quarta-feira, 7 de maio de 2025

Roda das mudanças ciclotímicas



Os fantasmas do passado

Já morreram

Agora, ficaram para trás

Os dilemas do futuro

Aguardaram

E uma roda ciclotímica

Estabeleceu-se

Estabilizou-se

Na relatividade

Do movimento

Uniforme

Que rege o tempo

E que sara as feridas

Trazendo sempre algo novo

Às nossas vidas.

 

(Cristiano Jerônimo – 07.05.2025)

quinta-feira, 1 de maio de 2025

A ruiva mais além (Oh! Carol)



A alegria é a mesma

Em qualquer lugar...

O sofrimento

É que muda de nome

A companhia está

Em todos os arredores

A solidão se camufla

Nas luzes das boates

As decepções também

Só mudam de endereço

E as conquistas da vida

São somente nossas

E podemos dividi-las

Com poucas pessoas

A saber, se a vida é triste

A saber, se a vida é boa

Os colos, os apoios, o bem

A ruiva que vai mais além...

Num navio de velas de plumas

Num mar de algodão doce azul

Nesta ilha que ancoras em mim.

 

 (Cristiano Jerônimo – 01.05.2025)

 

Um pouco de um mal


Uma roda motriz

Meretriz ou atriz

Trata-se de uma mulher

Uma força que diz

E sabe o que quer

Pode fazer suas regras

Pouco importa saber

Geralmente é segredo

Não escorre nos dedos

Nem se deixa enganar

Na liberdade de agir

No espontâneo falar

Na consciência de ser

No que há de prover

No que espera pra ver

A menos mais um problema

Uma outra prática solução

Caminho individual;

A manada que não pensa

E que espera recompensa

Tem um pouco de um mal.

 

 (Cristiano Jerônimo – 01.05.2025)

 

domingo, 27 de abril de 2025

Os mouros do sertão


Eu sou do solo do pé rachado.

Onde hidratante não dá jeito.

Sou pé trincado do próprio solo;

Do colo da flor que brota no leito.

Nos braços de um inóspito mandacaru.

Meu semblante encarquilhado

Pelo sol todo queimado, o crivo.

E a certeza de que serei iluminado

Neste bioma encantado e tão vivo.

Nos braços de um inóspito mandacaru.

Repito, de onde venho, cachoeiras

São de vento, poeira, pedra e sal.

Ainda temos a beleza que queiras

Seres do bem que combatem o mal.

Nos braços de um inóspito mandacaru.

Sou sertanejo culto e rude à injustiça

Sou descendente de camponeses

Sou de uma linhagem de holandeses

Misturado com os mouros do sertão.

Na sombra de um grande Tamboril;

Matando a sede sob um bom umbuzeiro

Comendo rapadura debaixo de um juazeiro

A raspa de queijo de manteiga e a farofa;

O Sertão é lindo, mesmo com a seca que assola.


 

(Cristiano Jerônimo – 27.04.2025)

terça-feira, 15 de abril de 2025

Androctonus vitae scorpions


Como a sexta-feira cobra de mim,

A segunda-feira cobra também...

A fatura do cartão venceu e ele voou

De manhã, oferecido ele voltou.

 

Porque a vida agora é se endividar

Para depois ter que se virar para pagar.

Trabalha o dia inteiro sem descanso

E na hora de receber foi engano...

 

Como a vida cobra muito de mim,

A morte, soturna, cobra também.

Propaganda chamando o funeral;

A gente comprando um lugar ideal.

 

O espírito e outros sutis anjos e seus

Perguntam-lhe se tu clamas por Deus

Ou se tens duas velas acesas covardes

Até o dia em que tu te arrependeres.

 

Mudança vem com o passar do tempo

E a alegria é um susto intermitente/dia

A tristeza e a solidão desnecessárias,

O julgamento da sociedade sem ressalvas.

