segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

O teu cheiro de fulô


Eu a vejo muito jovem

Com muito amor no coração

Seu existir de bondade

O seu ser de verdade

Amor do tamanho do mar

Faz-me soprar uma canção.

 

E a vejo menina e mulher

Seus cabelos pretos são meus

Eles fazem cócegas em mim

E é tão bom sorrir assim

O sabor novo do gosto vivo

Um tímido e belo olhar altivo.

 

Sinais do que estás sentindo

Das experiências, o positivo

Um momento de muita paz

De viver sempre sentindo

O peito cuja brasa abranda

Mesma trilha a gente anda

Exalando teu cheiro de fulô.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo  - 20122021)

Qualquer coisa


 Para saber

que alguém

sente falta de você.

 

É preciso ver para crer

e acreditar na confiança

da pureza das crianças.

 

É preciso passear

entre os girassóis

para sentir a luz.

 

Precisa fazer a feira

encontrar a paz

montanhas atraentes.

 

Assim...

 

Ter planetas

e asteroides

iluminando

o céu amigo

constelações

orientações

dos orientais

saberes

dos povos

da américa

que já existia

antes de qualquer

coisa

Que não fosse américa.

 

 

(Cristiano Jerônimo)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Parece festa, mas não é


Um carrossel de pôneis

Montanha russa de unicórnios

Arco-íris, por do sol cor lilás

A certeza de que podemos muito mais.

 

Uma ciranda na beira do mar

Uma balada ouvida pelo ar

Espumas de ondas a quebrar

Lugares que a serra entra no mar.

 

Há cidades ribeirinhas, palafitas

O calo aperta, mas o povo não grita

Até a reconstrução do eu na identidade

“Fazer com” incluir-se na sociedade.

 

Observo os tamanhos das cidades

A partir da ótica do nosso cotidiano

A mente pode ser maior e tão liberta

Quando matamos os fantasmas que criamos.

 

É o momento no qual nos libertamos

E passamos a ver a nítida realidade

Sem acreditar em insinuações funestas

Sem acreditar que tudo isso é uma festa.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 16122021)

Retrato do retrato

 


Educação formal ou informativa

a razão total, liberal e subjetiva

as normas cultas então vigentes

os hospitais com seus pacientes.

 

Antes de estar doente, profilático

não vai esperar um sorumbático

cliente sadio ou morto sem lucro

ir direto para o fundo do sepulcro.

 

No parque de diversões americano

na colonização do nosso cotidiano

na aresta mal aparada da relação

aperto de cinema bem no coração.

 

Qual o filme que estamos vivendo?

em qual galáxia estamos girando?

interessa-me o que estou fazendo

o que faço e o que ando plantando.

 

Principalmente, se ficas tão calado,

é um sinal de que algo anda errado

e que se muito falas, dá estranheza

não importa o bom teor ou a beleza.

 

Nobreza de pessoas está no amor

a riqueza delas é o não sentir dor

com todo direito que se é garantido

boas intenções não têm um partido.

 

 (Cristiano Jerônimo – 16122021)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Meu avô desconhecia...


Coruja aberta nas asas da borboleta

Ferida fechada em área difícil acesso

Telegramas fonados e o intrigante 142

Vagarosamente correm os processos.

 

Artérias de asfalto não trazem sangue

Do que o homem é capaz é duvidoso

Motosserras na floresta e muito fogo

Uns cuidam para que não se enganem.

 

Ver o futuro para o outro é uma opção

Ou não é, e simplesmente é, esta vida

De detalhes tão nobres feitos de cobre

Miséria pouca e na cabeça a bobagem.

 

Que retroalimenta os dias dos jovens

Os guiam, teleguiam sua localização

Roubando a infância tenebrosamente

Diminuindo contato, o amor no coração.

 

Coisas que meu avô jamais aceitaria;

Sequer se daria ao trabalho de saber

Que nós vivemos numa gaiolocracia

Dependentes da esmola do governo

Coisas que o meu avô não conhecia.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 15122021)

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Jardins botânicos


Eu prefiro um jardim de parque

Ou um banco de praça simples

Algo assim, que me faça índio

Num lugar mais puro e lindo

Para a gente ficar e namorar.

 

Eu existia na sua adolescência

Com a mesma idade e o país;

Oriundos de cidades distantes

Encontramo-nos frente a frente

Para pensar o futuro e o presente.

 

Não me enchem os olhos avenidas

Eu curto muito mais um bosquinho

Passei parte da vida pelo laguinho

Com baobás e plantas tão bonitas.

 

Dos ipês de Taubaté, teu GPS

As tuas coordenadas entre si

Tudo o que eu sonho para ti

E tantas coisas que mereces,

Esfria a cabeça e faz uma prece.

 

No outro dia, todo dia amanhece

Vamos dormir coladinhos no céu

Assim, é que as coisas acontecem

De onde sempre tem o nosso mel

Sendo tão saciáveis que ascendem.

