quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Todos ouvimos sobre o amor


Não é por falta de carinho

Não é por falta de amor

Que se sente tão sozinho

E anestesia a sua dor.

 

Não é por falta de aviso

Os atalhos são abismos

Eduque sua respiração

Saia fora de impreciso

Vê se escuta o coração.

 

Não é por falta de dinheiro

Não é por falta de sucesso

É um corpo vazio inteiro

De café amargo expresso.

 

Não é que eu não veja

Eu fico só olhando

Que por mais que seja

Um buraco está faltando.

 

Não sou nenhum portento

Mas tenho um pouco de talento

E louvo a Deus que assim me fez

Ser do tamanho da mente e ação.

 

O guarda do parque é gentil

A polícia da milícia da polícia

Alastrando-se por todo o Brasil

Mexem com maldade e malícia.

 

Não é que eu não vá e lute

É saber o quanto é duro viver

No silêncio é que se nutre

Sábio é comungar e conviver.

 

Ter uma força maior para crer

Lembrar que a fé traz o que desejas

Nem precisa buscar nas igrejas

Tudo começa dentro de você.

 

Não é por falta de ter pena

É que a pena não cae bem

Para ele escolher um tema

A questão que persiste além.

 

Não é por falta de informação

Nem desleixo com o eleitor

É crueldade e incompreensão

Todos ouvindo falar de amor.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 21.09.2022)

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Pele do cordeiro


Andando no campus

Escondendo-se nos cantos

Só pra transgredir

Uma grande massa

Aplaudia e acreditava

Que a direita ia ruir

E não ruiu, as pessoas

Que defendem o Brasil

Costa agitada de anil

Verde da mata desbotada

Por devotos do ódio

Pessoas de picadeiros

Que põe no povo a ilusão

São protótipos de tiranos

Vivem com os seus enganos

A bancada da bala e do agro

O pelotão “evangélico”, Centrão

Esmola para o nordeste não!

Assistência técnica e irrigação

Será tão do outro mundo

Implantar a dessalinização?

E libertar uma civilização

Deixar o operário trabalhar

Equilibrar de vez essa balança

Lembrar do tempo de criança

Quando a gente era muito feliz

E tudo na vida era correr e brincar.

 

 

 (Cristiano Jerônimo – 20092022)

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Martelo do engano do trovão



A chegada de Putin no paraíso foi um alvo de muito protesto

Queria provar que era boa gente, religioso e até honesto

Mas os anjos tocaram as cornetas como sons de raios e trovões

Amiudado, conseguia perceber o homem com vários corações

Um tirano a mais, um tirano a menos, eles sempre irão morrer

Cravado que nem chumbo nas manchetes das páginas dos jornais

Putin foi levado à presença do temível e terrível homem-satanás

Havia bastante vodka na mesa, charuto cubano, tudo uma beleza

O diabo ocupou a Rússia, a Ucrânia e a britânica realeza

Veio o vento da Hora, um ciclone passou bem no meio do Kremlin

Voltou ao pedestal a estátua de Marx e a intacta múmia de Lenin

Até que o tinhoso teve um encontro inesperado com Joseph Stalin

Aí o pau cantou, o diabo agonizou, foi lapada para tudo que era lado

Mas tudo aquilo que se pensou que era conquista, era pura mentira

Um engano inventado para te vender e acumular os teus capitais

Um bando de deputados preocupados em saber onde tem mais

A emenda rachadinha do verso erudito dos políticos que vivem lá

Balcão de negócios por cima do erário. Era para ser pelo contrário

Mas também nosso eleitor faz questão de vestir a camisa de otário

Todo orgulhoso e cheirando à gabiru que depois virou uma catita

Atrapalharam-se e omitiram-se da morte de tantas vidas queridas

Armaram uma população não preparada para duelar com ladrões

Puro lobby da indústria armamentista, da indústria bélica e o caos

Sinto que se aproxima uma hecatombe natural com fim de filme

Pode ser que a terra acabe, pode ser que viva, mas nunca perdoará

Todos aqueles que mataram nossos índios e as nossas patativas

O cigano do mercúrio mostrando que ouro vale mais do que tudo

O pasto e a vasta plantação não podem entrar na nossa floresta

De terra grilada, tomada à força e índios dizimados no nosso país

Quanto à Putin, até do mapa ele sumiu; ficou incomunicável

Enquanto sua mente servir de guerra, seu final... é lamentável.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 13.09.2022)

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Não fique neste mundo


 

Não reclame, seu moço

Não se trata de castigo

Mas da tua própria vontade.

 

Olhe para o céu e veja

Como é relativa essa vida

E a morte que nos espreita.

 

Volta nos caminhos

E refaz tua caminhada

Não existe só uma estrada.

 

Pede perdão a Deus

Não mate o inimigo

Aprende a perdoar.

 

Jura que feliz é a fortuna

E o desdém ao infortunado

O de cada um está guardado.

 

Pensa que não vai se queimar

De ser jurado ao fogo eterno

Sob o julgo da própria consciência.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 01092022)

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Samba de Coco de Maria Quilombola

 


Eu vou dançar o coco

Pra canoa não virar

Segura o estandarte

Na praia a cirandar

O boi... O boi...

Na ladeira a rodar

Movimenta o afoxé

Para pular e então voar

Para a cobra não pegar.

 

Eu vou descer ladeiras

Mosteiros e moinhos

Mercado de escravos

Onde foi que doeu mais

Nos antigos carnavais

Onde ia dançar o coco

Tirar verso de improviso

Pra todo mundo sambar.

 

Eu vou aí pegar a água

Não há no peito Iaras

Só para cantar-dançar

Quem experimenta o coco

Não sabe o sufoco

Para subir e pegar lá.

