segunda-feira, 24 de abril de 2017

O rumo do remo


O rombo está no roubo,
Não tem nem como se livrar.
O dono do poder está louco.
Com um afeto distorcido no ar.

Mas se o roubo aumenta o rombo
Abrir os olhos, frio e sem paixões
As coisas são como elas são e são...
O rumo do remo só você pode dar.

Convidamos policiais armados
Todos pra ficar do nosso lado
Pra lutar pelas melhorias sociais.
Mudar decisões absurdas e nefastas.

Se o que está embaixo é o de cima,
Eu vou primeiro porque tô atrasado.
Perdido no gelo desta sala e o clima;
Ah! Desse jeito, eu tô ficando aperreado.

Grileiro mata, garimpeiro mata, o ouro;
Cinta Larga vende diamantes para fora.
A motosserra tem voz e apetite de leão.
Saúde-se Chico, Irmã Dorothy, os Nortes.

(isso tudo sempre valerá a pena...?)


(Cristiano Jerônimo)

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Um cangaço de afeto


Sede na subida da serra,
Água de cabaça pra beber.
E a capemba do caldeirão
Vem do pé de coco catolé.

Esses brejos de altitudes...
Deviam descer pra caatinga.
Esses brejos de altitudes...
Frios, mata densa no sertão.

Olhos d’agua na estrada
Grota com água corrente
Mentira que era rachado
E seco que só televisão.

É tão curta essa distância
Que a gente anda calado.
Aprendemos na infância
a nunca ficar de dois lados.

Esses brejos de altitude...
Deviam descer pra caatinga.
Esses brejos de altitude...
Frios, a riqueza do sertão.



(Cristiano Jerônimo)

terça-feira, 18 de abril de 2017

Não sobra nada

Para o crime, usam balas
Para o jogo, vivem blefes
E toda vez que a gente cala,
O baú é assaltado pelos chefes.

Para a revolta, cassetetes e gás.
Sem saber que somos todos iguais;
E, para ser bem quisto lá em cima,
Só precisa mudar o enredo da rima.

Mas são versos caticocos demais
Para serem reais e dizerem o real.
As palavras bombardeiam ao lado,
No escrito, no que é visto e falado.

A manipulação das boas notícias velhas;
As novas ainda virão. Estão guardadas.
Para o dia em que Comissão da Verdade
Resolva descobrir porque não sobra nada.




(Cristiano Jerônimo)

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Confeito do Santo Amarão

Não sei mais se corro da polícia ou do ladrão.
O Estado garante o discurso para a população.
Sinto efeitos, ouço “quem são eles?”.
“Quem eles pensam que são?”.

Porque a bala é de borracha, mas mata.
Sob o comando de qualquer tirano.
Que se esconde atrás de uma farda
E não entende nosso direito de lutar.

A bala foi mirada no sexo do rapaz,
Que levou tapa na cara depois de ferido.
Seria tudo muito corriqueiro e em paz,
Mas a revolta da família e amigos reunidos.

A banda podre entra nos becos das comunidades
Desde quando eram veraneios, preto e branco;
Fuscas com uma sirene ligada em plena operação.
A padaria, que era boa, dava lanche aos soldados.
Que matam quem querem com munição do Estado.

Aliás, pra que servem os soldados formados pra morte?
O que os investimentos no espaço resolvem de concreto?
Quanto custa – todos têm que ter – uma ogiva nuclear?
Qual o segredo da realidade que habita em nossa mente?





(Cristiano Jerônimo)

domingo, 9 de abril de 2017

Terra firme



As cartas náuticas
para mergulhar.
pessoas não têm;
elas são enigmáticas.

as bússolas indicam
a direção das barcas,
das antigas caravelas;
coordenadas do navio.

Os mastros do vento
da vela que leva no mar.
A embarcação lusitana
E uma cigana escondida.

Como era navegar no mar
imenso e revolto em 1498?
Quando estavas lá à deriva,
pedistes ajuda aos outros.

O mais é aportar num cais
e sentir a segurança de estar
num lugar de passagem
mas com ar de terra firme.



(Cristiano Jerônimo)

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Analina bailarina

Analina bailarina
Era uma menina
Viciada em Ritalina.
Ana linda sem sina;
Mergulhando na maré
Puxada para o rio.
Podre o Beberibe,
Intocável Capibaribe.

Analina baila no barco
Entres tantas barcaças
Da vida deste rio morto.
No Cais da Aurora
E nos Coelhos,
Catamarãs
Só mostram
Os belas pontos
E os palácios do poder.

