segunda-feira, 15 de abril de 2019

nenhuma flor nem moeda



Na bandeira
da tribo tinha
uma gaivota
e uma andorinha
com ninhos no mar.

Na esteira
do destino
dos tribais
pela caatinga
na capoeira
tinha um fuzil
uma faca peixeira.

Na bandeira
da tribo tinha
paz e amor...
e um deboche
de desbunde
ao general
e seu doutor.

Movimento
vermelho
tingido
com sangue
nenhuma flor
faz sucesso
na tradicional
galeria
joanna d’arc
do pina up
copacabana.
na moeda
do lado b.
o que não diz
quanto é.
apenas a foto
do césar.






(Cristiano Jerônimo – 1542019)

sábado, 13 de abril de 2019

Poema do drama



Numa esquina ela rebola
Amanhã ela melhora
Não tem do que reclamar
Arruma tudo e vai embora.

Ela é alta, ela é baixa, ela é punk!
Se, deixar vira logo a rainha do funk!
De família classe média do meio da favela
Pensa que é a vida que faz isso com ela.

Mergulhe e dance; a água é tudo
Descanse um pouco; vá mais fundo
À noite toda mariposa se levanta
A vista de um homem de além-mar.

Teu amor, de 1652, está em meu coração
E uma lança pontiaguda mal intencionada
Para um Cupido cravar a arma no meu peito

‘Um homem e uma mulher juntos

Pode ser muito arriscado’...
Há chances das coisas serem encantadas
Ou a realidade ser materializada em lágrimas.

Numa esquina outra rebola
Amanhã quem sabe melhora
Não tem do que reclamar
Arruma tudo e vai embora.
Nem dá tchau!



Cristiano Jerônimo - 13042019

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Desabafos catalães



(Baseado em letras reais)

A minha única diferença em relação a um homem louco
é que eu não sou louco!
O termômetro do sucesso é apenas a inveja dos descontentes.
O céu não está em cima, ou embaixo, ou à direita, ou à esquerda;
está no centro do peito do homem que tem fé.
O primeiro homem a comparar as maçãs do rosto
de uma jovem a uma rosa era obviamente um poeta;
o primeiro a repetir isso era possivelmente um idiota.
Um dia terá que ser admitido oficialmente que o que batizamos de realidade é uma ilusão até maior do que o mundo dos sonhos.
O palhaço não sou eu, mas sim esta sociedade monstruosamente cínica
e tão ingenuamente inconsciente que joga ao jogo da seriedade para melhor esconder a loucura.
Não se preocupe com a perfeição - você nunca irá consegui-la.
Como posso querer que meus amigos entendam as coisas loucas que passam pela minha cabeça, se eu mesmo não entendo?
Você tem que criar a confusão sistematicamente,
isso liberta a criatividade. Tudo o que é contraditório cria vida.


(SD – Org. Cristiano Jerônimo)

terça-feira, 9 de abril de 2019

Nada a ver com o globo...



a rede globo é boa
a rede globo é ruim
ela come caviar
misturado com aipim
mas a globo é assim.

ela é de um jeito ruim...
exibe exuberantes jardins
cria a intenção do consumo
e não educa para ensinar
nem aos jovens dá um rumo.

apenas vive no toma lá, dá cá
tal negócio de “sobrevivência”
pra criar a cruel subserviência
e nos atordoar com excrecências.

as emissoras servem
aos encantos do dinheiro
na corrida, os que chegam primeiro,
são tratados como devem.

o brasil é bem assim...
uma hora é um milagre
na outra o prenúncio do fim
mas nunca acaba e segue assim.

misoginia, medo de cor e castração
mesmo no meio do país, contramão
um dia depois do concreto rachar
e todas as vidraças se estilhaçarem
no coração do tal planalto central...



(Cristiano Jerônimo – 09042019)

domingo, 7 de abril de 2019

Das almas perdidas


Que conversa!
mais conversa

mente com medo
vida de segredos
coisas de amigos
e amigas sinceras?

Vá sem conversas!
Apenas o papo real e reto.

Não é dos enlatados,
mas das almas perdidas
e dos caboclos juremados e Luz!

A ciência da intuição divina e da terra




Américas de DMT
Do sul, tom azul
Até clarear...
Pra você criar
Starts, play, go
Eu acho que eu
Vou. Legal estar.
DMT da caatinga
Mimosas moças
Envaidecidas riem.

E eu tomo um cupuaçu
Com um saco de paçoca
Conto trezentas histórias
E rumino tudo lá na loca.

Nós trabalhamos
Na terra e nos campos
Crianças felizes
Sem presunções
Temos dois catetes
E dois corações
DMT do divino.

Juremá, juremou
Onde anda o meu amor?
Das flores à raiz,
Juremar, juremou.

O cachimbo caboclo
Dimetiltriptamina
Dos pré-colombianos
Ameríndios desta terra
Portais e meridianos
Onde a raiz se enterra
E mostra a sua vitamina.

Minha raiz permeia
O solo sertanejo
(Me ajude por tudo
que pelejo)

“Um veio d'água na serra
É um olho d'água.
Um veio d'água no rosto
É uma mágoa a correr...
Um pingo d'água no rosto
É uma tristeza.
Um pingo d'água na rosa
É uma beleza pra se ver...”

