quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Desapropriação

A tua sinceridade

É dolorosa,

Indispensável

E nítida.

Incólume

Como

O que

Não sabemos,

Se sonhamos.

A minha motocicleta

Andou tantas léguas

Pra te encontrar inteira.

E as bolas de campo

Rolam tão corretas

Que um gol de lança

Eu ousei desperdiçar...

Na evidente partida.

Por conter energias,

Para salvar nossas vidas.

A tua sinceridade

Me maltrata,

Mas faz-me

Sentir-se

Seguro no mundo,

Por saber

Que as pessoas podem,

De fato, ser verdadeiras.

Sem hipocrisia,

Foram as dinastias

Que desapropriaram

O próprio homem

Da interlocução

Consigo mesmo.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Abaixo do nível do mar*


Há três fábricas juntas

Unidas na beira de um rio.

São as três oriundas

Do riscar de um fósforo,

Num pavio que o homem

Não imagina onde dá...

E acredita na vida

Acreditando em matar...

Três meninas juntas

Unidas na beira do cais

Jamais foram vistas

Lendo revistas,

Brincar carnavais...

Três casas afastadas

Tinham mais três estradas

Além de outras longe do lar,

Que era pequeno e longe das fábricas,

Próximas ao fim do medo

De se jogar no abismo que lhes era

Imposto...

...seu rosto, até hoje, não pude lembrar...

Vivo na cidade que afunda, que afunda

Ao mar.

É muito incerto habitar uma cidade

Que tem na noite o arrepio

Do escuro de um beco sombrio

Onde aquela menina orgasma trocados;

Tendo os olhos serrados;

Fitados num norte sem cor.

Ouvira falar de amor

Numa esquina da vida

Que desde a partida não custou a acabar...

Escrito em 1993 e publicado em 1999 no 2º Congresso Brasileiro de Escritores (UBE), 17 anos atrás.

Mauricéia,Veneza, Ribeira e Cidade...


Mauricéia

Ficarás sob o concreto

Dos lugares aterrados

Juntamente com a história

De uma batalha tão cruel

Entre lanças e armas de fogo.

Veneza,

Serás encoberta de águas

Nesse destino de lama

Na cama em que ti eu me deito

Teu leito perdeu a corrente

e tuas águas estão confusas no mar.

Ribeira,

Por debaixo de tudo

Há ti de verdade.

Nascestes tão simples

Virastes cidade

Para abrigar sua gente.

Cidade,

Quem são teus meninos?

Quem são teus amantes?

Quais são teus destinos?

Quem habitou você antes?

Respondes,

Estás contente, cidade???

Escrito em 1993 e publicado em 1999 no 2º Congresso Brasileiro de Escritores (UBE)

recife de rua


vagueia um menino qualquer

qualquer rua...

matura qualquer menino

vidrado na lua...

sobre a cidade

de água indecisa,

sob a verdade

crua e concisa

repousam as asas

da contradição:

do que é da terra de Deus

e o que é de um mundo de cão.

um rebanho de bichos do mato

...meninos...

...cidade...mata...

...MENINOS...


Escrito em 1993 e publicado em 1999 no 2º Congresso Brasileiro de Escritores (UBE)

sábado, 19 de dezembro de 2009

Atom Heart Mother, do Pink Floid, saiu no mesmo ano de Let it Bleed, do Rolling Stones, e do Let it Be, último dos Beatles

Atom Heart Mother é um álbum de rock progressivo gravado em 1970 pela banda britânica Pink Floyd. Foi gravado nos Abbey Road Studios, Londres. O álbum chegou a Nº 1 de vendas noReino Unido e a Nº 55 nos EUA, onde chegou a disco de ouro em Março de 1994. Foi editado em CD com nova mistura em 1994 no Reino Unido e em 1995 nos EUA.

A capa do disco é uma das mais enigmáticas da história da música. O bovino mais famoso do rock mundial aparece tanto no vinil, quanto no CD. A rês Lullubelle III, uma cruza das raças holandesa e normanda (ao contrário de suas colegas da contracapa, puramente holandesas), foi fotografada em uma propriedade rural do interior da Inglaterra. A gravadora pagou ao dono da propriedade cerca de mil libras pelos “direitos de imagem” do animal. A propriedade virou ponto turístico, e Lullubelle, uma celebridade do showbusiness mundial.