 

 (Cristiano Jerônimo – 08.06.2017)

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Dos animados


 

Hakuna Matata

entrou na Caverna

do Dragão

Encontrou

com Mickey Mouse

Pagando de gatão

E viu Robert

Richards

Pediu

Uma tradução.

 

Felícia

Ama os bichos

Só não sabe demonstrar

Como o amigo Lipe

Fazia de tudo

Para Hardy se alegrar.

Uma hiena ao contrário

Tom com a cara de otário

E Zé Buscapé levando grito

O Xodó da Vovó tão esquisito

E Penélope Charmosa a brilhar.

 

Chega! Chega!

Chega de ser bonzinho!

E lá vai o Dick Vigarista

Com seu cachorro rabugento:

Capitão Guapo e Branquinho

Com duas personalidades.

É como a vida,

A corrida é maluca.

 

Muitos seres

Não desistem

De capturar,

Sem motivos,

O safo e veloz

Pombo Gugol.

O cachorro Mutley

Voa e sempre quer

Mais medalhas

Assim é o homem,

Rasga mortalhas.

 

                                                               (Cristiano Jerônimo – 17.11.2006) 

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Outra canção



Guarde o seu toque, baby

quando quiser me acessar.

Se toque, se quiser como

uma mulher de rosa choque.

Uma medida de colher

a dosar outro enfoque.

 

Não tem choque, baby,

Nem nada em particular.

A vida aqui é muito rock

ao ouvir o silêncio dos sons

distorcidos nas florestas

escondidas das civilizações.

 

Eras tu e não eras mais;

a vida que não oferecia paz.

Os sofrimentos não são iguais.

Guarde o seu toque, baby...

O amor é um estado intangível.

Dentro do torpor ininteligível,

a vida sempre traz outra canção.

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 09.04.2025)

domingo, 30 de março de 2025

MCMLXIV - ANISTIA NUNCA MAIS



A aridez das esquinas do povo

Esse olhar velho que é novo

Ninguém consegue explicar

A doçura no rosto dos loucos

Com essa insensatez dos votos

O empilhamento dos corpos

O carro versátil que é moda

A limonada que é essa soda

A música brega que se toca

A frase clássica ao proferir

Dinheiro, às vezes, empobrece

Futuro é estrada sem direção

Aprumados seguem extradição

A mão do pandeiro que desce

A raiz da semente que cresce

Modernos homens da caverna

Arenas vis de Roma e Atenas

País de generalizada baderna

Boas vontades tão pequenas

Iludem os patos da democracia

Nem a força bruta nem canhões

Mas aulas para nossos corações.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 30.03.2025 – Garanhuns/PE)

 

Viver basta


É para deitar o cérebro

num travesseiro

Usar capacete de gelo

Beber água evaporada

Feito um camelo

no meio da estrada

com medo de acabar

Lavar e estender

a alma num varal

Nadar no barco

Ao por do sol de manhã

Ir em pensamento

até a última partícula

sem ponto nem vírgula;

Amada,

Se o amor for maior

Viver basta por si só...

 

(Cristiano Jerônimo – 29.03.2025 – Garanhuns – PE) –

sexta-feira, 21 de março de 2025

Mudanças climáticas



Acostume-se agora...

 

Nesse inverno sem frio

com o verão sem calor

um outono de folhas

primavera sem flor

num viver sem amor

numa era de neblina

de aquarelas sem cor.

 

É que estamos fazendo

a mesma coisa e esperando

resultados diferentes...

tentando salvar emoções

com os dentes

e sonhando que um dia

ficaremos em paz.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 17.03.2025)

domingo, 9 de março de 2025

Quarta-feira de cinzas



Pegue

Mágoas

Pare

O carro

Na ponte

Jogue

Todas

No rio

O sol

Evapora

Decanta

Purifica

Devolve

Limpas

Ao ar...

 

Mergulhe

No sal

Do oceano

Confluente

De águas

Afogue

Mais

Mágoas

Separe

O doce

Do sal

Mais

Amargo

Devolva-o

Ao Mar.

 

(Cristiano Jerônimo – 05.03.2025)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...