sexta-feira, 29 de maio de 2009

Tratado psicosocial ecumenicamente cristão

Quadro de Lula Côrtes, aquarela sobre papel canson, 0,7 metro X 1 metro, criado para a capa do livro Redenção de Poeta, editado e lançado em 2008 por Cristiano Jerônimo.

No silêncio ensurdecedor da nossa consciência,
Descobrimos a voz que vem do lado mais alto.
Querendo nos mostrar o caminho mais correto,
Apesar do homem já vir com algo que angustia.

Se oprime e não há coisas que possam amenizar,
Os nossos conflitos com nós mesmo, com o Criador,
Também com os nossos semelhantes e o meio,
Nos deixam muitas vezes infelizes e alheios.

Deus fez as coisas para serem usadas
E as pessoas para serem amadas.
Mas nós amamos muito mais as coisas
E usamos cada vez mais as pessoas.

Contradições entre o que deveria ser feito
E o que realmente, na prática, a gente faz.
Amar ao próximo é muito importante, mas
Existem mais coisas entre nós e os céus.

Não vamos manter o mundo com curto pavio,
Enquanto os seres humanos vivem perturbados.
A internet é um veículo de comunicação moderno
Que aproxima pessoas distantes e afasta pessoas
Próximas do quarto ou da sala, ao nosso lado.

Há um buraco em nosso peito que é único,
E exclusivo para ser preenchido pela alma,
No qual coisas nem ações podem completar
E pelo qual pagamos o preço da nossa liberdade.

Desde a Mesopotâmia de Ur e dos Caldeus,
Existe uma beleza para cada coisa da vida.
De Abrão e Sara, nasceu uma grande nação,
De Ismael, os nossos mouros mulçumanos.
De Isac, o sangue que não foi derramado em vão.
Até que o Divino se fez humano e aqui chegou.

O povo de Deus reunido em qualquer lugar,
Sem igrejas de conflitos com o nosso Criador.
A igreja é santa e, ao mesmo tempo, pecadora,
Porque nos mistura com o que há de Divino.

Nós não somos pecadores porque pecamos,
Mas pecamos porque somos todos pecadores.
Não adianta ser fiel à nossa própria doutrina
Em detrimento do amor maior ao nosso Deus.

Para quem tem fé, ama e também perdoa,
É preciso uma dinâmica não estática e ágil.
No físico, emocional e mesmo no espiritual.
Um relacionamento com conhecimento.

Jesus não veio para os santos da igreja,
Mas para a própria escória da sociedade.
E a espiritualidade sadia produz frutos,
Como aceitar ao contrário com tolerância.

Jesus, em sua passagem, não criticou ninguém,
A não ser os doutores da lei, grandes religiosos;
Fariseus com alma de víboras, sepulcros caiados.
Enquanto a verdade só é dita para quem a vive.

Na hora, todo o pecado é, por hora, gostoso.
A tentação em nossa vida é mais que normal,
Mas cair nas armadilhas é uma falta espiritual.
Quem não controla as emoções são os bichos.
E a forma de não cair é estar perto de Deus.
Nas fotos da Caras todo mundo ri por fora
E por dentro, muitas vezes, para e chora.

Mas a fidelidade de Deus não depende da nossa;
Quão bom é o que muitos chamam de destino...
A sinceridade com nós mesmos é o mínimo,
Porque a vida nos julga pela nossa mente e ação.

Casamento perfeito é aquele capaz de autocura,
E só somos felizes de verdade com a diferença.
Mas aquele que encobre as suas imperfeições
Nunca irá crescer ante os olhos puros do Universo.

Somente aquele que se vê sujo pode ser lavado,
Somente aquele que acolhe poderá ser perdoado.
Se quiser ser feliz por um dia, pode vingar-se.
Mas, se quiser sorrir para sempre, perdoe.

Precisamos de ação e não de lugares sagrados.
O jeito como nos conduzimos representa muito mais.
Não seremos mais coniventes com essa sociedade,
Cada um tem a sua forma de mudar este mundo.

