segunda-feira, 31 de julho de 2017

Várias Renatas


Renata psicopata
Com olhar de santa
E o seu jeito de gata.
Quando não arranha,
Dá uma dentada...
E, se não aleija, mata.

Renata Borboleta
Saiu do seu casulo
Voou e deu um pulo
Pelo céu deste planeta
Vertebrou os seus gametas
E deu ao sêmem uma luz.

Renata, a lagarta
Não rasteja, sofre.
E o pior é ser tão boa.
Querer ter a consciência
Limpa e sonhar normal.
Mas Renata não enxerga bem
Que em si também traz o mal.

Renata, moça doce e honesta,
Faz sempre o que não presta.
Está até escrito em sua testa,
Fiz merda mesmo sem querer.

Problema é que Renata
Acha tudo isso normal...
E sempre quer razão,
Embora dê sempre a mão
E permita que entre o mal.
Renata é uma pessoa normal




(Cristiano Jerônimo – 31.07.2017)

domingo, 30 de julho de 2017

Caldeirão Mitológico 1

A metamorfose de Narciso. Salvador Dalí, 1937.
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Quando Íris brotou do pensamento
Animou o instinto Cupido do Deus Eros.
Na somada exata de todos os zeros
Que compõem a certeza do infinito,
Faetonte morreu pelos seus gritos.
A insolência de Midas com o Deus Baco,
E a sua ganância que não tinha nem retrato;
Tudo o que tocava, imediatamente ouro virava
Mas não tinha o tesouro. Não pegava num pão
Que não virasse o metal precioso da sua maldição.

A bela e jovem ninfa, Eco, sempre falava demais.
Diana, deusa da caça e da lua, era a sua protetora.
Hera, esposa de Zeus, flagrou Eco como sua traidora.
E, descoberta, foi condenada a apenas responder...
Eis que Narciso entra na vida da Eco como um lindo;
Um homem tão belo que exalava a beleza de um índio.
Mas não podia conquistá-lo sem poder dar uma palavra.
Somente a última em casos de, por alguém, ser indagada.
Narciso a viu e fugiu. Ela virou pedra na solidão da caverna,
Mas amaldiçoou o jovem para nunca amar e nem ser amado,
Condenado a se admirar com algo que está lá do outro lado.




(Cristiano Jerônimo – 30.07.2017)

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Suas telhas | as goteiras


O meu mourão é voltado,
O meu martelo agalopado.
E você não se engane, vai!
Mas vê lá como é que se sai.

O meu mourão é da vibe viva
É também a coceira da urtiga
É litoral, agreste, é meu sertão;
Tudo num mesmo paradigma.

Tudo de nada é nada. Noves fora,
Zero. Não é em uma nota que te quero.
Pinta o quarto de verde e amarelo
                            com uma bola vermelha.
Não esquece de vasculhar suas telhas.

As goteiras aparecem quando menos se espera.
Não adianta colocar o balde para resolver a água.
O problema não está no que cai, mas na goteira
Por onde entra a água que tanto nos incomoda...


(Cristiano Jerônimo - 26.07.2017) 

Notável esfera


E viva o Viva!
E viva só sua solidão.
E viva a Vivo!
Aguçar de vez sua ilusão
de que os mecanismos
resolvem sós a situação.

Viva o Android e o IOS!
Mas vê se não esquece
de filmar moradores de rua,
fotografar a vida nua e crua,
das cenas que sentimos dó;
compadecidos, sem saber o que fazer.

Tiremos as botas dos porões da espera;
chamemos a coragem de ir para as ruas!
Onde outros ares nos recebem alísios mar,
nesta notável e enorme máquina esfera.


(Cristiano Jerônimo – 26.07.2017)





quinta-feira, 20 de julho de 2017

Todas as tochas da paz

Vamos
Que a cadeia
Não é lugar
Pra gente não!...

Mas tem uns homens
Que roubam a gente
E vivem contentes
Com seus poderes,
Cumprindo pena
Numa puta mansão.

Como nunca andei distante,
Penso em partir auto exilado.
Cansar disso tudo já descrente,
Eu também mudo o país de lado.

“Murro em ponta de faca”. Já dei!
Muito mais do que podia imaginar.
Do pressuposto de que nada eu sei,
Foi que aprendi a entender e sonhar.

Com os livros, palácios na paisagem;
Um mar que bate líquido em rochas,
Nas cores robustas das lindas auroras.
Na floresta que acende todas as tochas.




(Cristiano Jeronimo – 20.07.2017)

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Espelho para olhar


Presente de grego
é um Cavalo de Tróia.
Presente de Congresso
É nosso braço na tipoia;
Presente de índio agora
Não tem espelho ou olhar.

Negócio de chinês é bom
A roleta gira como um furacão.
O Dudu vem barato bombom
É que veio da China e é falso;
Eles sabem como se deve fazer.

Negócio brasileiro, pode esperar!
Viajar o mundo inteiro sem dinheiro
                      pra pagar...
O petróleo que era nosso está sendo
                                                protestado
Nos altos tribunais dos Estados Unidos.
As ações que eram boas viraram insônia.
E nós estamos, na incerteza, aturdidos...



