quinta-feira, 13 de julho de 2023

Pandora


A esperança é um risco

Que temos que correr,

Indubitavelmente.



Só porque ela existe

Não há riscos fatais

Na Caixa de Pandora

A esperança é mais.


Luz, Vida e Amor seguem

Esperam muito mais de nós

Alertam o quanto a vida é veloz.


Não sermos seres desesperançosos

Significarmos, galgar uma nova alma

Não adianta mesmo ter muita calma

A vida é de quereres, estares, poderes.


Uns dias vêm tortos e nos desafiam

Nas qualidades daquilo que já voou

As virtudes a serem conquistadas

A esperança ser cega e tão eterna.


Felicidade é para aquele que confia

(o medo ofusca a certeza da vitória)

Deitado depois da honra da glória;

Os dias de frio são rios de história

Numa pessoa que lembra da outra

E muitas e muitas almas protegem

A força que vem da fé e da esperança.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 13072023)

terça-feira, 4 de julho de 2023

Ponto médio da vida...


De dia, havia a luz

Chuva serenando

No jardim do ar

Longe, esse mar

Não torna a virar

Sertão; povos verão.

 

À noite, a luz fustiga

Ela existe do lado de lá

Neves que derretem

Elevando o nível do mar

Aqui, essa luz no ar

Faz a lua não naufragar.

 

No outro espaço da vida

Há uma cortina blindada

Alguma coisa escondida

Outra sorte revelada

No ponto médio da vida

Infinita é essa estrada.

 

Amanhã é o motivo de ir

Agora é outra coisa a fazer

Ver a vida em recortes sons

Ter a vida como dar um tom

Pois foi feita para esquecer

O que se revela ao partir.

 

De dia, havia a luz

Chuva serenando

No jardim do ar

Longe, esse mar

Não torna a virar

Sertão; povos verão.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 04072023)

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Luz afasta medo


Seja leve ou suave

Seja água no vento

Um mergulho no mar

E outro no pensamento.

 

Seja folha na neve

Água aonde seca

Onde não há previsão

Nem mesmo expecta.

 

Seja um açude de prata

Arrodeado de mata

Fumaça que sai da água

No amanhecer da vida.

 

Às vezes, seja meio hippie

Mesmo com terno e gravata

Sempre preso, mas livre ser

Ser forte sem ter amarras.

 

Ser forte junto com a sorte

A luz afasta qualquer medo

Revela e explica o segredo

Com algo que lhe conforte.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 28.06.2023)

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Quando a cabeça não pensa



Coisas que não parecem verdade

Ninguém espera ir por tudo isso

No trem, de um pequeno enguiço

O descarrilho virou uma realidade.

 

Sempre houve o amor e o cuidado

Coragem de ir ao eu desconhecido

Um altar com os santos esquecidos

Existe um homem só e tão acusado.

 

Seria tão fácil existir sem máculas

Não fosse o ser humano irracional

O coração seria mais forte que tudo

Deixaria a paz e o silêncio surdos

A vida não seria tão dita normal.

 

Na vida, não existe outro culpado

Se não enxergarmos a nós mesmos

O fato de viver e estar lado a lado

É que revela sua face e seus preços.

 

É que quando a cabeça não pensa

O coração padece e angústia cresce

O amor não conta com recompensa

E nada é mais triste como um final.

 

 

(VALERIANO, C. J. 23 de jun. de 2023)

  

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Trago o advogado cabeludo, filho de deputado, cantor, compositor, cineasta e doido que só nós: o Velho Quiabo, bobo da corte made in São Bento do Una (PE), maturado em Olinda, Recife, Oropa e Brasil:


O romance da Bela Inês *

Uma musa matriz de tantas músicas
Melindrosa mulher e linda e única
Como o lado da lua que se oculta
Escondia o mistério e a sedução.

Comovida com a revolução
De Guevara, Camilo e Sandino
Escutou meu Espelho Cristalino
Viajou nosso sonho libertário
Bela Inês, com seu peito de operário,
A burguesa que amava o Capitão.

Acontece que a história não tem pressa
E o amor se conquista passo a passo
O ciúme é a véspera do fracasso
E o fracasso provocar o desamor.

Bela Inês teve medo do 'condor'
Queimou cartas, lembranças do passado
E nessa guerra de Deus e do diabo
Entre fogo cruzado desertou
Bela Inês, com seu peito de operário
Não me esconde seu ar conservador

Apesar dos pesares não esquece
Nosso sonho real e atrevido
Bela Inês tem o peito dividido
Entre um porto seguro e o além-mar...


 *Alceu Valença (1987)

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Diálogo de formigas



Pimenta:

- Totoca! O que um poeta faz quando está sem inspiração e

 tempo para escrever?

 

Totoca:

- Nada, ora. Vai fazer o quê?

 

Pimenta:

- Deixa para lá. Já fiz. A página não está mais em branco. 

