O passado não pode ser o que amanhã nós não sabemos. Hoje, até essa data, dizem que o futuro ainda não chegou – sendo ele o nosso próprio dia.
(19012023)
O passado não pode ser o que amanhã nós não sabemos. Hoje, até essa data, dizem que o futuro ainda não chegou – sendo ele o nosso próprio dia.
(19012023)
Se até o mar pode ser tranqüilo
Sol, luz, chuva, melancolia
Não tem quê nem pra quê
Eu, que fui enganado por Maria
É arriscado quando a gente confia
Mais de mil chicotadas na alma
Porque o corpo estava dormente
A dor nem alcançava o pensamento
Tempos inglórios e desnecessários
Muita injustiça, no mínimo lapada
Chamaram-se todos de otários
Futuros garfos quentes na azia.
“Sete Marias tinha a vila dos meninos
Sete Marias dentro do sertão
Sete destinos, sete sinas
Sete caminhos para o coração” *
(Cristiano
Jerônimo – 11012023)
* Sete Marias – Sá, Rodrix e Guarabira.
Há um caminho mais leve do que se levar
A vida...
ensina... Bem ou mal, a sina
Embrenhada
no meio do canavial
Pulando
brinquedo com a menina
Fazendo da
festa a nossa canção
A vida não
nos dá nada para levar
Arrogantes
diplomatas ocidentais
Pensam que
a vida acaba nos natais
A
esperança tem uma caixa só sua
Acesse a
caixa da esperança. Com fé!
Para
atrair todas as outras pessoas
Todos os
escolhidos da Arca de Noé
(Outro se
perdendo no obscuro dilúvio
Vivendo,
ao certo, quem mesmo ele é).
(Cristiano
Jerônimo – 10012023)
Perdendo o tempo escasso olhando sempre o ocaso
Banalizando a sombra que assopra para fazer o vento
Na inconstância das realidades vividas pelos nossos eus
Porque existe caminho ou fuga para tudo a todo tempo
Eu vejo muito no infinito da vã imaginação o galáctico
Mais profundo segredo que se tem como é o Universo
A insignificância e a majestade dos poemas para pensar
Sem compromisso com a pressão social que faz o caos
De amor e violência em seus detalhes sórdidos e cruéis
Quando em todo lado estão invertidos textos de papéis
As estantes buscam por quem abra e, por fim, termine
Falta a leitura; entender a ignorância que nos é imposta
Até que a massa se emancipe e prepare nossos jovens
Para enfrentar o monstro em cordeiro, pecado capital
Dunas de todas essas consequências; bancos de areia
Era obrigado a beber todos os dias a água pura do mar
Foi um castigo dos deuses por ter vindo cá nos roubar.
(Cristiano Jerônimo - 10012022)
O vento agora vem bem de perto do hemisfério sul
O
vento vem das massas volumosas dos frios polares
Estás
enganado sobre si e só quem pode entender és tu
Como
a precipitação nas causas e efeitos dos lugares.
Correntes
marítimas têm sempre o mesmo movimento
Ao
longo dos oceanos gelados e quentes deste planeta
A
evaporação da vida é assim o inverso do sentimento
Amor
e atitude não vão embora como fossem cometas.
Cortejar
literariamente a mais bela musa inspiradora
Literalmente
podemos afirmar que há uma missão
A
vida não é mar de flores nem larvas de um vulcão
Mas
os estouros e a energia do raio do pacato trovão.
A
vida vira uma escolha entre o que falta e o que sobra
Porque
queremos isso e ainda pergunto mais: para quê?
As
roupas mais sofisticadas e belas dos idos de 1940
Ele
garboso todo alinhado animado vestido em fraque.
Tanto
os fracos quanto os fortes irão para o mesmo lugar
Os
feios e bonitos não alimentam gritos; são os espíritos
Construir
aquela casa para onde der lavoura para morar
Para
ver no verde, a paisagem que cala todos esses gritos.
Nem
vontade nem desejo
Não quero
pois não posso
São
molhados seus beijos
No momento
alto do colo.
As nuvens
giram a terra
A pressão
da lua no mar
A iniqüidade
das guerras
O prazer
de ir lá e amar.
Mistura de
ideal e real
De sonho e
vertigem
Para observar
o sinal
Faróis das
ruas dizem.
Iluminadas
figuras
Figuram na
seara boa
Lembram
gravuras
Uma tela
ali, uma loa.
Tímido
instrumento
Diz os
mandamentos
Que não
seja tormento
Em nenhum
lugar.
Um
movimento leve
Com um ar
pesado
Uma longa
vida breve
Pra quem
vive de passado.
(Cristiano Jerônimo –
04.01.2022)
Estava
aqui escrevendo...
Lembrando,
lembrando...
E
fui lá ver a tempestade
Não
era nada de verdade
Era
a mais imensa ilusão
Não
era campo; era cidade
Onde
tem mais combustão
Para
não se expor a raios
Viver
a vida de seu ensaio
E
improvisos como palcos.
