formosas
Tenho frutos para os pássaros
E os espinhos para nossa proteção.
O casaca-de-couro e seus gravetos
O glaustro do exótico João de Barro
A camuflarem de um camaleão
Uma coruja, uma iguana no sertão.
Nas rochas e baixios do meu Moxotó
Há tantos brincantes encantados sós
A Serra da Zabumba e a sua percussão
São fatos, são lendas e existem entre nós
Nosso imaginário, caipora e mãe da lua
São as lágrimas do sol quente do sertão.
Carros de boi, teju na estrada e os tatus
Nada deles fui eu quem postou no mato
O fogo vertigem da salamandra e do rato
Que comemos um dia da sua espécie, o preá
Eu sei lá. Eram tempos de caças que cessaram
Foram alvoreceres que também repousaram
E as manhãs de neblina na serra tudo pagaram
Com dias incertos na vida de uma família rural
Que se perpetua, há séculos, no memo local...
(Cristiano Jerônimo - 21.07.2026)

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