quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Três tempos



O passado não pode ser o que amanhã nós não sabemos. Hoje, até essa data, dizem que o futuro ainda não chegou – sendo ele o nosso próprio dia.

 

 

 Cristiano Jerônimo

(19012023)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Sete cores presentes nas coisas


Se até o mar pode ser tranqüilo

Sol, luz, chuva, melancolia

Não tem quê nem pra quê

Eu, que fui enganado por Maria

É arriscado quando a gente confia

Mais de mil chicotadas na alma

Porque o corpo estava dormente

A dor nem alcançava o pensamento

Tempos inglórios e desnecessários

Muita injustiça, no mínimo lapada

Chamaram-se todos de otários

Futuros garfos quentes na azia.

 

“Sete Marias tinha a vila dos meninos

Sete Marias dentro do sertão

Sete destinos, sete sinas

Sete caminhos para o coração” *

 

 

(Cristiano Jerônimo – 11012023)

* Sete Marias – Sá, Rodrix e Guarabira.

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

E da fé!



Há um caminho mais leve do que se levar

A vida... ensina... Bem ou mal, a sina

Embrenhada no meio do canavial

Pulando brinquedo com a menina

Fazendo da festa a nossa canção

A vida não nos dá nada para levar

Arrogantes diplomatas ocidentais

Pensam que a vida acaba nos natais

A esperança tem uma caixa só sua

Acesse a caixa da esperança. Com fé!

Para atrair todas as outras pessoas

Todos os escolhidos da Arca de Noé

(Outro se perdendo no obscuro dilúvio

Vivendo, ao certo, quem mesmo ele é).

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 10012023)

 

 

A insignificância e a majestade


Perdendo o tempo escasso olhando sempre o ocaso

Banalizando a sombra que assopra para fazer o vento

Na inconstância das realidades vividas pelos nossos eus

Porque existe caminho ou fuga para tudo a todo tempo

Eu vejo muito no infinito da vã imaginação o galáctico

Mais profundo segredo que se tem como é o Universo

A insignificância e a majestade dos poemas para pensar

Sem compromisso com a pressão social que faz o caos

De amor e violência em seus detalhes sórdidos e cruéis

Quando em todo lado estão invertidos textos de papéis

As estantes buscam por quem abra e, por fim, termine

Falta a leitura; entender a ignorância que nos é imposta

Até que a massa se emancipe e prepare nossos jovens

Para enfrentar o monstro em cordeiro, pecado capital

Dunas de todas essas consequências; bancos de areia

Era obrigado a beber todos os dias a água pura do mar

Foi um castigo dos deuses por ter vindo cá nos roubar.



(Cristiano Jerônimo - 10012022)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Tiros de canhão de flores


O vento agora vem bem de perto do hemisfério sul

O vento vem das massas volumosas dos frios polares

Estás enganado sobre si e só quem pode entender és tu

Como a precipitação nas causas e efeitos dos lugares.

 

Correntes marítimas têm sempre o mesmo movimento

Ao longo dos oceanos gelados e quentes deste planeta

A evaporação da vida é assim o inverso do sentimento

Amor e atitude não vão embora como fossem cometas.

 

Cortejar literariamente a mais bela musa inspiradora

Literalmente podemos afirmar que há uma missão

A vida não é mar de flores nem larvas de um vulcão

Mas os estouros e a energia do raio do pacato trovão.

 

A vida vira uma escolha entre o que falta e o que sobra

Porque queremos isso e ainda pergunto mais: para quê?

As roupas mais sofisticadas e belas dos idos de 1940

Ele garboso todo alinhado animado vestido em fraque.

 

Tanto os fracos quanto os fortes irão para o mesmo lugar

Os feios e bonitos não alimentam gritos; são os espíritos

Construir aquela casa para onde der lavoura para morar

Para ver no verde, a paisagem que cala todos esses gritos.

 

 

 (Cristiano Jerônimo – 05012022)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Ventos sopram swell


Para o poeta, cantor e compositor Marcelo Gênesi

 

Nem vontade nem desejo

Não quero pois não posso

São molhados seus beijos

No momento alto do colo.

 

As nuvens giram a terra

A pressão da lua no mar

A iniqüidade das guerras

O prazer de ir lá e amar.

 

Mistura de ideal e real

De sonho e vertigem

Para observar o sinal

Faróis das ruas dizem.

 

Iluminadas figuras

Figuram na seara boa

Lembram gravuras

Uma tela ali, uma loa.

 

Tímido instrumento

Diz os mandamentos

Que não seja tormento

Em nenhum lugar.

 

Um movimento leve

Com um ar pesado

Uma longa vida breve

Pra quem vive de passado.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 04.01.2022)

sábado, 31 de dezembro de 2022

Décimas dos alertas metereológicos



Estava aqui escrevendo...

Lembrando, lembrando...

E fui lá ver a tempestade

Não era nada de verdade

Era a mais imensa ilusão

Não era campo; era cidade

Onde tem mais combustão

Para não se expor a raios

Viver a vida de seu ensaio

E improvisos como palcos.