Significa que eu insisti. Aí está.

 

 


(Cristiano Jerônimo Valeriano – 22 de jun. de 2023)

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Lugar secreto



Eu que vou lá direto,

Só encontro comigo

Quem me dá o toque

É um velho amigo

Para o macio e o choque

Nos que amam inimigos

Seria melhor não os ter

Já os teus vãos perigos

Estão dentro de vós,

No cabelo, escondidos

Pensamento tão veloz

Muita gente iria amar

Não precisa se importar

Nunca encontro comigo

Eu que vou direto para lá,

Onde só encontro comigo

Olhando no céu um abrigo

Tanto secreto, mas meu lugar

Esbravejo mas sou quieto

Não gosto de correr perigo

Tanto tento ser mais discreto

Dobro as esquinas sem olhar.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 19062023)

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Estado em pó e liquefato

 


Um objeto jogado

para outro estado

Líquido, gasoso

O gelo evaporado

Um outro lado

Arena e estádio

Nobre o Paládio

Que tem o cobre

Que tem o mato

Que é sensato

Pelos pobres

O espírito só;

Desfaz o nó

E fica sagrado

Objeto largado

À luz do sol

Tomou chuva

E eclodiu

Atravessou

O Brasil

Não se evadiu

Com o covil

Do planalto

Central e anil

Um objeto jogado

para o outro lado

Gasoso e sólido,

Pó e Liquefato

Salvou a alegria

E o seu formato.

 


(Cristiano Jerônimo – 16.06.2023)

terça-feira, 6 de junho de 2023

Esperança e fé



São 16 horas e eu preciso me aprontar

Os faróis indicam quando é para parar

Na hora do rush, meu carro não anda

O trânsito travado não faz a bola girar

Não faz bem tanta emissão de carbono

As potências declararam o abandono

Os responsáveis pelo buraco no oxônio

Talvez o que salve sejam nossos sonhos

A prática de quem bota a mão na massa

A ginga de quem sabe a manha de viver.

 

É de manhã na Colônia dos Pescadores

Redes e anzóis sem os puros pudores

O farol indica que o porto se aproxima

Ou que o atracadouro está ficando longe

E as luzes desaparecem cada vez mais

Aos piratas só podemos pedir nossa paz

Tem cédulas a mais para nutrir os fiscais

Tem troncos flutuando para ir embora

Transformando de vez os seus destinos

Cobrando que chegues sempre na hora.

 

Foi à noite, no novenário de Julinho

Que provei da maçã na festa profana

Voei como voa e plaina o passarinho

Sem lembrar da impostora da tirana

Que esperava apenas o momentinho

Os pássaros foram para outro lugar

Todos os anos migram pelos oceanos

Voam sabendo dos próprios planos

Na terra, no ar ou no mar, temperança

Fazer a esperança se transformar em fé.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 06062023)

Ciranda intimista

 


Hoje eu queria fazer outro fogo

Brincando com o povo de romaria

Eu me vestia de prata e de ouro

Nas estradas fantasiado de couro.

 

Hoje o dia não tem sol queimando

Gente dançando chovendo de novo

Hoje eu queria ter asas para nadar

Achar um lugar com uma cascata

Sentir o verde e o frio das matas

E na segunda voltar a trabalhar.

 

Hoje eu queria que fosse só hoje

Que viesse sempre novo amanhã

Que as ruas fossem calçadas de lã

O paraíso aonde quer que eu fosse.

 

Amanhã já não tem mais problema

Esse dilema voou para o lado escuro

Ergueu a pedras um grandioso muro

E no topo da obras fez um emblema.

 

Ontem vem de forma involuntária

Um rolo de filme para rir e chorar

Seja analfabeto ou universitário

O tempo voa entre as partículas

Deste universo uno, uma pituitária

Uma glândula extensa no mínimo

Um acerto de contas sem crimes

Um menino correndo pela praia

Ela rodando a saia e rodopiando

À beira do belo e colossal oceano

Faixa de areia antes que o dia caia

Ciranda.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 06062023)

 

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 06062023)

Vibes da Urbe



Nas vibes da metrópole

Americana de São Paulo

Café na esquina um gole

Todo pensamento válido.

 

Se vê o céu, parece mar

Torres de babel de vidas

Pelas longas avenidas

Onde o bloco vai passar.

 

Aonde a mente se perde

Se não vê, nem examina

Urbe que renasce e cresce

Os pontos cardeais da vida.

 

Tem problema ou solução

Na vida... Para para pensar

Tem vingança e tem perdão

Saiba onde pode-se apostar.

 

Os termômetros disparam

Mais é menos e menos mais

Rosa dos maracatus, canaviais

Os ponteiros giram e não param.

 

Bússolas não ficam obsoletas

A Rosa dos Ventos é infinita

Se não aprumam pela vida

Tiram do casulo as borboletas.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 06062023)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...