terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Fogo e parabelo – Vitória do amor


Quanto mais ele foge ao seu longe

Mais longe é condenado à espera...

Evoluindo a nada do que foi ontem,

Correndo na vida entre outras feras.


Vive mais na morte e na guerra,

Que a maioria prefere ignorar...

Nos programas policiais enterram

Uma vida feita para morrer ou matar.

 

Exorcize! Desobsedie! Faça o simples brilhar.

E a relva deste pasto semiárido matará

A fome do teu gado, dos bichos, do legado...

(As famílias vieram, mesmo, do cheiro de mato).

 

E ele corre, em seu alcance, rumo a sua rendição;

Descobre no amor o porquê desta nova missão

De enfrentar tempos difíceis de se cumprir

Com a certeza exata para onde deve seguir.

 

E o que era violência e curiosidade ao mal

Deixa de se tornar algo “engraçado e banal”.

Quando aplicamos o saber por que isso acontece.

(E quando falta educação, a criminalidade cresce).

 

 

Cristiano Jerônimo – Custódia – 23.12.2009

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Não tremas nem temas


Nada me apreende quando se coloca em dúvida a minha liberdade e a existência de, pelo menos, uma saída para sanar.

Nem me surpreende um beco sem saída como um muro em que eu não possa pular quando desejo retornar.

A coragem de ir é a mesma de ficar, de voar, de voltar, de embarcar e sorrir depois da vida e da sorte; até mesmo após a morte.

Nada mais me surpreende na caçada da raça humana. Apenas alguns lampejos de sinceridade sem jugo ou insana maldade.

A covardia e a esquiva foram feitas para os seres fracos como aqueles que desrespeitam a si e culpam os outros pela própria tragédia.

O fato é que o desejo de fumar o ópio é mesmo muito melhor do que o ato de consumá-lo. Um acende e o outro apega. Vida é viva!

Nem mesmo a neve conseguiu me derrubar no corrimão idiota do dito dia de sol com a cabeça no meio fio.

Diga ao fraco que eu sou forte e ao feio lembre-o que sou belo, ao ponto de não me incomodar com julgamentos.

Prefiro o escuro natural das noites sem lua do que as artificiais luzes de natal que inebriam os bolsos dos incautos materialistas.

 

 (Cristiano Jerônimo Valeriano – 12.01.2025)


quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Só preciso grafar esta letra



Era outra pessoa

E eu pensava

Que ainda existia

O que eu senti

Lá atrás;

Mas o tempo

Foi amargo

Conosco

Comigo

E convosco;

Causou

Tanto estrago;

Brincadeira

É divertida

Para os dois

Mas a semente

Do mal trouxe

Ciclos de sete

Para aguar

O chiclete

Doce

Que amargou

Num tempo

Mais curto

Que a própria

Insanidade

Da loucura

Muda

Na qual vivias;

O semblante

Não correspondia

Mais ao reconhecível

Aquela não era a mesma

Pessoa

Trato isso agora numa boa

Só preciso grafar esta letra.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 09012025 – Orocó – PE)

domingo, 29 de dezembro de 2024

Um homem a desvendar



As estradas do caminho

reconhecem minhas botas

a timidez de olhar teu riso

teu  jeito rouco de andar

a minha carabina de partir

a bandeira para a paz

por lá ficou e vai estar

do que não mais vou partir

do que nunca mais vou voltar

e de tudo que há por vir

no cinema da cidade de lá

o duelo e a amizade

falta a mim essa saudade

sigo em frente

em linha reta

escrevendo

na primeira pessoa

não gosto de metrópoles

sou feliz em joão pessoa

o calor do ser humano

sem a frieza da garoa

as veredas do caminho

conduzem-me à uma tribo

sou um índio repentino

sou um homem, sou menino

sou um ser a desvendar

as trilhas que me desviam teu olhar.

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 29122024)

Milagre natural



Deus fez brotar

da planta seca

a folha e a flor

o sumo e a cor

do nada o amor.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 29.12.2024)

sábado, 28 de dezembro de 2024

Instinto de Leão



Se és vítima de uma sorte injusta,

Pensa, em primeiro lugar, em salvar a tua vida

E deixa tua casa a lamentar sozinha

O destino daquele que a edificou.

 

Sempre encontrarás um meio de trocar

Tua pátria por outra,

Ao passo que, perdendo a vida,

Nenhuma outra a substituirá.

