quarta-feira, 24 de março de 2021

A mão do amigo



Ninguém quer mais apertar a mão do amigo

Uma lembrança agora de um abraço antigo

De um embarque na adaptação da espécie

Laboratórios e tiranos e suas moucas preces.

 

Vimos de longe um amor da vida ir-se,

E outro na frente chegar e somar

Para apertar as mãos de amigos

É preciso aprender com os mais antigos

Com a sabedoria que é a aquela de amar.

 

Superamos as barreiras sanitárias do ar

Mas ainda não podemos abraçar os queridos

A praia está novamente fechada para o luar

Seremos melhores depois de todos os perigos.

 

Falaremos num olhar e escutaremos em ondas

Advindas de todos os lugares do universo

Quando estivermos preparados para falar

O ponto de partida será cotidiano e à frente.

 

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 24.03.2021)

quarta-feira, 17 de março de 2021

Quem não fala



Quem não me lê,

não me ouve falar

Quem vos dirige

É tímido.

E não sorri;

É verdade.

 

Soviéticos

Ou americanos

Russos

Ilslâmicos

Da guerra

Moderna;

Comercial.

 

Ante o mundo

Aprendi a falar

Demorei para ouvir

Mas deu tempo...

De nada me arrependo

O presente e o futuro

Sem nenhum tempo

Passado

A não ser os baús

Que guardamos

Somente conosco

Durante a vida

Inteira.

 

Quem não me ouve,

Não me entende.

Há as coisas

Que não podemos falar,

Mas também um fenômeno:

Segredo não se consegue guardar.

Abra seu peito e coração, meu irmão!

“Tá de boa”. Mesmo não sorrindo à toa,

Não dá para perder tempo nem chorar.

  

 

(Cristiano Jerônimo – 17032021)

Ambiguidade (viver também é apostar)

É algo que cresce

e não parece

ter aonde ir.


É algo que freia

e não semeia

para não crescer.


Amar à distância

sofrer como criança

que não pode ir.


O freio da emoção

está mesmo na razão

dois e dois, não quatro.


Tudo é diferente do quarto

como se eu não soubesse

do desafio fixo da estrada.


Recuar quando não se quer

é extremamente difícil

o cordeiro sofre o sacrifício.

 

Entre o viável e o inviável

o factível e o sonho

fico com a realidade.

 

Não que falte vontade

mas é nobre a verdade

de ilusão é o mercúrio

não queremos que caia

a escorrer pelas mãos

(que distante raia ilusão)

sem rédeas no coração.

 

entre a minha angústia

e a minha plenitude

sou criança a brincar

de viver quantos dias

felizes e alguns outros

viver e também apostar.

 


 

 (Cristiano Jerônimo – 17032021)

segunda-feira, 15 de março de 2021

Prometeu teve que enganar Zeus



Eu não sou mais

quem eu era

E continuo eu

A viver entre as feras

Como Prometeu.

 

Humanismo livre

E continuo eu

Subindo declives

Buscando o que é meu.

 

Não há antes,

Presente do futuro.

Pulo logo o muro

E vou adiante.

 

Nada adianta

Passado o susto,

Tentar relembrar

Que não foi justo.


 

 (Cristiano Jerônimo - 14032021)

Narrativa do retorno



Ser quem você é não depende do que quer ser

Posto que, a giratória do destino nos ensina

Faz-nos viver um processo até desaprender

Onde as opções de sobrevivência não vingam.

 

Iniciar um processo, reiniciar o computador.

Depois de toda a limpeza do sistema, resetar.

Chamar o feito a ordem onde não há o juízo

Impulsionar a força que o mal oprime e atinge.

 

A luz continua ofuscando, mesmo no escuro

A própria mão é que lhe impede de enxergar

Não tendo nenhuma noção do seu real futuro

Desfaz das diferenças ao ponto de massacrar.

 

Ninguém vai subir um só degrau sem se curvar

Não se vai ao alto sem ser solidário ao próximo

É mesmo preciso que voltemos a ser crianças

Saber o poder e a energia de todas as danças.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 15032021)

A CRISE CRAZY VAI PASSAR...


 

Como é bom que já é o outro dia

A madrugada estava mesmo fria

Quando anoitecia, eu ia acordar

Secos papelões pra esquentar.

 

E como é repetitiva a rua, e tão livre;

A vadiagem também é ócio criativo

O dinheiro é que não foi bem bolado,

Qualquer um precisa de um trocado.

 

Nas avenidas principais buzinam a atenção

De estar num carro possante e sem tesão

Cada um dá um pouco do que tem em si;

O que é bom pra você tem que ser pra mim.

 

Que bom que vai entardecer e o sol se por;

Mais uma jornada de uma roda giratória,

Do agradecer pelo aperreio do trabalho...

E jamais decretar qualquer dívida moratória.

 

 

Essa crise crazy vai passar!!!

domingo, 14 de março de 2021

É a Lei


Viver é isso...

Um bocado de coisas dando certo

Outras tantas tendendo ao errado

A gente no meio do fogo cruzado

Não pode deixar de ter olho aberto.

 

É a Lei do Mundo...

