quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Solstícios de trabalho


Mudar o mundo não é mais um sonho

Aceleradas mentes brilhantes pensam

Sabem para o mundo o que compensa

Para frear esse desastre tão medonho

Seres azuis vão transformar o mundo

Brancos e dourados purificar a terra

Recuperar a vida em seus biomas

Consumir aquilo tudo que não polui

É uma humanidade que vai e evolui

Já foi dito que o sonho não acabou

E é real acreditar na salvação da mata

Na purificação das nossas águas

Para encher aquele açude que secou

Para nascer flores pelo chão do terreiro

Para sermos plenos vivendo por inteiro

Desde quando a água chegou, somos nós

A água está dentro de quem a destrói

Sanar e sanear as casas vai ter sua vez

O contribuinte é o verdadeiro freguês

Crianças índigo, solstícios de trabalho

Regenerando o planeta uma outra vez.

 

 (Cristiano Jerônimo – 25.10.2023)

terça-feira, 24 de outubro de 2023

O sábio tempo



Dedicado à minha amada esposa, 

Andréa Pereira Valeriano 

Tenho você comigo

Isso é tudo e basta

Além da nossa casa

Não temos endereço

Alimentamos o apreço

Vivemos da própria caça

Todos os dias do ano

A vida nos confirmando

E a gente quieto esperando

Pelo sábio tempo de Deus

Assim seja com os meus 

e com os seus; os nossos

De forma legítima, clara

Com o amor e a saudade

Com o bem e sem maldade

Com toda a nossa bondade.  

 Assim Seja! 

Assim Somos!

 

(Cristiano Jerônimo – 24.10.2023)

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

As feras que somos



O disco acaba e o samba segue solto

Começa a festa do pessoal do morro

Carne assada e sangue no pandeiro

Herança das senzalas e quilombos.

 

Tudo posto ali em nossas lisas mãos

Com a matéria e a essência do feliz

Vamos ver as incógnitas emoções

Para fazer o que você nunca quis.

 

Bem pior do que o último episódio

De uma série interessante da Netflix

Sem espaço para o rancor ou ódio

Pior do que o fim de um milk shake.

 

Aquele saboroso suco doce de limão

Na feira de frutas, coco e chimarrão

Como as noites estreladas do Sertão

Com a espada que herdei de Lampião

Espantei as onças e as feras que somos.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 16.10.2023)

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Tudo o que o universo possa dar...

 


O marco zero é um local de chegada

De onde saí para molhar teus lábios

Com o voo que alou as nossas vidas

Na busca pelo lado alado e mais alto.

 

A vertigem do imã do centro do amor

O querer por demais e às vezes não ter

A memória do açúcar e do sal na flor

O diário escrito para sempre te querer.

 

É muito tempo, para ficar tão calado

E falar com a tônica de quem escreve

O nosso ninho não foi contaminado

Sabemos do que pode e do que serve.

 

Durante essa semana tem novena

Tem batuque lá no morro e orixás

Cada templo com a própria cena

Sem distinção de bons nem de maus.

 

Que o Universo traga só paz

E o Espírito Santo ampare

Nas noites escuras

E nós o Glorifiquemos

Emanando a sua luz

Sobre essas almas

Tão frágeis

Muito grandiosas

Mãos carinhosas.


O marco zero é um local de partida

De onde saí para meus lábios secar

Só lembro as chegadas, não as partidas

De tudo que se pode se viver e se amar.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 09102023)

 

domingo, 24 de setembro de 2023

Atire a primeira rosa

 


Que horas começa a noite

E termina a madrugada?

Nuvens esparsas brilham
Não sabe da viva nem nada.


Sem o mel nem a cabaça
Impedidos de ser livres
Vestidos com as carcaças
Sem clamar, misericórdia.


Sob o sol da Capadócia
No céu de nuvens esparsas
Mundo cruel de discórdias
Não invada as nossas casas.

 

Não esconda os brinquedos

Nem instrumentos de trabalho

Leve embora os meus medos

Sirva em casa de espantalho.

 

Atire a primeira rosa de amor

Sem deixar cair nenhuma pétala

Mande para longe toda a dor

Algo que para a gente não era.

 

Algo como os vulcões e as águas

A terra corrida e voada na vida

Desarmados de todas as mágoas

Sem cicatriz que lembre ferida.

