domingo, 16 de abril de 2023

Água que torna lama é lama que abriga a água


Tentando entender o que sinto

Sinto uma anestesia no amor...

 

Buscando visualizar a melhora

Lá onde é incerto e sem hora...

 

Procurando entender o motivo

Porque isso acontece, por quê?

 

O melhor lugar do mundo traz

Sua alma não lhe larga jamais...

 

Aonde você for, você vai atrás

Não há como partir, desatrelar.

 

Eu tenho sonho e pago promessa

Que nesta festa tudo vai melhorar.

 

El Niño está pronto para secar

Chupar até a água dos lençóis...


A força que vem do sertanejo

Faz da vida alegria se secar.


É tempo de apartar todo o gado

Vender barato o que custou caro.

 

Até o próximo inverno e pasto

O sertão é muito rico e é vasto.

 

Gotas d’água fazem brotar vida

Mesmo onde estava adormecida.

 

Água é o elemento que se necessita

O restante fica na mão do homem

E na fé no trabalho que vem de Deus.

 

 

 

                                      (Cristiano Jerônimo – 16.04.2023 – Mauritsstad) 

sábado, 15 de abril de 2023

Os canhões da Rússia



Se é pra falar de amor,

eu não sei.

 

Não me custa tentar,

pois é lei.

 

A lei do amor

obedecida.

 

A lei do amor,

infringida.

 

Relação carcomida

nos percalços da vida.

 

Sentado e de cabeça erguida

vejo estrada na zoada da poeira.

 

Foi debaixo de um pé de aroeira

que eu vivi quase uma vida inteira.

 

Se é para falar de nada

é melhor não falar.

 

Os ouvidos são os olhos da alma

os olhos são a fala do que se cala.

 

Os motores e canhões da Rússia

não foram feitos para casos de amor.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 15042023 - Manguetown)

sexta-feira, 14 de abril de 2023

O zelo com a alma


Poemas no celular

Poesia ao celular

Rios se encontram

No mesmo mar

A vida é para amar

A alma branda

A luz irradiante

Todo dia a brilhar

Incandeia a todo o instante

Letras, aquelas recordações

Trouxeram uma lição a cada dia

Desenharam um coração

Negaram da vida a emoção

Já depois de certa idade...

Fomos buscar a felicidade

Nos aeroportos

Da vida que levamos

É para onde vamos

Os sonhos e portos

Sonhar feliz faz bem

Entender primeiro

O cheiro do próprio cabelo

Tudo o que puder se olhar

Nada mais do que isso

Está caindo chuviscos

Preciso me abrigar...

 

 

Cristiano Jerônimo (14.04.23)

A cilada de João e Maria



Abelhas fazem mel

Teus olhos de mel...

Não sobrevive um zangão

Em sua cópula, ele afeta

O pulsar do próprio coração;

Zangão, aproveita a tua vida

A morte é certa e vem lhe ver

As abelhas fabricam o mel

Que adoça os teus cabelos

Caminhos de um doce chão

A casa de Maria e de João

Uma casa de fantasia e doces

As abelhas foram lá e comeram

Levaram todo o doce que havia

Nunca mais rolou João e Maria.

 

 (Cristiano Jerônimo – 14042023)

Caçando caminho nas grotas


Enquanto a gente ainda procurar

Nos outros, a nossa responsabilidade

Razão das nossas reações ante o medo

Aventuras incertas dentro da sinceridade.

 

O outro é nosso espelho diante de nós mesmos

Foi difícil olhar primeiro para si e ver os outros

Havia várias pessoas com o comportamento soberbo

Uma pessoa de muita vida, juventude, cultura, poesia.

 

Mas a sapiência vem no tempo em que se é mais menino

Nos primeiros perrengues da vida e no medo dos castigos

É por isso que carrega consigo o terço da divina esperança

Que o Pai Divino interceda abençoando os nossos inimigos.

 

A vida não é bem como o livro Crime e Castigo, de Dostoiévski

O amadurecimento vem com, dor, amor, e desafios de sobrevivência

Sempre abismado com os avanços e novidades da nossa nobre ciência

Aquilo que o ser humano registra há milênios, apura e sempre escreve.

