quarta-feira, 5 de julho de 2023
terça-feira, 4 de julho de 2023
Ponto médio da vida...
De dia, havia a luz
Chuva serenando
No jardim do ar
Longe, esse mar
Não torna a virar
Sertão; povos verão.
À noite, a luz fustiga
Ela existe do lado de lá
Neves que derretem
Elevando o nível do mar
Aqui, essa luz no ar
Faz a lua não naufragar.
No outro espaço da vida
Há uma cortina blindada
Alguma coisa escondida
Outra sorte revelada
No ponto médio da vida
Infinita é essa estrada.
Amanhã é o motivo de ir
Agora é outra coisa a
fazer
Ver a vida em recortes
sons
Ter a vida como dar um tom
Pois foi feita para
esquecer
O que se revela ao partir.
De dia, havia a luz
Chuva serenando
No jardim do ar
Longe, esse mar
Não torna a virar
Sertão; povos verão.
(Cristiano
Jerônimo – 04072023)
quarta-feira, 28 de junho de 2023
Luz afasta medo
Seja leve ou suave
Seja
água no vento
Um mergulho
no mar
E outro
no pensamento.
Seja
folha na neve
Água
aonde seca
Onde
não há previsão
Nem mesmo
expecta.
Seja
um açude de prata
Arrodeado
de mata
Fumaça
que sai da água
No
amanhecer da vida.
Às
vezes, seja meio hippie
Mesmo
com terno e gravata
Sempre
preso, mas livre ser
Ser
forte sem ter amarras.
Ser
forte junto com a sorte
A luz
afasta qualquer medo
Revela
e explica o segredo
Com
algo que lhe conforte.
(Cristiano
Jerônimo – 28.06.2023)
sexta-feira, 23 de junho de 2023
Quando a cabeça não pensa
Coisas que não parecem
verdade
Ninguém espera ir por tudo
isso
No trem, de um pequeno
enguiço
O descarrilho virou uma realidade.
Sempre houve o amor e o cuidado
Coragem de ir ao eu desconhecido
Um altar com os santos
esquecidos
Existe um homem só e tão acusado.
Seria tão fácil existir
sem máculas
Não fosse o ser humano irracional
O coração seria mais forte
que tudo
Deixaria a paz e o
silêncio surdos
A vida não seria tão dita
normal.
Na vida, não existe outro
culpado
Se não enxergarmos a nós
mesmos
O fato de viver e estar
lado a lado
É que revela sua face e
seus preços.
É que quando a cabeça não
pensa
O coração padece e angústia
cresce
O amor não conta com
recompensa
E nada é mais triste como um
final.
(VALERIANO,
C. J. 23 de jun. de 2023)
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O romance da Bela Inês *
Uma musa matriz de tantas músicas
Melindrosa mulher e linda e única
Como o lado da lua que se oculta
Escondia o mistério e a sedução.
Comovida com a revolução
De Guevara, Camilo e Sandino
Escutou meu Espelho Cristalino
Viajou nosso sonho libertário
Bela Inês, com seu peito de operário,
A burguesa que amava o Capitão.
Acontece que a história não tem pressa
E o amor se conquista passo a passo
O ciúme é a véspera do fracasso
E o fracasso provocar o desamor.
Bela Inês teve medo do 'condor'
Queimou cartas, lembranças do passado
E nessa guerra de Deus e do diabo
Entre fogo cruzado desertou
Bela Inês, com seu peito de operário
Não me esconde seu ar conservador
Apesar dos pesares não esquece
Nosso sonho real e atrevido
Bela Inês tem o peito dividido
Entre um porto seguro e o além-mar...
quinta-feira, 22 de junho de 2023
Diálogo de formigas
Pimenta:
- Totoca! O que um poeta faz quando está sem inspiração e
tempo para escrever?
Totoca:
- Nada, ora. Vai fazer
o quê?
Pimenta:
- Deixa para lá. Já fiz. A página não está mais em branco.
Significa que eu insisti. Aí está.
(Cristiano
Jerônimo Valeriano – 22 de jun. de 2023)
segunda-feira, 19 de junho de 2023
Lugar secreto
Eu que vou lá direto,
Só encontro comigo
Quem me dá o toque
É um velho amigo
Para o macio e o choque
Nos que amam inimigos
Seria melhor não os ter
Já os teus vãos perigos
Estão dentro de vós,
No cabelo, escondidos
Pensamento tão veloz
Muita gente iria amar
Não precisa se importar
Nunca encontro comigo
Eu que vou direto para lá,
Onde só encontro comigo
Olhando no céu um abrigo
Tanto secreto, mas meu
lugar
Esbravejo mas sou quieto
Não gosto de correr perigo
Tanto tento ser mais
discreto
Dobro as esquinas sem olhar.
(Cristiano Jerônimo –
19062023)
sexta-feira, 16 de junho de 2023
Estado em pó e liquefato
Um objeto jogado
para outro estado
Líquido, gasoso
O gelo evaporado
Um outro lado
Arena e estádio
Nobre o Paládio
Que tem o cobre
Que tem o mato
Que é sensato
Pelos pobres
O espírito só;
Desfaz o nó
E fica sagrado
Objeto largado
À luz do sol
Tomou chuva
E eclodiu
Atravessou
O Brasil
Não se evadiu
Com o covil
Do planalto
Central e anil
Um objeto jogado
para o outro lado
Gasoso e sólido,
Pó e Liquefato
Salvou a alegria
E o seu formato.