Analina rebola no píer
Segura a corrente
Do navio e quer zarpar.
Quer atravessar o oceano
Dar um salto no engano
E transpor-se a pular.

Analina tem um cavalo
Prateado. Loura crina
Que segura esta menina
E ensina-lhe a galopar.
Seu galope é certeiro
Cai nos braços do vaqueiro
E vem da América aboiar.



(Cristiano Jerônimo)

sábado, 1 de abril de 2017

Tranças de teias


Ai meu Deus, como está difícil!
Encontrar uma gata para namorar.
Não sei se é porque não é possível
Existir duas pessoas iguais para amar...

Misericórdia meu Pai, são só dois.
E tanto sacrifício de todos os suplícios.
Mande grana que a onda é muito cara.
Custa cabelos, alfinetes, vudus e sorrisos.

Postos em minha frente vendo fuga e vazio,
Sentindo no peito o frio que ainda é frio
E vislumbrando o sol que já conheço há anos.
Onde, muitas vezes, refiz os seus planos.

Se não me acalmo, me acho com o canto do mar
Presenciando estrelas, aviões e as luas cheias;
Calma! Também não precisa gritar para ouvir-se;
Nem se ocupar em trabalhar com tranças de teias.




(Cristiano Jerônimo)

terça-feira, 28 de março de 2017

Tempo, tempo, tempo...


O teu belo de saber...
Combustível pra viver
Do que aprendi de bom;
De ter prazer só em estar.

Teus lábios molhados...
São pontinhas de língua
Que passam e contam papel,
Em branco, para escrever
e pintar.

Teus olhos são verdes
Do florescer do mel.
Na varanda, uma rede.
E tantas serras..., serras...

Os teus mistérios e lendas
São tuas histórias, e até mais.
Fundamental a nossa loucura
E o tempo, tempo, tempo, tempo...

(Cristiano Jerônimo - 28.03.2017)

terça-feira, 21 de março de 2017

Os contraditórios

(Vamos lá!)

Os psicotrópicos,
A contradição.
Esses propósitos
Uma outra ação
Positiva!
Altiva,
Umalternativa.
Uma solução.

Pra que
As partes vivas
Sejam positivas
Mais que uma canção.
Para que
Os sonhos ruins
Não venham mais;
Que o coração
Encontre a paz.

Os hipnóticos,
Os anestésicos,
As dores estéreis
E as cicatrizes
De Helena...
Sempre flertaram
Com a papoula
Da ilusão.
Que pena...

Os escritos
Seculares,
Os livros mais sagrados
Estimulam em nós a coragem
De trilhar essa jornada
Para chegar a um lugar
Tão difícil de encontrar.
Mas que vamos chegar lá!




)Cristiano Jerônimo(

sexta-feira, 17 de março de 2017

A testado

A cidadania, a astúcia e a arrogância.
A compaixão, o respeito e a nobreza.
A inveja, o egoísmo e a ganância.
Resignação, otimismo e esperança.

O medo, a fé, segredos, Santa Sé
Animais evolutivos, homem, mulher.
As chagas do orgulho então queimam;
As do amor como bálsamo aliviam.

A falta de lógica desta sociedade
A mentira, o disfarce e a verdade.
A luta pela tranquilidade da cidade
E por um grito abafado popular.

A mágoa, a indolência e a escravidão
Superam os muros e senzalas.
Estão aí pelas casas, hospitais em vão;
Alguma forma de tentar capturá-las.

O sonho, a utopia, e o propósito
Ferramentas para alta performance
E, com elas, um grande desempenho
Para se obter um atestado de óbito.



(Cristiano Jerônimo – 17.03.2017)

domingo, 12 de março de 2017

Pro que você quiser

Sente angústia
Mas passeia.
Tira a meia
E vai pro mar.

Tanta alegria,
Riso e tédio.
Não há como
Não escapar.

Estava triste
Com o pierrô.
Sorrindo
Nas ladeiras
Que são lindas
E tão íngremes.

Tanta felicidade
De tanta gente
Metida a feliz.
Ouve-se lamentar.

Eu não sou piano
De caldas ou oboé;
Só porque eu sirvo
Pro que você quiser...


(Cristiano Jerônimo)



As feras que somos

Ao Boqueirão da Barra O disco acaba, mas o samba segue solto Sempre tem a festa do pessoal do morro Carne assada e sangue no pandeiro ...