As duas faixas mais longas são uma progressão de anteriores peças instrumentais dos Pink Floyd tais como "A Saucerful of Secrets"; A primeira é dividida em seis partes e é tocada com uma orquestra completa e a segunda é um instrumental em três partes com efeitos sonoros e diálogos entre cada parte.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Em segundos


(a Cristiano Jerônimo)

Os minutos se inteiram
Vagarosamente...,
a ansiedade me envolve os sentidos e
Incansavelmente acompanho
cada fração de segundos como se fosse máquina.

Como se fosse máquina
relembro
Cada tom de voz,
Cada olhar insaciável,
Cada dito e escrito,
A tua filosofia humana.

E eu que penso na utopia,
ao virar-me
para seguir o caminho de casa,
Posso ser engolido pelo mar...


Por Hayanna Ramalho – Custódia-PE

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Imagens


Tua dança
Do ventre
Imaginária
Me provoca
Sérios arrepios.

Teus seios
Tal flechas
Miram
Meus olhos
Fixos
De cristal.

Teu galopar
Da utopia
É o martelo
Alagoano
Que a baiana
Nos mandou
De Maceió.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

eM PaZ


DEIXE
QUE ME DEIXEM
PAZ.

DEIXE
QUE ME DEIXEM
EM PAZ.

DEIXEM
QUE ME DEIXE
EM PAZ.

DEIXEM
QUE ME DEIXE
PAZ.

sábado, 7 de novembro de 2009

Expressão


Cada qual

Com seu

Cada qual;

A cada dia

Basta seu mal.

A ninguém

Convém

Estar ao lado,

Se não for

Tão partido;

Se não for

Tão colado.

Minhas letras

São poucas

Para exprimir

Tal recado.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Feira da existência









A leitura como propulsora de escolhas

Temos que nos “ligar” nos interruptores que acionamos ao longo da nossa vida. É comum, muita gente apertar todos os botões da tomada para depois sair apagando o que não precisa. É comum também, no prédio, corrermos do elevador social para o de serviços, só para ver qual deles chega primeiro. Não podemos desperdiçar a energia e o raciocínio, que nos levaria a manter-nos calmos e com a certeza de para onde, e como, desejamos ir. Um, elevador de cada vez.

A vida é assim feita de escolhas. O mundo, do ponto de vista ocidental, é como um supermercado. A vida, o carro de compras. As escolhas, os corredores e as prateleiras. As decisões, os produtos. Cada um compõe a sua feira da existência. Suas causas e suas consequências. Lembrando de que nem tudo passa no caixa. O dilema que vai à raiz da questão ocidental é que – ao contrário de todos os produtos e serviços, dos contratos, bancos e créditos sob o Código do Consumidor – a vida não aceita troca, nem vem com manual geral ou personalizado. Tampouco há garantia de nada, a não ser do que você construa. Até por que está comprovado (científica, espiritual e psicologicamente) que cada um de nós somos únicos, desde o DNA físico.

A organização do tempo e os registros históricos e filosóficos dos povos é algo muito recente. Coisa de apenas três mil anos compilados (1.000 AC e 2.009 DC), diante de povos com cinco, dez mil anos de organização, tais os incas, maias, astecas, negros africanos e índios brasileiros, além dos brancos e pardos europeus e asiáticos. A leitura da amostragem das experiências humanas e o processamento das ideias e escolhas, através (ainda e por muito) dos livros são essenciais para a construção de cada indivíduo. Vão depender, contudo, do que conseguirmos apreender de conhecimentos.

Privar alguém dos livros, ou mesmo escolher "o que tem que ler" ou "deve ser lido" pelas pessoas, soa – de imediato – como o mesmo que não avisar aos condôminos que, além dos dois elevadores, em caso de enguiço, existe uma escada de serviço. As bibliotecas nos esperam de páginas abertas.

domingo, 1 de novembro de 2009

Mata do Prata


Todos intelectuais
De pernas cruzadas.
Entre um trago e outro,
Falavam em poesia,
Verso e prosa;
Filosofia;
Direito, sociologia...

Além da metafísica,
Dois prédios já invadem
Concretamente a Mata do Prata.
Na medida imediata do impossível,
Seqüelas se transformam em cura.

Eu sou Sertão

Sou sertanejo Uma espécie cactácea em extinção Dou as flores mais formosas Tenho frutos para os pássaros E os espinhos para nossa proteção. ...