sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Soneto da estrada do divã



Bateria da nossa autonomia

pareces diferente das demais

tens energia para ser capaz

não te resumes a mercadoria.

 

Chave para ligar essa ignição

sem ter cópia ou ser copiada

é preciso viver mais estrada

necessitar de outras canções.

 

Cada um dirigindo a situação

identidade com outra função

a imensa rodovia do amanhã.

 

Manutenção da minha condição

não há nenhum domínio amanhã

deitaremos protagonistas no divã.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 19.09.2020 - Recife)

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

sábado, 5 de setembro de 2020

Paralelo 30



Música de mexer cachorro

ouvindo o galo desafinar

telas de talhar sabedorias.

 

brilhantes para lhe encantar

o sumo da mata quando lava

tintas frescas no colo de maria.

 

música para conquistar passarinho

e ter asas para visitar o seu ninho

aquarelas de visões apaixonadas.

 

estradas que formam um caminho

caminhos diários de uma estrada

(verde e deserta como eu sou...).

 

e nas viagens, você sempre rir à toa...

pouco preocupada... com as suas portas

com as veias todas leves num pulsar.

 

E Geraldo Luna continua a cantar para os saguis...

 

(Cristiano Jerônimo – 05092020)


quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Recursividade

 


 

Estou seguro

com amor

e temor,

substantivo

masculino
ato ou efeito

de temer

medo

sustos

nos sonhos
sentimento

de respeito
a uma coisa

que me causa receio,
pontualidade, zelo

e escrúpulo

comigo mesmo.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 26082020)

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Aquarela de encanto


Desafio reluzente

Que ofuscamente,

Como o azul do mar

Olhos que contemplo

Sua alma pra enxergar.

 

Ser, mais que bela

Uma aquarela

É teu encanto.

Mais que carne

Sexo ou beijos

Riso ou pranto

Tudo o que há.

 

Não sei como são

Todos os dias

Nem vou saber

Se és o mar

Ou se és as nuvens

Límpidas e brancas

Águas cristalinas

Correm sem cessar.

Sorte


Em isolamento pleno

Eu saí de casa

Cansado do rastejo

Procurando asas

Em outro lampejo

Eu andei em brasas.

 

Mascarado, mascarando

Minhas tantas dores

Procurando amores

Por onde ia passando

Não me encontrava

Corria e não chegava.

 

Sem encontrar lugar

Nesta esfera terrestre

Saí de trem do mar

Para a Estação Agreste.

 

Plantas e profissionais

Provocaram-me reflexões

Guardei fardas e canhões

Vesti a roupa da autonomia

Trabalhando o dia a dia

Ali bem no centro do norte

Percebi que não existe sorte

E que a vida vai além da morte.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 19082020)


quinta-feira, 9 de julho de 2020

O DNA do vazio (a dor não é real)



  • Meu DNA/ é absolutamente / sertanejo / e eu não acredito no que vejo. /

  • No calor endógeno que nunca se apaga / mas fortalece para novas batalhas.

  • A felicidade é uma mentira cotidiana / Já a dor também não é real. / Fomos nós que a criamos.

  • E como queijos suíços / com buracos e auspícios / miramos a meta de preencher os vazios que encontramos.


segunda-feira, 29 de junho de 2020

Ode aos versos livres


(Cristiano Jerônimo – 200620)

Seja então o teu manto sagrado
A estrela movediça está ao lado
Procura pela rua, a tua felicidade
Nos becos, nas travessas da cidade.

Não encontra o remédio perfeito
Para driblar essa louca ansiedade
Carrega calada no fundo do peito
Mesmo na estrada, a não realidade.

Ruas de paralelepípedos brilhosos
Pensamentos de solos rochosos
E a mania de achar que melhorou
Depois da serra, o vento fria a vista.

Se fosse na linha do trem, eu ia
Descer em Irajaí, Riacho do Mel,
Uma estação ferroviária e vagão
No meio do meio do nada sertão.

Não tinha medo da sua esperança
Nem medo do amor de 'inhá' Maria
Só medo da criança e seu coração
Desfila no andor dos anjos em ação.

Essa fome abundante de telescópios
Fotografias de 24 milhões de anos-luz
É mesmo para se mudar daqui e partir
Acabar planetas certos de sermos felizes.



(Cristiano Jerônimo - 27072020 - Revisão)

terça-feira, 23 de junho de 2020

Em séries



Melhor ir à igreja e à boate
Pela praia e nos retiros
Espiritualmente largo
“Saber do que gosta,
sem gostar de tudo que se sabe”.


Também sonho com Ícaro
Se posso me ver voar alto
Se aterrisso sem destino
E carregando desatino
Sou por dentro justo e amplo.

Nas andanças dos ciganos
Nos dissabores do engano
A paixão é uma aposta
Uma proposta de amar
E possuir com egoísmo.

O amor não é deste mundo
Apenas aparências pululam
E o incondicional não existe
Nem persiste nas intempéries
As ondas vêm em séries
Os cataclismos também.



(Cristiano Jerônimo – 22062020 – 11h09)

Por nada!

Mastigando terra Comendo a poeira Motocicletas roncando Napoleão lá guerriano Fuligens no asfaltos Na fenda do asfalto Nascem plantas florid...