quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

CPF “invisível”

 


Se eu falar tudo,

sujeito, ainda é pouco:

Cadê a Aldeia Global?

 

Pobres ignorantes

não têm culpa de parar

Empacar no tempo

sem ter emprego

sem horizonte

nem lanterna

no fim do túnel

que é apagado.

 

Se você não consome,

seu CPF é “invisível”.

Só vai funcionar

para o auxílio-moradia.

Você que ainda votam

nos cruéis colonizadores,

enquanto são colonizados

todas as noites e todos os dias.

 

Se a educação livre e laica

não resolver essa grande celeuma,

nada mais adiantará.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 24112021)

Sem carnavais a mais



Na roda de samba, uma ciranda chegou

Levou para a beira da praia pra circular

Na batidas da ondas, nos ritmos do mar

A roda da saia girou no passo a rodar.

 

A beleza de uma ciranda na areia da praia

A chita nos panos das cirandeiras de Lia

Maré baixa, areia fora, dança na maresia

Estava na roda em Itamaracá quando ia.

 

É coco, é ciranda, maracatu, caboclinho

Papangus, caretas, La Ursa, bonequeiros

Desfile de gigantes passa no Amparo

Por último, tem mugunzá e bacalhau.

 

Tem repente, embolada, o som da rabeca

Mas há três anos os brinquedos não saem

Não tem Folia de Momo para extravasar

Também, se aglomerar é pura sacanagem.

 

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 24022022)


Há rumores silenciosos de que as coisas vão piorar, ainda mais hoje que a Rússia amanheceu bombardeando e invadindo o estado livre da Ucrânia. Intimidação bélica é intimação bélica, quando se tem o maior arsenal de guerra do mundo, com mais de 6.000 ogivas nucleares capazes de destruir todo o planeta terra. As guerras e as tomadas de impérios acompanham a humanidade desde os tempos mais remotos e nos remete às mais antigas civilizações. Foi assim com Alexandre, com Napoleão Bonaparte, o genocídio e a escalada de Adolf Hitler, e a do guerreiro mongol Temujin foi quem chegou mais perto de submeter o mundo ao seu domínio. Aliás, nenhuma outra conquista se compara com a dele: 20 milhões de quilômetros quadrados. De acordo com historiadores, ele chegou a dominar cerca de um terço da população mundial. Putin quer o restante da Ucrânia, porque uma parte já é russa, de fato. Mas o que me intriga é só que, quando os EUA decidem controlar os poços de petróleo do Iraque e do Kwait, eles passam por cima da ONU e, para se defender, alegam mentirosamente que havia arma química no Iraque, cuja soberania é a mesma da Ucrânia. Os EUA promovem, de longe, muito mais ataques às soberanias dos países, do que a Rússia. O processo de acomodação político-social e econômica do antigo bloco comunista da União das Repúblicas Soviéticas (URSS), cuja a capital era em Moscou. / Que seja só uma pequena batalha, um susto passageiro e amanhã ou depois tudo volte ao normal.

 

 Cristiano Jerônimo – 24022022

Jornalista, escritor, acadêmico
DRT/2471-PE - MIT

Embolada literal



Ôh, tá e tá

Eu passei pela esquina

Vi o mundo lá de cima

Inteirinho a rodar.

 

E rodava para os lados

E girava as nebulosas.

Na pisada que elas andam,

O mundo vai se acabar.

 

Ôh, lê, oh lá

Eu passei pelo caminho

Vi um pé de passarinho

Uma nuvem animada

Na colina ia chover

Pega o tambor

Pra guardar a água

Limpa o telhado

E enche a cisterna

A chuva não é eterna

Vamos lá armazenar.

 

- Tirada embolada comigo

Vou dá-lhe uma pisa de cipó

O repente já está no papo

Vamos ver quem é melhor.

 

- Pois arranje outro ofício

Seu verso é cheio de vícios

Não se podem aprovar

E não use de artifícios.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 24022022)

Tumores subjetivos


Já passei por muito;

Parecia que era tudo,

Mas havia muito mais.

 

Que venha a nova paz;

Vida de guerra e amor.

 

Nunca enjeitei o novo;

Mas não seria velho refém

Do que me causa mais dor

Do que uma graciosa alegria.

 

Como grande é o globo

Como sãos vários os dias

Para transformar, o povo!

Também tenho fantasias.

 

Se fosse só para sangrar

Eu iria ao Leste Europeu

Simples: morrer ou matar!

 

Porque a vida é objetiva

Com tumores subjetivos

E esperança vinda da fé.