 

Saí de mim para ver só

Vi uma lua e um arrebol

Deixei a Mãe da Lua ver

A bola de fogo aquecer

Os campos e os riachos

Cozinhar frutas nas cachos

Com o mel do tacho doce

A ausência de mel é de abelhas

A falta de combustão é centelha

A escolha foi mais o que optamos.

 

Já voou contra o buraco negro

Desafiou a Lei da Gravidade

Das ilusões que foram verdades

Inúteis para o secreto da vida

Do homem que se tornou bom

Do homem que teve um dom

E, diante de tanta iniqüidade,

Chegou a cantar fora do tom

Mas nosso Govenador Planetário

Sabe que sabemos bem quem nós somos.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 21122022)

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Liberdade e vigilância



Não vale a pena

Ficar os dias

Parados esperando

Que eles construam

Uma comunhão

De seres humanos

Por causa da mania

De roer por baixo

Para por tudo abaixo

Destruindo como ratos.

 

Cinco ou seis flores depois

Quando hoje elas não morrem

Não simbolizava viver de novo

Se “o preço da liberdade

Era a eterna vigilância...”

Já fora dito para vigiarmos

O que temos de mais precioso

Nosso espírito imerso no todo.

 

A vida é tão relativa e ampla

Parte do segredo do universo

A vida maior que o metaverso

Mesmo quando está pelo avesso

Resumindo, fomos ver ilusões

Diferente de outros corações

Acertou quem disse que encaixa

Na mesma vida, na mesma marcha

Ninguém consegue parar de andar

Já o tempo está sempre esperando

No próximo segundo ele informa

Que gastamos um segundo a mais

Só retórica e sociedade envenenada

Para eles, pouco importa o fim da estrada.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 27/12/2022)

 

 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Se alguém fosse te falar

 

No meio de todo esse turbilhão de pensamentos,

Pare!

Na tempestade mantenha a calma em mar revolto,

Tente!

No desgastante dia em que passas todos os dias,

Pense!

Nos improváveis medos assuma as suas rédeas,

Direcione!

Nas tuas mais loucas indecisões e vagalumes,

Dance!

Rebole na pista e não desista, pule de salto,

Rebole!

Toda a natureza bole com cristais de água,

Viva!

Porque viva é a água que jorra daquela fonte,

Beba!

Mas beba sempre, pois não esperam por decisões,

Viva!

Se o mundo está apertando teu peito é transição

Ora e vigia!

Não esqueces no outro dia de fazer uma oração,

Rogai!

Entendei que os frutos têm que ser escolhidos

Prova!

 

 

(Cristiano Jerônimo – 23122022)

Longe do Presépio, Perto da vitrine. Todos estão a procurar...



Pensar fez dele um alvo fácil

Para arapongas retráteis

Para o que é tão inefável

Como os amores portáteis.

 

Cintilam na beira da praia

Nas areias de Itamaracá

Seu desejo mais profundo

Saber dos mistérios do mar.

 

Pensar fez dele a sua razão

Farto território de oposição

Sob o comando do não acaso

Que gere sutilmente a emoção.

 

Acessar o passado é “pecado”

Quando não tem nada ao lado

De todos os tijolos colocados

Muitos ruíram outros subiram.

 

Não é só tosca essa ilusão

De propaganda vender o Natal

Com a imagem de Papai Noel

Escondendo o nascimento de Jesus.

 

O Menino estaria perdendo espaço

No Natal que não alcança o sentido

De que uma grande cerimônia

Deveria ser o ritual destes dias.

 

Ele só queria ser o burrinho

Ao lado do berço do Menino

Queria até mesmo ser o sino

Que tocou lá em Belém...

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 23.12.2022)

 

  

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Muamba de escravos



Os pinotes dos passarinhos no chão a beliscar

Os bezerros saltitantes tal a nossa alegria

Contentamento de estar vivo, e então...

A natureza age, agiu e no que reage, reagiu

À nossa própria loucura de desmantelar

Como quem corta cabelo no quartel

Num dia de teoria

No outro de tiro ao alvo

Se eu me salvo

Vou a Gorgonha

A flor da helicônia

O fruto proibido

Tão palatável

Ao mesmo tempo

Gosto do pecado

Provável não ser...

Não estar numa realidade

Paralela certa

Nem ficar de boca aberta

Nem vou comprar escravidão

Nem aqui nem na China

Bem longe do Nepal

Sem ser da Índia

Sob os auspícios da América do Norte

Sob a pressão da Coréia do Sul

Neste feriado choveu quatro dias e noites

Eu não comunguei na igreja do homem

Eu me achei me perdendo escapulido

Pelos dedos grandes de mim mesmo

Andando no destino com as rédeas do trilho

Sem apreensão, temor ou mesmo medo,

Entre mortos e feridos, estamos muito vivos.

 

 (Cristiano Jerônimo – 21122022) 

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...