sexta-feira, 7 de agosto de 2026

As feras que somos


Ao Boqueirão da Barra

O disco acaba, mas o samba segue solto

Sempre tem a festa do pessoal do morro

Carne assada e sangue no pandeiro

Herança das senzalas e dos guetos.

 

Tudo posto ali em nossas lisas mãos

Com a matéria e a essência do feliz

Vamos ver as incógnitas emoções

Pra fazer o que a gente sempre quis.

 

Bem pior do que o último episódio

De uma série interessante da Netflix

Sem espaço para o rancor ou o ódio

Pior do que o fim de um milk shake.

 

Aquele saboroso suco doce de limão

Na feira de frutas, coco e chimarrão

Como as noites estreladas do Sertão.

Com a espada que herdei de Lampião,

Tangi as onças e as feras que nós somos.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 07.08.2026)

Um comentário:

  1. Noites estreladas do Sertão. Consigo imaginar e sentir. Parabéns ao autor.

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