domingo, 7 de abril de 2019

Das almas perdidas


Que conversa!
mais conversa

mente com medo
vida de segredos
coisas de amigos
e amigas sinceras?

Vá sem conversas!
Apenas o papo real e reto.

Não é dos enlatados,
mas das almas perdidas
e dos caboclos juremados e Luz!

A ciência da intuição divina e da terra




Américas de DMT
Do sul, tom azul
Até clarear...
Pra você criar
Starts, play, go
Eu acho que eu
Vou. Legal estar.
DMT da caatinga
Mimosas moças
Envaidecidas riem.

E eu tomo um cupuaçu
Com um saco de paçoca
Conto trezentas histórias
E rumino tudo lá na loca.

Nós trabalhamos
Na terra e nos campos
Crianças felizes
Sem presunções
Temos dois catetes
E dois corações
DMT do divino.

Juremá, juremou
Onde anda o meu amor?
Das flores à raiz,
Juremar, juremou.

O cachimbo caboclo
Dimetiltriptamina
Dos pré-colombianos
Ameríndios desta terra
Portais e meridianos
Onde a raiz se enterra
E mostra a sua vitamina.

Minha raiz permeia
O solo sertanejo
(Me ajude por tudo
que pelejo)

“Um veio d'água na serra
É um olho d'água.
Um veio d'água no rosto
É uma mágoa a correr...
Um pingo d'água no rosto
É uma tristeza.
Um pingo d'água na rosa
É uma beleza pra se ver...”

Agora é hora de mergulhar
Da água para fora, sacudir
Cair, levantar, na terra
Na planta, no caule e no ar.

Juremá, juremou
Onde anda o meu amor?
Das flores à raiz,
Juremar, juremou.


(Cristiano Jerônimo – 07042019 – Na Jurema)


* Excerto incidental de trecho da letra da música “Um veio d’água”, composta pelo paraibano Luis Ramalho e imortalizada na voz da prima Elba Ramalho, de forma magistral.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Sei que sou só um





Há uma casa no topo da serra
Nós chamamos de Chalé do Sol
E tem sido meu contato com a raiz
E, Deus, eu sei que é só um...

Minha mãe era uma professora
Ela me ensinava quando podia
Meu pai era um mercador
No Chalé do Sol.

A única coisa que um comerciante precisa
É uma mala e um cofre;
Mas a única hora que ele se sente satisfeito
É quando está completamente bêbado.

Com um pé na plataforma
E o outro no trem
Estou voltando para o Chalé do Sol,
Para fugir da bola e da corrente.

Existe uma casa no caminho da serra
É o nosso estimado Chalé do Sol
Próximo da ruína daquela guerra
E, Deus, eu sei que eu sou só um.


(Cristiano Jerônimo – 05042019)


domingo, 31 de março de 2019

Blogo na Rua

Capas dos quatro livros do poeta e jornalista Cristiano Jerônimo

Caro leitor(a), poetas, romancistas e todos os escritores,


Nestes dez anos do Blog Poético Camaleão Literomania, fruto do Antagonismo Poético, postamos sempre poemas inéditos e recém-escritos pelo poeta e jornalista Cristiano Jerônimo. Atualmente são mais de 300 poemas disponíveis no espaço digital. Antes haviam sido retirados 230 do site, a fim de compilar um livro inédito de 160 páginas, intitulado “A mística da palavra”. São quase 600 poemas escritos no blog (www.cristianojeronimo.blogspot.com) traz também músicas e suas letras, escolhidas no universo do escritor e, neste domingo (31.03), os números são esses:
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ü  Visualizações de página de hoje                               70
ü  Visualizações de página de ontem                            46
ü  Visualizações de página do mês passado                 2.088
ü  Histórico de todas as visualizações de página         131.793

Não entendo da realidade do tráfego, mas fico feliz com o aparente movimento. Beijos!

Da mística da colheita (Longe da dureza dos regimes)


Nós colhemos porque plantamos...
Nosso plantio sai das próprias mãos
Sofremos as pancadas da escuridão
Como bichos em busca de luz e pão.

Chegamos à escolha do seu destino
Você bem sabe para onde a vida foi
Ninguém pode plantar algo por você
Você sabe bem para onde a vida vai.

Ela fez a busca do seu nobre perdão
De tantas sementes desperdiçadas
Nos será cobrada cada uma plantada
Até mesmo um centavo ou um tostão.

Qualquer coisa pura e despedaçada
E também as sujas e amareladas
Pelos cuspes das calçadas
Que rasteja o nosso irmãos.

Nada tira e Deus proverá!
No dia a dia os passos para lá
Para onde os dias são sublimes
Longe da dureza dos regimes.


(Cristiano Jerônimo - 31032019)

sábado, 30 de março de 2019

Calendário da fome de quê



Um dia nu
no marco zero
onde te espero
pra protestar

Um dia louco
no Acho é pouco
pra pipocar
até ficar rouco

Um dia Gil
outro Gal
a música
de agora
não tá legal

Fome de...
sede de...
tudo que
queremos
ser e ter
terça
e até mesmo
no domingo.