 

Enquanto a gente ainda procurar os pelos nas cascas lisas dos brancos ovos

Estaremos distantes da verdade que fica numa dimensão ao lado, na realidade relativa.

Ao lado da matéria e da alma que renascem em plumas no céu de anil cor de blue o amor.

O silêncio, a fala, a atitude serão preponderantes para sempre em nossas vidas.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 14.04.2023)


“O sofrimento e a dor são sempre obrigatórios para uma consciência ampla e para um coração profundo.”

“Quanto mais astuta a pessoa, menos ela desconfia que vai ser apanhada com uma besteira. É preciso usar exatamente a coisa mais simples do mundo para se pegar o esperto.”

(Dostoiévski)

quinta-feira, 13 de abril de 2023

O escopo da vida (a gratidão do espaço)



Quem pensa que a vida é brincadeira

Pode se assustar e ser surpreendido

Há quem pague muito caro para ver

O elo da vida que era luz tão perdido.

 

O vento estava tão frio, só era esquentar

Mas o gelo que esfria a alma fugiu ao ar

O fogo foi quem esquentou no mar a alma

A vida não é brincadeira para a calma.

 

Desde a última grande e nova descoberta

Ninguém dorme mais de janelas abertas

Na ilha da fantasia, tudo pode todo dia

Até lá o mar revolto e espumante reina.

 

Dizem que quem dorme com morcego,

Acorda sempre de cabeça para baixo

E quem vive com o estigma do apego

Só pouco imagina a gratidão do espaço.

 

Rebeldes são as coisas normais inusitadas

Um dia de paz nos territórios dos morros

Noutro dia, multidões, incêndio, barricada

Se talha a vida o cidadão com seus escopos.

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – Recife-PE)

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Pet Plantas


Os meus Pets não saem para passear

São sempre risonhos, se mexem no ar

Devoram esta água de ração orgânica

Têm segredos escondidos nos caules

Tem nossos inteiros e a outra metade

Os nossos Pets só nos surpreendem

Não sujam quase nada, plantas de raça

Cerca de 30 animais verdes diferentes

Os meus Pets não gostam de coleira

São elemento água e elemento fogo

São os componentes do seu jogo

Nâo latem, nem miam, nem moem,

Nem roem...



(Cristiano Jerônimo - 06042023)

Nosso sol e o próprio verso



Que bom que o suor gela

Após uma subida íngreme

A lua do sertão é mesmo bela

Nela, somos gigantes

Presentes nas constelações.

 

Um menino desenhado no céu

Um menino...

A menina sapeca que pega daqui

Que pega de lá

É tão bom...

 

O ar pegando fogo na lenha

O frio para esfriar o calor

Berço quente do ninho

De onde o bem foi parido

Na natureza reinante o amor.

 

Eu consigo! Você consegue

A propósito, a gente esquece

Você vai se tornar um monge

Não há sonho partido, longe

Nem haverá ali nenhum altar.

 

É o salto para as nuvens de dia

Cortando pela noite a maresia

Do barco que foi; daquele que ia

O mesmo porto, a mesma rota

Bússola escondida e covardia.

 

A tentar descobrir qual a direção

Foi e voltou no seu pensamento

Dançar La Bamba e rock’n’roll

Agitar os amigos desta pobre rua

Pedir que cada um fique na sua.

 

Que bom que aqui esfria

Após um banho no vento

A lua da praia deserta é legal

Nela, somos gigantes no céu

Passeamos até na expansão do universo

Vivendo em torno do próprio metaverso.

E da nossa vida na nossa cultura digital.

 

(Cristiano Jerônimo – 06042023)

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Um homem chamado Cavalo


Ninguém mais se engana

Todo mundo é tão contente

Agora todo mundo é bacana

Vivem num eterno carnaval...

 

A gente só tem cheiro,

Admiração e não suporta

O espelho, a taça e a porta...

 

Eu fugi para te ver melhor

Enxergar de longe a tua alma

Sentir de lá o aroma do teu suor...

 

Incorporei uma papoula (de fogo)

Não havia nada para ler de novo

Pouco importou do que muito eu vi...

