quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Samba de Coco de Maria Quilombola

 


Eu vou dançar o coco

Pra canoa não virar

Segura o estandarte

Na praia a cirandar

O boi... O boi...

Na ladeira a rodar

Movimenta o afoxé

Para pular e então voar

Para a cobra não pegar.

 

Eu vou descer ladeiras

Mosteiros e moinhos

Mercado de escravos

Onde foi que doeu mais

Nos antigos carnavais

Onde ia dançar o coco

Tirar verso de improviso

Pra todo mundo sambar.

 

Eu vou aí pegar a água

Não há no peito Iaras

Só para cantar-dançar

Quem experimenta o coco

Não sabe o sufoco

Para subir e pegar lá.

 

Na batida de ganzá e agogô

Uma moda, uma modinha

Para a gente namorar quieto

E tome coco pra canoa não virar

Amanhecendo até o dia acabar

Com o peito e o coração aberto.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 25082022)

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Planeta perfeito de H₂O


Não sabia se era hoje

O que vinha depois

Nem pensei nos detalhes

Pus o carro após os bois

No papel do compromisso

Do inexorável amanhã

Sol nascente de manhã

Paraíso sem maçã

E uma pomba da paz

Voando com os urubus

No chorume de nós mesmos

No calar do pensamento

A gente se engana

E elege quem vai destruir

Para que se possa insistir

Em acabar com a mata

Com as águas volumosas

Enterradas com pá de cal

O planeta perfeito de H₂0

Uma das moradas sagradas

Construída pelo nosso Pai.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 22082022)

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Barulho de canhão

 

Pastoril de Dona Joaquina/RN no Alto da Igreja da Sé, atração de Olinda (PE)

Palavras não são só palavras

As palavras falam e ecoam

Juntam palavras que calam

Nem sempre felizes soam.

 

Palavras se contradizem

Palavras são deturpadas

A falta de clareza da estrada

Informado pelo que dizem.

 

Comportamento e atitude

Sentimento no cabresto

Das ideias turvas de outrora

Eu cheguei bem na hora

E nunca fui o primeiro.

 

Te libertar e depois sair

Caminhando até o rosto

Marcado do sol do sertão

Eu vivo a vida com gosto.

 

Não temo desamor, solidão

Não temo o punhal de prata

Nem a arma que é mortífera

Com um barulho de canhão.

 

Planto as florestas em mim

Suco da mata para nutrir

As nascentes correm para o fim

Contra o mar não há como partir.

 

Não há como ter estabilidade

Na proa do navio em tormenta

Suspendendo a humanidade

A solidariedade que se inventa.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 19082022)

Xerifes e ladrões



Salteadores do oeste e carruagens

Com as suas linhas e histórias vãs

Homens artísticos de bicos de pena

A vida pode se resumir num divã

Todos com a verve das escrituras

Os homens que foram às alturas

Não tiveram tempo pro amanhã

Alexandre e Maquiavel são vãs

Com fio nesta navalha afiada

E uma cruz com uma espada

Duelando no meu pensamento

Vi o fim das máquinas de escrever

Dos cursos de datilografia

Preceito para trabalhar e viver

No suor e no sufoco do dia a dia

Assando à noite para comer de dia

Como quem faz e não para de fazer

Como cães mordendo os seus rabos

Seja na alma, na matéria ou energia

Um chambaril quente aos sábados

Um sushi casual nas noites claras

Um café na esquina, uma rua e só

Ouvindo, de um lado, as araras

Do outro, os passos dos cágados

e 0s automóveis! Gasolina pura!

Se eu estivesse mesmo vivo

Poderia transformar terra em ouro

Na mais completa sessão de alquimia

Com luzes acesas em candelabros.

 

(Hyerônimus Bosch – 19.08.2022)

  

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Moenda de engenho a bois



Dupla face feito moeda cunhada

Berço de uma menina escondida

Vagando seminua numa estrada

Que nunca quis é saber da vida;

Nos rolos das moendas de boi!!!

Botavam a mão dos penitentes

Para moer cana que nem garapa

Humanos subservientes, e fé

Não há nenhuma rave nem festa

Que supere as mesas limpas

De maneira a caminhar juntos

O mundo não foi feito por Deus

O palhaço das ruas espalha risos

Os pierrot’s tão inocentes sentem

A falta do verdadeiro sentido

Que a vida não oferta garantia

Dupla face feito moeda cunhada

Ela foi roubar por causa de vício

Sua vida era de puros artifícios

Ao final, nunca olhou para trás

Ostentou até na comunidade;

Um nerd dentro do cinema

Uma vida, uma eternidade

Porque são vários teoremas

Tem o campo e a cidade

A bondade e a maldade

Que a vida tratou de ensinar

desde as Índias Ocidentais.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 10082022)

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Carne e gasolina



É tão fácil se desesperar

Difícil é manter a calma

Para isso, respire fundo

Não vá perturbar a alma

Nem condenar o mundo

Sem as asas para planar.

 

Na avenida, a correria

Pelo pão de cada dia

Com bolachas e doces

A felicidade chega logo

Se superior e reto fosse

Deixaria tudo preservado.

