quinta-feira, 3 de junho de 2021

Hesitação, não.


Escuto a Hora do Brasil

neste início de noite quente

misturando as nuvens

com o céu escuro de anil


Tudo que mais me ponha

seguro à frente das rédeas

sem nada que embace

as cores do meu dia a dia.


Saio do quintal úmido

nos dias de sol com frio

lembro que só dá

para seguir em frente.


às vezes como barco

às vezes como o rio

Se preciso desembarco

Na estação do desafio.


Acelero o motor da vida

A propulsão da superação

Tudo está na minha medida

Tudo está na palma da mão.


Acreditar sem hesitar é ter fé

As coisas podem ser concedidas

sem pensarmos como chegar

à plenitude estado de uma ida

que não se mede pela ciência.


As coisas que nos dá a natureza

não são meras tolices ou ilusões

aquilo que pedimos na grandeza

das nossas metas, nas realizações.


Não há medo do caos e do absurdo

já estive bem perto do ovo cósmico

e voltei com a força de um vulcão

nitroglicerina numa grande explosão.


Escuto agora o baque das ondas rolar

os coqueiros dizem a direção do vento

se hesitar, silencio a partilha do alvo

se vacilar, eu nunca serei são e salvo.


Desejo aos seres, mais amor e fartura

e que nunca deixem que seus medos

bloqueiem o que realmente almejam

Pensamento que atrai, às vezes repulsa.


Tudo no wi-fi da loja de conveniência

Na conexão de rede daquela cafeteria

Abundância em mim por toda a terra

Trabalho, sucesso, caridade e alegria.


(Cristiano Jerônimo - 03.06.2021 - Recife)


ADENDO

Dicionário Aurélio

Hesitar

verbo

1.

transitivo indireto e intransitivo

Ficar em estado de irresolução, incerteza, perplexidade.

"h. entre o bem e o mal"

2.

transitivo direto e transitivo indireto

Demonstrar dúvida sobre; não estar ou não se mostrar seguro; duvidar, vacilar.

"hesitou castigar o filho travesso"

Perfeitamente simples



Farofa de raspa de queijo de manteiga

Bode assado pra comer todos os dias

Nos braços de uma moça linda e meiga

No cavalgar de tão distantes romarias.


Queijo de coalho com o melaço da cana

Tem no outro dia um tatu ou um coelho

Quando o fogo sobe labaredas, emanam

Histórias enroladas em linhas de novelos.


Farinha de mandioca na casa de lenha

Goma decantada para as massas fartas

Os homens trabalhando suas resenhas

No alto da serra, alto, no meio da mata.


Bater feijão e peneirar no chão de terra

o vento vai levando a poeira e as pedras

Jerimum de leite, melancia e macaxeira

Cardápios formados ao longo das eras.


Dirigir carro de boi desde a infância tenra

correr riacho com a cheia, a tromba d'água

Carrear os pensamentos no meio da estrada

Analisar o ser que todo mundo olha e pensa.


Dirijo automóveis, vivo de computadores

Do analógico, eu vivo o mundo do digital

Do óptico, magnífico passado, de flores

tudo aquilo que nos proteja do nosso mau.


Sou do mato e esta cidade beija minha boca

encontro abrigo na morada da menina bela

Para construir uma coisa que não é tão pouca

Desenhar o mundo perfeito na tela da aquarela.




(Cristiano Jerônimo - 02.06.2021 - 22h12)

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Bola na rede



Dedico a Andréa Pereira


Ah! Essa mania

de pensar

e de escrever

o que está

explícito

e ninguém vê.


Não seria agora

a hora de cansar

a realidade alimenta

Desde os anos oitenta

o evidente meio de caça

vestindo outra armadura

voo leve que ultrapassa.


Ah! Essa saudade

de sentar e deitar

e de registrar

a nossa cumplicidade

Faz muitos pensamentos

Traz mais o firmamento

para sermos gigantes

felizes, solidários,

Da vida, estudantes.


Ah! Esse prazer

memorável em cenas

me faz saber

me faz com que nada tema

no campo da vida

num canto da vila

há sempre um luar

uma bola de gude

e um lugar para amar.



