domingo, 25 de maio de 2008

DESFRUTAR


Eu só confio em duas coisas no mundo:
Em Deus e no diabo.
Um eu sei que só faz o bem;
O outro representa o mal.


E as pessoas passeiam com os dois,
Indecisas e fugazes,
Procurando por lugares
Que ninguém sabe chegar.


Pautados numa esma alegria
Que confunde o afirmativo;
Se é mau ou negativo,
É melhor viver em paz
Do que qualquer angústia
Que por pouco se desfruta
E, por si mesma, se desfaz.

domingo, 18 de maio de 2008

Necessárias


Certezas são noites escuras sem insônias;
São acertos bem feitos de coisas errôneas;
São rios caudalosos em correntes ao mar
Nos dias mais felizes das tardes tristonhas!

Dúvidas são crises parcas de meros egoísmos
Quando temos que optar entre nós e o altruísmo;
São açudes que enchem para um dia secar
Nos invernos mais escuros que os eclipses...

Verdades são coisas elucidadas em momentos;
Atualizadas pelos inquietos e toscos sentimentos
Que nos servem muitas vezes de algum alento
Quando, não em vão, tentamos nos encontrar...

Mentiras são coisas reticentes necessárias
Quando, por razões óbvias, queremos preservar.
São coisas erradas que fazem bem e vice-versa
Motivos de muitas conversas em ondas no mar.

Coragem é a capacidade de assumir nossos erros;
De sermos humildes perante também aos acertos
Nos períodos de luto ou nos tríduos momescos;
Na hora em que tudo diz que é para a gente parar...

Covardia é se esconder da verdade mais latente.
É abrir mão, diariamente, de sermos mais gente.
Como é essa capacidade de ocultar o indigente
Que somos obrigados no espelho a todo dia olhar!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Recomendações


Não sei se me preocupo demais
Sei que às vezes falta paz
Quando eu vou andando nas esquinas
Enchem os barulhos dos motores e buzinas.

Não sei se me desligo demais
Sei que às vezes falta paz
Quando eu vou entrando nos cinemas
Enchem minhas tramas, meus dilemas.

Busco longe a minha paz
Às vezes não espero mais as rimas
Sei de tudo o quanto sou capaz
Sei que temos que ficar sempre pra cima.

Sei também que podemos então chorar
Para saber quem pode nos secar
Quando o frio precisa nos aquecer
E o calor nós temos que esfriar.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Régua do destino


Norma levava uma vida sem regras
Media o tamanho da vida na régua
Achava legal uma vida sem normas
Buscava prazer de todas as formas.

Brincava de fazer o outro mais feliz
E carregava no peito a dor de aprendiz
Enquanto o mundo sinalizava virtude
Norma nunca desaprendia a ser rude.

Até que a vida lhe deu uma rasteira
E Norma, coitada, ficou de bobeira;
Para ter um aprender compulsório
Sabia no fundo que nada era ilusório.

Ela sabia ia aprender tudo de novo
Sentiu-se um pinto saindo do ovo
E a beleza da vida lhe pode ensinar:
As coisas, às vezes, têm que ser devagar.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Segredo do tempo


O poder que procuro
Não está por trás do birô
Reside no segredo do tempo
Idos e vindos, já passou

A arma que alimento
Não é letal nem feroz
É um grito da garganta
O soltar da minha voz

A sombra que descanso
Não é penumbra ou solidão
É o abrigo do remanso
Ventilando o coração

O ouro que preciso
Não ilude nem se furta
Não nos bota em perigo
Não aborrece nem assusta
O ouro reside no segredo do tempo

sexta-feira, 28 de março de 2008

Antagonismo das descobertas I


As coisas não são simples
o quanto muitas vezes
a gente imagina.

Também não são tão complexas
Como quando problematizamos.

As ilusões não são irreais
Como, objetivamente, descartamos.
A realidade não é nítida
Da forma exata como queremos.

A mentira, sim, é uma forma
Simples de enganar a sim mesmo;
A verdade a única maneira
De vibrar no cósmico
O despertar mágico
De ser melhor!

Antagonismo das Descobertas II


Mesmo se mirar
Fundo ao infinito
Buscando no Cosmo
O primordial
Haverá luzes
Entrando
Em buracos
Negros
E ilusões.

Mesmo se olhar
Para o limite
Que se expande
Haverá trevas
Entrando
Em foco
De luzes
E ilusões.


Mirar dentro
De nós mesmos
É acertar no alvo
Exato que nos faz encontrar
O caminho
Do antagonismo das descobertas.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Minhas influências literárias


- Cante de lá que eu canto de cá – Patativa do Assaré. Me ensinou a valorizar a rima e a retratar a realidade social.
- Zé Limeira da Paraíba, O Poeta do Absurdo, por Orlando Tejo.
- Catulo da Paixão Cearense. (a simplicidade do verso e a musicalidade das palavras)
- Manoel de Barros – Poeta do Pantanal. O lúdico essencial
- O Despertar dos Mágicos, Louis Pauwels e Jacques Bergier. Introdução no Realismo Fantástico
- Vida e obra dos surrealistas Salvador Dali, Paul Éluard, André Breton. O despejar das palavras
- Arthur Rimbaud (parnasiano e simbolista). A Poesia intimista
- Augusto dos Anjos, Eu e Outros Poemas. A autenticidade.
- Evangelho segundo o Espiritismo, Alan Kardec. O espiritualismo.
- Letras de Geraldo Vandré, Raul Seixas, Belquior, Zé Ramalho, Osvaldo Montenegro, Renato Russo, Lula Côrtes (meu nobre parceiro).
- A vida e o cosmos.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Segredo


Por quanto tempo eu vivia parado
E procurava saídas;
Até que um dia me vi acuado
E pensando na vida.

Só era eu mesmo e não tinha pior
Era estrada comprida;
Esqueci a tarefa de salto e de cor
Mas pulei armadilhas.

Eu vi o sol e outras coisas brilhantes
Me fiz melhor e vivi outro instante
Sabendo bem pouco o suficiente
Vi que gente é pra ser gente...

No meu caminho havia uma menina
Que veio ensinar;
Sabedorias em que a vida leva à sina
Difícil de encontrar.

Não era mais só e havia um enredo
Com início, meio e fim;
E mesmo morrendo de medo
Tirei o segredo de dentro de mim.

terça-feira, 25 de março de 2008

Cerebral 1

A força reativa provocada pela desilusão pode servir, e deve, de instrumento para o ânimo necessário ao nosso bem-estar.

Cerebral 2

Há uma autopolítica compensatória: ora a gente quer se autodestruir ou sente ser uma nuvem de regozijo.

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...