segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Somos nada

Dona Santa me perdoe / Não achei o seu altar / Desde o início que se foi / Não se cansa de cantar. / / Majestade de alto plano / Me permita perguntar / Ou eu vou no desengano / Ou eu vou te encontrar. / / Face estranha da intimidade / Uma rocha magmática de gelo / Nas estufas da produtividade / Sempre sonso com algum apelo. / A sagaz invenção do carnaval / Caboclos de lança no canavial / Andam nas ruas, nas rodovias / Praia de ondas e das maresias. / Falar com o rei neste período / É melhor sempre pedir a Deus / Estou no meio deste tríduo / Unamos os nossos e os seus. / A amígdala da fala cala a voz / Não nos surpreendemos mais / O magma que escorre na foz / Pseudo conceito do que é paz. / / O explicável é elemento de consenso / Inexplicável ou inexplicada confunde / Por mais que o amor encha e abunde / Nunca vai ser pleno e de consenso? / Nunca e jamais, ambos não existem / Nosso cérebro pensa matéria e éter / Nós só pensamos em merda vertigem / Somos fracos, somos fortes, somos nada. / (Cristiano Jerônimo – 20022023)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Elo perdido

Vivas as cores Que há nas flores Nas janelas No jasmim Lá nos jardins. Percorras Em teu corpo O amargo Do doce Tom marrom De cacau. A pele de cobra Brilhante Sapato tão alto Não é démodé Se não tem Algo melhor para falar. Chinela velha Do destino Está marcada Desde que eu Era menino No rastro escuro Do mestre Virgulino. Vou, nem que seja Engatinhando, eu vou O que for preciso Para estar contigo E ter alegria para viver O nosso Grande amor. Afinidade E sintonia; Atração fluídica Emociomolecular Autonomia Nas alas perdidas Dos hospitais. (Cristiano Jerônimo - 17022023)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Evolução do samba de coco de roda

Não podemos fugir de nós/ mesmo que o motivo seja nós mesmos / Embalem e voltem ao fogo que faz / a talha que esculpe e modela a pedra / a gasolina é coisa nova e moderna / o plutônio está na sacristia / um pedaço nobre a eles reservado / com palafitas do outro lado / os modeques da Praça Central / um sorriso embolado no repente / o coco-de-roda que gira a gente / Ao sabor da rima mais genial. (Cristiano Jerônimo - 10022022 - Taubaté/SP)

Consequência final

Deixa o Universo andar! O que vai amanhã é hoje Ontem não tem mais futuro O que passou não tem depois Mas a lembrança do que foi É colocar na frente um muro. Para-brisas levam-nos à meta Retrovisores são para lembrar Na verdade, vida não nos trouxe Foi um pequeno furo no escuro Relativizando todo o seu futuro No parque, na montanha-russa Pagando caro o cérebro duro A razão infelizmente não se usa Medo do futuro numa eclusa. Deixa a natureza trabalhar! Sem macular nossas mentes Deixem-nas criar para a gente Criar pronto e materializar Ser humano é complicado... Precisa de justiça para ter paz. Foi quando resolveram Acabar a terra por dinheiro Mar e mata mortos carcomidos Num intervalo de tempo certeiro O tiro fatal da conseqüência final Aqui, nem o mal se esconde. É real Num universo que se propaga ligeiro Se faz uma parte de Deus ser inteiro. (Cristiano Jerônimo – 10.02.2023 – Taubaté/SP)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Aquela tribo que já foi

Quando o frevo tá 'frevendo', a galera bota pra torar


Ele não vaga, ele anda

Cerne, cisne, no samba

De quem ao luar tem bamba

De quem sambou nas galáxias

E não ficou no mesmo lugar.

 

Só o amor o acorrenta!

Desde os anos oitenta

Ele sai para farrear...

Envolvido noutra roda de samba

Na avenida magistral dos enredos

Onde vão-se os anéis e ficam os dedos.

 

Cai do alto no afoxé, no batuque

Paisagem percussiva desta emoção

Se aquela alegria irradiante

Te incomoda, me desculpe

Sai da frente e segue adiante

Coração acelerado nas ladeiras

Pelo céu e pelo asfalto, vem do alto

O maracatu prateado e a rosa,

Bebendo aguardente com pólvora.

