sábado, 25 de maio de 2024

No último verão


Passando por Angicos

Lembrando de Canudos

Conselho e resistência

Chamados de malucos

Pobre do pobre do rico

Sem a paz e a clemência

Jugo nas costas do povo

Fatura difícil de saldar

Essa conta que não fecha

Tantos roubos e arestas

E a gente apenas a calar

Ficamos assim parados

Como os pobres coitados

Na ilusão da vã burguesia

Sem ver, ela vai te atacar

O otimismo e a esperança

Renovados a cada manhã

Cada coisa em seu lugar

Como gritos de crianças

Como grilos de pensões

Com o silêncio do medo

Liberar todos os segredos

Na própria consciência

Umas coisas são origens

Outras são apenas ciência

Uns usam a sabedoria

Outros sacam violência

Terra que vai... Planeta

Ave nós e Ave Maria

Esta noite muito fria

Útil no último verão.

 

(Cristiano Jerônimo – 24.05.2024)

 

terça-feira, 21 de maio de 2024

Vapor d’água



No pare e siga desta vida

Saiu um country pra cantar

No caminho, um rádio ligado

O pensamento leve e parado

Uma sensação de bem estar.

 

Estrada comprida essa de lá

Também é comprida a de cá

Farol, sinal, semáforo laranja

O céu azul detrás do Arpoador.

 

Na Serra das Bestas no Sertão

Caboclo espinha a humildade

Os burocratas como sei que são

Não querem saber da Humanidade.

 

CO2, precipitação pluviométrica

Tempo e evapotranspiração d’água

Desperdícios de pontes de hidrogênio

Chorar parado, não quero, me abstenho.

 

Quando tem gente se juntando melhora

Dos pilares da Educação: aprender a ser;

Aprender a aprender; aprender a fazer;

E, principalmente, aprender a conviver;

Tentar impedir a nossa terra de derreter.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 21.05.2024) #maria

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Senso de direção



Foi engano,

Alguém bateu

Na porta errada.

 

Virou saída

A porta de entrada.

 

Senso de direção

Leste e Oeste

O giro da terra

Com coração.

 

A velocidade

Para pequenos

Que somos 

E serenos

Exalando

Flores 

Do deserto

de Atacama.

 

Tão alto na vida

Que tudo seca

A água não alcança

O mais alto da terra.

 

Então foi engano.

Na verdade,

Nós tínhamos

Outros planos.

 

Ver de fora o dia

Para melhorar

O campo de visão

A defesa e a pontaria.

 

E eu não duvido de nada

Do que quer a nossa vida

Qual a sua proporção

Só peço que Deus Proteja!

 

 

(Cristiano Jerônimo – 19.05.2024)

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Tranquilizante


Jesus é o psicólogo da terra

Suas palavras serão praticadas

Pois não devemos esquecer

De quem lembra da gente

Dos mais desconhecidos

Rogar pelo eu amanhecido

Pedir o bem do seu inimigo.

 

De dia é frio; à noite quente

Combater o mero orgulho

Que não planta as sementes

Com frutos de qualidade

Nos postes mais escuros

Das maiores cidades

Vai aparecendo gente

Que não crê na miséria

Nem na roda da fortuna

Abençoado seja Nosso Senhor

Nos dê paz profunda no peito

Sabedoria dentro da alma

Coragem para louvá-lo

Jesus é o psiquiatra da terra

Deixou as formas de cura

Que nos foram subtraídas

Para que não soubéssemos

Que a cura está em nossas mãos

E na comunhão com os irmãos

Amando o distante de verdade

Livrando-se do ego e da vaidade

A pirâmide de luz é uma verdade

O olhar de Deus é tranquilizante.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 16.05.2024)

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Pássaro colorido

 


Esgotamos a possibilidade

De sorrirmos lado a lado

De saber o que é verdade

Alma e corpo desnudados

Soldados sem ter sentido

Faz-nos estarmos armados

No momento em que a rosa

Esteja exalando e se sentindo

O aroma dos mares e serras

Chapadas de amor muito alto

Das cachoeiras, um alto salto

Mergulhar de corpo e alma

Deixar tudo para trás, longe

É um dos sacrifícios nobres

É onde exige-se mais calma

No asfalto de um black bird

No cuidado que se tem a mais.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 08052024)

terça-feira, 30 de abril de 2024

Cabelo

 


(Cristiano Jerômimo - 30042024)

Escrita viva



Penso.

Que passo

No Paço

Do Tempo

Outros

Momentos

Compassos

Como faço.

 

Faço.

Cor de aço

Rosa choque

Na aquarela

Eterna

Da vida

E do tempo

Como pinto

Na escrita viva

Eternamente.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 30.04.2024)

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Algum paradoxo



Só sonha quem tem fé

Só chega quando anda

Olhar só da varanda

Não gasta a sola do pé

Ser sempre muito forte

Não contar com a sorte

Focar naquilo que quer

Cintilar com discrição

Ouvir mais o coração

Quando a voz turva vier

Seja o homem ou a mulher

Seja outra forma de amor

Corta o umbigo desta dor

Perdoa o teu tão próximo

Longe demais e tão perto

Mantenha o coração aberto

Arrisque algum paradoxo.

 



 (Cristiano Jerônimo – 25042024)

terça-feira, 16 de abril de 2024

Vamos conversar



Pela primeira vez,

Vamos conversar

Nossos diálogos

Sem monólogos

Ouvir a alma da voz

Se precisar explicar

Que fiquei sem saber

Eu não entendi

O som distorceu

O real virou abstrato

Num luto longínquo

Deixou experiências

E muito aprendizado

Se me perguntasse

Eu diria que queria

Viver ao seu lado

Embora preserve-se

O amor e o respeito

Pelo outro próximo

Tudo o mais, o tempo

Dirá do alto infinito

O que se aprende

Nos aprendizados...

 

 (Cristiano Jerônimo – 16.04.2024)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...