(Cristiano Jerônimo - 02062021)

Ato contínuo...



Eu vim de lá

do lado de lá

e se vim pra cá

eu devo saber.


Sei bem confiar

na força maior

se eu vim pra cá

podia ter algo pior.


Aqui de passageiro

olhando ser humano

se vendo no espelho

desfazendo engano.


Sou fruto da terra

minha semente

nunca encerra,

eu vou na frente.


Às vezes dá saco

com tudo que há;

Noutras eu paro,

Amo para pensar.


Pensamento cria

segue a intuição;

quando vê o dia

vai-se a escuridão.


Caminhos vastos

não fazem temer

poeira nem pastos;

me fazem crescer.


Como onça na serra

Como bode perdido

Como águia da terra

Posso ser escolhido.


Meu caminho leve

não tem um preço

correnteza carregue

o que não mereço.


Lavo a alma novamente

Refresco meu eu no sol

Faço o sentido ter calma

Sozinho desato o meu nó.


As minhas companhias

são definidas por mim

Embora quem confia

Vai saber dizer um sim.


Mas não 'dependo' mais

de mim nem dos outros;

Só esse vício contumaz

Anotar versos em blocos.


Tentar dizer repetindo

apadrinhando o mundo

e sofrendo como a mãe

desolada e esperançosa.


Não existe luz preguiçosa

Nem vento que vente em vão

Nem cometa que passe errado

Nem inverno na seca do sertão.


Paranormal sem querer ser

Buscando os sentidos do saber

Se vai no fundo de si entender

Para usar e fazer ajudar crescer.


Tudo com complexos seres mortais

O Cosmo emana aquilo que precisa

Cabível que se aprenda muito mais

E ainda saberemos pouco desta vida.




(Cristiano Jerônimo - 01.06.2021)

terça-feira, 1 de junho de 2021

Reminiscência


Faltou ver um homem de pernas gigantes

Suas máquinas, espaçonaves do universo

A ligação dos vestígios de milênios antes

Ajuda a expressar tudo isso em versos.


Faltou a mulher de pedra que olhou pra trás

veio um vento gelado no suor do corpo inteiro

Duas curiosas querendo saber o que você faz

A limpeza dos ventos molhando a alma, cheiro.


Mostrou o quanto o Universo é abundante, tudo

Tudo que quisermos termos, temos por toda Lei

Por ventura, se há sombras no pensar inteligível,

Nunca posso dizer que sei do que muda constante.


Não faltou coragem para vencer o medo de transpor

Disse que todos os obstáculos, por hora, eram livres

Um caminho de Providência me leva a ficar contigo

Uma estrada de Abundância semeada por pássaros.


Doar-se um pouco para aqueles que precisam

Ser mais que pessoa, exercitando ser gente

Como sempre buscamos ser e todos digam:

Um crescimento sempre constante e perene.


(Cristiano Jerônimo - 01062021)

Quem mandou botar o óleo?


Tem bodes na serra

e sangue no asfalto

Comendo a terra

sob sete palmos.


O povo reprimido

sessenta e quatro

Dois olhos perdidos

Sessenta e quatro.


Em pleno os 2.000

Rumores tiranos

Com seus enganos

Eterno 1º de Abril.


Há peixes de cores

nos corais do Brasil

Há muito petróleo

ninguém nunca viu.


Tempos de direitos

incertos e de tensão

Retrocesso no futuro

No futuro da Nação.


Recebidos a borracha

e pimenta nos olhos

O que estes PMs acham?

Quem mandou botar óleo?



(Cristiano Jerônimo - Recife - 01062021)

domingo, 23 de maio de 2021

O tempo não espera


Entre os prédios estão os pássaros

Entre o vento o estático tempo

No tudo, o outro lado do nada

Na glória, a Deus todos os ventos.


Entre avenidas existe um belo mar

Um lugar para se sonhar de verdade

Sentir o sabor da nossa realidade

Acabar na terra esta vã iniquidade.


Entre as cidades há alguma lacuna

Nas esquinas e rodagens é que se vai

Para ajudar a levantar aquele que cai

Ajudar a erguer os pilares e as colunas.