(Cristiano
Jerônimo – 16.06.2023)
terça-feira, 6 de junho de 2023
Esperança e fé
São 16 horas e eu preciso me aprontar
Os faróis indicam quando é
para parar
Na hora do rush,
meu carro não anda
O trânsito travado não faz
a bola girar
Não faz bem tanta emissão
de carbono
As potências declararam o abandono
Os responsáveis pelo buraco no oxônio
Talvez o que salve sejam
nossos sonhos
A prática de quem bota a
mão na massa
A ginga de quem sabe a manha
de viver.
É de manhã na Colônia dos
Pescadores
Redes e anzóis sem os puros
pudores
O farol indica que o porto
se aproxima
Ou que o atracadouro está
ficando longe
E as luzes desaparecem
cada vez mais
Aos piratas só podemos
pedir nossa paz
Tem cédulas a mais para
nutrir os fiscais
Tem troncos flutuando para
ir embora
Transformando de vez os
seus destinos
Cobrando que chegues
sempre na hora.
Foi à noite, no novenário
de Julinho
Que provei da maçã na
festa profana
Voei como voa e plaina o
passarinho
Sem lembrar da impostora
da tirana
Que esperava apenas o
momentinho
Os pássaros foram para
outro lugar
Todos os anos migram pelos
oceanos
Voam sabendo dos próprios
planos
Na terra, no ar ou no mar,
temperança
Fazer a esperança se
transformar em fé.
(Cristiano
Jerônimo – 06062023)
Ciranda intimista
Hoje eu queria fazer outro fogo
Brincando com o povo de romaria
Eu me vestia de prata e de ouro
Nas estradas fantasiado de couro.
Hoje o dia não tem sol queimando
Gente dançando chovendo de novo
Hoje eu queria ter asas para nadar
Achar um lugar com uma cascata
Sentir o verde e o frio das matas
E na segunda voltar a trabalhar.
Hoje eu queria que fosse só hoje
Que viesse sempre novo amanhã
Que as ruas fossem calçadas de lã
O paraíso aonde quer que eu fosse.
Amanhã já não tem mais problema
Esse dilema voou para o lado escuro
Ergueu a pedras um grandioso muro
E no topo da obras fez um emblema.
Ontem vem de forma involuntária
Um rolo de filme para rir e chorar
Seja analfabeto ou universitário
O tempo voa entre as partículas
Deste universo uno, uma pituitária
Uma glândula extensa no mínimo
Um acerto de contas sem crimes
Um menino correndo pela praia
Ela rodando a saia e rodopiando
À beira do belo e colossal oceano
Faixa de areia antes que o dia caia
Ciranda.
(Cristiano
Jerônimo – 06062023)
(Cristiano Jerônimo
Valeriano – 06062023)
Vibes da Urbe
Nas vibes
da metrópole
Americana de São
Paulo
Café na esquina um
gole
Todo pensamento
válido.
Se vê o céu,
parece mar
Torres de babel de
vidas
Pelas longas
avenidas
Onde o bloco vai passar.
Aonde a mente se
perde
Se não vê, nem
examina
Urbe que renasce e
cresce
Os pontos cardeais
da vida.
Tem problema ou
solução
Na vida... Para para
pensar
Tem vingança e tem
perdão
Saiba onde pode-se
apostar.
Os termômetros
disparam
Mais é menos e
menos mais
Rosa dos
maracatus, canaviais
Os ponteiros giram
e não param.
Bússolas não ficam
obsoletas
A Rosa dos Ventos é
infinita
Se não aprumam pela
vida
Tiram do casulo as
borboletas.
(Cristiano
Jerônimo – 06062023)
quinta-feira, 1 de junho de 2023
Do céu ao mar
O céu estrelado
dos olhos fechados
observo admirado...
Pirilampos alados
No roxo do escuro
Das luzes apagadas
No céu, num furo
A ver com o futuro.
Fecho os olhos
As imagens correm
Sem ter controle
Asfalto com óleo
Terra bem firme
Flutuando feliz
Nas matas vastas.
A canoa não para
Em direção ao mar
Voltando ao rio
Fluxo e refluxo
Das marés
Dos oceanos
Para navegar...
As cartas náuticas
Que levam a ti
Estão fora de ordem
Tenho que testar
Mais rotas
Cada porto
Cada mar...
Para tentar encontrar
O ouro perdido no tempo.
Com a tez fanada sob as fechaduras
Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...
-
Autores Aline Ridolfi Ana Paula Canestrelli Tatiana K. de Mello Dias Divulgação Cristiano Jerônimo índice intr...
-
Movimento Udigrudi - 1971-1981 No meio do Sertão pernambucano, no Brejo da Madre de Deus, cidadezinha a 180 km do Recife, ergue-se ...