 

Novo ataque aos nativos

Bandeirantes mau caracteres

Costumes ainda vivos

De um português alferes

Um brasileiro altivo

Que mais tu queres?

 

Não tem mais índios

O mais está colonizado

Não há independência

A porteira está fechada

O povo vai à excrescência

Arroba de carne, gasolina

Pela estrada, uma menina

Procurando a sua essência.


 

  (Cristiano Jerônimo – 04082022)

 

 

 

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Sete flechas


Salve o Senhor da Lista

Aquele que conquista

Bem mais de um olhar

O maior dos alquimistas

No éter das eras astrais

Vivendo em seu castelo

Sem muralhas de tempo

O estágio sereno da paz

Salve o Senhor do Plano

E o nosso canto cantar

Terra imaginada e longe

Onde se alcança, se amar

Salve o que impulsionar

O lado bom é não ser ruim

Nas terras molhadas da fé

Tela que é capaz na mente

Veículos sem marcha a ré

Uma turma bem contente

No terreiro dos sete ventos

Salve o Caboclo Sete Flechas

Que livre-nos dos tormentos

Ninguém pode ser condenado

Por outra pessoa em seu pensar,

A não ser nós por nós mesmos

A nossa própria consciência...

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 29072022)

 

Belicosos belicistas beligerantes


Sete homens se dispuseram a lutar pelo país

Oitocentos batalhões para dar um golpe só

A melhoria desejada que sempre se quis

Na capital do país, turva, é tão cego o nó.

 

Quais são os territórios indígenas daqui?

Enquanto diminuem as reservas da vida

O que é que nos faz mais cantar e sorrir

Viver, ser feliz, para que sarem as feridas.

 

Sem arranhões nem alardes, nova vida

Longe de covardes e mais segura, ou não

Setecentos feiticeiros para nos enfeitiçar

Quantas flores caberiam num canhão...?

 

A guerra ancestral, a paz celestial e a vida

Belicosos belicistas beligerantes emergem

São antigos, arcaicos e neoconservadores

Sempre têm a certeza quando divergem.

 

São homens de lata sem alma na veia

São seres que só valem o que comem

Que na hora do arrocho, eles somem

Jogam os jogos com regra muito feia. 



 

(Cristiano Jerônimo – 29072022)

domingo, 24 de julho de 2022

A quem mata o desenvolvimento?


Liga de argila

Barro massapê

A cana atlântica

Veredas lisas

Corte no sangue

Verde, monóxido

De carbono e água.


 

Liga de argila

Barro massapê

Feijão com arroz

Café com leite

Gado no pasto

Sol no seu juízo

Chapéu no lugar.

 

Do outro lado do mar

Lindos mangues poluídos

Braços de rios destruídos

Como a baía da Guanabara

É do tipo de você ficar de cara

Toneladas de descartes cariocas

Dos bandeirantes, massacres

Dos arrogantes, os maus ditados

Não à toa são vis e ignorantes

Por cima de um povo arrasado

Como quem é covarde, ao ponto,

De chutar um cachorro falido.

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 24072022)

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Presidente do Brasil


O ouro do Brasil corroído

Pelo mercúrio nos rios

Governo sem sentido

Em tempos sombrios

Um pedaço de partido

Com uma tábua de frios

De fora, mil mendigos

Sentindo calafrios

O relógio fino dourado

Não tinha o tempo

Lentamente ao desolado

Uma coivara há de levar

Perdão celestial pedido

Que acabam por acabar

Não procuram o sentido

Do que é viver é cuidar

A perfeição não resiste

À maldade humana inata

A uma gente tão ingrata

Tirana, que loteia o país

“A cultura... a civilização...

elas que se danem, ou não.” *

A turma da arte quer criar

Faxinar este mundo cão

Transformar com cultura

A melhor arma é educação

Desenvolvimento social

E para onde está indo

Este barco de “sucesso”

que joga plástico no mar

O velho é atual,

“O sinal está fechado

Pra nós que somos jovens” **

Mas nós estamos indo

Indo na onda do capitalismo

E do valor do ter sobre o ser

Soa até pueril falar disso tudo

Mas é uma miséria

Que não tem fim

Meios de produção

Detentores e detidos

Preso ao trabalho (in)formal

Ele não vê nada de anormal

Armou a população nacional

Milhares de estandes de tiro

Um belicista beligerante

O retrato de um ignorante

Estampando: Presidente do Brasil.

 

(Cristiano Jerônimo – 22.07.2022)


quinta-feira, 21 de julho de 2022

De onde eles vieram?


Vieram de planos espirituais

Trouxeram de Capela o dom

Mas até hoje e muito mais

Vivem na velocidade do som.

 

São senhores tão gentios

Donos do plano industrial

Topam qualquer desafio

O lucro do bem e o do mal.

 

E quando se tocarem

O seu bondoso futuro

Não será nem gozado

Porque semeou mal.

 

Toda ação gera reação

No sentido contrário

Da mesma força,

Intensidade e choque.

 

Na nebulosa da névoa

Vês um rosto desenhado

Pela fumaça amarga

Do que não é pecado.

 

Transgredir é outra coisa

É de todos, papel social

A jovialidade é natural

E a vida sempre fatal.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 21.07.2022 – Taubaté/SP)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...