Bate e volta, cedo ou mesmo tarde

Mas chega. No campo e na cidade

No âmbito histórico da humanidade

Analista não basta, mas traz verdades.

 

É a Lei Internacional...

Global, mercantilista e capitalista

Por cima de pau e pedra incendeia

Queimam florestas e ecologistas

A minha tribo é de índios druidas.

 

É a Lei da Sobrevivência...

A resistência não abaixa a cabeça

Estamos desunidos, mas vamos mudar

A prioridade é salvar o nosso planeta

Ou ir aos altos dos montes meditar.

 

É a Lei do mais forte...

Capital social do grande monstro egoísta

Que se comporta como qualquer fascista

Insiste em anular a cultura indigenista.

(Que não resolvam se assumirem nazistas).

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 14032021)

sexta-feira, 12 de março de 2021

Narrativa de um passado


  

Posso voltar a pular

dentro do depósito

de algodão de vovô

e sentir o macio

do meu corpo

de criança.

 

Posso comer

fruto de palma

nas passagens

da roça farta

nada falta,

nesta criança.

 

Léguas vividas

em carros-de-boi

subindo a Serra

do Minador

e do vale

do Boqueirão

da Barra

que farra!

 

Posso comer

queijo ricota

derretido

no tacho

a farofa

da minha avó

raspas de queijo

de manteiga

com farinha

de mandioca.

 

Posso tomar

maravilhosos

banhos no riacho

sempre

que uma enxurrada

me deixe em êxtase

posso me banhar

no sangradouro

do Açude dos Paes.

 

Posso subir a serra,

íngreme, de moto

tomar leite de vaca

leite de cabra

puxa-puxa

da madrinha

tirar colméias

e comer o mel

andar na roça

e comer melancia

chupar cana

comer banana

mamão e lichia.

 

Além da lembrança,

posso viver hoje

o meu passado

mais sublime.

 

Quando volto,

eu sinto a fartura

e o flagelo da seca

numa dicotomia

que me leva

a reviver e relembrar.

 

(papel, caneta e word

para poder registar).

 

 

 

(cristiano jerônimo – 12032021)

 

quinta-feira, 11 de março de 2021

Nem a morte salva

 


Aniversário é do que começa

Saudação ao que transmuta

A vida imprevisível e certeira

Outra que nem a morte salva.

 

“Pi”, dízima periódica e contínua,

Subatômica, frequência circular,

A matéria menos densa é real

E dá até para nos comunicar.

 

Realidade é o que se leva e traz

Moléculas tão invisíveis sem luz

Para não ofuscar a terra escura

As garras da ganância que seduz.

 

Tão difícil buscar-se numa Pandemia

Com a solidão do isolamento social

Incertezas parecem maiores que a fé

Do que a esperança de dona Pandora.

 

O final do mundo é mais um reiniciar

Tudo se arrumará de um jeito inteiro

Nobres sentimentos e feitos dos filhos

Cada um será o seu próprio timoneiro.

 

Chegaremos idosos ou não à melhora

Senão nossos gametas de óvulos sãos

Irão construir uma nova escada sólida

Desta vez, sem ser descendo ao chão.

 


Aniversário é do que se inicia

Saudação ao que não é mais

A vida certeira é imprevisível

Visto que nem a morte salva.

 

 

  

(Cristiano Jerônimo – 11032021)

segunda-feira, 8 de março de 2021

Descansar a ilusão


Eu ando tão sumido

Que não encontrei

Você naquela noite

Sei que não estavas.

 

Eu ando tão desligado

Nem prestei atenção

Estavas ao meu lado

E não houve a visão.

 

A ilusão do prisioneiro

Tolhendo sua liberdade

O volume do dia inteiro

Na rua, sem ter piedade.

 

Centelhas de espíritos

Descendo para auxílio

O povo ouvindo gritos

Com nada de empecilho.

 

Eu ando tão ocupado

Até lockdown é bom

Para terra, só arado

E descansar a ilusão.

 

 

 

                                                                                                               (Cristiano Jerônimo – 08032021)

sábado, 6 de março de 2021

Escada que desce é escada que sobe

 


A dor social machuca muito o mundo inteiro

Os desníveis dos campos ofendem a maioria

O desdém desnecessário do falso timoneiro

A diversidade da cidade e todo seu dia a dia.

 

Não é exatamente aquilo que muitos queriam

Parece muito mais que muitos poucos sabem

Poucos têm o poder esmagador para subjugar

Sugam da maioria uma parte que não lhes cabe.

 

Diante da falta de conhecimento, lotam templos

Em busca de tudo, exceto o autoconhecimento

É dinheiro, emprego, cura, a usura e o desamor

A falta de respostas e compreensão da realidade.

 

A Era de Aquarius em sua viagem nos traga paz

A transição ajuda a nos transformarmos rápido

A procurar os caminhos de vida mais sábios

Manter acesas as chamas da Luz, Vida e Amor.

 

A terra está agora fechada, mas vai logo reabrir

Não é o fim do mundo, mas é meio parecido

Nosso sistema tem auto reinício, para poucos

A escada que serve para descer, é feita para subir.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 06032021)

 

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...