segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Em água e óleos


O dinheiro ficou mais barato
Só não tá dando nos cachos.
Nossos gastos estão mais caros
E a vida só aumenta o trabalho.
Mexe numa parte do salário,
E deixa a gente a desejar...

No carnaval, a gente conserta.
Ando na ciclovia com a bela bicicleta.
Na cidade, só nos trechos que têm rio.
No Ano Novo melhora, eu vou ser atleta.
Vou consertar o quinto chacra róseo
Vou procurar a unção em água e óleo.




(Cristiano Jerônimo)

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Tempo verbal (viver é mais feliz!)

Estas loiras
Loucas, cobras,
Fadas, rainhas
E desfilantes,
Ao lado das mulatas
E cabelos reluzentes
Fazem o requebrado
Das bainhas das saias
Que vestem o meu amor.

Lindas, finas,
Deslumbrantes,
As ilusões da vida
Seguem a cegueira
Dos iludidos...
O elementar
Blinda possibilidades
Protegidas pelo futuro
Do destino mais pretérito
Imperfeito e pessoal.


Viver é mais feliz!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

recife de rua

vagueia um menino qualquer
qualquer rua...
matura qualquer menino
vidrado na lua...

sobre a cidade
de água indecisa,
sob a verdade
crua e concisa
repousam as asas
da contradição:
do que é da terra de Deus
e do que é de um mundo de cão.

Um rebanho de bichos do mato
            ...meninos...
...cidade...mata...

...MENINOS...

Mauricéia,Veneza, Ribeira e Cidade...

Mauricéia,
Ficarás sob o concreto
Dos lugares aterrados
Juntamente com a história
De uma batalha tão cruel
Entre lanças e armas de fogo.

Veneza,
Serás encoberta de águas
Nesse destino de lama
Na cama em que ti eu me deito
Teu leito perdeu a corrente
e tuas águas estão confusas no mar.

Ribeira,
Por debaixo de tudo
Há ti de verdade.
Nascestes tão simples
Virastes cidade
Para abrigar sua gente.

Cidade,
Quem são teus meninos?
Quem são teus amantes?
Quais são teus destinos?
Quem habitou você antes?
Respondes,
Estás contente, cidade???



Escrito em 1993 e publicado em 1999 no 2º Congresso Brasileiro de Escritores (UBE)

terça-feira, 16 de agosto de 2016

A alma composta de tudo


São as pessoas.
Não são dinheiro.
Não são status
Não são inteiros.

Pedaços de tudo,
Um pouco de cada.
Composição da raiz
Da semente germinada.

Somos nós mesmos.
Não é dinheiro,
Mas a expectativa
Também divide o inteiro.

São esses pedaços
que escolhemos
Para vencer
Os nossos traumas,
Quando temos
Momentos
De calma na alma.



(Cristiano Jerônimo – 16.08.2016)

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Em teus braços

Misterioso início
Magnífica descoberta
Olhar para o princípio
E ver a porta aberta...

Caminhar juntos
Livremente,
Entre matas e montanhas,
Água. Até na seca. Água.

Líquido puro da vida,
Como o sol, e de limpeza
Para todas as quizilas
Que o mundo impõe.

Quanto mais limpos
Mais serenos e sábios.
E no frio ou calor da noite
Me entrego em teus braços.


(Cristiano Jerônimo)


domingo, 7 de agosto de 2016

Jubilo e tormenta


Pigmentos de uma era sísmica
Tudo abala a estruturação
Eu busco mesmo nesta vida
A minha contradição...

Não quero fama nem glamour;
Quero transpassar o que é dor.
Mergulhar no início e no fim
Do Todo que reside no jardim.

Tormentas de um lado; jubilo do outro.
Passeando na força do livre arbítrio,
Nada há de se ter sem calma o retorno;
Do muito que fizemos e deixamos de fazer.

Uma tela em branco e meus jogos de tinta,
Recebi após o meu parto, com os pincéis.
E iniciei meu quadro da vida, pictórica,
Porque viver é como aprender a pintar.




Cristiano Jerônimo (07.08.2016)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Justiceiro da paz


Ele não olha nos olhos de ninguém;
Aperta forte as mãos da explosão;
Bate martelo em edifício em construção.

Ele vai pro mato bicho se reabastecer
Ele é meio estranho. Tem místico viver.
Mira numa estrela viva para se proteger.

Ele quer ver na tela do cinema São Luiz;
Ir com a gata no Cine da Fundação.
Tomar café lá na Cultura e não ler porra nenhuma!

Porque parece um bicho do mato
Que come galinhas batendo o sapato
Foi num lanche na cidade que tudo se resolveu.

Admirada alma que não cabe em si
Vela a luz do divino sacramento
Tentações pra resitir, olhar e seguir.

Ele parece o gato do mato
Come galinhas batendo no prato
Sempre dizendo: quem tem juízo sou eu!

Quem tem juízo sou eu! – Ninguém sabe dizer.


(Cristiano Jerônimo)

segunda-feira, 25 de julho de 2016

A criatura e o amor

Passo a passo,
dentro e fora
do compasso
até se encontrar...
... num caminho
íngreme
que necessita
de forças
para lutar
por si mesmo.

Esse homem
procura
pelos passos
do Messias
na doação,
no amor,
na compreensão.

Consistia em não julgar,
nem menosprezar
a ninguém.

o Messias veio
para os pobres
e estropiados
de espírito,
de caráter,
de ilusões...
entre outras
artimanhas
da matéria
e da alma.

E um homem bom,
só em não julgar,
nem menosprezar
a ninguém,
já mostra um pouco
A que veio ao planeta.
Progresso!



Cristiano Jerônimo – 22.07.16

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Benefício

Nos intervalos da modernidade
A rede é um ócio necessário
Perigoso e inútil
Como quando concordamos
Com essa obviedade.

Frida frígida?
Jamais!

Pude compreender
A essência da imaginação
Coloquial e revolucionária
Como meu coração que parou
Para depois acordar.

NOSSO ENCONTRO

Jair Martins


Tudo estava preparado.

Nas campinas, a relva deixava no manuscrito do verde

a serenidade de um aconchego.

No vento, mensageiro do perfume doce do terno dia,

o futuro do envolvimento das nossas vidas.

E o relógio do tempo obediente as badaladas do destino

já marcara o nosso encontro nas encruzilhadas da vida,

tendo como bússola o coração.

Era chegada a hora ideal das nossas vidas cruzarem-se.

No ponteiro maior que corre os minutos e os segundos,

contava a nossa emoção.

No ponteiro menor, superior e impoluto do inteiro,

estava prescrito o certo da nossa paixão.

Qual som de sinos a tinir,
nosso encontro aconteceu

soando um despertar de aurora

cintilante amor que renasce

como antídoto ao abrolhos cortizantes

rebentados no coração abandonado.

E neste ajuntamento

que o tempo prescreveu à hora marcada,

nos encontramos.

Agora, corre a carretilha do relógio tempo,

dando todo o tempo, ao tempo do nosso amor.

Antes de haver mundo, nasci para ti.....

EU apenas, tornei a achar-te.

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...