 

Sou a água que matou a tua sede

Sou o súdito bruto de fruta do teu amor

Sou o som das palhas dos coqueiros

que silenciaram os arredores

da cidade adormecida

pelo respeito à alma do pretos

Nas encruzilhadas e terreiros...

 

A gente ainda tem a cama

De melhor pra se entender

Se fosse tudo, já resolveria...

 

Quem tem amor, tem o zelo

Cheira a crina de outro cabelo

Seu cavalo que vai lá te beijar...

 

Na charrete ou nua em pelo

A égua imponente e seu cavalo

Sempre te admira 1, 2, 3 , 4...

 

Sou o pão que aliviou  a tua fome

De ser um homem no teu amor

Sou o som das folhas das bananeiras

Que mostram onde corre o vento em direção

da bondade eternecida

pelo perdão dos indígenas

Na danças das flechas

Com um arco bonito na mão.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo)

quinta-feira, 30 de março de 2023

O que fazemos com nós mesmos


    O que se acredita prejudicar o rumo das nossas vidas é uma incapacidade arraigada que temos de não duvidar das coisas, das pessoas e de nós mesmos, nos acostumamos a não questionar a nós mesmos, dificultando assim o exercício da nossa própria felicidade. Não existem mais os paus de barracas para chutar, nem adolescências. O sentido é crescer mais e mais, com trôpegos e passos para frente e para trás. No meio do caminho, há uma brecha. Um caminho para aparar arestas e enxergar a clara e luminosa luz.

Quando julgamos não sermos merecedores de algo ou de alguém, a psicologia acredita haver um processo de indução à auto-sabotagem que, com um mínimo gatilho, estronda as buchas dos canhões mais letais. Explodir e implodir tornar-se-ia um processo autofágico da alma na terra, quando não enfrentamos os nossos medos e os piores fantasmas. Não nos contentar-se apenas com o que já temos, mas buscar a evolução da alma das coisas, soltando o que nos puxa para baixo, o que é um excelente processo de elevação, evolução.

De um ou do outro ser humano, não importa o que falta para chegar lá. Fala-se em se proteger espiritual, energética, emocional e fisicamente. Agora, pelo outono, é hora de plantar e replantar; colher algo que se tem e mudar o mundo. Ótimo é saber da plenitude da vida, porque a Proteção e a Providência Divina são necessárias e ativadas por nossos pensamentos edificantes. O mais intrigante é que nós mesmos fazemos ou refazemos a nós próprios, nesta infinita jornada que é a verdadeira vida.


(Cristiano – 29.03.2023)

segunda-feira, 27 de março de 2023

Um grupo de luz no umbral

 


Não gosta mais de lembranças

flutuando no cerne da criança

revive uma nostalgia tão áurea

voa no infinito desta via láctea

pelos becos do universo curvo

sobrevoando um lago, imundo

há seres humanos sobre o lixo

passando o dia inteiro abismal.

[A velha e pura cara do umbral

pós-morte endereço semifixo].

 

Um grupo de luz desceu do alto

resgatou uma criatura espiritual

como uma estação muito antiga

deu-lhe a chance de pegar o trem

sempre as novas rotas e partidas

é que no umbral não há o que tem.

 

Enfermeiros da linha frente espiritual

sempre pescam almas do purgatório

mundo em que o inferno não é ilusório

onde não se faz nem o elementar

o que chamam de planeta de sal

sem água, sem rio, sem lago, sem mar.

 

[A velha e pura cara do umbral

Pós-morte endereço semifixo]

 

Gestação capenga de um triste final

a seleção das espécies em devastação

mostra que o quente calor da serpente

ardeu no dia em que pisastes na terra

um feixe de luz estonteante, bravura

tentou iluminar o que não era provável

mas era. Pelas cancelas do destino, provas

pelos ninhos do caminho, a vida se renova

uma centelha de nada ilumina a escuridão de mil almas

um conselho prudente faz com se evite outra estrada

dos cataclismos que, todos sabem, não nos levam à nada.

 

 

“Orai e Vigiai...”

 

(Cristiano Jerônimo – Taubaté-PE – 27.03.2023)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...