sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Em teus braços

Misterioso início
Magnífica descoberta
Olhar para o princípio
E ver a porta aberta...

Caminhar juntos
Livremente,
Entre matas e montanhas,
Água. Até na seca. Água.

Líquido puro da vida,
Como o sol, e de limpeza
Para todas as quizilas
Que o mundo impõe.

Quanto mais limpos
Mais serenos e sábios.
E no frio ou calor da noite
Me entrego em teus braços.


(Cristiano Jerônimo)


domingo, 7 de agosto de 2016

Jubilo e tormenta


Pigmentos de uma era sísmica
Tudo abala a estruturação
Eu busco mesmo nesta vida
A minha contradição...

Não quero fama nem glamour;
Quero transpassar o que é dor.
Mergulhar no início e no fim
Do Todo que reside no jardim.

Tormentas de um lado; jubilo do outro.
Passeando na força do livre arbítrio,
Nada há de se ter sem calma o retorno;
Do muito que fizemos e deixamos de fazer.

Uma tela em branco e meus jogos de tinta,
Recebi após o meu parto, com os pincéis.
E iniciei meu quadro da vida, pictórica,
Porque viver é como aprender a pintar.




Cristiano Jerônimo (07.08.2016)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Justiceiro da paz


Ele não olha nos olhos de ninguém;
Aperta forte as mãos da explosão;
Bate martelo em edifício em construção.

Ele vai pro mato bicho se reabastecer
Ele é meio estranho. Tem místico viver.
Mira numa estrela viva para se proteger.

Ele quer ver na tela do cinema São Luiz;
Ir com a gata no Cine da Fundação.
Tomar café lá na Cultura e não ler porra nenhuma!

Porque parece um bicho do mato
Que come galinhas batendo o sapato
Foi num lanche na cidade que tudo se resolveu.

Admirada alma que não cabe em si
Vela a luz do divino sacramento
Tentações pra resitir, olhar e seguir.

Ele parece o gato do mato
Come galinhas batendo no prato
Sempre dizendo: quem tem juízo sou eu!

Quem tem juízo sou eu! – Ninguém sabe dizer.


(Cristiano Jerônimo)

segunda-feira, 25 de julho de 2016

A criatura e o amor

Passo a passo,
dentro e fora
do compasso
até se encontrar...
... num caminho
íngreme
que necessita
de forças
para lutar
por si mesmo.

Esse homem
procura
pelos passos
do Messias
na doação,
no amor,
na compreensão.

Consistia em não julgar,
nem menosprezar
a ninguém.

o Messias veio
para os pobres
e estropiados
de espírito,
de caráter,
de ilusões...
entre outras
artimanhas
da matéria
e da alma.

E um homem bom,
só em não julgar,
nem menosprezar
a ninguém,
já mostra um pouco
A que veio ao planeta.
Progresso!



Cristiano Jerônimo – 22.07.16

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Benefício

Nos intervalos da modernidade
A rede é um ócio necessário
Perigoso e inútil
Como quando concordamos
Com essa obviedade.

Frida frígida?
Jamais!

Pude compreender
A essência da imaginação
Coloquial e revolucionária
Como meu coração que parou
Para depois acordar.

NOSSO ENCONTRO

Jair Martins


Tudo estava preparado.

Nas campinas, a relva deixava no manuscrito do verde

a serenidade de um aconchego.

No vento, mensageiro do perfume doce do terno dia,

o futuro do envolvimento das nossas vidas.

E o relógio do tempo obediente as badaladas do destino

já marcara o nosso encontro nas encruzilhadas da vida,

tendo como bússola o coração.

Era chegada a hora ideal das nossas vidas cruzarem-se.

No ponteiro maior que corre os minutos e os segundos,

contava a nossa emoção.

No ponteiro menor, superior e impoluto do inteiro,

estava prescrito o certo da nossa paixão.

Qual som de sinos a tinir,
nosso encontro aconteceu

soando um despertar de aurora

cintilante amor que renasce

como antídoto ao abrolhos cortizantes

rebentados no coração abandonado.

E neste ajuntamento

que o tempo prescreveu à hora marcada,

nos encontramos.

Agora, corre a carretilha do relógio tempo,

dando todo o tempo, ao tempo do nosso amor.

Antes de haver mundo, nasci para ti.....

EU apenas, tornei a achar-te.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Éramos todos comunistas

Era a mesma estação de quando me mandaram para o colégio seminterno do Exército. 1985. 11 anos. Em casa, meu irmão me “obrigava” a ler um tijolo editado de mais de duas mil páginas intitulado A história do Partido Comunista da URSS, entre tantos outros. Explicava o que Geraldo Vandré queria dizer nas letras das canções. Foi muito bom. Era o período do início infindável da nossa redemocratização. Nesta época, a esquerda brasileira – mesmo dividida – se enrobusteceu na polarização da guerra fria e se preparou para a grande eleição de 1989. Matematicamente, o mundo se resumia numa fórmula temerária, na época: EUA X URSS, de batalhas silenciosas, até que a Rainha Elizabeth entrasse em cena.

