sábado, 20 de junho de 2020

Geração mimeógrafo


Ao Movimento dos Escritores Independentes de Pernambuco

Se vocês 
não nos editam,
a gente tira cópia.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Marshmallow




Nas pontes e avenidas
aterros e asfaltos
por baixo da cidade
e na classe baixa do alto.

Chiclete, Mentol e coração
no amor que não fizemos
naquilo que nós crescemos
na fragata com nossos canhões.

Hoje o encanto continua na floresta
na água encantada do brilho do mar
o profeta infantil quer que você veja
a morte inconteste e vã que é tão certa.

Os olhos matreiros dos coturnos
o irrepreensível gosto do beijo
nos luares mais belos e noturnos,
penso no que eu quero mesmo.

Pacata, quieta, serena
E toda ao contrário também.
Benévola, não é de ninguém.

Na sua alma tem um peito
Em seu peito, uma canção
E ainda o medo das feras.

Mas sempre arruma um jeito
Em seu peito, ouve uma canção
Me faz feliz como marshmallow.




(Cristiano Jerônimo – 190620 – 8h41/9h02)


sábado, 13 de junho de 2020

Miscigenação


Sigo o meu caminho
Como drusas de cristal
E o sangue negro derramado.
O valor do homem amarrado
É bem menor que um voo livre
Se a igreja nunca foi abolicionista.

Sigo o meu destino
Como quem vai para uma festa
Procurando a verdade nos sinais
Decifrando pedras rupestres e portais
De passagem pela tribo que habita a floresta
Se a igreja só foi catequizadora, nunca foi indigenista.

Pego minha vereda, candeeiro aceso, cachimbo
Um português com um bigode a gritar aos lados
Um intelectual na taberna olhando para todos os cantos
A donzela mandando as cartas nos navios do além-mar
Os portugueses eram brancos e detinham todo o poder
E a igreja, ainda assim, sempre teve um olhar tão lusitano.




(Cristiano Jerônimo – 09062020)



sábado, 6 de junho de 2020

Respiradores mecânicos


Foi o povo quem mais sentiu
Foi o povo do querido Brasil
Senzalas de idosos bengalas
Sorrisos generosos de abrigos.

Ansiedade típica de pandemia
Do outro lado, o poder da criação.
Quem sabe que vive, deixa pra lá
Porque este ano não tem o São João.

Dizem: este ano é muito atípico
Mais atípico que a corrupção
De políticos, trens desgovernados
Que desviam respiradores
Dos mortos, dos necessitados
Na campanha juram o coração.



(Cristiano Jerônimo – 06062020)

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Sucessão planetária




Um dia por vez ensina que a vida pode ajudar a nos ensinar muita coisa. A nova peste nos pegou de calças muito curtas e a morte do corpo ronda o terreno dos nossas lares pelo mundo afora. Sitiados na bênção do aprender, entender e sentir, as coisas boas começam a existir, a gente começa a aprender a ouvir os sons mais baixos que emanam dos grotões, das falésias e do céu vitrificado dos gases dos balões. Como a fêmea, que em atitude inata pôs seus ovos, defendeu e alimentou seus filhotes, que aprenderam a voar. Mesmo que algum deles viva, inocentemente, preso numa gaiola. Piedade! Não podemos ainda deixar de prestar atenção na pancada do som das pegadas das formigas, que trabalham incessantemente para no inverno descansar e morrer outra vez. A vida é assim, neste sentido.


(Jerônimo - 200520)

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Timor






Como é fácil o timor da sobrevivência.

Um fantasma microscópico
Desafia o mundo e sua ciência
Paciência, nem tudo vai acabar.

O planeta se cansou da gente
Está só trocando suas sementes.
Para alguns será muito fácil plantar
Outros muitos não irão nem colher.

Ah! Como é fácil se enganar...
Ah! Como é fácil se enganar...
Se as escolas não ensinam as crianças
Se o mercado de consumo de esperanças
Faz a gente hesitar...

A pleura, boca, fossas nasais, faringe
Afastem esse mal da nossa laringe,
Das nossas traqueias e brônquios carbonizados,
Bronquíolos e alvéolos,
Não nos deixem sufocados...

Ah! Como é fácil se enganar...
Ah! Como é fácil se enganar...
Se as escolas não ensinam as crianças
Se o mercado de consumo de esperanças
Faz a gente hesitar...



(Cristiano Jerônimo – 03042020)

domingo, 29 de março de 2020

Poema Free 2



o mito das cavernas
mais profundas;
nossas almas de mangue
os asfaltos de sangue
e um mergulho no além.

e eu ainda tenho que cortar
cebola, lágrimas e ardência
para ver a luz das ideias
despertar na consciência.

no fundo das suas
asas de mel e aveia
ala toda a inteligência
clareia bem o juízo de valor
a infalível escuridão do dia
e a nossa eterna indulgência.



(cristiano jerônimo – 29032020)

sábado, 21 de março de 2020

quarentena


controle social
guerra comercial
conflito “espiritual”.

quem ganha e quem perde,
na explicação do que existe no cerne,
a nossa própria consciência é que vai julgar.

a gente vai se sentir mal e depois voltar bem mais fortes
mais solidários e respeitosos, complacentes com o próximo
não deixaremos que forças escusas roubem nossas pequenas alegrias.

não iremos admitir que o turvo negro se aposse dos nossos pequenos soldados
será uma verdadeira guerra santa na qual todos estaremos leves, livres e desarmados
sorrir é o que nos resta nesta festa ilusória das garras da terra onde estamos aprisionados.




(cristiano jerônimo – 21032020 – 15h36)

quinta-feira, 19 de março de 2020

Semelhanças de guerrilha



Amava igual a mim
Tal como nós, julgava
Caminhava para o fim
De manhã recomeçava.

Também tinha impaciência
E, em sonhos, apaziguava
Muito parecido com você
Ora doía ora melhorava.

Era libertária também
Como eu, pouco rancor
Muita crença no além
Protegidos contra a dor.

Era medo pueril que a gente sentia
O que estimulava a nossa coragem
Pacifista igual aos passarinhos.

Diferentes em grupos tão iguais
Iguais em glebas muito diferentes
Sentíamos tanto que a nossa gente
Perdesse, por ignorância, a sua paz.

Os organismos humanos são iguais
E as políticas deveras desleais.
Era tão soldado como eu...
... desses que dão a vida por amor.


(Cristiano Jerônimo – 19.03.2020)

sexta-feira, 13 de março de 2020

Zé (01)


Eu vi você no ultrassom
Ninguém acreditava
Que eu vi teu rosto
Um bebê hoje rapaz.
Tão redondinho
Como na barriga
Da sua mãe e mais.

Com o
Som do coração
A voz do coração
O meu e o teu
Coração
Palpitando...

Menino que vai homem
Tá fazendo a sua hora
Ele lembra sempre
Recorda dos tempos
De criança linda na vida
E naqueles pores do sol
   Ao vento
Encara a vida de frente.

Um adolescente
Rumo ao mundo adulto
Um pensador contínuo
Tentando entender
Precisando (se) explicar
Entender por que mostra o brilhar.

Som de coração
De pré-natal
Bate, bate, bate
Som e coração
Numa onda vital
O som do coração
Meu como o teu som
primordial.           

(Cristiano Jerônimo – 2425022020)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...