quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Jacy comigo



Norma culta
puta língua
forma cacimba
de beber
amor no forno
de carvão
nas caatingas
do sertão
veludo fino
menina tão
de tanto ser
a norma culta
e na catapulta
querer voar...
é direito nosso
sonhar e seguir,
até redirecionar.
vamos lá!


(Cristiano Jerônimo - 08082019)

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Voltar só para votar?






Gente que num pisa no chão;
Que não conhece o sertão,
O sofrimento do povo nordestino
Vivendo desde menino
Indo atrás de caminhão...

Pra tentar ganhar dinheiro
E votar no coronel
Que conseguiu algum papel
Para ele viajar;
Conseguir trabalho, emprego,
E só voltar para votar.
Quando o dono mandar chamar.


(Cristiano Jerônimo)

domingo, 21 de julho de 2019

Só se enche o vazio



Em qualquer momento
Eu só te peço calma...
Tenha os olhos na alma
E o que ficou só lamente.

Em toda esquina tem você;
Os cegos das certezas podem ver;
Só não podem tirar água de seca
Mesmo que a sua pele envelheça.

Aprenda com a vida dos mestres;
Não é você; por que não? Pergunto.
Por ser assim tão complicado
É que é difícil controlá-lo.

Nos lagos de lá e cá os rios
Sentimos calor e muito frio
Desde o segredo das matas
Até aquele beco, sinistro e vazio.


(Cristiano Jerônimo02052009)

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Datilografo




Digito o vento
Sopro o tempo
Sinto a ternura
Em teus olhos
Se me lembro,
Castanho olhar.
Datilografo
Sonhos
E emoções
Que não querem
Ser enxergadas
Como incógnitas
Segredos do mar.


(Cristiano Jerônimo – 11072019)

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Soneto extenso


É muita felicidade para tanta tristeza
E tanta falsidade a estragar a beleza
É tanta saudade para pouca distância
Não é nem questão de bem querência.

Mesmo dentro do cerne das essências
Não há garantia de que isso vá resolver
O homem pega, morre, mata por dinheiro
E ainda pensam que são mais do que você.

É muito peixe nadando com pouca ração
Muito leite derramando em pleno sertão
Com água escondida nos belos aquíferos
Com a solução da vida lá no subterrâneo.

Eu não mais me engano, a seca é a solução
Que os homens nos oferecem pelos votos
Com esquemas de política todos tortos
A oposição vai tocar fogo nesta situação.

Eu não quero sacos de cimento e tijolos
Eu não quero mais vocês aqui na porta
A sociedade está quase que toda morta
Para comemorar tudo, distribuir bolos.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Confins da vida


Tem nada não
Amanhã
Eu planto
O meu feijão.
Eu trabalho
semeio e colho
O dono
Com a barba
De molho
Não olhou
Para o peão.
Tem nada não
Um dia eu saio
Dessa terra
Outra dimensão
Outra era
A felicidade
Me espera
Nos jardins
Da rosa mística
Expulsando a fera
E colocando-a
em seus confins
com as suas ilusões.


(Cristiano Jerônimo – 09072019)


domingo, 30 de junho de 2019

para onde fugir do brasil?



não adianta querer
morrer duas vezes
não dá.

uma morte nunca bate
em duas portas
na mesma hora
para você e pra mim.

não há tantos mortos vivos
que adentraram pela vida morta
tendo de resto, um grito!
e um silêncio que se abate
sob as formas, sob os buracos
das negras ilusões das galáxias.

sem tempo, espaço, paralelos
o rio de janeiro se mudou para lisboa
parece que é lá que as coisas
que as coisas estão boas.

amante ama assim a amada
até que um dia pega a estrada.
coração é para bombar, bombear
dizem que a vida segue
e segue mesmo a andar.

porque modelos quadrados
não encaixam em manequins
desenhados e redondos
abandono sem cuidar dos jardins.
não adianta morrer duas vezes
porque só conta uma
e, enquanto viver, antes do fim,
impulsione sua punção de vida
não fique triste, jamais deprimida
tudo pro alto na hora que precisar
reconstruir a invenção do nosso eu
e voar...


(cristiano jerônimo – 30062019 | recife | pe | brasil)

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão Das 10 - 1971 (álbum ...

Para, do ninho, voar...

 Para Zé
Menino homem
Homem menino
Menino grande,
Gente que mais.

Saber as botas
Do destino...
Preparar o sino
Com as borboletas.

Tenho como provar
Que ele era um bebê
É lindo vê-lo crescer
Para do ninho voar.

Lá lá lá...

Hoje só vejo o hoje
o futuro e planejar
Meu filho, me escute,
Ninguém sabe quase nada
E nós só estamos engatinhando
Nadando contra a maré,
Mas, como gatos, sempre de pé.

Eu estou mesmo à disposição
Conta que essa vida é ajudar
Saber ter, receber e saber dar
O que é mais puro no coração.

Receitas fabulosas na cozinha
Um youTube de músicas e arquivos
Um whatsapp de papo e poeminhas
Temos os segredos, coisas de vivos.



(Cristiano Jerônimo – 24062019)

domingo, 16 de junho de 2019

Não me diz se é sim ou não




Forró pé de serra pernambucano (composição)

O que é que eu fiz pra merecer?
Eu subo pelas paredes dessa minha solidão
Que tu deixasse ali na porta
Com a cidade quase morta
E eu querendo o teu perdão...

Mas o que eu fiz pra merecer?
Vem! Vem preencher meu coração.
Eu não sou culpado se você
Nunca me diz se é sim ou se é não.

Eu te cutuco pra saber. Você não fala!
Eu pergunto a você, você se cala!
E eu não sei o que fazer com a minha solidão.
Fala, que eu te escuto e tomo alguma decisão.

O que é que eu fiz pra merecer?
Vem! Vem preencher meu coração.
Eu não sou culpado se você
Nunca me diz se é sim ou se é não.

Vai terminar chegando o dia
Em que eu não vou mais nem ligar
Eu sei que você bem chegaria
Se ouvisse minha canção
De um galope à beira-mar.

Mas o que é que eu fiz pra merecer?
Tanto desprezo com o pobre de um cristão.
Eu não sou culpado se você
Nunca me diz, se quer sim ou se quer não.




(Cristiano Jerônimo – 11062019)


A consciência sempre bate à porta



A verdadeira justiça é deveras óbvia
Precisaria apenas ser justa infinitamente
Como é transparente o verdadeiro amor
Precisaria só te reconhecer para sempre.

Com os olhos marejados do destino
Nas vielas escuras do meu desatino
Comecei a mergulhar e a nadar livre
Onde não se mergulha sem declives.

Uma tenda com fumaça para acampar
Fogo de lenha e a verdadeira justiça do mal
O bando não deixou ensinamentos
Perdemos tempo de atraso com a justiça.

Que justiça?! O que está acima de tudo?
O que, sem tempo, não interfere em nada?
Porque a justiça não trabalha calada
Mas os olhos veem. E a consciência fala.


(Cristiano Jerônimo)

As feras que somos

Ao Boqueirão da Barra O disco acaba, mas o samba segue solto Sempre tem a festa do pessoal do morro Carne assada e sangue no pandeiro ...