quinta-feira, 22 de maio de 2025

A mágica de se encantar



Janelas fechadas abertas

Portas trancadas sem chave

Vento que entra nas frestas

Leva a solidão que não cabe

Muro quebrado sem pedras

Praias de águas nas areias

Represados rios que vieram

Açudes parados que foram

Flores abertas que abriram

Companhias eternas partiram

Ausentes lembranças ficaram

Rodovias sem vias de acesso

Estradas de barro com aviões

Flechas gostosas nos corações

Amor ausente que se espalha

O presente do passado falha

O olhar absurdo do estranho

E a boa mágica de se encantar.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 22.05.2025)

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Ela não zarpa sozinha



Eu vi você

E era chuva

Num dia de sol

Eu vi você

E era sol

Num dia de chuva. 

 

Resfriava

Molhava

E chovia.

 

Aguçava

Nadava

E corria.

 

Sobre as águas

Alagadas

Num farol

Que ardia.

 

Em cima do mar

Eu quis um anzol

Para pescar uma janela.

 

Aquecendo

Minha alma

A acalentar

A caravela

Que não zarpa

Sozinha.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 19.05.2025)

sábado, 17 de maio de 2025

Pelo simples sorrir...


Eu fiz um laço no vento

Mandei voar pra você

Havia um sentimento

O qual não dava pra ver.


Levei a água na mão

Para entregar a você

Desenhei um coração

Na areia veio a chover.

 

Nada que pego é real

Se não vejo se enxerga

Com os olhos da alma

O mundo é imaterial.

 

Feito das vibrações

Átomos indivisíveis

Elétrons, prótons

Nêutrons, corações.

 

Quero pegar o seu riso

Saber o que há no olhar

Tocar na curiosidade

Do rio doce do mar.

 

As coisas impalpáveis

Os desafios de existir

Ser feliz no outro dia

Pelo simples, o sorrir...

 

 

(Cristiano Jerônimo – 16.05.2025)

sábado, 10 de maio de 2025

Numa tarde...


Para Cátia B., com muita afeição.
 

Eu quero beijar sua coragem,

Vermelha!

Fazer no seu corpo uma viagem,

De abelha!

 

Do teu cheiro do mel

Com seu ar pueril

Com a nossa inocência

A loção da tua essência

No florar do mês de abril.

 

Vejo além do meu desejo,

Um beijo!

E na distância que habita,

Um laço frágil de chita!

 

Um laço de chita que se abre

Um coração que não se fecha

Uma caminhada na floresta

Um mergulho frio no riacho.

 

Eu posso ser uma fogueira,

Que esquenta!

E que arde...

Como ser que não invade

Quando tudo incendeia

Na veia

Que seja somente numa tarde.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 10.05.2025)

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Represa de acumular



Ela era o que eu queria

O dia, o dia

Tudo o que eu preferia

O dia, magia, um dia

Era melhor não encontrar

À noite, na noite

O açoite

Verbo desamar.

 

Mas amo o engano

Falamos sem escutar

Um dia, um dia

Seremos serenos

Nem rio nem mar

Nem uma represa

De acumular.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 07052025)

 

Roda das mudanças ciclotímicas



Os fantasmas do passado

Já morreram

Agora, ficaram para trás

Os dilemas do futuro

Aguardaram

E uma roda ciclotímica

Estabeleceu-se

Estabilizou-se

Na relatividade

Do movimento

Uniforme

Que rege o tempo

E que sara as feridas

Trazendo sempre algo novo

Às nossas vidas.

 

(Cristiano Jerônimo – 07.05.2025)

quinta-feira, 1 de maio de 2025

A ruiva mais além (Oh! Carol)



A alegria é a mesma

Em qualquer lugar...

O sofrimento

É que muda de nome

A companhia está

Em todos os arredores

A solidão se camufla

Nas luzes das boates

As decepções também

Só mudam de endereço

E as conquistas da vida

São somente nossas

E podemos dividi-las

Com poucas pessoas

A saber, se a vida é triste

A saber, se a vida é boa

Os colos, os apoios, o bem

A ruiva que vai mais além...

