quarta-feira, 24 de maio de 2023

Voltar a voar


Deleite

Me deite

Sonhe

Passe

Labute

Lute

Paz

O leite.

 

Sola

Do sapato

Sola

Dos meus pés

Quadrilátero,

O solado

De sapato

De mil réis.

 

Sola de alpercatas

Palmas de pés

Após a fogueira

Limpar a poeira

Ser bem de casa

Recomposta

Em banhos

Seca as tuas asas

E volta a voar.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 24052023 – Custódia)

quinta-feira, 18 de maio de 2023

Do par e das crias

                                


Para a minha querida, 
especial e amada esposa, 
Andréa Pereira Valeriano.

 

Minha dança do ventre é sua

O que me pertence é o olhar

O mergulho vindo de você

Sereia do rio onde me banho

Eu nado raso para submergir

Eu olho rápido e o rebanho

Leite de cabra, leite da gente

Bode assado com o cuscuz

Deitar-se na cama, dar cheiro

Usar candeeiro como luz

Os ancestrais reconhecem,

Já viram você aqui por perto

Permitiram a dança do ventre

Para que a gente pudesse amar.

Não julgaram se era certo

Matrimônio formar o par.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 18052023) 

domingo, 14 de maio de 2023

O poder da indiferença


 

Um sábio sertanejo me disse:

“Defenda-se com um sorriso,

Ofenda com o seu silêncio

E vença com a indiferença”.

Eu ainda vou conseguir

Fazer esta diferença

E honrar suas palavras.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 14052023)

O sexo da razão



Mulher sem homem

Homem sem mulher

Homem sem homem

Mulher sem mulher

Tanto faz...

Quando se desentendem

Ninguém meta a colher

Questão de opção sobre paz

Não existem leites derramados

Não existe a opção de culpados

Apenas a infantilidade da alma

Imaturos pensamentos tão vivos

Involuntárias fuga dos gritos

Olhar que observava e juntava

As frustrações daqueles atritos

Outra regra para o campeonato

Jogo que busca por um mito

Um ser perfeito, predestinado

Uma enorme presunção, não?

De encurralar o próprio

Amor e o coração

Lembou daquela coisa

De que quando se inclui

Alguma coisa se exclui

Pedacinho ou inteiro

Só depende da razão...


(Cristiano Jerônimo – 14052023 – CDU)

sábado, 13 de maio de 2023

Bruxa amarela *



“...aprendi a ler no rosto
o que as pessoas não querem me dizer...
...aprendi a ler na alma
o que as pessoas não podem me esconder...”



Raul Seixas & Paulo Coelho para Rita Lee

sexta-feira, 12 de maio de 2023

38 graus



Um muro maior ou menor que um plano de voo

Uma liga de argila que dizem ter criado o homem

Uma anestesia para um coração que sofre de dor

Um banquete para todos aqueles que não comem

Muitos são os que se negam e “ajuizados” julgam

Abelhas na colméia nos proporcionam o doce mel

Nunca se ouviu dizer que, para isso, elas cobram

O néctar da vida pode ser vivido também à granel

Sendo que a fartura une necessidades e sobras

Nos escritos mal grafados de um poeta desvairado

De um dia ensolarado muito próximo aos 38 graus

Com o sol quente nas geleiras do solo queimado

Sem ter responsabilidade sobre a terra e o caos

O sol trabalha diariamente desde que foi criado

Fornece a mesma energia para os bons e os maus

Não há um muro sequer mais alto que o infinito

Não existe dor maior que a dor latente do grito

Nem a sociedade que a gente vive é tão normal.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 12052023)

terça-feira, 9 de maio de 2023

A maresia


Ao Recife - PE

Ele foi

Ele vai

E voou

Demais

Skates

rampas 

manobras.

 

Nestes

Vôos

Ele a viu

No ar

Sem Asas

Saídas

Caídas.

 

Por

do sol

sobre

nuvens

de avião

bagagem

som.

 

Estaca

Zero

Muito

Amor

Selvagem

Na viagem.

 

Na ilusão

A alma

Entendeu

A falta

Presente

Parece

Nunca

mais

findar.

 

Campos

E flores

Mostrando

Amores

Toalhas

Na grama

E na alma

com amor.

 

Nada

Próximo

Nada

Fácil

Nada

Difícil

Tudo

Possível.

 

Altura

Medo

Demasia

Servem

À maresia

Que lhes

Competem

Na carapuça

Que lhes reveste.

