segunda-feira, 20 de março de 2023

Brincadeira é o que vem depois

 

Quem perde,

dá mais valor à liberdade

Quem ganha,

tem medo de perder

E se aprisiona no ter

Faz sangretas invasões

Decreta o fim do planeta

aprendem tudo na guerra

Um violão de escopeta

Dedilhado nas explosões

Sempre novas gerações

Pessoas menos bonitas

não precisam ser lindas

nem brincar na berlinda

Quem perde,

dá mais valor à liberdade

Quem ganha,

tem medo de perdê-la

Muitos usam da maldade

Escravidão e crueldade

Justificados pelo lucro

o acúmulo de capital

na mão de muito poucos


É preciso ter coragem

Decisão no tempo certo

O final não tem tanto fim

Bom mesmo é o que vem depois.


(Cristiano Jerônimo - 20032023)



sexta-feira, 17 de março de 2023

O caminho do meio


Ainda mais está no posto

Bebendo gasolina com gosto

Etanol para se embriagar

Na sarjeta suja do esgoto

A criatura rasga-mortalha

Indefesa e sem muralha

Feita para subserviência

Apenas não tem sonhos

Nada a ela faz sentido

Até que seja o primeiro,

Segundo ou terceiro

Tudo isso pouco importa

Criatura sem uma porta

Num sistema sem janelas

Uma nau sem timoneiro

Um pastor para enganá-lo

E sem querer despertá-lo

Para a capacidade da vida

Instinto de sobrevivência

E encarnação compulsória

Para outro degrau daqui

Fala-se em outro patamar

Que está no ato de amar

De colocar o amor à frente

Numa deixar o amor atrás

Não deixá-lo para trás

Conseguir sementes

Para viver o semear

E receber a colheita

E chamar o maltrapilho

para, juntos, comemorarmos

Dei-lhe pão e tem trabalho

Foi vestir e calçar decente

Entender-se como gente

Não se subordinar assim

A todos, o que merecemos

Com muito amor e respeito

Um alívio constante no peito

Faz a alma ficar leve e flutuar.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 17032023)

quinta-feira, 16 de março de 2023

Anatólio equivocado


Você, que se alimenta do inseguro

Não contempla a calmaria, agita o mar

Quando as correntes só querem chegar

Jurando seguro um amor no escuro

Como que se não pudesse ir clarear.

 

Você, que não se acha merecedor

Eu compreendo e entendo a sua dor

Mas lute contra o seu pensamento

O tormento não vibra no firmamento

Na terra ele prospera em desamor.

 

Balança no firmamento equivocado

Se estiver seguro, sente-se derrotado

E se tiver hesitante aterrissa no chão

A sua capacidade de decolar e voar

Não condiz com o que te faz chorar.

 

Você já tentou olhar por outro lado?

Ver que a vida não mora no passado

O que te enganaram não foi sincero

A verdade terceira não serviu para ti

A caminhada foi composta pra seguir.

 

Ninguém condenou teu auto massacre

Apenas estavam ali para falar e julgar

Ninguém colocou o ouro no teu lugar

Não fosse o teu sagrado suor agindo,

Tu jamais viverias por aí sorrindo...!

 

 

(Cristiano Jerônimo – 16032023)

sábado, 11 de março de 2023

Por nada!...



O que se traz no peito

O inesquecível

De bom...

De mau...

De incrível.

 

Faz que o feio

Seja tão lindo

Que não valha

Ser assim sorrindo.

 

Nada é tão bom

Que não possa

Ter um fim...

Uma finalidade.

 

Se a vida não brinca

Ela também não maltrata

Fomos nós que adoecemos

Derrubamos nossa mata.

 

De corpo presente

Nada é tão flutuante

Que não possa existir

Não possa ser trocado.

- Obrigado

- Por nada!

 

 

(Cristiano Jerônimo – 11032023)

Das ilusões

 


A luta concisa e incessante faz criar o agora

Fala da vida passada e da chegada da hora

Os comportamentos são os mesmos de outrora

Não sabemos viver nossas novas realidades

Temos que passar pela vida em várias cidades

Perseguindo o maior bem que é a humildade

Na igreja que dá carro de luxo, não vale entrar

Fuma sem culpa a cura do seu bendito cigarro

Augusto, você disse que o beijo é a véspera do escarro

Não foi lá para ficar calado ou aceitar passivo

Ele tinha a ver com isso, era um cidadão altivo

Não suportava ficar sem fazer nada, sem sorriso.

 

[A tentativa que olha e não vê seu sucesso

Vai de luxo sentado num ônibus expresso

A ver verde, estrada, seca, poeira, ilusão

Pensando no que era um pouco diferente

A bússola não indica o local com exatidão

Nas sucessivas vaidades do tempo certo

Na justiça do Divino Deus que é certo,

Eles não têm o direito de ir lhe julgar...]