 

(Cristiano Jerônimo – 24022022)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Tela mental



Sabe os feitos dos profetas

O misticismo dos egípcios

Suas escolas de mistérios

Como foi em Atlântida.

 

Do outro lado, o oriente

Coloridas papoulas

Conhecimento ancestral

Do que a igreja nos privou.

 

Cítaras e deuses e deusas

Na Índia pura, de fé e de paz

Na Indonésia sem haver perdão

Os povos dos Andes que o digam.

 

O sol vem trazendo todo dia

Mais calma, mais alegria

Num mundo diferente

Com uma outra energia.

 

Feio ser um ser humano brutal

Lindo ser um brutal ser humano

Que o Cósmico nos livre do mal

Que o Universo continue reciclando.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 23.02.2022)

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Ardendo em chamas



Sonego fogo para não me queimar

Eu rego d’água as maravilhas

Que passam pelos trilhos

Que alimentam os nossos filhos

E que dá para parar e realinhar.

 

As estradas não são em linha reta

As aves, o ovo, o primeiro vôo

Não têm passagens secretas

Depois de voar, os passarinhos

Voam sozinhos para sempre;

Podem ser enganados pela serpente.

 

Podem morar numa gaiola fechada

Sem saber que a sua estrada é o ar

Podem ser tratados com carinho

Mas sabem o que é para libertar;

O sabiá e o assum preto sofrem

O casaca de couro é puro ouro

Animais que não sabem se defender

Nunca vi ninguém pegar um tigre

Feroz pela serra para levar para casa.

Porque, aí, ninguém quer, né?...

 

 

(Cristiano Jerônimo – 19022022)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Esses salvadores da pátria



Essas ruas sem saídas

São ruas onde pisaram

A liquidez das índias

Das brancas ocidentais.

 

Esses seios sem leite

Essa cara só de nada

A dureza da estrada

Toda a sua situação.

 

Esses becos estreitos

Tem gente sobrando

Tem carros andando

Rios tristes nos leitos.

 

Esse medo de espelho

Esta aversão ao outro

Esse sangue vermelho

Essas latas de biscoito.

 

Essa ânsia no cerne

Não dá para relaxar,

As penas do ninho

Não são para voar.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 16022022)

 

 

 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

A era do plástico


O que mata circula

Ali no meio da rua

Como a vida indica

Sobreviver na lua.

 

Marés e rios, os tapumes

Óleo bruto nos arrecifes;

Tem pano, plástico, papelão

Tampas de garrafa pet rios.

 

No organismo vivo do mar

No céu que se expande

A cadeia alimentícia de lá

Está dando adeus às algas.

 

Deu na TV, tubarão na praia

Agora, ela não entra de saia

Na roda de samba do violão

Cantando até o sol sair, raiar.

 

#######

 

Um bando de ignóbeis

brincando de plásticos

Animais terrestres

Que são cáusticos.

 

Na aldeia, as partes

Da própria vida vã

De quem não sabe

Parar pra entender.

 

Na mortífera

Matança aquática

No mar, nos aquários

Refletem-se sanguinários

Estes tais seres humanos

Pensam que somos otários.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 14022022)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

O outro lado



Tudo o que a gente quiser!

Podemos plantar e amar

Colher frutas doces dos pés

Aroeira, lembrar de voltar.

Não se esquece do que foi mau

Nem do que foi muito bom;

Vida é vida; é um fato bem real.

Entre a dicotomia dela, os dons

E os predecessores de todo o mal

Afastados em nós porque iremos

Não ficar como um vulto calado.

Avexar o passo, o tempo contado

Para chegarmos ao outro lado

e frearmos os instintos mordazes

Eu não queria ficar assim calado

Remoendo num tom desafinado.

 


 (Cristiano Jerônimo – 09022022 - Taubaté/São Paulo)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Esotérico místico


O sofrimento de um místico

Não esperava compreensão

Já que o justo vinha do além

Delimitava-se como um cão

Um ser que sabe que aprendeu

Um sábio que não sabe nada

O tempo revela véus de sonhos

As imagens felizes das colheitas

Sem poeiras ao longo da estrada

No lombo do cavalo sempre indo

Em longas cavalgadas no nordeste

Quem tangia um boi, tangia boiada

A mais de 200 léguas adentro

Mais outras 200 léguas afora

Aboio, estalagens, currais da noite

Duzentas cabeças de gado a levar

Sem querer escravos, sem o açoite

Mostra-lhe um barco e aponta para a vastidão do mar,

Bisnetos esotéricos com as suas místicas naus a brilhar.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 08022022)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...