Tudo o que é grande nasce muito pequeno.
No entanto, precisamos crescer muito mais.
Temos um buraco que só o divino preenche.
Ambiguidades geram dramas, nada mais...

Conscientes das faltas nas aulas da vida,
Iniciamos nosso processo de transformação.
Desobedientes às regras da nossa vida,
Só poderemos avaliar o descaminho no fim.

E a vida nos dá, divinamente, novo recomeço
Para iniciarmos a nossa nova transmutação.
Mas, cuidado, cada concessão aproxima o abismo.
E o arrependimento é a mudança fiel a salvação.

Cada um de nós influencia nosso próprio ambiente.
Podemos ser agentes dos dois lados da moeda.
Salvadores, multiplicadores da palavra e da ação;
Indutores do próprio processo de modificação.

Mas ainda é preciso uma ética maior que a ética,
Um compromisso com o que nos torna eternos.
Uma verdade invariável além do céu e da terra,
Como a expansão inexorável da matéria viva.

A salvação é uma ficha que não para de cair nunca.
Mesmo num mundo de comunhão e amor mútuo,
A cruel intransigência e a desagregadora mentira
Fazem com que os opressores pisem nos oprimidos.

Vamos continuar juntos nossa longa caminhada,
Pois, com a graça que vem da própria graça,
Com força e com a nossa manga arregaçada,
Vamos todos juntos semear a paz e o bem.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

1977 (a praça)



Sete vezes sete
Pecados e perdões
trinta e um anos
Longe dos sertões.

Olho a praça e acho graça
E o povo vem e passa,
Recordando as imagens
Da minha tenra idade.

Já não moro na cidade
Nem cultivo no campo.
Sou um homem global
Com as raízes da rural
E do jipe do meu pai.

Agora venho e passo
Como a vida fosse praça;
A cidade onde chorei,
Nasci, vivi e emigrei


Não me lembra a desgraça!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Fragmentos de um desejo*


“Ninguém me dá a chave pra a abrir a porta certa;
Mas a porta errada eu encontro sempre aberta”.
Cabe a mim querer ou não entrar...
“Nada era como eu imaginava;
Nem as pessoas que eu tanto amava”.
Só eu pra perdoar...
“Você esperando respostas, olhando pro espaço;
E eu tão ocupado vivendo. Eu não me pergunto. Eu faço!”
Posso muito me decidir...
“Mas é sempre mais fácil achar que a culpa é do outro:
Evita o aperto de mão de um possível aliado.
Convence as paredes do quarto e dorme tranquilo,
Sabendo, no fundo do peito, que não era nada daquilo”.
Dividamos então, juntos, nossos ônus e bônus...
“Madeira de dar em doido vai descer até quebrar:
É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”,
Justiça na terra como no céu...
“Quando as estrelas começarem a cair,
Me diz, me diz, pra onde a gente vai fugir?”
Perigo é estar vivo. O pior não é nada!
“Viver é como andar de bicicleta:
Se parar de pedalar você cai...”.
Pra quem sabe olhar para trás,
nenhuma rua é sem saídas.
Calma, você vencerá!!!


* A maioria dos versos são excertos de letras de compositores brasileiros, devidamente aspeados.

terça-feira, 24 de março de 2009

Renato, o mundo é uma comédia!


Renato,
A humanidade,
Realmente,
Ainda tem chances.
E o mundo
Não é esse desastre
Que aí está...
Ainda existe alguém
Com quem conversar;
Alguém que, depois,
Não use o que dissemos
Para nos prejudicar.
Renato,
Se o mundo é uma tragédia
Para os sentimentais,
É uma comédia
Para os intelectuais.
Não esqueça,
Onde estás...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Mudanças no mar do infinito


"Nós devemos ser
A mudança
Que queremos ver".
Fazer o que da boca
Sai e profetiza
Porque só se eterniza
O que da alma vai
Navegar no infinito.
Nós devemos ver
A mudança
Que queremos ser.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Revolução do mundo


Mudemos, pois, primeiro, a cada um de nós e o mundo então será revolucionado


Cristiano Jerônimo

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Por vir (o poeta)


O poeta não é sábio
Não é mal nem é do bem.
Quando vai alguma coisa
Vai também um novo além.