 

(Lá, lá, lá... Lá, lá, La, lá...).

 

 

 

Cristiano Jerônimo Valeriano – 11032023

SP/Brazil

sexta-feira, 10 de março de 2023

Consequências e glórias



As coisas já foram piores

Parecendo tão melhores

As vidas já foram melhores

Mesmo nos dias piores.

 

As amarras da injustiça

Mesmo como a sua cobiça

São tiros precisos certeiros

O sangue coalha os cabelos.

 

De Chico, foi “de tiro certeiro”

Acertou a família e o porteiro

Comendo canja escondido

Considerado um forasteiro.

 

O que falta é mais dinheiro

Ele olha para quem devota

Pobres complexados cegos

Submissos aos seus egos.

 

Ele abriu a porta da senzala

E mandou todos fugirem

Foi acorrentado e morto

E ressuscitado na vertigem.

 

Nasceu de novo com vontade

De mudar o mundo, sem ilusão

Mas vivendo naquela cidade

A terra não mudava a direção.

 

Os tempos de outras glórias

Levaram parte da essência

O povo carente de história

Que não mede consequências.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 10032023) 

Nos idos de tempos atrás


Nenhum de nós é menos

Ninguém de nós é mais

A vida e seus dividendos

Torna a gente mais capaz

De superar esses venenos

O desejo cego mais fugaz

O frio intenso do sereno

Do sonho que se desfaz

E na gruta, ali guardada

A alma toda destroçada

E um riso falso que se faz

quando visto por detrás.

 

(Cristiano Jerônimo – 10032023)

quinta-feira, 9 de março de 2023

Ele


Muito do que disse

Foi usado contra ele

A vida não era jardim

Eram bobas as tolices.


 

A 17 milhas no mar

Ele jogou seu tesouro

Para ninguém encontrar

Nem olhar olho a olho.

 

No seu continente

Ele encontrou um amigo

Um parente, o seu inimigo

Os mais dos anos antigos.

 

Empunhou sua espada

Sozinho, rival, sem nada

Viu uma luz no céu clareando

E seguiu na mesma estrada.

 

Revisou o baú e foi ruim

Expor seus traumas assim

Profundas suas as marcas

Das pisadas que deu e levou

Crueldade da sutil saúde

Na doença e na tristeza

Entender a óbvia beleza

Se sentir em completude.

 

 

 (Cristiano Jerônimo – 09032023 – SP)

quarta-feira, 8 de março de 2023

Ilusões



não descrevo fatos, 

mas sentimentos. 

não retrato pessoas; 

apenas suas ilusões...


vejo no rosto

o sofrimento

tanto da glória

quanto da derrota

como no espelho

que procura a cura

pelo lado encantado

para adentrar no céu.



(Cristiano Jerônimo - 08032023)

Quem é ele?

 


És grande homem, puro menino

Amadurecestes em meio à safra

Pastos com as éguas campolinas

Tiroteio, bang bang, mesa farta.

 

Logo eu que era muito Pacífico,

Virei leão para não ser a presa

Deus e as suas provas de amor

Deixaram-me cair, com defesa.

 

Como gato, caí de pé, para fora

Gato sabe a hora de ir embora

No que está fora está dentro

No que está dentro, está fora

Nunca se afoba antes da hora.

 

Galinhas vão para o chiqueiro

Onde o menino ganha dinheiro

Lá no Alto do Céu, uma águia

Desce para fazer o seu roteiro.

 

Tudo é tão chique na natureza

Urubus, corvos e abutres na limpeza

Noite fria que lhes levam a namorar

Da seca contemplando toda a beleza,

Numa certeza de que tudo vai mudar.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 08032023)

terça-feira, 7 de março de 2023

Samba assado



O desafio é uma meta

A coragem, determinação

Insistência de entender o meio

Porque no céu tem um clarão

Onde fica o coração

No lugar da emoção

Distraído a conversar

Entrertido na razão...

 

Eu não trago maldade no peito

Eu nasci para cantar e sambar

Coco e maracatu ecoam nos altos

Capoeira com sobressaltos pra lá

Eu nasci para escrever e pensar

Resistência, não posso silenciar.

 

O que querem de mim

Fizeram o jogo logo assim

Porque tão imperfeito

Achando que no céu

Tem muito espaço

Que o lugar é perto...

 

Os argumentos mil

Céu branco de anil

No coração do Brasil

No meio do verde folha

No clima que é dela

Que pinta em aquarela

Algo bom para retratar...

 

 

                                                                   (Cristiano Jerônimo – 07032023 – Taubaté/SP)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...