sábado, 11 de julho de 2020
quinta-feira, 9 de julho de 2020
O DNA do vazio (a dor não é real)
- Meu DNA/ é absolutamente / sertanejo / e eu não acredito no que vejo. /
- No calor endógeno que nunca se apaga / mas fortalece para novas batalhas.
- A felicidade é uma mentira cotidiana / Já a dor também não é real. / Fomos nós que a criamos.
- E como queijos suíços / com buracos e auspícios / miramos a meta de preencher os vazios que encontramos.
segunda-feira, 29 de junho de 2020
Ode aos versos livres
(Cristiano
Jerônimo – 200620)
Seja então
o teu manto sagrado
A estrela movediça
está ao lado
Procura
pela rua, a tua felicidade
Nos becos,
nas travessas da cidade.
Não
encontra o remédio perfeito
Para driblar
essa louca ansiedade
Carrega
calada no fundo do peito
Mesmo na
estrada, a não realidade.
Ruas de
paralelepípedos brilhosos
Pensamentos
de solos rochosos
E a mania
de achar que melhorou
Depois da
serra, o vento fria a vista.
Se fosse
na linha do trem, eu ia
Descer em Irajaí, Riacho do Mel,
Uma
estação ferroviária e vagão
No meio do
meio do nada sertão.
Não tinha
medo da sua esperança
Nem medo
do amor de 'inhá' Maria
Só medo da
criança e seu coração
Desfila no
andor dos anjos em ação.
Essa fome
abundante de telescópios
Fotografias
de 24 milhões de anos-luz
É mesmo
para se mudar daqui e partir
Acabar planetas certos de sermos felizes.
(Cristiano Jerônimo - 27072020 - Revisão)
(Cristiano Jerônimo - 27072020 - Revisão)
quinta-feira, 25 de junho de 2020
terça-feira, 23 de junho de 2020
Em séries
Melhor ir
à igreja e à boate
Pela praia
e nos retiros
Espiritualmente
largo
“Saber do
que gosta,
sem gostar
de tudo que se sabe”.
Também
sonho com Ícaro
Se posso
me ver voar alto
Se aterrisso
sem destino
E carregando
desatino
Sou por
dentro justo e amplo.
Nas
andanças dos ciganos
Nos dissabores
do engano
A paixão é
uma aposta
Uma
proposta de amar
E possuir
com egoísmo.
O amor não
é deste mundo
Apenas aparências
pululam
E o
incondicional não existe
Nem
persiste nas intempéries
As ondas
vêm em séries
Os cataclismos
também.
(Cristiano Jerônimo – 22062020 – 11h09)
sábado, 20 de junho de 2020
Geração mimeógrafo
Ao Movimento dos Escritores Independentes de Pernambuco
Se vocês
não nos editam,
a gente tira cópia.
sexta-feira, 19 de junho de 2020
Marshmallow
Nas pontes e avenidas
aterros e asfaltos
por baixo da cidade
e na classe baixa do alto.
Chiclete, Mentol e coração
no amor que não fizemos
naquilo que nós crescemos
na fragata com
nossos canhões.
Hoje o encanto
continua na floresta
na água encantada do
brilho do mar
o profeta infantil
quer que você veja
a morte inconteste e
vã que é tão certa.
Os olhos matreiros
dos coturnos
o irrepreensível
gosto do beijo
nos luares mais
belos e noturnos,
penso no que eu
quero mesmo.
Pacata, quieta, serena
E toda ao contrário também.
Benévola, não é de ninguém.
Na sua alma tem um peito
Em seu peito, uma canção
E ainda o medo das feras.
Mas sempre arruma um jeito
Em seu peito, ouve uma canção
Me faz feliz como marshmallow.
(Cristiano Jerônimo –
190620 – 8h41/9h02)
sábado, 13 de junho de 2020
Miscigenação
Sigo o meu caminho
Como drusas de cristal
E o sangue negro derramado.
O valor do homem amarrado
É bem menor que um voo livre
Se a igreja nunca foi abolicionista.
Sigo o meu destino
Como quem vai para uma festa
Procurando a verdade nos sinais
Decifrando pedras rupestres e portais
De passagem pela tribo que habita a floresta
Se a igreja só foi catequizadora, nunca foi indigenista.
Pego minha vereda, candeeiro aceso, cachimbo
Um português com um bigode a gritar aos lados
Um intelectual na taberna olhando para todos os cantos
A donzela mandando as cartas nos navios do além-mar
Os portugueses eram brancos e detinham todo o poder
E a igreja, ainda assim, sempre teve um olhar tão lusitano.
(Cristiano
Jerônimo – 09062020)
sábado, 6 de junho de 2020
Respiradores mecânicos
Foi o povo quem mais sentiu
Foi o povo do querido Brasil
Senzalas de idosos bengalas
Sorrisos generosos de abrigos.
Ansiedade típica de pandemia
Do outro lado, o poder da criação.
Quem sabe que vive, deixa pra lá
Porque este ano não tem o São João.
Dizem: este ano é muito atípico
Mais atípico que a corrupção
De políticos, trens desgovernados
Que desviam respiradores
Dos mortos, dos necessitados
Na campanha juram o coração.
sábado, 23 de maio de 2020
quarta-feira, 20 de maio de 2020
Sucessão planetária
Um
dia por vez ensina que a vida pode ajudar a nos ensinar muita coisa. A nova peste
nos pegou de calças muito curtas e a morte do corpo ronda o terreno dos nossas lares
pelo mundo afora. Sitiados na bênção do aprender, entender e sentir, as coisas
boas começam a existir, a gente começa a aprender a ouvir os sons mais baixos
que emanam dos grotões, das falésias e do céu vitrificado dos gases dos balões.
Como a fêmea, que em atitude inata pôs seus ovos, defendeu e alimentou seus
filhotes, que aprenderam a voar. Mesmo que algum deles viva, inocentemente,
preso numa gaiola. Piedade! Não podemos ainda deixar de prestar atenção na
pancada do som das pegadas das formigas, que trabalham incessantemente para no
inverno descansar e morrer outra vez. A vida é assim, neste sentido.
(Jerônimo - 200520)
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