sábado, 5 de janeiro de 2019

Sofisma do trabalho (Quantas pessoas vão caber no amanhã?)


Às vezes,
Andamos fugindo
De nós mesmos
Engolindo segredos
Estalando os dedos
Pensando no que vem.

Noutras,
Queremos fugir
De um padrão de coisas
Funestas escolhidas
Para educar outros prismas.

Fascismo vive de sofismas
O trabalhador do salário
Inconteste humildade vã
Humilhando uma mente sã.

De cá, deito no divã, e penso:
Quantas pessoas vão caber
no amanhã?



(Cristiano Jerônimo)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

A CRISE CRAZY VAI PASSAR



Como é bom que já é um outro ano
A estação passada estava meio fria
Quando anoitecia, já pensava acordar,
Meus secos papelões pra esquentar.

E como é repetitiva a rua, e tão livre;
A vadiagem também é ócio criativo.
O dinheiro é que não foi bem bolado,
Qualquer um depende de um trocado.

Nas avenidas principais buzinam atenção!
De estar num carro possante e sem tesão
Cada um dá um pouco do que tem em si;
O que é bom pra você pode ser pra mim.

Que bom que vai entardecer e o sol se por;
Mais uma jornada de uma roda giratória,
De agradecer pelo aperreio do trabalho...
E jamais decretar qualquer dívida moratória.

(Essa crise crazy vai passar!!!)


(Cristiano Jerônimo - 2018)

sábado, 29 de dezembro de 2018

Do Sertão e frio



Dignidade, não negocio.
Vaidade é como um fio
De equilíbrio fino e extenso
Cujo corte é preciso e lento.

Como as loucuras da boca
De corpo inteiro e de alma
E ainda quando se acha pouca,
Pede um pouco mais da calma.

Solidariedade, não nego...
Mas a caridade que te falei
Não era parte dos impulsos
que agora eu já não sei...

Os brotos vão nascer pra quem plantou
Exatamente da semente, da terra e da água
Rios e lavouras, gado com pasto, tudo gordo.
Até uma seca severa levar tudo isso a nada
De novo, exigir e obrigar-nos a ter paciência.



(Cristiano Jerônimo)

sábado, 22 de dezembro de 2018

Eu sinto...



eu sinto falta de gritos
e gemidos e sussurros
o som do uno corpo
dois polos de frequência
que nem mesmo a ciência
poderia explicar com exatidão.

cura de amor é como um pão,
se não comer logo, fica duro
só o vinho solta a comedida
atitude de não relaxar no rio.

sinto falta dos teus gritos,
onde estão os teus gemidos?
os teus gemidos onde estão?
Solta aqui no coração dos amantes.

e
‘quem são eles?
quem eles pensam que são?
quem são eles?
quem eles pensam que são?’.

Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!!!!!!!



quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Feminil


Você sonha com o que você sonha?
Você vive para o que você vive?
Então, que apareçam tigres e leões
Todos mansos nos seus corações.

Você desenha aquilo que descreve?
Não faça pouco caso nem desdenhe.
Você pinta como flutua nas árvores?
Algo que se imagine, se desenhe...

Você vai para onde você vai?
À noitinha depois que a tarde cai?
Por onde andas quando de andada?
Em Tejucupapo? No meio da mulheres
De tachos e de luta armada,
Que botaram ante famintos colonos
E se tornaram rainhas símbolo do feminil?

domingo, 16 de dezembro de 2018

Olhos da santa e gárgulas da catedral


as santas
são lindas,
e sérias.
têm no olhar
o amor
mais divino
que se possa
encontrar
e se espera.



as santas
são lindas,
e sérias.
têm no olhar
o amor
mais divino
que se possa
encontrar
e se espera.

lindas
as santas.
que olham
que oram
por nós
o amor
inconteste
da vida,
da prece
que constrói
um novo
e lindo olhar.
simplesmente
belo na acepção
da palavra.

sejamos gratos
pelos anos
que vencemos.
estamos vivos
e prontos para
a natureza
da defesa
do instinto
humano
do Poder
soberano
que nos transforma,
todos, em seres melhores;
estes que tanto falamos,
que fazem o bem
sem olhar a quem.





sejamos gratos
pelos anos
que vencemos.

 simplesmente
belo na acepção 
da palavra.

(Cristiano Jerônimo – 15.12.2018)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

a chance de ganhar e a outra de perder (Letra do meu primeiro funk) rs

apaguei o tempo
apaguei o vento
a poeira da estrada
pois a vida né nada
mais que nada que aja
e revire e reaja.
como uma naja
mirando no olhar
um ar ameaçador
de botica e atenta
para o movimento;
E é quando a cobra...
a cobra resolve atacar.

a sereia traz seu alento
mas mexeu comigo por dentro
me levou para o fundo do mar.

não queira mais tristeza
neste Salão;
quem brinca, brinca
com seu próprio coração
por isso, depois então
não vá chorar...
desceu pro play, moçx,
se fudeu, vai ter que jogar...
apague agora o tempo
o vento e a estrada,
porque tudo isso é nada.
e você ainda tem
a chance de ganhar.



(Cristiano Jerônimo)

domingo, 25 de novembro de 2018

vi o futuro e era hoje



eu vi um cabelo branco
na minha cabeça
eu vi um cabelo branco
brotar.

vi que o que ia
já estava voltando
vi que o que vinha
não mais ia voltar.

não vai mais voltar
o que vai;
deixa o que vem.
algo nosso alvo
o futuro é nosso
e de mais ninguém.




(cristiano jerônimo – 251118)

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Para você dormir



Nasce na manhã
Com aquele sutiã
De babados
E rendas pueris
Destes teus quadris;
De mulher novilha
Estrela que brilha
Neste doce carnaval.

Sempre de manhã,
Como uma cortesã
Teus sapatos
Seguem os passos
Que se apagam
Madrugada, matinal
Neste louco maracatu
Que hipnotiza os segredos.

À tarde e à noite,
Finais de semana,
Você descansencanta.
E quando dorme,
Parece uma criança.
Eu amo te ninar;
Pegar no teu bumbum
Para você dormir, te balançar.


(Cristiano Jerônimo – 23.05.2017)

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

U-Matic e Betamax


Eu vendo um DVD
Pra quê? Discos...
Também um HD
Mesmo porque
Nuvens não morrem
Como o curso dos rios
A comodidade das pontes
Nos videocassetes e K-7s.
Os meus disquetes...
Ter que ‘arjiar’.

U-Matic, Betamax,
VHS, Betacam, Super-V.
Nas fitas que gravei
Numa delas estava você
Nos lugares onde fomos
A outros cantos também
Hoje você já voou
E eu criei asas.

Gosto mesmo é de beber
Água da torneira;
Eu quero mesmo
Que tudo seja besteira.
Ser o que sou
E não ser quem eu vejo
A cada esquina, um beijo
A cada etapa, um novo tapa
A cada noite, um dia diferente
A cada passo, uma nova marca.
É infinita essa estrada.
Estamos nela... indo em frente.
Às vezes, sucumbindo.
Mas o rosto sempre sorrindo
Verdadeiro. Não aqueles toscos
Das paredes das redes sociais.




(Cristiano Jerônimo – 13.11.2018)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...