segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Asas da gata que dá rasante




Apressara o passo para ter com ela. Cada pisada na rua jogava água nas poças dos contornos do meu coturno. Os pingos iluminados pelas luzes de neon.

Fui aos quatro cantos da região. Não vi mais você. E falaram no Alto da Fortuna, fortuita, não era lá. Na Lagoa do Náutico/Olho D’água num estava, nem em Peixinhos ou Boa Viagem. Ibura. Espinhaço da Gata. Sei lá. Em nada.

Solitário no Parque da Jaqueira, você pulou de cima de uma árvore e me abraçou. Adrenalina a mil. Enquanto eu te procurava, você me achou.

Os trabalhos andam muito instáveis, mas graças a Deus tem a base e a criatividade. Sempre não desanimar para recuperar. Tudo. Até o tempo perdido que se faz agora.

Não tinha uma lógica cartesiana, mas uma cabala para calcular. O pulo da gata saltando sua vida para ascender. Viver, morrer, viver.

“Esses casos de família e de dinheiro eu nunca entendi bem...”. Eu também. Mas nem por isso eu vou culpar alguém. Ninguém tem qualquer responsabilidade sobre nossas escolhas e posicionamentos. Só não deixemos que isso tudo vire tormento. Não, não.

Em cima do muro, na noite no escuro, eu te vejo felina na beira do mar. Te afastas quando me chego e te transformas em sereia a voar. Bate o baque, baque que é o bate. Mesmo que se cale para contemplar o rito espiritual do atabaque.

Ainda não resolveu andar a cidade. É quando ela some e eu fico procurando em todas as ruas. Tem uma necessidade especial de liberdade. Voa! Voa! Voa! Ela voou.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

MILAGRES DE FANTA



Você com essa cara de Fanta,
Laranjada em mim.

Vem como num sonho de criança,
Um alívio pra mim.

Você! Com essa flor no cabelo
Dá um pouquinho pra mim!

Nós... Temos nossas manias
No calor do sol ardente
Ou dias com as caras frias...
Tardes com as luzes reluzentes.

Linda! como as cores de um colibri,
Há néctar que te encanta em mim.

Você, com essa cara de santa!
Opere seus milagres em mim.




(Cristiano Jerônimo – 31.08.2018)

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

dois minotauros


meu coração está aberto com muitas chuvas
a emoção dispersa como as nuvens do sertão
o fígado apertado no como se fosse o coração
e o meu amor atravessado e perdido em ilusão.

minha alma de flores e fuzis é de azul anil e ferve
a Praça Vermelha está marcada de sangue até hoje.
não há nenhum lugar do Brasil que eu me engane
corro do homem mal e cuidado. Corro do seu covil.

vou dar um tempo, viajar e tentar seguir brilhando;
voltar ao fundo de mim mesmo, objetivamente,
abrir ainda mais a mente. As tais portas da percepção
e bailar no ar como um hierofante colorido e sem razão.

não é nem por mim... é que o Brasil não ajuda nem muda
cada dia um labirinto com a morte de dois minotauros
todos os dias, vejo uma mulher e uma menina barrigudas.
investindo na natalidade dos adolescentes que se rebelam
quando vivemos em círculos e não sabemos que somos otários.



(Cristiano Jerônimo – 30082018)

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Dicotomia da realidade



Tem anúncio no jornal
Pelas ruas, na televisão.
Rádio e mídia social
Tem uma visualização.

Na porta da vida paralela
Voltas ao computador
Sentada... Esperando um beijo
Esperando um like!

Entre os nano bits da automação
Terrestre, juntam os cabras da peste
Todos do lado de lá do sertão
Da cultura dos anos 1910, prece.

Dos difusos dias em ovos não nasceram,
Vingaram, pelejaram, mas não cresceram
Como há 50 anos, viajaram para o sul
Como mulheres sozinhas em campo azul.

(Numa vida digital com ideias analógicas
Por baixo de tudo que me diz conta
Até mesmo no que me desaponta
Procuro o rumo das coisas lógicas).



(Cristiano Jerônimo – 28082018)

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Celeuma de mergulhar



Há amigos de sobra
Suas línguas de sogra
E a queijadinha também.

Não é tão claro...
Mas já dá conotação.

Os piratas pelos mares
Desde a navegação
Vagalhões como seus lares
Água salgada no coração.

Cá do continente, olho atento
Mergulho, reflito e adentro
Adentro, mergulho e reflito
Ou reflito, adentro e mergulho?

Verdadeiro sentido afinal...

