sábado, 14 de novembro de 2020

Bonança


o mar carregado

dos destinos

das embarcações

dos petróleos

derramados

no nosso litoral

com motores e velas

que choram o coração.

 

sobreviver às intempéries

vagalhões oceânicos

e fendas abissais

do mergulho no nada

os sete mares e mais.

 

salvam e guardam a gente

conhecidos há tanto tempo

entre si.

 


Da série "Andréa Pereira"

eu tomo de mulher

uma contemplação

de ser humana, gente.

por isso, geralmente,

as palavras

mais bonitas

sempre ficam

pro final

do poema:

te amo!

 

 

 

(cristiano jerônimo – 14112020)


quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Testemunhas oculares


Para Andréa Pereira

Sob a luz

Dos teus cabelos

Vou entrar

Mergulhando neles.

 

Não é à toa

Que tantos filhos

Tenha o Zeus

Muito maior

Do que isso

É o Deus

que habita

em cada

um de nós.

 

O luar

Sem nuvens

E pouca luz

Sejam testemunhas

Oculares

Do que acontece

Conosco.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 12112020 – 14h54)

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

entrevista transpessoal


 Dedico a minha irmã, Andréa Carvalho

não encontrei na estrada nada do que pensei;

ontem era dia voraz e agora a noite devora um pedaço do meu coração.

meu coração se perdeu nas entrelinhas daquela minha canção.

 

baby desligue... oh baby desligue!, o rádio agitado do meu coração.

Baby confie... Oh! Baby. Confie. Esse blues não tem caminho.

baby procure... oh baby procure, yeah.

nas notas da minha canção…

 

esse amor de muito reencontrado nas matas

Percorre as ruas do passado da semente

Entende como cada passarinho voou...

 

e a nossa sinergia é um algo que não passa

mostrando a empatia transpessoal que espaça

sentimentos existentes no tempo e gravados.

 

é a estrada que eu nunca imaginei trilhar

é tudo muito bom. esperar muito de lá. dar

para preparar a terra e partir para plantar.


(Cristiano Jerônimo - 27092020)

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Soneto da estrada do divã



Bateria da nossa autonomia

pareces diferente das demais

tens energia para ser capaz

não te resumes a mercadoria.

 

Chave para ligar essa ignição

sem ter cópia ou ser copiada

é preciso viver mais estrada

necessitar de outras canções.

 

Cada um dirigindo a situação

identidade com outra função

a imensa rodovia do amanhã.

 

Manutenção da minha condição

não há nenhum domínio amanhã

deitaremos protagonistas no divã.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 19.09.2020 - Recife)

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

sábado, 5 de setembro de 2020

Paralelo 30



Música de mexer cachorro

ouvindo o galo desafinar

telas de talhar sabedorias.

 

brilhantes para lhe encantar

o sumo da mata quando lava

tintas frescas no colo de maria.

 

música para conquistar passarinho

e ter asas para visitar o seu ninho

aquarelas de visões apaixonadas.

 

estradas que formam um caminho

caminhos diários de uma estrada

(verde e deserta como eu sou...).

 

e nas viagens, você sempre rir à toa...

pouco preocupada... com as suas portas

com as veias todas leves num pulsar.

 

E Geraldo Luna continua a cantar para os saguis...

 

(Cristiano Jerônimo – 05092020)


quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Recursividade

 


 

Estou seguro

com amor

e temor,

substantivo

masculino
ato ou efeito

de temer

medo

sustos

nos sonhos
sentimento

de respeito
a uma coisa

que me causa receio,
pontualidade, zelo

e escrúpulo

comigo mesmo.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 26082020)

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Aquarela de encanto


Desafio reluzente

Que ofuscamente,

Como o azul do mar

Olhos que contemplo

Sua alma pra enxergar.

 

Ser, mais que bela

Uma aquarela

É teu encanto.

Mais que carne

Sexo ou beijos

Riso ou pranto

Tudo o que há.

 

Não sei como são

Todos os dias

Nem vou saber

Se és o mar

Ou se és as nuvens

Límpidas e brancas

Águas cristalinas

Correm sem cessar.

Sorte


Em isolamento pleno

Eu saí de casa

Cansado do rastejo

Procurando asas

Em outro lampejo

Eu andei em brasas.

 

Mascarado, mascarando

Minhas tantas dores

Procurando amores

Por onde ia passando

Não me encontrava

Corria e não chegava.

 

Sem encontrar lugar

Nesta esfera terrestre

Saí de trem do mar

Para a Estação Agreste.

 

Plantas e profissionais

Provocaram-me reflexões

Guardei fardas e canhões

Vesti a roupa da autonomia

Trabalhando o dia a dia

Ali bem no centro do norte

Percebi que não existe sorte

E que a vida vai além da morte.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 19082020)


quinta-feira, 9 de julho de 2020

O DNA do vazio (a dor não é real)



  • Meu DNA/ é absolutamente / sertanejo / e eu não acredito no que vejo. /

  • No calor endógeno que nunca se apaga / mas fortalece para novas batalhas.

  • A felicidade é uma mentira cotidiana / Já a dor também não é real. / Fomos nós que a criamos.

  • E como queijos suíços / com buracos e auspícios / miramos a meta de preencher os vazios que encontramos.


Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...