Saí
de mim para ver só
Vi
uma lua e um arrebol
Deixei
a Mãe da Lua ver
A
bola de fogo aquecer
Os
campos e os riachos
Cozinhar
frutas nas cachos
Com
o mel do tacho doce
A
ausência de mel é de abelhas
A
falta de combustão é centelha
A
escolha foi mais o que optamos.
Já
voou contra o buraco negro
Desafiou
a Lei da Gravidade
Das
ilusões que foram verdades
Inúteis
para o secreto da vida
Do
homem que se tornou bom
Do
homem que teve um dom
E,
diante de tanta iniqüidade,
Chegou
a cantar fora do tom
Mas
nosso Govenador Planetário
Sabe que sabemos bem quem nós somos.
(Cristiano
Jerônimo – 21122022)
Não vale a pena
Ficar os dias
Parados esperando
Que eles construam
Uma comunhão
De seres humanos
Por causa da mania
De roer por baixo
Para por tudo abaixo
Destruindo como ratos.
Cinco ou seis flores depois
Quando hoje elas não morrem
Não simbolizava viver de novo
Se “o preço da liberdade
Era a eterna vigilância...”
Já fora dito para vigiarmos
O que temos de mais precioso
Nosso espírito imerso no todo.
A vida é tão relativa e ampla
Parte do segredo do universo
A vida maior que o metaverso
Mesmo quando está pelo avesso
Resumindo, fomos ver ilusões
Diferente de outros corações
Acertou quem disse que encaixa
Na mesma vida, na mesma marcha
Ninguém consegue parar de andar
Já o tempo está sempre esperando
No próximo segundo ele informa
Que gastamos um segundo a mais
Só retórica e sociedade envenenada
Para eles, pouco importa o fim da estrada.
(Cristiano Jerônimo – 27/12/2022)
No meio de todo esse turbilhão de pensamentos,
Pare!
Na tempestade mantenha a calma em mar revolto,
Tente!
No desgastante dia em que passas todos os dias,
Pense!
Nos improváveis medos assuma as suas rédeas,
Direcione!
Nas tuas mais loucas indecisões e vagalumes,
Dance!
Rebole na pista e não desista, pule de salto,
Rebole!
Toda a natureza bole com cristais de água,
Viva!
Porque viva é a água que jorra daquela fonte,
Beba!
Mas beba sempre, pois não esperam por decisões,
Viva!
Se o mundo está apertando teu peito é transição
Ora e vigia!
Não esqueces no outro dia de fazer uma oração,
Rogai!
Entendei que os frutos têm que ser escolhidos
Prova!
(Cristiano Jerônimo – 23122022)
Pensar fez dele um alvo fácil
Para arapongas retráteis
Para o que é tão inefável
Como os amores portáteis.
Cintilam na beira da praia
Nas areias de Itamaracá
Seu desejo mais profundo
Saber dos mistérios do mar.
Pensar fez dele a sua razão
Farto território de oposição
Sob o comando do não acaso
Que gere sutilmente a emoção.
Acessar o passado é “pecado”
Quando não tem nada ao lado
De todos os tijolos colocados
Muitos ruíram outros subiram.
Não é só tosca essa ilusão
De propaganda vender o Natal
Com a imagem de Papai Noel
Escondendo o nascimento de Jesus.
O Menino estaria perdendo espaço
No Natal que não alcança o sentido
De que uma grande cerimônia
Deveria ser o ritual destes dias.
Ele só queria ser o burrinho
Ao lado do berço do Menino
Queria até mesmo ser o sino
Que tocou lá em Belém...
(Cristiano
Jerônimo – 23.12.2022)
Os pinotes dos passarinhos no chão a beliscar
Os
bezerros saltitantes tal a nossa alegria
Contentamento
de estar vivo, e então...
A natureza
age, agiu e no que reage, reagiu
À nossa
própria loucura de desmantelar
Como quem
corta cabelo no quartel
Num dia de teoria
No outro de tiro ao alvo
Se eu me
salvo
Vou a
Gorgonha
A flor da helicônia
O fruto
proibido
Tão
palatável
Ao mesmo
tempo
Gosto do pecado
Provável
não ser...
Não estar
numa realidade
Paralela
certa
Nem ficar
de boca aberta
Nem vou
comprar escravidão
Nem aqui
nem na China
Bem longe
do Nepal
Sem ser da
Índia
Sob os auspícios da América do Norte
Sob a
pressão da Coréia do Sul
Neste
feriado choveu quatro dias e noites
Eu não
comunguei na igreja do homem
Eu me
achei me perdendo escapulido
Pelos
dedos grandes de mim mesmo
Andando no
destino com as rédeas do trilho
Sem
apreensão, temor ou mesmo medo,
Entre mortos
e feridos, estamos muito vivos.
Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...