No dia 9 de novembro de 1989, o muro caiu na Alemanha. O famoso Muro de Berlin, construído para separar os alemães ocidentais (capitalistas) dos orientais (comunistas). Rendia meses de capa da Veja o desmoronamento da outrora potência mundial. Inegável que a esquerda, em todo o mundo, representou o símbolo da resistência em prol de avanços sociais mais progressistas e alicerçados. Já no Reino Unido, a Rainha Elizabeth, que já se aproximara do então presidente da União Soviética, Michael Gorbachev conseguiu reunir, num jantar muito reservado, os presidentes da URSS e o então presidente dos EUA, George W. Busch. Um passo atrás para a potência comunista. A Perestróika (gerada em 1986) estava com cara de monstro.

Foram vencidas décadas de mão forte comunista, desde a Revolução Russa de 1917. No final da década de 1980, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) estava esfacelada e ainda teria como sucessor de Gorbachev, o atrapalhado Bóris Yeltsin. Para, em todo mundo, os partidos sobreviverem, avançarem nos projetos unificadores dos elementos comunistas houve toda uma guinada, congressos, enquanto se lutava pela democracia com o lema de um governo igualitário, e de avanços para a sociedade, sobretudo as camadas mais necessitadas.

Diante do último suspiro da Albânia, restou a resistência. Instalou-se a Social Democracia no país e nunca mais, de 1985 pra cá, percebi que a discussão da implantação de um modelo Marxista, Leninista, Trotisquista de gestão, de governo esteja tramitando no parlamento nacional para mudar a Constituição Federal, quando ela diz apenas que somos um país capitalista. Há pensamentos de modelos de governo mais laicos. Agora, se virou utopia eu não sei, mas o pessoal está se movimentando cada vez mais.

Enfim, uma pergunta: ainda será possível que a maioria da nossa população possa governar também a minoria, ou se uma pequena minoria vai continuar governando a maioria e dominando o maior percentual da população como se fôssemos, nada além, de um grande problema para eles não resolverem. Não resolvem. E, dos livros ainda proibidos em 1985, herdei lembranças e construí sonhos tão sólidos que eu gostaria de não vê-los jogados fora, como se a esperança pudesse abandonar alguém assim tão fácil.


(Cristiano Jerônimo – 09.06.2016)

sexta-feira, 3 de junho de 2016

O fogo e o gelo se perderam na camada de ozônio

A pele arde, mas tem sombra. Estes são os sentidos dos dois olhares que podemos ter, no mínimo, quando o sol escaldante ilumina e incendeia a grande bola azul de água. É verão no hemisfério sul e todos os animais saem de suas tocas. Quem tem pelo, no inverno, se agasalha. O casaco de Elizabeth era do mato e o sol não arde mais.

O fogo que arde e ilumina é o mesmo que limpa e recicla o tempo. Enquanto destruímos matas, a água produz vida. E nós destruímos. E isso ainda é pouco relevante aos governantes, eleitos pela vontade do povo. Educação!?

Retomando a questão do fogo e da água é inesgotável a mudança de estados do composto H2O. Mas os meninos não sabem sobre o que estou falando. Básico.

No sentido lato, assistimos duas forças poderosas que dão vida à terra – sólida, líquida e gasosa. Elas podem levantar ou afundar a terra. Já o centro de combustão vem do fogo maior do centro do sistema solar. As águas profundas dos mares e oceanos misteriosos, e com piratas, hão de terce-lhe lindos bordados em oferta cordial. Os piratas e os mercantes, os amantes solitários do cais que velejam suas emoções ao sabor dos ventos estarão a postos para sorrir para qualquer novo amigo.

E a pele arde, porque estamos mais próximos da nossa própria chama. O fogo que constrói é o mesmo das cinzas. O sol manda chuva. O sol leva a chuva. A pele arde no trabalho de quem não tem água para aguar sua lavoura, na maioria das vezes de subsistência. No sol de maior grau de evaporação d’água, semiárido em processo de desertificação.

O sol, astro-rei, cumpre sua função de viver o livre arbítrio e desafiar o homem, com a falta e o excesso, o frio e o calor, as estações e as marés. A lua. Traz a nós, seres humanos, a mesma responsabilidade de livre-arbítrio para saber o rumo que está tomando este planeta, onde a pele arde. Mas a vida é uma beleza!



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Cristiano Jerônimo ©

segunda-feira, 23 de maio de 2016

(Pablo Neruda)
Morre lentamente,
quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente,
quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente ,
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor, ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente,
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente,
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e
os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente,
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece,
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo
exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.

(Pablo Neruda)

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A vida em três pontos

Resignar-se é como passar várias tardes ouvindo o tilintar dos copos de vinho tinto e do mensageiro dos ventos apresentando novos tempos a transportar milhões de existências em suas passagens. A gente não vê, mas o vento está lá.

