segunda-feira, 8 de maio de 2017

Extremo


Esse calendário gregoriano
Esse relógio ponteiro suíço
Não nos fala sobre os anos
Mas exigem metas e planos

Na velocidade da rede 30
Os extremos se aproximam
Os esquecidos se eternizam
E os macacos usam as tintas

Essas datas católicas históricas
São Benedito da mesma retórica
Gostar sem ser correspondido
E ainda ter capacidade de amar

Não há mais egípcio lutando
Abaixo do Mar Vermelho
Nem há mais tolos índios
Se encantando com espelho

Práticas de assalto ao fraco
Natureza da própria fraqueza
Que veem o brilho da riqueza
E não sabem nem administrar.


Cristiano Jerônimo

Paz de espírito


O que fazer 
quando somente 
a mágoa preenche
a dor e o vazio...
Tenebrosos
Calafrios...

E o frio a só
Refrigera
Alma gêmea
Que perdeu
Seu irmão...

Deixe o verde
Da mata e o luar
Entrar-lhe na alma
E lhe transformar.
Te ensinar...

A usar a dor e o vazio
Para crescer e ver apenas
Que o nada é mesmo impreenchível
E a paz de espírito é bem melhor...


(Cristiano Jerônimo)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Versos simples


Versos simples
Falam de timbres
Dourados e azuis;
Colmeias de borboletas...

Fala macia
Versos de aço
Veem pedaços de vida
Na palma da própria mão.
A cigana reverencia
Seu deus condenado
Por um tolo pecado
Que a igreja criou...

“Bruxas” curam, elixires.
Já as fadas nunca fazem nada.
Se garantem sempre na varinha
De condão e seus poderes pueris.

No país
dos versos
simples,
cadência,
música
e essência,
Não há espaço
Só frequência...

terça-feira, 2 de maio de 2017

Gratidão


Para aqueles que nos deram as costas,
Temos amigos que nos deram a mão...

Para aqueles que não entendem e julgam,
Temos o preço livre da liberdade e da vida.

Fazemos tudo pra fechar nossas feridas,
Crônicas, agudas, fruto do estresse dos dias.

Junto com a corrosão do ferro da maresia,
Amores foram oxidados pelo vento do sul.

Que pôs fim, levou, que foi ruim e foi bom.
Não era mesmo amor o fruto da paixão...

Para aqueles que nos estendem a mão,
Temos todo o afeto e a devida gratidão.




(Cristiano Jerônimo - 02 de maio de 2017)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O contraditório



Te enxerguei na neblina.
Uma névoa com ventania.
Encontrei em frente ao mar,
Beijei tua boca sabor de sal.

O vento dissipou e eu entrei.
A porta estava aberta, eu sei.
Cada um se garante em tese,
Sem contar com o que não fez.

O medo sem frio na barriga,
O contraditório sem intriga,
Mergulho sem nenhum medo
Dentro de um espelho d’água.

Cuidado com o outro, atento...
Como se tivesse cuidando de si.
Cuide de você também sem dó.
Para que alegria não dê um nó.

Quando dizes que sabes e tal
Penso no que a mente produz.
Afaste-se tudo que faz o mal
E que a estrada irradie a luz...





(Cristiano Jerônimo)

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Se alternam



Cataclismos, seca e procelas
Água que não brota da serra
Bicho que não bebe e morre,
Até a onça vai comer os bodes.

Noutra metade da década, água
Sua queda é como chuva de ouro.
Com a minha avó, conheci anáguas
E com meu avô, a amansar touros.

O sertão, na verdade, é composto
Por dois sertões que se alternam.
Um que massacra e mata o bioma,
Outro que é paraíso e sempre soma.

Gado que morre. Vidas de colarinho.
Gente que morre. Morre sozinho.
Tem gente que não tem vizinho
E os mísseis nucleares são diversão.

Ninguém me engana neste cenário
Estou entre o “nunca” e o “é o jeito”;
Não aquele poder que acaba o Rio
E a cidade de Afogados da Ingazeira,
No Sertão.