Entre os becos, todo dia é de feira

Colocamos no saco o que queremos

Uma pena que muitos não queiram

Algo maior, que nós construiremos!


Da ofensa e do ofendido, a lembrança

Atrás das mágoas alimentam o nada

Eu sei bem que o tempo não espera

Mas, eu também não espero o nada.



(Cristiano Jerônimo - 21052021)

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Só rastros na serra


As pessoas não estão doentes,

mas também não entenderam nada

muito pouco adiante complacentes

Enxergam o lugar; mas não a estrada.


Difícil para os que não vivem decisões

(escutando metas porque não querem)

Nós traçamos nossas vidas para nós;

de nada adiantaria ter a fala sem a voz.


Caminhada sem destino e sem planos

canoa que não para de ser levada só

ao bel prazer de correntes tão vorazes

(na proa do mar, vale mais a nossa voz).


Encontrar na ilusão uma realidade

mata, fere e incendeia, é um crime

contra o peito, o coração já atingido

a emoção sendo controlada a dedo.


Quem com muitas pedras bole,

uma termina caindo na cabeça;

Nunca se viu a onça beber água

Só rastros nas chapadas da serra.


É intangível todo benefício da dúvida

As certezas hão de vir da segurança

do crédito conquistado e adquirido

Amor que ama não entra nesta dança.



(Cristiano Jerônimo - 20052021)

quarta-feira, 19 de maio de 2021

O alto e o baixo



A caipora anda voando

na fumaça do cigarro

Te pede mais um trago

Para você ir entrando.


Quando pedes licença à mata

para entrar nas montanhas

das curvas da vida serrana

No mato, em suas entranhas.


Os curupiras elementais

de uma formação rochosa

que nos leva aos ancestrais

Que viviam em suas locas.


Alto é tão belo quanto baixo

Num olhar desbravador e altivo

As frutas sobram nos cachos

As alturas rupestres, o superlativo.


Captação do mais sutil pensamento

Visão aguçada na reprogramação

dos dessabores da vida e luz de guia

Para apontar o que fazer o coração.


Lá em cima a gente decide o que faz

Se o que está embaixo é tão belo

No alto, a paisagem traz uma boa paz

E o despertar da alegria com o singelo.



(Cristiano Jerônimo - 19052021)

terça-feira, 18 de maio de 2021

Angelical


Para Kika Carvalho


A saudade sem música

é como uma praia sem mar

Uma vela sem fósforos

Só com o brilho no olhar.


A verdade sem música

é tão difícil de se escutar

Como você, na chuva,

A música me faz falar.


A lembrança sem música

é como a memória apagada

Eu lembro sempre cantando

e os versos brotando do nada.


Como as águas distantes

que correm das serras ao mar

Levam sons de correntezas

Para a música saber navegar.


Nosso olhar sem a música

é menos feliz que o musical

Ao show com a melhor túnica

Escutar aquela voz angelical...



(Cristiano Jerônimo - 18052021)

domingo, 16 de maio de 2021

O amor está garantido


Para a mulher companheira, Andréa Pereira


Entre duas mãos paralelas

voa bem alto aquele menino

saindo alado pelas janelas

no alto e no baixo sorrindo.


Com as duas mãos encaixadas

lembramos do corredor,

das plantas e das crias;

das coisas materializadas.


São, na verdade, quatro mãos

Dois pedaços que encaixam

lá no fundo do nosso coração

Mais forte do que a gente acha.


Percalços são para crescimento

União é para voar contraventos

A soma dos momentos de amor

Multiplicação a cada momento.


Viagens no quarto ou no verde

na praia serena, na beira do mar

Noites e dias de amores intensos

celebrando dias que vão chegar.


Seremos fiéis embarcados no chão

O altar sempre alçado, em oração

Vigília como na noite dos furacões

Preparamos as flores e o canhão.


Apontado para o alto bem infinito

ouvindo lá de longe teus gemidos

o pensamento traz o corpo perto

prudente trabalhar o tempo certo.



(Cristiano Jerônimo - 15052021 - 17h52)

Por nada!

Mastigando terra Comendo a poeira Motocicletas roncando Napoleão lá guerriano Fuligens no asfaltos Na fenda do asfalto Nascem plantas florid...