 

Na batida de ganzá e agogô

Uma moda, uma modinha

Para a gente namorar quieto

E tome coco pra canoa não virar

Amanhecendo até o dia acabar

Com o peito e o coração aberto.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 25082022)

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Planeta perfeito de H₂O


Não sabia se era hoje

O que vinha depois

Nem pensei nos detalhes

Pus o carro após os bois

No papel do compromisso

Do inexorável amanhã

Sol nascente de manhã

Paraíso sem maçã

E uma pomba da paz

Voando com os urubus

No chorume de nós mesmos

No calar do pensamento

A gente se engana

E elege quem vai destruir

Para que se possa insistir

Em acabar com a mata

Com as águas volumosas

Enterradas com pá de cal

O planeta perfeito de H₂0

Uma das moradas sagradas

Construída pelo nosso Pai.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 22082022)

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Barulho de canhão

 

Pastoril de Dona Joaquina/RN no Alto da Igreja da Sé, atração de Olinda (PE)

Palavras não são só palavras

As palavras falam e ecoam

Juntam palavras que calam

Nem sempre felizes soam.

 

Palavras se contradizem

Palavras são deturpadas

A falta de clareza da estrada

Informado pelo que dizem.

 

Comportamento e atitude

Sentimento no cabresto

Das ideias turvas de outrora

Eu cheguei bem na hora

E nunca fui o primeiro.

 

Te libertar e depois sair

Caminhando até o rosto

Marcado do sol do sertão

Eu vivo a vida com gosto.

 

Não temo desamor, solidão

Não temo o punhal de prata

Nem a arma que é mortífera

Com um barulho de canhão.

 

Planto as florestas em mim

Suco da mata para nutrir

As nascentes correm para o fim

Contra o mar não há como partir.

 

Não há como ter estabilidade

Na proa do navio em tormenta

Suspendendo a humanidade

A solidariedade que se inventa.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 19082022)

Xerifes e ladrões



Salteadores do oeste e carruagens

Com as suas linhas e histórias vãs

Homens artísticos de bicos de pena

A vida pode se resumir num divã

Todos com a verve das escrituras

Os homens que foram às alturas

Não tiveram tempo pro amanhã

Alexandre e Maquiavel são vãs

Com fio nesta navalha afiada

E uma cruz com uma espada

Duelando no meu pensamento

Vi o fim das máquinas de escrever

Dos cursos de datilografia

Preceito para trabalhar e viver

No suor e no sufoco do dia a dia

Assando à noite para comer de dia

Como quem faz e não para de fazer

Como cães mordendo os seus rabos

Seja na alma, na matéria ou energia

Um chambaril quente aos sábados

Um sushi casual nas noites claras

Um café na esquina, uma rua e só

Ouvindo, de um lado, as araras

Do outro, os passos dos cágados

e 0s automóveis! Gasolina pura!

Se eu estivesse mesmo vivo

Poderia transformar terra em ouro

Na mais completa sessão de alquimia

Com luzes acesas em candelabros.

 

(Hyerônimus Bosch – 19.08.2022)

  

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Moenda de engenho a bois



Dupla face feito moeda cunhada

Berço de uma menina escondida

Vagando seminua numa estrada

Que nunca quis é saber da vida;

Nos rolos das moendas de boi!!!

Botavam a mão dos penitentes

Para moer cana que nem garapa

Humanos subservientes, e fé

Não há nenhuma rave nem festa

Que supere as mesas limpas

De maneira a caminhar juntos

O mundo não foi feito por Deus

O palhaço das ruas espalha risos

Os pierrot’s tão inocentes sentem

A falta do verdadeiro sentido

Que a vida não oferta garantia

Dupla face feito moeda cunhada

Ela foi roubar por causa de vício

Sua vida era de puros artifícios

Ao final, nunca olhou para trás

Ostentou até na comunidade;

Um nerd dentro do cinema

Uma vida, uma eternidade

Porque são vários teoremas

Tem o campo e a cidade

A bondade e a maldade

Que a vida tratou de ensinar

desde as Índias Ocidentais.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 10082022)

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Carne e gasolina



É tão fácil se desesperar

Difícil é manter a calma

Para isso, respire fundo

Não vá perturbar a alma

Nem condenar o mundo

Sem as asas para planar.

 

Na avenida, a correria

Pelo pão de cada dia

Com bolachas e doces

A felicidade chega logo

Se superior e reto fosse

Deixaria tudo preservado.

 

Novo ataque aos nativos

Bandeirantes mau caracteres

Costumes ainda vivos

De um português alferes

Um brasileiro altivo

Que mais tu queres?

 

Não tem mais índios

O mais está colonizado

Não há independência

A porteira está fechada

O povo vai à excrescência

Arroba de carne, gasolina

Pela estrada, uma menina

Procurando a sua essência.


 

  (Cristiano Jerônimo – 04082022)

 

 

 

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Sete flechas


Salve o Senhor da Lista

Aquele que conquista

Bem mais de um olhar

O maior dos alquimistas

No éter das eras astrais

Vivendo em seu castelo

Sem muralhas de tempo

O estágio sereno da paz

Salve o Senhor do Plano

E o nosso canto cantar

Terra imaginada e longe

Onde se alcança, se amar

Salve o que impulsionar

O lado bom é não ser ruim

Nas terras molhadas da fé

Tela que é capaz na mente

Veículos sem marcha a ré

Uma turma bem contente

No terreiro dos sete ventos

Salve o Caboclo Sete Flechas

Que livre-nos dos tormentos

Ninguém pode ser condenado

Por outra pessoa em seu pensar,

A não ser nós por nós mesmos

A nossa própria consciência...

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 29072022)

 

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...