quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Carne e gasolina



É tão fácil se desesperar

Difícil é manter a calma

Para isso, respire fundo

Não vá perturbar a alma

Nem condenar o mundo

Sem as asas para planar.

 

Na avenida, a correria

Pelo pão de cada dia

Com bolachas e doces

A felicidade chega logo

Se superior e reto fosse

Deixaria tudo preservado.

 

Novo ataque aos nativos

Bandeirantes mau caracteres

Costumes ainda vivos

De um português alferes

Um brasileiro altivo

Que mais tu queres?

 

Não tem mais índios

O mais está colonizado

Não há independência

A porteira está fechada

O povo vai à excrescência

Arroba de carne, gasolina

Pela estrada, uma menina

Procurando a sua essência.


 

  (Cristiano Jerônimo – 04082022)

 

 

 

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Sete flechas


Salve o Senhor da Lista

Aquele que conquista

Bem mais de um olhar

O maior dos alquimistas

No éter das eras astrais

Vivendo em seu castelo

Sem muralhas de tempo

O estágio sereno da paz

Salve o Senhor do Plano

E o nosso canto cantar

Terra imaginada e longe

Onde se alcança, se amar

Salve o que impulsionar

O lado bom é não ser ruim

Nas terras molhadas da fé

Tela que é capaz na mente

Veículos sem marcha a ré

Uma turma bem contente

No terreiro dos sete ventos

Salve o Caboclo Sete Flechas

Que livre-nos dos tormentos

Ninguém pode ser condenado

Por outra pessoa em seu pensar,

A não ser nós por nós mesmos

A nossa própria consciência...

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 29072022)

 

Belicosos belicistas beligerantes


Sete homens se dispuseram a lutar pelo país

Oitocentos batalhões para dar um golpe só

A melhoria desejada que sempre se quis

Na capital do país, turva, é tão cego o nó.

 

Quais são os territórios indígenas daqui?

Enquanto diminuem as reservas da vida

O que é que nos faz mais cantar e sorrir

Viver, ser feliz, para que sarem as feridas.

 

Sem arranhões nem alardes, nova vida

Longe de covardes e mais segura, ou não

Setecentos feiticeiros para nos enfeitiçar

Quantas flores caberiam num canhão...?

 

A guerra ancestral, a paz celestial e a vida

Belicosos belicistas beligerantes emergem

São antigos, arcaicos e neoconservadores

Sempre têm a certeza quando divergem.

 

São homens de lata sem alma na veia

São seres que só valem o que comem

Que na hora do arrocho, eles somem

Jogam os jogos com regra muito feia. 



 

(Cristiano Jerônimo – 29072022)

domingo, 24 de julho de 2022

A quem mata o desenvolvimento?


Liga de argila

Barro massapê

A cana atlântica

Veredas lisas

Corte no sangue

Verde, monóxido

De carbono e água.


 

Liga de argila

Barro massapê

Feijão com arroz

Café com leite

Gado no pasto

Sol no seu juízo

Chapéu no lugar.

 

Do outro lado do mar

Lindos mangues poluídos

Braços de rios destruídos

Como a baía da Guanabara

É do tipo de você ficar de cara

Toneladas de descartes cariocas

Dos bandeirantes, massacres

Dos arrogantes, os maus ditados

Não à toa são vis e ignorantes

Por cima de um povo arrasado

Como quem é covarde, ao ponto,

De chutar um cachorro falido.

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 24072022)

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Presidente do Brasil


O ouro do Brasil corroído

Pelo mercúrio nos rios

Governo sem sentido

Em tempos sombrios

Um pedaço de partido

Com uma tábua de frios

De fora, mil mendigos

Sentindo calafrios

O relógio fino dourado

Não tinha o tempo

Lentamente ao desolado

Uma coivara há de levar

Perdão celestial pedido

Que acabam por acabar

Não procuram o sentido

Do que é viver é cuidar

A perfeição não resiste

À maldade humana inata

A uma gente tão ingrata

Tirana, que loteia o país

“A cultura... a civilização...

elas que se danem, ou não.” *

A turma da arte quer criar

Faxinar este mundo cão

Transformar com cultura

A melhor arma é educação

Desenvolvimento social

E para onde está indo

Este barco de “sucesso”

que joga plástico no mar

O velho é atual,

“O sinal está fechado

Pra nós que somos jovens” **

Mas nós estamos indo

Indo na onda do capitalismo

E do valor do ter sobre o ser

Soa até pueril falar disso tudo

Mas é uma miséria

Que não tem fim

Meios de produção

Detentores e detidos

Preso ao trabalho (in)formal

Ele não vê nada de anormal

Armou a população nacional

Milhares de estandes de tiro

Um belicista beligerante

O retrato de um ignorante

Estampando: Presidente do Brasil.

 

(Cristiano Jerônimo – 22.07.2022)


quinta-feira, 21 de julho de 2022

De onde eles vieram?


