quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Que miséria...

O ácido invisível dos dias,
A magnésia dos tempos;
A busca pelo tempo perdido
É inútil e também inócua.

Os galopes percorridos
E as ferraduras apagadas
Não nos levam a nada.
Diferente do caminho.
                               Da estrada.

A desidratação da vida.
Essa estranha paciência;
Um modular entre o ser feliz
E a verdade de que não está bom.

Os colapsos são nervosos
E de paralisação de obras.
São sempre para cumprir a Lei.
A Lei de Murphy.

Podre sertanejo. Pobre citadino.
Ser humano atordoado em desatino.
Os meninos correndo secos pelas ruas.
Do outro lado, duas “noiadas” tão nuas.

Que miséria!





(Cristiano Jerônimo)

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