Agora é hora de mergulhar
Da água para fora, sacudir
Cair, levantar, na terra
Na planta, no caule e no ar.

Juremá, juremou
Onde anda o meu amor?
Das flores à raiz,
Juremar, juremou.


(Cristiano Jerônimo – 07042019 – Na Jurema)


* Excerto incidental de trecho da letra da música “Um veio d’água”, composta pelo paraibano Luis Ramalho e imortalizada na voz da prima Elba Ramalho, de forma magistral.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Sei que sou só um





Há uma casa no topo da serra
Nós chamamos de Chalé do Sol
E tem sido meu contato com a raiz
E, Deus, eu sei que é só um...

Minha mãe era uma professora
Ela me ensinava quando podia
Meu pai era um mercador
No Chalé do Sol.

A única coisa que um comerciante precisa
É uma mala e um cofre;
Mas a única hora que ele se sente satisfeito
É quando está completamente bêbado.

Com um pé na plataforma
E o outro no trem
Estou voltando para o Chalé do Sol,
Para fugir da bola e da corrente.

Existe uma casa no caminho da serra
É o nosso estimado Chalé do Sol
Próximo da ruína daquela guerra
E, Deus, eu sei que eu sou só um.


(Cristiano Jerônimo – 05042019)


domingo, 31 de março de 2019

Blogo na Rua

Capas dos quatro livros do poeta e jornalista Cristiano Jerônimo

Caro leitor(a), poetas, romancistas e todos os escritores,


Nestes dez anos do Blog Poético Camaleão Literomania, fruto do Antagonismo Poético, postamos sempre poemas inéditos e recém-escritos pelo poeta e jornalista Cristiano Jerônimo. Atualmente são mais de 300 poemas disponíveis no espaço digital. Antes haviam sido retirados 230 do site, a fim de compilar um livro inédito de 160 páginas, intitulado “A mística da palavra”. São quase 600 poemas escritos no blog (www.cristianojeronimo.blogspot.com) traz também músicas e suas letras, escolhidas no universo do escritor e, neste domingo (31.03), os números são esses:
ü  Visualizações de página do mês passado                 2.088
ü  Visualizações de página de hoje                               70
ü  Visualizações de página de ontem                            46
ü  Visualizações de página do mês passado                 2.088
ü  Histórico de todas as visualizações de página         131.793

Não entendo da realidade do tráfego, mas fico feliz com o aparente movimento. Beijos!

Da mística da colheita (Longe da dureza dos regimes)


Nós colhemos porque plantamos...
Nosso plantio sai das próprias mãos
Sofremos as pancadas da escuridão
Como bichos em busca de luz e pão.

Chegamos à escolha do seu destino
Você bem sabe para onde a vida foi
Ninguém pode plantar algo por você
Você sabe bem para onde a vida vai.

Ela fez a busca do seu nobre perdão
De tantas sementes desperdiçadas
Nos será cobrada cada uma plantada
Até mesmo um centavo ou um tostão.

Qualquer coisa pura e despedaçada
E também as sujas e amareladas
Pelos cuspes das calçadas
Que rasteja o nosso irmãos.

Nada tira e Deus proverá!
No dia a dia os passos para lá
Para onde os dias são sublimes
Longe da dureza dos regimes.


(Cristiano Jerônimo - 31032019)

sábado, 30 de março de 2019

Calendário da fome de quê



Um dia nu
no marco zero
onde te espero
pra protestar

Um dia louco
no Acho é pouco
pra pipocar
até ficar rouco

Um dia Gil
outro Gal
a música
de agora
não tá legal

Fome de...
sede de...
tudo que
queremos
ser e ter
terça
e até mesmo
no domingo.


(Cristiano Jerônimo - 30032019)

sexta-feira, 29 de março de 2019

Congelamento do gelo



Muitas pessoas podiam ser mais cordiais
mas nem sempre o são
as pessoas podiam olhar mais com os olhos do amor
nem todos se amam.

E aí? você congelou seu erro?
neste louco e eterno tempo
chuvas e ventos lavam almas
que não mais encontraremos.

As pessoas podiam cuidar mais da própria vida
as pessoas podiam...
Adão vivia nu e puro no jardim,
mas estava lá a grande tentação,
a bifurcação da língua da serpente
oferecendo o que é mau para o que é bom (?).

As pessoas deviam cuidar mais dos seus problemas
decifrar em si mesmo os seus maiores dilemas
para entender o outro melhor e se entender(em).
as pessoas deste local compartilham o inferno,
um pedacinho do inferno para encontrar a luz
as pessoas podiam abolir de suas vidas a inveja
levar alegria em todos os lugares onde almeja.

As pessoas podiam tantas coisas
mas correm a vida inteira tentando morder o próprio rabo,
não ajudam chegar adiante, onde a vida é mais amável.
um dia teremos a sensação de que amamos e somos felizes!
saiba sempre que o inferno já baixou por aqui!

Se as pessoas se unissem sem esse egoísmo
Numa roda de bamba
Essas pessoas seriam pós
Sem vontade de fugir
pois contigo a gente conta
Para não precisar partir...



(Cristiano Jerônimo - 28032016)

As feras que somos

Ao Boqueirão da Barra O disco acaba, mas o samba segue solto Sempre tem a festa do pessoal do morro Carne assada e sangue no pandeiro ...