(Cristiano Jerônimo - 30032019)

sexta-feira, 29 de março de 2019

Congelamento do gelo



Muitas pessoas podiam ser mais cordiais
mas nem sempre o são
as pessoas podiam olhar mais com os olhos do amor
nem todos se amam.

E aí? você congelou seu erro?
neste louco e eterno tempo
chuvas e ventos lavam almas
que não mais encontraremos.

As pessoas podiam cuidar mais da própria vida
as pessoas podiam...
Adão vivia nu e puro no jardim,
mas estava lá a grande tentação,
a bifurcação da língua da serpente
oferecendo o que é mau para o que é bom (?).

As pessoas deviam cuidar mais dos seus problemas
decifrar em si mesmo os seus maiores dilemas
para entender o outro melhor e se entender(em).
as pessoas deste local compartilham o inferno,
um pedacinho do inferno para encontrar a luz
as pessoas podiam abolir de suas vidas a inveja
levar alegria em todos os lugares onde almeja.

As pessoas podiam tantas coisas
mas correm a vida inteira tentando morder o próprio rabo,
não ajudam chegar adiante, onde a vida é mais amável.
um dia teremos a sensação de que amamos e somos felizes!
saiba sempre que o inferno já baixou por aqui!

Se as pessoas se unissem sem esse egoísmo
Numa roda de bamba
Essas pessoas seriam pós
Sem vontade de fugir
pois contigo a gente conta
Para não precisar partir...



(Cristiano Jerônimo - 28032016)

segunda-feira, 18 de março de 2019

A jurema e Iemanjá


A jurema-preta nasceu
Comigo no coração do sertão
Num tempo que espinhou meu eu
Mas suas flores brancas perfumaram
E, por isso, Santa Clara é luz branca.

Jurema na umbanda e também no catimbó
Jurema é planta santa. Desata na vida o seu nó.
Jurema é mais forte que Lampião e Padre Cícero
E dá a cada um, o que merece no plantar do seu ofício.


Vou levar flores brancas ao teu altar, minha luz...
Juntar os pingos de mercúrio que caíram no chão
Te perdoar como um monge tibetano e cristão
Te elevar ao oratório como um espírito que reluz.

A jurema cobre todas as cidades e vegetações
Que habitam esses altos e grotões, pé no chão
Não gaste a sola do sapato com viagem em vão
A parte mais bonita das pessoas é seu coração.

Mergulho nas águas claras de iemanjá e a Jurema
Conecta-se às intuições sobre mudar você mesma
Olhe, eu como carne durante toda a Quaresma
Jesus Cristo, em verdade, discorreu um outro tema
(Amor que invade cidades e campos, ventos e mares).



(Cristiano Jerônimo – 17032019)

sábado, 16 de março de 2019

Quando eu brincava



Lembro que andava
Por estradas e veredas
À noite a luz acesa
De dia o sol brilhava.

Era menino no mato
Era menino do mato
Era um menino de fato
Vivia no meio do grotão.

Trabalhar na enxada,
Por brincadeira,
Parecia bom demais.
Mas não se cria mais calo
Nas mãos do homem
Que toca a cada dia
um novo sino e um badalo.

Minha mãe era professora
Meu pai era puro trabalho
Meus irmãos, boas pessoas
E eu só chegava adiantado.

Meus avós eram camponeses
Tetravós pós-colonizadores
Fundadores de cidade
Onde havia só caatinga.

A vida confia a terra a quem vem
Os verdadeiros donos estão no além
Todo bioma na Páscoa tem o seu fim
Mas talvez não seja sempre assim...





(Cristiano Jerônimo – 16032019)

sexta-feira, 15 de março de 2019

Colheita da ação/reação


Ação para os lados que voltam
Reação para caminhos que vão
Causa prévia daquilo que brota
Plantio livre, a semente é o grão.

Voltam as águas podres, poluídas
Corais de borracha e plástico
Natureza em quedas bem caídas
Dos nossos poluentes descasos.

A terceira lei de Newton
Traduz a grande justiça do Cosmo:
“Para toda ação sobre um objeto,
existirá uma reação de mesmo valor
e direção, mas com intensidade
no sentido oposto”.

Os objetos jogados no homem
Não pertenciam a ele...
Os donos jogaram
E assim deram suas pedras.
De quem é a pedra?
De quem é o asfalto?
(Que conduzem à incerta,
Fortaleza encravada em nós).



(Cristiano Jerônimo)

Parar o tempo na embolada



Afronta ao Príncipe

Pois eu digo a Alceu Valença
Ele quer parar o tempo
Mas o tempo ele só para
Se parar o big bang...

Tem que medir o vento
E o tempo da embolada
O tempo só tem parada
Se eu ver você parar...

Alceu quer parar o tempo
Com o tempo da embolada
Corre o sol sua jornada
O relógio sem parada
E um besouro mangangá.

(Quem a terra há de parar?)

Tempo de uma ampulheta
Um relógio de algibeira
Nunca vi tanta doideira
Pra poder o tempo travar...

Segura o cosmo firmemente
Pega o sol e dá uma parada
Só não mostro como estagna
Porque, no mundo, nada para.



(Cristiano Jerônimo)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...