 

Nos negócios importantes,

Não é teu conselheiro quem decide:

Chegado o momento, a decisão final

Só a ti pertence.

 

A força que infla o pescoço do leão

Só vem do próprio leão.

E ele, para contar com ela,

Terá de obedecer ao próprio instinto.

 

Reveste teu corpo deste hábito

A fim de te salvar do perigo;

Amanhã reinarás como senhor

Sobre todas as criaturas deste mundo.

 

Tu, cuja face é esplendor

E cuja fisionomia é

Tão bela que recorda o fulgor

Da lua na madrugada.

 

Eu te prometo que tua força

Dia após dia se mostrará

E, por toda a eternidade,

Brilhará tua alta glória.

 

 


(Valeriano – 27.12.2024)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Somnia indigebilia

 


É difícil imaginar qualquer coisa simples, pois se no mundo não existisse o casamento, imagina quanta gente se casaria... Por isso, os seres humanos, enquanto não forem completos e livres, hão de sonhar apenas à noite. Porque nada é real, a não ser o sonho e o amor. Esse último é a comédia na qual os atos são mais curtos e os intervalos mais compridos. Como, portanto, ocupar o tempo dos intervalos senão com a fantasia?

Imaginais que a felicidade absoluta é o nada que desejais, pois há menos maneiras de fazer amor do que aquelas que se diz, mas ainda há muitas outras do que aquilo que se pode imaginar. O ser humano, esse louco sonhador de insignificância, se pensarmos bem, é mesmo ridículo. Eu sonho, mas por vezes penso que é a única coisa certa que devo fazer, já que a vida é um sono de que o amor é o sonho, é ter vivido se houver amado.

 

Ab aliis.

 


(Cristiano Jerônimo – 23.12.24)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Os naufrágios frustrados são ilhas de apoiar



Eu queria te ver sem roupa e, ao mesmo tempo, vestida naquele vestido de renascença branco de nuvens. Nem que eu fosse uma árvore perdida no pasto. Nem que uma estrela cadente caísse no pasto da água do rio. Mesmo que eu fosse uma ilha escondida no fundo mar rodeado de sereias. Porque me acostumei a nadar quando a maré vaza. No fluxo e refluxo, eu queria emergir no teu olhar, olhos marítimos de lágrimas de sal, com cantos sensíveis e sons para morrer de cantar. Eu queria apenas que a neblina fosse sóbria outra vez para o pensamento desanuviar quando eu pudesse enxergar os cascos furados dos barcos do passado e de um futuro betumado para esquecer meus naufrágios.

 

 (Cristiano Jerônimo – 20.12.2024)

 

Sandra


 

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Já não posso mais falar


As estradas do Sertão

Conhecem meus sapatos

Minha forma de vestir

Meu jeito tolo de andar;

A areia do riacho seco

Não areia mais panelas

O bacurau e a sentinela

A noite tão clara e o negro;

As veredas guias do gado

São lógicas de hipotenusas

Bichos andam em atalhos

Aqueles mesmos que usas;

Não há pedras de medusas

Muito menos assombração

O vira e mexe, acorda hora

Tempo vem antes da aurora;

Aquela velha saudade passou

Um outro sentimento chegou

Tudo passa se é fruto de paixão

Olhe a beleza do nosso dinheiro

Comparado ao belo singelo do mar

Disso, eu já não preciso mais falar.

 

 (Cristiano Jerônimo – 181124)

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Todos aqueles que estão por vir



Nas florestas imponentes

No futuro dessa gente

Chega até a não acreditar

O dinheiro é uma moeda

São dois lados invisíveis

Um que sobe outro da queda

Com uma vitrine no meio

Sem sutiã em teus seios

O suor foi todo o melhor

Manequins e intimidades

Na parede larga secular

Que capitalismo é esse?

A maioria apenas sonha

E, se tivesse em La Plata,

Iria plantar; o que fazer?

As caravelas que desfilam

No varal dos nossos recortes

O canto mudo do assum preto

O batuque da Serra da Zabumba

O sonhar com a terra prometida

Motor propulsor com ânimo zen

Adaptado pelo modo on e do bem

Se bem que bem para quem?

A mente já está bem decidida

A pele muda mais com a ferida

Eu não te vi envelhecer nem nada

Ninguém viu ninguém cresce na estrada

Sei da estatura dos meus sonhos

Para não deixar tudo desprotegido,

Conservar o planeta limpo e fresco

Para todos aqueles que estão por vir.

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 13112025)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...