 

Vai descendo da Mata ao litoral

Vai tocando chocalhos nas costas

Está indo mesmo por que gosta

Da magia que clareia o carnaval

Na porta das igrejas inúmeras

Nas ladeiras de Olinda até a quinta

Quarta de Cinzas não tem fim

Carnaval é todo dia e tem índios

Os caboclinhos, sete flechas do planeta

Vem o Alto Zé do Pinho, Pacoal,

Santana, e aquela tribo que já foi.

 

 

 (Cristiano Jerônimo – 30012023)


Carnaval de Olinda: Vista da Ladeira Misericórdia, Quatro Cantos, Ribeira e Rua de São Bento

 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Ele mesmo...


Porque sou poeta e amo a excentricidade

De umas coisas que a outros não convém

Ando sempre a correr na hostilidade

Dos mil cretinos que a cidade tem.

 

Já as mulheres, que pena,

Muitas detestam-me também

É que eu dou carinho, mas na verdade

Não enfeito o pandeiro de ninguém.

 

Decerto que não sou nenhum portento

Mas sei que tenho um pouco de talento

E louvo a Deus que altivo assim me fez.

 

Vós, se me odiai por minhas mil venetas

Deixai-me em paz com minhas costeletas

A minha barba e o meu perfume inglês.

 

 

 (Cristiano Jerônimo – 1995)

cachoeiras de vida



nas procelas do mar enfurecido

enfrento a serpente e o canhão

guardo flores para a vida e a morte

onde o santo era santo, santo era não

lembro do seu passado esquecido

que tinho luta e não tinha muita sorte

nunca poderia entrar num jogo de azar

provar do que já fora não era seu normal

o brio e o desejo mais ardente do amor

o ébrio pensamento da vida e o social

voar bem acima como plana o condor

sentir alegria quando se está com dor

a cabeça no infinito céu do firmamento

e a alma lavada nas cachoeiras de mata.

 

 

(cristiano jerônimo – 26012023)

Matar índios: antigo crime imperialista

 


Nem só de rastros vive a cobra

Nem do veneno dos escorpiões

É remédio e é fatal de uma vez

O mar d’ água clareia os sertões

Surgem burros passarinheiros

Conduzem incautos corações

Cheios de ódio, política agoniza

Olhe que são só de idiotas ladrões

Capazes de matar por idolatria

Sem o teor ou a ideia analítica

Apunha-la o coração da política

De um lado, do outro, poesia...?

Não há tolerância entre eles

Crentes que são os auspícios

Índios relembrando 500 anos

Atrás do muro o que há é nada

A não ser o ontem dos encantos

Nem só de coragem pode viver

Nem só de explorar a estrada

Pode seguir um caixeiro viajante.

 

  

(Cristiano Jerônimo – 25012023)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Retardados aloprados

 


Toda vida tem seu preço

Sem escolha de endereço

Correndo tanto pra pagar

O que fizeram com o mar

Limparam só o endereço

De si mesmo em adereço

Toda vida tem seu preço

Tem uma lei para cobrar

Uma vida é um destino

Uma resistência a forçar

Metade do mundo louco

Vou descansar um pouco

Resistir a esses absurdos

O século XV voltou, agora

Matar índio é muito fácil

Quero ver se com a pistola

Eles fazem oxigênio...

Sei o que ele vai sofrer

Pela sua falsa astúcia

Um frouxo ignorante

Aloprado como os seus

Falando em vão no nome de Deus

Nos livre dessas espécies

Vestidas de lobos

Cordeiros de terno

Bolsos cheios dos roubos................

 

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano –  25|01|2023) 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 25012023)

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Passados futuros porvir


Bolas de novelos de fios de lã

Cadeiras de balanço ancestrais

Vendo na estrada a paz que traz

Deitados, sentados num divã...

Com a tromba d’água chegando

A água do seu tempo amando

Vivendo o modo rudimentar

Estresse feito só para relaxar

Controle dos cavalos do peito

Perigosos animais da mente

Sugadores da nossa alma

Que vão para o alto, desejo

Judas sem a mácula do beijo

Terás mais fé e muita calma

Campos de algodão no monte

Branco de ouro no horizonte

Riacho corrente no espaço

Com a felicidade no laço

E a verdade na consciência.

 

 Cristiano jerônimo – 24012023 – Taubaté - sp

De volta às nascentes

 

As cachoeiras estão prestes a correr para cima e de volta às nascentes.

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...