 

 

 (Cristiano Jerônimo – 08052023)

sábado, 6 de maio de 2023

Tudo o que é óbvio





Aquele seu vestidinho

De cambraia de linho

Acalmou o mar revolto

Esfriou o ardente fogo.

 

Já te vi suar em bicas

Mas não lembro mais

Já te vi rosto a rosto

Sobre mim muito mais.

 

Saudade do que seria

Feliz de estar bem em si

Não sendo o que queria

A tua fala faltava em ti.

 

Havia ódio, ranger de dentes

Havia muito amor, suficiente

Sem implorar e sem implodir

No mais, ficar sem ter onde ir.

 

Se joga na busca pelo outro

Presta mais um pouco de atenção

O irreal deveria ser banido

O sonho precisa ser dormido.

 

Acordado em utopias, eu te vejo

Tudo. Nada mais do que eu queria

Se tu não és somente desejo

O verbo amar conjugaria aMaria.

 

Gente junta, gente mais e mais distante

Gente que ama e infla as toxicidades

Revelando as faces mais cruéis de antes

Sem uma opinião para tudo que é óbvio.

 

  

(Cristiano Jerônimo – 05052023)

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Para os apóstolos da atualidade

Imagino a cena dele pensando: isso é um bando de otários.


Falsos profetas

Ganham dinheiro

Para mandar

O curandeiro

Direto pro céu.

 

No paraíso

Entra primeiro

Quem paga a folha

Do ano inteiro.

 

Estás sem dinheiro

Não fique triste

Se não puder

Acima, Deus existe.

 

Temos água do Jordão

Unção do suor do bispo

Fazemos cura até pra cura

Usamos bem o seu dízimo.

 

Há bancada e emissoras

Para desafiar o estado laico

Suas propostas são ‘promissoras’

Não vi nenhuma além dos lábios.

 

Fui lá ouvir a palavra de Deus

E os fariseus ofereceram o céu

Fiéis abastados em um dia

Pirulitos num boleto de papel.

 

Depois de botar grana no chapéu

Ou receber cachê para dizer

Que foi curado e garantiu o céu

É preciso muita fé para se crer.

 

Donos de televisão lá no senado

Tudo para manter o seu poder

Manipular fiéis para o seu lado

“Milagrando” para ter sem ser.

 

Robô do desespero do incauto

Inocente como um velho cão

À procura de qualquer retalho

Que lhe traga a paz, céu e pão.

 

Este é o retrato do cinema mudo

Que corre nas veias dos dias maus

Procuram qualquer coisa em tudo

Recebem o ouro e oferecem o céu.

 

Indulgências modernas, antigas

Nada que não houve tudo antes

Vendem até uma surra de urtiga:

Como remédio para dor, relaxante.

Vixe!

 

 

(Cristiano Jerônimo – 05052023)

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Maior paixão e amor


                                                                                                        Dedicado a Andréa Pereira, Vida!

Abrir as portas

Ver nas janelas

Se é mesmo ela

Que vem formosa

Vem tão charmosa

Seus cabelos voando

Com seu sorriso largo

E o seu rostinho

De sensibilidade

De afabilidade única;

Eu vou pintar as ruas

Do azul do poeta Pena

Aqui como no céu, seja

Caminhar todo de azul

Pintar meu cabelo blues

Olhar-me no espelho

E ver que tu és

A minha maior

Paixão e Amor.

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 04052023 – Cidade Maurícia)

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Decolonialmente

 


O que a tevê mostra

O povo logo endoida

Entra numa loja

Faz uma Perestroika;

Nos Estados Unidos

Acabar de colonizar

O mundo do dinheiro

Não serve parte, só inteiro

Na vida dos carnavais

Tudo essa tarde é para passear.

 

Hoje nasceram tartarugas no lago

Efluentes do pensamento humano

Sanitariamente empobrecido

Navegar por lá sem ter tom...


O que o browser capta de nós

Algoritmos em despensamentos

Tudo no caminho de fora pra dentro

A propaganda com 'bons' argumentos

E a fantasia de sempre se sentir feliz

Não condene na rua aquela meretriz

Não a julgue no sinal, não comente

Cada pessoa é um tipo de gente

Cada uma delas, uma eterna pessoa

Pra saber que pode e a vida é boa

Digitalize o robô do seu start stup

Imprimira tudo dentro do HD

Pense agora haver um novo mundo

Decolonial sem o seu passado oral.

 

  

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 03.05.2023)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...