(Cristiano J. 17.07.2017)

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Simbólica queda do boi


De vez em quando,
Karla sai do normal.
O seu lindo encanto,
Fuga p’outro canto.
E, em meio, aos desencantos,
De alegrias, ela sorri e chora.
Depois volta tudo ao mesmo ponto
E, mesmo que ela não esteja pronta,
Karla mantém o cartaz em toda a cidade
Karla esquece numa velocidade...
Karla!
Fica aqui na paz sem neuroses e fobias
Na verdade, isso faz parte do destino dos teus dias;
Transformar remédio em veneno,
Suportado porque o norte é glacial.
Este é um conselho dado;
O próximo será cobrado.
Consultoria da nossa vida espiritual.
- Karla, vai no Centro Espírita, se cuida!
“Não existe nada depois da morte” –
Se escuta da querida e muito doida criatura.
Mas uma coisa é certa e verdadeira,
Ninguém viverá durante a vida inteira.
E o tempo é curto para amar e olhar.
Para dar para o outro um pouco das nossas besteiras.
- Besteira, meu irmão!
- Não sei mais quem é homem de bem.
- Aparecem mais de 200 cordas de ladrões.
Vamos voar, morar no ar, correr o campo
Com cheiro de mato, e um bezerro engordado,
Lembrando a simbólica queda do boi.
Na cocheira da lembrança de um beira-rio
Na cachoeira do Capibaribe, queria me banhar.
Karla é da fazenda. Vive e trabalha lá.


(Cristiano Jerônimo)


quinta-feira, 22 de junho de 2017

PISA DE CIPÓ DE CANSANÇÃO


(No espinhaço dos ladrões desta Nação)

Na esquina, um pipoco...
Eco do topo da pirâmide,
Das árvores mal plantadas
Para frutos que nos assustam.

Vítimas culpadas e desespero
As matilhas secam o sangue
Como políticos chupa-cabras
Não deixam o povo criar asas.

Na província desta metrópole,
As tradições são contradições.
O ente donatário e poderoso
O chefe não serve para chefiar.

Perdoe-me. Não são só críticas.
Elogiar o obrigatório também.
E pago não é obrigação nenhuma.
Já é demais para nossa planície,
Se iludir com a máfia e a sandice.

A máfia mora ali nas repartições,
Sede dos poderes constituídos...
Sede da nossa falácia tida “Nação”.
Os caramujos vão voar como lagartas
Os sertanejos calçarão as alpercatas.
Cada um com um bacamarte
Invocando Antônio Conselheiro,
Lampião, a dar uma pisa de cansanção
No espinhaço de cada um desses
Empedernidos e cruéis, que roubam
O que a gente leva anos para trabalhar.

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Aquele velho Vandré já nos dizia:
“É a volta do cipó de aroeira
no lombo de quem mandou dar!”.



(Cristiano Jerônimo – 21.06.17)




domingo, 11 de junho de 2017

O julgamento da sociedade


Como a sexta-feira cobra de mim,
A segunda-feira cobra também...
A fatura do cartão venceu e ele voou
De manhã, esbaforido, ele voltou.

Porque a vida agora é se endividar
Para depois ter que se virar e pagar.
Trabalhar o dia inteiro sem descanso
E na hora de receber parece engano...

Como a vida cobra muito de mim,
A morte, soturna, cobra também.
Propaganda chamando o funeral;
A gente comprando um lugar ideal.

O espírito e outros sutis anjos e seus
Te perguntam se tu clamas por Deus.
Ou se tens duas velas acesas, covardes,
Até o dia em que tu se arrependeres.

Mudança vem com o passar do tempo
E a alegria é um susto intermitente/dia
A tristeza e a solidão desnecessárias,
O julgamento da sociedade sem ressalvas.



(Cristiano Jerônimo – 08.06.2017)

quarta-feira, 7 de junho de 2017

PASSOS DA ESCADA SEM DEGRAUS


Crise, ela agora mora na marquise
E ele vem todo dia esquentar-lhe.
Planeta em procela indescritível,
Povos leva a terra abaixo do chão.

Crise, agora também tô meio liso;
A sorte é fundir contas e sorrisos.
A ilusão faz parte do medo de ir;
E coragem é a pura arte de amar.

Luz, dá vida a tudo o que conduz.
A mesa está posta e não há nada
Que a gente possa lhe oferecer.
Estava a lutar muito por outro dia.

Luz, mais que ouro é o que reluz.
Corrida pelas serras peladas da vida;
Sem saber que o ouro é e será ilusão,
Nas mãos de quem mais se endivida.

Afeto, para todos ficarem mais quietos.
Roberto, vai chamar o Erasmo Carlos.
Toda vida tem o seu bolero e dança...
A gente cai, se levanta e não se cansa.


(Cristiano Jerônimo - 06.06.2017)

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Genuflexório


É no genuflexório
Da cadeira da analista
Que confesso o indizível
Como quem mente para o padre.

Uma mudança de abordagem
Uma outra reciclagem;
De Freud a Lacan,
Às dez horas da manhã.
(Toda terça no divã).

Esvaziar para depois encher
Colocar as toxinas para fora
Ver a soma das coisas do dia a dia
Para que não seja levada pela maresia.

É na mesa do jantar onde mais brilha
A intensidade da luz de cada um.
É no pisar de seguir adiante a trilha
Que possa levar a gente a algum lugar.

Volto ao genuflexório da sala da analista.
(Imploro ao padre que segure e resista).
E só confesso às paredes, com seus ouvidos
E A emparedada da Rua Nova, Boa Vista.

O tempo vai passar; há de muito melhorar;
Vamos seguir com fé nesse nosso caminhar.




(Cristiano Jerônimo)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...