Reinventar-se é reavaliar-se, em todo o alcance dos olhos do seu coração, para um trampolim de mudanças. Saber sair da cama elástica. Sair da cama estática. Que as praias mais bonitas desta vida estão na conta do banco e no cartão de crédito. Milhares de outras coisas também. Basta escolher o que se necessita, em que crer e fazer-se feliz. A vida fica mais simples, sem ser menos sofisticada do que as helicônias entre árvores atlânticas. São sempre belas, vermelhas, laranjas e amarelas. Quem me dera uma aquarela... Nascem, renascem. São resistentes...

Já rebelar-se é uma forma de extravasar o desespero humano diante das repetidas agruras desta sistematização de vida imposta. Todo animal reage em algum momento e também ataca, se não estiver adestrado pela escola da razão e do entendimento entre o que é grande e o que é pequeno.

E administrar-se é uma forma helicoidal de deixar-se receber a energia universal para infusão em sua mente e corpo, para que brote num dos lados da balança a semente da razão. E que ela pese com teus maiores conhecimentos supremos, oriundos das mais distantes galáxias, organizados por forças inteligentes desta grande e intrigante família chamada terra.



(Cristiano Jerônimo)

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Por dentro das coisas que não sabemos há um abismo do tamanho de nós mesmos

O que é que faz com que, com tantas pessoas amigas, nos sintamos sozinhos diante de nós mesmos e queiramos disfarçar. Que, depois de tantos ajustes sociais, é como se nada tivesse progredido ainda. Será a força dos artigos concretos em profusão com a das coisas que dizemos e sentimos mas não vemos nem tocamos? – É um pouco de tudo isso, pensou Alexandre, O Grande, Coisa! Rubro-negro leonino de Pernambuco mesmo. Sabia que a caixinha de surpresas era conduzida sempre pelo mágico da vez, aquele que detinha o segredo de um truque que os demais ainda ignoravam...

Os gramados estavam verdes e as fruteiras do cemitério bastante suculentas e doces. Símbolos de que “na natureza nada se cria; tudo se transforma”. Ritalina, agitada, disse simplesmente que tudo isso “vira bosta”.

Mariana foi ao chão. – Alex não queria exatamente o mesmo que a irmã de Natália.

Uma era machista assumida. A outra, sumida, nunca rachava as contas com os rapazes. Em tese, tudo ótimo. Em prática, praticamente nada. Era igual aos filhos dependentes que ousam se averbarem adultos apenas quando é para justificar atos contrários às expectativas dos pais. Não que os criadores biológicos não se equivoquem. Equivocam-se sim. Mas é que Alexandre havia concluído um raciocínio há cerca de 12 meses: - Numa reunião de dez, sendo nove incoerentes, o errado é o último que sobra, geralmente destoante. – O que fazer? Quem vai saber o que, ao final, vai prevalecer? O que justificaria a coerência de um ser humano? – Não sei. Pergunta ao Caetano. É bem mais fácil...

Mariana e Natália seriam incapazes de, depois do trio, arcarem 33%, cada, com as despesas de estadia. Não era por nada, mas porque já estaria pago, demais, duas mulheres para um homem. – Em toda a minha vida, eu só tive duas namoradas que faziam questão de dividir toda e qualquer despesa por dois. Fazia questão não. Ela brigava para rachar até a conta do motel. Em compensação, Adriano Malta havia sido cruel com Catarina. Se alicerçou nela, fez impulso de trampolim e pulou bem alto, deixando-a para trás, com o cachorro, os dois filhos e o travesseiro vazio. Jéssica trocava de homem como quem quisesse ficar com o último, embora cedesse sempre ao primeiro. Era difícil para Carlinhos, rapaz com referências rurais muito fortes e, ao mesmo tempo com um faro cosmopolita de fazer inveja a muito malandro carioca. – Ficava de butuca...

Nas telas...

KKKKKK era o que mais se ria na tela plana. Era fácil rir por trás do monitor. Aliás, o monitor separava os mais próximos e aproximava os distantes. Era estranho como a rede caía em instantes e voltava e prosseguia. Para os “óta” de plantão, Mariana pedia para ser solta do carro. Para os mais maduros pedia um zíper aberto para alegrá-la. A gramática de Domingos Paschoal Cegala sempre molda a nossa fala. – Vê se cala, aborígine. – Eu, isso aí? Mas o que é isso? Os estilhaços do estampido zoaram a cabeça de Montene. Ele mesmo morreu. Natália ficou rica e bebia uísque com Carlos Alexandre no Wiscritório Secreto.

KKKKKKK era o que mais se esperava do outro lado. As gargalhadas avessas e a solidão da estrada lhe ensinaram a amar todo o mundo. Mas era, ainda assim, infeliz. Respeitava, contudo, as suas limitações. Do contrário, já era.


(Cristiano Jerônimo)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...