 

  

(Cristiano Jerônimo – 14122021)

sábado, 11 de dezembro de 2021

De scores e de retorno



Hoje, escuto fake no more

Uma sambista de funk nua

Uma menina deitada na rua

Jogadores olhando scores

As harpas para atrair a lua

Os homens sem os bigodes.

 

Bigode é símbolo de bosta

Eu vi tudo mudar no tempo

Vi a ascensão e vi a queda

A rapidez infinita do vento

Revelação da verdade crua

No desconforto do desalento.

 

Ele fez por onde merecer

Tudo aquilo que aconteceu

Ele até tentou arremeter

Mas o avião parou de voar

O coração sem dar a vida

A imaginação adormecida

E muitos corpos pra contar.

 

Na roça, no mato, vagalumes

Trabalho árduo para cultivar

E colher tudo o que plantou

Os frutos que a terra não dá

De volta; da Lei do Retorno

Do que falsamente era gozo

E nem dava para acreditar

Que um belo dia ensolarado

As máscaras todas iriam cair.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 11122021)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Narrativas do cotidiano (III)


Homem sóbrio e boa gente

Francisco usava sua mente

Atrás da chave da liberdade,

Preso às rédeas da cidade.

 

Nasceu pobre e quis estudar

Achava que não ia realizar

Aquele sonho que era direito;

Na sala de aula, preconceito.

 

Foi mais chocante no começo

Já que “Narciso acha (tão) feio

O que não é espelho”, pensou:

Quero similitude e ter um meio.

 

Buscou muito as universidades

Não queria ser tal o pai agricultor

Iniciou num emprego de cobrador

Circulava sentado pelas cidades.

 

Passava o troco como um robô

Seria trocado pelo elo eletrônico

Cartões pagariam e receberiam

O problema se tornaria crônico.

 

Foi promovido a ser supervisor

O tempo todo era pressionado

A fazer determinadas coisas

Que atingiam seu próprio lado.

 

Cobrava tudo dos encarregados

Traços de “ter pertencido” àquilo

Os tempos estavam mudados,

Nem sempre dormia tranquilo.

 

De supervisor geral de cobrador

Passou a ser um desempregado

Viu que o poder muda e traz dor

E esse caminho não é facilitado.

 

Aos 70 se aposentou e quebrou

O salário mínimo é muito menor

O cobrador saudava o dinheiro

Que arrecadava para o maior.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 08122021 – Taubaté – SP)

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Belo enredo


Onde nascem as águas

que cobrem a terra

necessárias às plantas

às espécies do planeta.

 

Da mata, brotam gotas

mais velozes que o vento

mais precisas que o tempo

da vida, de pessoas coisas.

 

Onde morrem as águas

que saem das cachoeiras

nas aldeias das cidades

que despejam os dejetos.

 

Nossos anjos protetores

têm trabalhado até demais

expressando seus amores

nos levam ao banco da paz.

 

O suco da mata é pura cura

A saracura está no arvoredo

Sem medo, fobia ou loucura

Segue em paz um belo enredo.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 07122021)

Sem olhar detrás



A melhor aprendizagem foi com os LP’s

mudava de escola, de idade, crescia

comprava discos novos no dia a dia

e de forma evolutiva me apresentava

ao lirismo dos poemas musicais

dos ritmos que a vida me trazia

dos instrumentos e da musicalidade

a poesia mais pura do fundo da alma

longe da grande cidade formigueiro

no meio da fumaça invisível do caos

entre os bons que serão os primeiros

e do sofrimento dos que são maus

a pedra jogada que fica e volta logo

com o afago que contempla o fogo

As rodas que moem através do vento

O giro solar que corre a favor do tempo

As estrelas mágicas que vivem a voar

Os vagalumes usando energia lunar

Para extrair da noite o próprio brilho

Se levantar em frente sem olhar detrás.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 07122021)

domingo, 5 de dezembro de 2021

A cobra e o passarinho


Cada vez que suprimimos o abstrato

perdemos mais nossa ancestralidade

O ter concreto enxertado nos fatos

Apresenta sua nova modernidade.

 

O sabor e o dissabor nas entrelinhas

De um azul parecido com céu aceso

E escuras nuvens geladas e sozinhas

No real, no espaço livre vive preso.

 

Nem sei como as ciganas sabem dançar

Como elas passeiam no vento do mundo

Levando as verdades que têm pra contar

Desde o mais raso, até o mais profundo.

 

A cobra usa o inseto para atrair o pássaro

Para devorá-lo porque tem que sobreviver

Igrejas cobram dízimos e oferecem salmos

Sendo o mais importante o que a gente crê.

 

O que a gente cria e acredita, a vida é santa

Olhem para os corações destas crianças

Com a revolução, nem mesmo se espantam

São de maracatus e brinquedos suas lanças.

 

Os seres humanos em natura desencantam

Os espíritos vivem e, na verdade, são vocês

No estado mais sutil das religiosas danças

Não dá mais para crer que são apenas três.

 

 

 (Cristiano Jerônimo – 05122021)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...