quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Arrancando as moedas




Nada de ponto de equilíbrio
Coloque seu pé de apoio atrás
Não se desequilibre nem caia
Afaste sua angústia, não fuja da raia
Preserve todo o ataque e sua defesa
Assista aos atacados, mesmo que caia
Não perca por nada a sua santa paz
A não ser que sejas convocado
Para a boa guerra da grã maioria
Tomando da minoria o que é nosso.

Nesta carta tu endossas
Sem autoridade oficial, mas como eleitor
Sentindo que te botaram de cabeça pra baixo
Catando até tuas moedas, até teus centavos.

E agora, o que fazer da vida estando vivo e sóbrio?

Quando ainda andam dizendo que a nação é laica
Com uns duzentos pilantras com vestes prosaicas
E esta mentalidade estúpida, funesta e arcaica,
Capaz de destruir escolas e queimar nossos livros.


(Cristiano Jerônimo – 211120190)

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Eternamente carentes




De pai e mãe
de pau e pedra
de crocodilos
horripilantes
os fantasmas
tua imaginação
teu medo
teus brinquedos
inocente
de pai e mãe
era carente

De deus e cristo
da terra ao ar
com o registro
do que você
vai se lembrar
da tua história
teus fracassos
teus sucessos
fragmentos
escaneados
pelo Universo
equivalente
a praticamente
nada
(como é longa
essa estrada...)




(Cristiano Jerônimo – 20112019)

sábado, 16 de novembro de 2019

A MONTANHA MÁGICA



Sanatório
Bacilos
Vacilos
Saídos do circo
da solidão.

Terapêutico
Pupilos
mamilos
Alto da colina
E solidão.

Sorumbático
melancólicos
Bucólicos
Nos Alpes
E a solidão

Presidiário
Político
Retardatário
Analítico
Tão frios
Quem nem
Sobem o tom

Purpurina
Alto astral
Carnaval
Fantasia
Realidade
Ilusão
As cinzas
E a Solidão.

Descobria
Quem era
Pelo som
Da tosse
Seca.
Deixava
De ouvir
Muitas
Tosses
Que sucumbiam.


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Poema dedicado ao livro mor do alemão Paul Thomas Mann (1875-1955). Tendo recebido o Nobel de Literatura de 1929, é considerado um dos maiores romancistas do século XX.

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(Cristiano Jerônimo – 15112019)

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Efeitos do leite derramado





Poemas perdidos
amores findos
fim de paixão
reprovação
escolar.
são coisas
que não têm jeito
não tem como
consertar...

Leite ao esterco
nas ordenhas
nunca voltará
como queremos
enriquecerá
bem o solo
Que vai
nos acordar
de toda essa ilusão
para lutar
vida real
Do caos ao sertão.


(Cristiano Jerônimo | 15112019 – Recife/PE)

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Procurando o Minotauro





Eu estou no labirinto
Procurando Minotauro
Tomo goles de absinto
E só acho o Centauro.

Eu estou numa favela
Procurando assaltantes
Eu me lembro desta guerra
Tantos mortos quanto antes.

Eu estou num fogo cruzado
Guardado pelas barricadas
Nunca escolhi esta estrada
Mesmo sendo o meu lado.

Eu estou no fim dos tempos
Com água para apagar o fogo
Minha nau entregue aos ventos
Minha vida entregue aos lobos.

Acordei e tudo como antes
Não era campo nem cidade
Eram milícias fulminantes
Que juravam ser verdades.

Amigo preso vai ser livre
Vamos derrubar o golpe
O país tem um arco-íris
E a força do nosso galope.


(Cristiano Jerônimo – 04112019)




sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Dos descasos


Não é óleo
mas petróleo
catástrofe
nunca vista
desdenhada
movida
pelo ódio
desgoverno
nacional.
mas o que
esperar
do psicopata
eleito
que nada
tem feito
e que não nos leva
a lugar nenhum.
O tratamento
Irresponsável
Não surpreende
Os milicianos
Serem insensíveis
Com a costa
Os empregos
Fauna e flora
Prejudicados
Eu queria vê-los
Todos ensopados
Do petróleo
da negligência
no mar onde
sem o bote
salva-vidas.
CUIDADO!
Eles não estão nem aí
Sempre em fuga
Não respeitam tartarugas
Nem os frutos
Nem os segredos do mar.


(Cristiano Jerônimo - 01112019)

terça-feira, 8 de outubro de 2019

O motivo é a razão



Caminhos muito pisados,
Terra socada nos passos.
Nas pegadas do tempo,
O rastro é documento.

São 250 anos de estradas
Tocando secas e trovões
Se alternando no vento
De caminhos e ilusões.

São 2500 anos rupestres
Ameríndios de 15 mil anos
Sobreviveram a pestes
Mas não aos humanos.

Aquele povo tirano
Que saqueou o ouro
A dignidade, a vida,
A floresta e o oceano.

Terra pisada, o destino
Foi o lugar de um índio
Perdido nas guerras
Contra as suas tribos.


Portugueses, espanhóis
E outros que mataram
Mataram índios inocentes
E ainda há quem diga
Que eles são indigentes,
Preguiçosos e tacanhos
Qual a razão da invasão,
E da Guerra do Iraque?
São do mesmo tamanho.



(Cristiano Jerônimo – 08102019)



segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Dos rebentos e dos frutos


Meus filhos estão de asas postas
com um universo para descobrir
mais e mais. Voam para subir...
passeiam fora do ninho de casa
usam perfumes e as suas botas
meus filhos estão de asas postas
voando... Voando neste céu azul
polos de energias complementares
já que o amor não vê diferenças
independente das nossas crenças
uniões de irmãos são singulares...
 
Meus filhos voam, pois cresceram
mãe ou pai alimentaram no bico
sonho vê-los felizes e bem ricos
saúde, emoções, razões, dinheiro
o futuro que espera as surpresas
da beleza de rir e vibrar com eles
suas novidades, suas descobertas
entrando na porta aberta do futuro
Pulam obstáculos, pulam muros
Quando não há uma porta aberta
O que vem jorra da estrada certa.



(Cristiano  Jerônimo – 06102019) 

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Entrelaço's



Um novo laço
um elo de aço
da força viva
do que eu faço
que despedaça
banco de praça
ao teu cansaço
na despedida
todos lembram
da tua partida
do primeiro dia
no qual iniciei
e perdi o guia
quebrei o laço
da minha vida...
eu prosseguia
fundindo aço
para novos elos
sombra e traços
porque minha
primeira pessoa
é de muito cansaço
mas após uma noite
eu sempre renasço
meu nome é espaço.


(Cristiano Jerônimo – 30.09.2019 – 18h26)

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Sofredor forte!




Meio rústico
e etiqueta
a beleza
e a riqueza
os caminhos
e atalhos
tortuosos
ilusórios...
Mas que suprem
e não existem.
Nem florestas
no sertão
nem flores
no tempo
da devastação.
meio rude
e amor...
alma pura
de um sertanejo
que, antes de tudo,
é um sofredor
forte 
e que canta 
canções!


(Cristiano Jerônimo – 17092019)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...