Num navio de velas de plumas

Num mar de algodão doce azul

Nesta ilha que ancoras em mim.

 

 (Cristiano Jerônimo – 01.05.2025)

 

Um pouco de um mal


Uma roda motriz

Meretriz ou atriz

Trata-se de uma mulher

Uma força que diz

E sabe o que quer

Pode fazer suas regras

Pouco importa saber

Geralmente é segredo

Não escorre nos dedos

Nem se deixa enganar

Na liberdade de agir

No espontâneo falar

Na consciência de ser

No que há de prover

No que espera pra ver

A menos mais um problema

Uma outra prática solução

Caminho individual;

A manada que não pensa

E que espera recompensa

Tem um pouco de um mal.

 

 (Cristiano Jerônimo – 01.05.2025)

 

domingo, 27 de abril de 2025

Os mouros do sertão


Eu sou do solo do pé rachado.

Onde hidratante não dá jeito.

Sou pé trincado do próprio solo;

Do colo da flor que brota no leito.

Nos braços de um inóspito mandacaru.

Meu semblante encarquilhado

Pelo sol todo queimado, o crivo.

E a certeza de que serei iluminado

Neste bioma encantado e tão vivo.

Nos braços de um inóspito mandacaru.

Repito, de onde venho, cachoeiras

São de vento, poeira, pedra e sal.

Ainda temos a beleza que queiras

Seres do bem que combatem o mal.

Nos braços de um inóspito mandacaru.

Sou sertanejo culto e rude à injustiça

Sou descendente de camponeses

Sou de uma linhagem de holandeses

Misturado com os mouros do sertão.

Na sombra de um grande Tamboril;

Matando a sede sob um bom umbuzeiro

Comendo rapadura debaixo de um juazeiro

A raspa de queijo de manteiga e a farofa;

O Sertão é lindo, mesmo com a seca que assola.


 

(Cristiano Jerônimo – 27.04.2025)

terça-feira, 15 de abril de 2025

Androctonus vitae scorpions


Como a sexta-feira cobra de mim,

A segunda-feira cobra também...

A fatura do cartão venceu e ele voou

De manhã, oferecido ele voltou.

 

Porque a vida agora é se endividar

Para depois ter que se virar para pagar.

Trabalha o dia inteiro sem descanso

E na hora de receber foi engano...

 

Como a vida cobra muito de mim,

A morte, soturna, cobra também.

Propaganda chamando o funeral;

A gente comprando um lugar ideal.

 

O espírito e outros sutis anjos e seus

Perguntam-lhe se tu clamas por Deus

Ou se tens duas velas acesas covardes

Até o dia em que tu te arrependeres.

 

Mudança vem com o passar do tempo

E a alegria é um susto intermitente/dia

A tristeza e a solidão desnecessárias,

O julgamento da sociedade sem ressalvas.

 

 (Cristiano Jerônimo – 08.06.2017)

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Dos animados


 

Hakuna Matata

entrou na Caverna

do Dragão

Encontrou

com Mickey Mouse

Pagando de gatão

E viu Robert

Richards

Pediu

Uma tradução.

 

Felícia

Ama os bichos

Só não sabe demonstrar

Como o amigo Lipe

Fazia de tudo

Para Hardy se alegrar.

Uma hiena ao contrário

Tom com a cara de otário

E Zé Buscapé levando grito

O Xodó da Vovó tão esquisito

E Penélope Charmosa a brilhar.

 

Chega! Chega!

Chega de ser bonzinho!

E lá vai o Dick Vigarista

Com seu cachorro rabugento:

Capitão Guapo e Branquinho

Com duas personalidades.

É como a vida,

A corrida é maluca.

 

Muitos seres

Não desistem

De capturar,

Sem motivos,

O safo e veloz

Pombo Gugol.

O cachorro Mutley

Voa e sempre quer

Mais medalhas

Assim é o homem,

Rasga mortalhas.

 

                                                               (Cristiano Jerônimo – 17.11.2006) 

As feras que somos

Ao Boqueirão da Barra O disco acaba, mas o samba segue solto Sempre tem a festa do pessoal do morro Carne assada e sangue no pandeiro ...