 

A possibilidade de viver pleno

A luta por aquilo que nos satisfaz

Correndo de todos os venenos

Abrigados no alto das catedrais.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 24.09.2023)

 


terça-feira, 19 de setembro de 2023

Jogo de Amor que luta


Do sopé ao cume

O amor está lutando

Mas ainda não venceu

Não derrubou o tapume

Mesmo assim ele cresceu

Louco e são permaneceu

Amar remar pelo mar

Amor pela Guanabara

Amor em Itaparica blues

Não precisa de lugar

Lá onde a gente fica

A areia branca, morena

Para o mergulho do sol

Numa cidade serena

Do mais belo arrebol

Batalhas sem guerras

Para a planta não sangrar

Para o dia florescer a alma

Com a atenção e a intenção

De adivinhar o coração.

 

Do outro lado do oceano

Sinal de fumaça e mensseger

Quando não tínhamos

Precisávamos usar a paz

A mansidão que não temos

Às vezes, para uma alegria

E se fosse sempre todo dia

Que vivessem preocupados

Já não mais aguentariam

O complexo ser da cidade

O valor e a iniquidade

O jogo sujo do xadrez

As vorazes cartas na mesa

De sobremesa, uma surpresa.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 16092023)

 

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Mamãe Natureza



Eu vou fumar com a pele

E vou beber com os olhos

A alegria que o corpo pede

Até o que a mente pode

Eu vou sorrir com a face

E vou chorar com sorriso

Tudo o que mais preciso

É ver o fluxo das marés

Para saber se vou subir

Quando o nível descer

Para saber se vou partir

Antes do dia amanhecer

Entrar em mim e sair

Sair de mim e mergulhar

Aprofundando o nível

Para depois então flutuar

Tornando possível a vida

Com tudo o que ela me traz

Ficando seguro na incerteza

Porque a vida é uma beleza

Não há como sair e negar,

Está tudo na Mãe Natureza.

 


(Cristiano Jerônimo – 06092023)

 

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Das bússolas e dos chás


Se eu me perder de mim

Eu sei onde me encontrar

Nunca é tarde, só ao final

No auge dos líberos anos 50

Sabemos um pouco mais

De tudo... Dos futuros mil

Tanto claro quanto escuro

Em todas as partes do Brasil

Quase tudo é intenso e sagaz

Mesmo quando busca pela paz

Nos hotéis de Londres

Na casa de horas que se desfaz

Numa queda de barreira

Soterrou a família inteira

Eles não chegam na caneta

Não têm acesso ao mapa

Se eu me perder de mim

Por favor, me acha.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 31082023)

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

De nadadeiras dadas


Vem voar comigo

De asas dadas

Nas passaradas

Bailando no céu

Nós, passarinhos,

Nascemos para voar

Planar no ar quente

Buscar mais amor

Alegria e compaixão

E o povo sendo gente

Vem nadar comigo

De nadadeiras dadas

Aquáticos corações

Vem correr comigo

Um casal de equinos

Disparado na paisagem

A arrodear os açudes

E romper os pastos

Vem ser livre comigo

Sem aqueles encalços

Vestidos ou descalços

Mas sempre com amor.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 28082023)

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Denominações religiosas



Édipo póstumo

Elias...

Lusitana

Anglicana

Ortodoxa

Apóstolica

Romana

Episcopal

Neopetencostal

Carismática

Oriental

Buda

Egito

Faixa de Gaza

Nas Filipinas

No livro,

A arte da Guerra

de Maquiavel.


(Cristiano Jerônimo - 24082023)

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Aborto


Ela quer abortar

Ela precisa abortar

Ela é só uma criança

Ela não vinha pra cá

Não queria expurgar

Não queria abortar

O ódio foi maior

Do que amar

Risco de morrer

Necessidade de abortar

Fetos mal formados

Impedidos de encarnar

O aborto relativo

A ética secular

Absoluta ou não

Algo que se quer

Precisa de abortar...

Não pode mesmo ter

Como uma questão

De sobrevivência

Não ter dinheiro

Não poder criar

Perder o emprego

Tudo se modificar

Só o aborto vai salvar

O abandono escolar

A frieza da lei humana

O calor do Amor Maior 

A coragem de enfrentar.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 23.08.2023)

 


Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...