Vieram de planos espirituais

Trouxeram de Capela o dom

Mas até hoje e muito mais

Vivem na velocidade do som.

 

São senhores tão gentios

Donos do plano industrial

Topam qualquer desafio

O lucro do bem e o do mal.

 

E quando se tocarem

O seu bondoso futuro

Não será nem gozado

Porque semeou mal.

 

Toda ação gera reação

No sentido contrário

Da mesma força,

Intensidade e choque.

 

Na nebulosa da névoa

Vês um rosto desenhado

Pela fumaça amarga

Do que não é pecado.

 

Transgredir é outra coisa

É de todos, papel social

A jovialidade é natural

E a vida sempre fatal.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 21.07.2022 – Taubaté/SP)

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Visão púbere da intermitência da água

 


Os ninhos dos casacas-de-couro nos caminhos

São incontáveis diversões na janela do ônibus

Que ninho? De onde saem os belos passarinhos

Aquela ânsia de chegar em casa de verdade e rir

Era um tempo em que estava dentro da floresta

E outro momento fatal que me pôs pra fora dali

Mas eu fui, eu resisti, linha de frente nas lavouras

Lembro hoje dos cabelos brancos do meu bisavô

Minha madrinha imaculada filha de escravos

Benzedeira de tirar doença, sono e mau olhado

Meus padrinhos, meu Pai Avô e minha Mãe Avó

O inocente tido como doido já deve estar no céu

Penso no encontro com cada um desses amores

Para além da vida cotidiana e das nossas dores

Um engenho moendo cana, rapadura à direita

A fornalha queimando à esquerda a farinhada

As produções eram festas no mel da moenda

De onde vem é inóspito e parece esturricado

Numa área em processo de desertificação

Casas fechadas, janelas abertas do abandono

E da mulher que espera seu marido há 20 anos

Viúva da seca, o marido botou outra em seu lugar

Nos invernos, a água faz florestas na caatinga

Água o dia inteiro e o medo constante de acabar.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 10.07.2022)


quinta-feira, 7 de julho de 2022

O seu consumo



Acredite em mim

Se duvidar

Sou menos

Não sou

O que se possa

Imaginar

Sou mais

Do que muitos

para abraçar

E sou menos

Na humildade,

Palavra

Que não tentam

desencantar.

 

No ego

do domínio

sob vistas

do capital

Somos liberados

A ir e vir tolhidos

No cercado

Que nos cabe

Que não tem olhos

Nem ouvidos

Para ver o dos outros

Só para alimentar

O seu sonho de consumo.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 07/07/20223)

terça-feira, 5 de julho de 2022

Três sétimas


Numa estrada de água e fogo a águia rasa

Fareja as carcaças dos já que se perderam

O abutre que se nutre do gado agonizante

E os carcarás buscando pequenas presas

É o lado natural da evolução das espécies

O que morre nasce e todo o mundo cresce

Conserve as ações que lhe engrandecem.

 

Na frente da praia o oceano agoniza a dor

A dor dos plásticos e banhos de petróleo

Vendo a tristeza de ver e olhar nos olhos

O mar permanece tão belo e misterioso

Que nem a imensidão do grande colosso

Traz aos desalmados um pingo de amor

Os oceanos tendem a reagir com polvos.

 

Se os Andes derreterem a última metade

Quem vai alimentar a principal floresta;

De onde virão as pontes de hidrogênio

A desertificação dos solos geográficos

A terra girando em seu eixo contrário

Livrando-se das almas mais perniciosas

Se renovando como águia para voltar...

 

 

 (Cristiano Jerônimo – 05072022)

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Moeda


Eu sou da terra dos yang’s

Velejo pelo misterioso mar

O sertão não tem mais água

Nem mais ninguém para regar

O fogo molda o lado do tempo

Líquido vivo que corre na grota

O fogo se alastra com o vento

Queima as solas das minhas botas

A fotossíntese foi programada

Para não dar trabalho a ninguém

A estrutura é toda automática

Contudo, tratada com desdém

Eu estou em território dos in’s

A equilibrar minhas antíteses

Que não têm meio nem fim

Rígidas como as marquises.

 

[Passei... Passsei por lá

Tava quente, calor de lascar

No outro lado,

a neblina e o frio

foram agasalhar].

 

(Cristiano Jerônimo – 01072022) 

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Algodão virgem


Não fui de barco

Fui de avião...

Terra, água e fogo

Voar não é em vão

Seu tênis com o meu sapato

No mais agudo da neblina

O teu sorriso de menina

Aquecendo o meu frio devagar

Depois, aquela estação de trem

Com tantos caminhos nos trilhos

Dormentes em enumeradas direções

Discretos tomamos café da manhã

Fazendo isso todos os dias da vida

Dormiremos em travesseiros de lã

Com almofadas de algodão virgem

No chão da mata fechada e úmida

Macio e cheiroso, uma real vertigem.


(Cristiano Jerônimo - 27062022)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...