Cristiano Jerônimo – 23.08.2018

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Reis e Rainhas



Eu te procuro
Como as plantas seguem o sol
Como as raízes
Buscam a água pra sobreviver.

Eu faço ninhos
Apenas pra nos proteger
Eu voo junto
Que é pra gente puder correr.

Eu faço mimos
Porque você merece
Mas vê se não me esquece.
Outro dia “cê” se foi.

Eu quero você
Como na canção dos Beatles.
Pegar firme na sua mão
E seguir com rumo ignorado.

Eu só quero mesmo
É ficar do seu lado
Como os cães cortejam seus donos
E como os reis recebem as rainhas.
Do reinado.



(Cristiano Jerônimo – 22.08.2018)

Os quatro poderes



Jornalistas cooptados
Colunistas de um lado
Contestam o judiciário.
Mandam sair do armário
Dizem que maconha mata
Botam a culpa no Osmário.
E nos dão uma vida ingrata
E essa cara lisa de otários,
Onde fere o que é que mata.
Mas o tijolo da construção
Com a boa base da corrução
Paga obras no nosso executivo
Que compra votos do legislativo
Pra negociar no poder judiciário.
De que vale ser revoluciário....


(Cristiano Jerônimo – 22.08.2018)

sábado, 18 de agosto de 2018

Primogênito



Para Victor Silva Valeriano

Meu primeiro homem,
Meu bebê menino
Com esse sangue do sertão.
Nossa amizade sincera
E um amor fraternal
São riquezas impagáveis.
Mais valiosos que os tesouros
Mais inimagináveis...

Ter você comigo é precioso
Porque também não é todo dia
Vamos fazer o dia maravilhoso
Em casa, na praia ou pescaria

Como bom pescador e caçador,
Você já pode sobreviver na mata.
Siga por uma trilha sem dor
E alegre-se sempre na palavra de Deus.
Dono do mar, do ar, da terra e do fogo.
Menino novo, ainda vai brilhar
Com seu caráter, personalidade líder;
Aprendiz da ciência política de dialogar.

Mire no futuro, meta, realidade... virtual
Tecnológica. Normal...
Faça o bem hoje e goze do amanhã
Vamos comer aquele bolo de maçã?
Que Vovó faz com creme de avelã.

- Filho, você é mesmo um cara legal!


(Cristiano Jerônimo  Valeriano - 18.08.2018)

Sempre indo



Para José Pedro Moreira Valeriano

Meu pequeno grande homem
Criança azul na terra e no céu.
Meu bebê,
Tua doçura e tua moral
Me comovem e mostram
Como teu espírito é bom.

Lembra da bicicleta
Com cadeirinha de bebê?
Eu lembro. Lembro muito de você.
Todos os dias eu estou contigo
Até nos dias em que eu não estou comigo.

No caminho, o papo é reto
Pra poder ficar esperto
Para andar no trilho certo.
Eu vejo o seu caminhar...
É tão lindo! Você sempre indo.



(Cristiano Jerônimo – 18.08.2018)

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

pra ser sempre feliz


eu também
queria um poema
que me encontrasse
um poema bem simples
Que me despertasse,
A palavra simplificasse.

eu também queria ir
e, quando fosse,
Esperaria pouca espera
na esfera desta vida
um sarado com feridas.
custou muito pra curar.

um poema libertador
e uns trocados no bolso;
o pé na estrada sem rumo.
só gasolina e beijos.

na mochila do destino
carreguei a minha vida.
a adolescência de menino
caindo e sarando a ferida.

também pastorei no campo
minhas belas ovelhas pretas
a bota gasta e o suor na testa
No chão pisando como algodão
com meu colete de coração
e a coragem de acordar todo dia
pronto para buscar ser mais feliz.


(Cristiano Jerônimo – 16.08.2018)

sábado, 4 de agosto de 2018

dos vícios



só porque
na minha longa
adolescência
eu vivia
em cemitérios
de cachaça,
não quer dizer
que eu, hoje,
praticamente,
não beba.
só fume.

quem é mais droga?
que é o vício?
o que é que mata?
quem é que morre?
quem é que fica?
quem é que corre?

congelar o passado
de uma criatura.
inadmitir sua reforma,
sua mudança, o coração.
estigma é mera ilusão
de uma cultura fascista
de uma política de fazer
com quê se desacredite
na possibilidade de viver.

não dá nem pra se fazer
de rogado...
tá na testa, colado!

que é droga?
quem é do vício?
o que é que mata?
quem é que morre?
quem corre disso?
quem é que fica
pra correr todo este risco?


cristiano jerônimo – 04082018

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...