Entre as tuas janelas,
O poeta está à mesa.
Deslumbrando teus sonhos,
Tuas cores e aquarelas.

Ele não é mole nem é duro.
Se for sem cheiro não se mede.
É tão são e ao mesmo tempo absurdo;
É imóvel que se mexe.

Nas tuas ruas me perco.
Vou achar sem partir
Fixando residência ao teu lado
Como é o que se foi
E o que está por vir...

domingo, 16 de novembro de 2008

Mototrilha 2


A trilha é um caminho
Onde os fracos não têm vez.
Não dá para desistir,
Nem há como voltar...
Depois que inicia!

A vida foi feita
Para andar
Em duas rodas
Ou, no mínimo,
Em dois pés...
Eis o caminho!

A trilha é um caminho
Onde os fracos
não vão mais
(quando sobrevivem).
Se persistem,
Tornam-se fortes
Em superação!

No mesmo caminho,
Muitos caíram
E outros passaram
Incólumes,
Diante dos mesmos
Obstáculos...

A diferença
É que uns tentaram,
Outros não.

Cristiano Jerônimo
16.11.2008
(Aldeia – Camaragibe)

Mototrilha 1

A vida é como o obstáculo de uma trilha de motocicleta; onde, depois de descer o barranco, entramos na lama grossa atolando. Ainda temos que subir uma estrada escorregadia...

Podemos achar que não conseguimos. Mas é preciso tentar...voltar, embalar de novo, subir...e ver que, depois de todo esse trabalho, há uma paisagem e um céu azul, estampado e maravilhoso – com ventanias.

E a montanha desce, o rio aparece e a lama encrosta, parecendo que a gente não vai resistir...

Mas, uma força maior vinda de Deus, oriunda do Cósmico, faz com que a gente prossiga, com que a gente insista! A nossa motocicleta se mantenha viva; forte com seu ronco, este ronco da vida...

Quando a gente dorme e acorda, percorre outra trilha, pois até o mesmo caminho nunca será igual; nem aos domingos, nem às quartas-feiras, nem todas as besteiras que aconteceram irão permanecer...

Pois o dia de hoje é igual ao sol: nasce de novo todos os dias...

Mototrilha 1

A vida é como o obstáculo de uma trilha de motocicleta; onde, depois de descer o barranco, entramos na lama grossa atolando. Ainda temos que subir uma estrada escorregadia...

Podemos achar que não conseguimos. Mas é preciso tentar...voltar, embalar de novo, subir...e ver que, depois de todo esse trabalho, há uma paisagem e um céu azul, estampado e maravilhoso – com ventanias.

E a montanha desce, o rio aparece e a lama encrosta, parecendo que a gente não vai resistir...

Mas, uma força maior vinda de Deus, oriunda do Cósmico, faz com que a gente prossiga, com que a gente insista! A nossa motocicleta se mantenha viva; forte com seu ronco, este ronco da vida...

Quando a gente dorme e acorda, percorre outra trilha, pois até o mesmo caminho nunca será igual; nem aos domingos, nem às quartas-feiras, nem todas as besteiras que aconteceram irão permanecer...

Pois o dia de hoje é igual ao sol: nasce de novo todos os dias...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Portas e Cancelas


Nos meridianos do teu corpo,
No semblante de menina,
A tua pele agita meu sangue.
E nada disso é muito pouco,
Se olhas para o lado na esquina
Livra-tes das antenas deste povo!

E caies em mim como água
No rio em correnteza ao oceano.
Por gravidade, se apaga
E se acende sem engano,
Dia e noite se acabam
E as semanas viram anos...

Neste teu olhar cintilante,
Brilham confetes para mim.
Na energia da magia delirante,
Rosa e verde no jardim
São as cores do coração
E os tons essenciais da emoção.

Te resguardas quando dormes,
Para o dia amar teu brilho,
Felicidades e paixões enormes
Para andar sempre nos trilhos.
Cabeça arejada nas janelas,
Abrindo as portas e as cancelas...

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...