(Cristiano Jerônimo)

segunda-feira, 24 de abril de 2017

O rumo do remo


O rombo está no roubo,
Não tem nem como se livrar.
O dono do poder está louco.
Com um afeto distorcido no ar.

Mas se o roubo aumenta o rombo
Abrir os olhos, frio e sem paixões
As coisas são como elas são e são...
O rumo do remo só você pode dar.

Convidamos policiais armados
Todos pra ficar do nosso lado
Pra lutar pelas melhorias sociais.
Mudar decisões absurdas e nefastas.

Se o que está embaixo é o de cima,
Eu vou primeiro porque tô atrasado.
Perdido no gelo desta sala e o clima;
Ah! Desse jeito, eu tô ficando aperreado.

Grileiro mata, garimpeiro mata, o ouro;
Cinta Larga vende diamantes para fora.
A motosserra tem voz e apetite de leão.
Saúde-se Chico, Irmã Dorothy, os Nortes.

(isso tudo sempre valerá a pena...?)


(Cristiano Jerônimo)

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Um cangaço de afeto


Sede na subida da serra,
Água de cabaça pra beber.
E a capemba do caldeirão
Vem do pé de coco catolé.

Esses brejos de altitudes...
Deviam descer pra caatinga.
Esses brejos de altitudes...
Frios, mata densa no sertão.

Olhos d’agua na estrada
Grota com água corrente
Mentira que era rachado
E seco que só televisão.

É tão curta essa distância
Que a gente anda calado.
Aprendemos na infância
a nunca ficar de dois lados.

Esses brejos de altitude...
Deviam descer pra caatinga.
Esses brejos de altitude...
Frios, a riqueza do sertão.



(Cristiano Jerônimo)

terça-feira, 18 de abril de 2017

Não sobra nada

Para o crime, usam balas
Para o jogo, vivem blefes
E toda vez que a gente cala,
O baú é assaltado pelos chefes.

Para a revolta, cassetetes e gás.
Sem saber que somos todos iguais;
E, para ser bem quisto lá em cima,
Só precisa mudar o enredo da rima.

Mas são versos caticocos demais
Para serem reais e dizerem o real.
As palavras bombardeiam ao lado,
No escrito, no que é visto e falado.

A manipulação das boas notícias velhas;
As novas ainda virão. Estão guardadas.
Para o dia em que Comissão da Verdade
Resolva descobrir porque não sobra nada.




(Cristiano Jerônimo)

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Confeito do Santo Amarão

Não sei mais se corro da polícia ou do ladrão.
O Estado garante o discurso para a população.
Sinto efeitos, ouço “quem são eles?”.
“Quem eles pensam que são?”.

Porque a bala é de borracha, mas mata.
Sob o comando de qualquer tirano.
Que se esconde atrás de uma farda
E não entende nosso direito de lutar.

A bala foi mirada no sexo do rapaz,
Que levou tapa na cara depois de ferido.
Seria tudo muito corriqueiro e em paz,
Mas a revolta da família e amigos reunidos.

A banda podre entra nos becos das comunidades
Desde quando eram veraneios, preto e branco;
Fuscas com uma sirene ligada em plena operação.
A padaria, que era boa, dava lanche aos soldados.
Que matam quem querem com munição do Estado.

Aliás, pra que servem os soldados formados pra morte?
O que os investimentos no espaço resolvem de concreto?
Quanto custa – todos têm que ter – uma ogiva nuclear?
Qual o segredo da realidade que habita em nossa mente?





(Cristiano Jerônimo)

domingo, 9 de abril de 2017

Terra firme



As cartas náuticas
para mergulhar.
pessoas não têm;
elas são enigmáticas.

as bússolas indicam
a direção das barcas,
das antigas caravelas;
coordenadas do navio.

Os mastros do vento
da vela que leva no mar.
A embarcação lusitana
E uma cigana escondida.

Como era navegar no mar
imenso e revolto em 1498?
Quando estavas lá à deriva,
pedistes ajuda aos outros.

O mais é aportar num cais
e sentir a segurança de estar
num lugar de passagem
mas com ar de terra firme.



(Cristiano Jerônimo)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...