domingo, 4 de fevereiro de 2018

Parlamento que se lixa


Cada parte faz parte
De um todo dentro da gente.
Cada ser engloba
Uma parte da pequena partícula.
O universo se expande no infinito,
O eco leva a longe os nossos gritos
De fome e revolta nestas cidades.
Com nossos doutores do Executivo,
Os representantes do povo
Escolhidos para a nobre legislação
Aquela mesma eleita sem educação.
Para os massacrados da população.
Três semanas de guerra civil
Quem mais sobrevive é o Brasil,
Que morre aos poucos em vão
Por imbecis que se lixam para a Nação.



(Cristiano Jerônimo – 04.02.2018)

domingo, 28 de janeiro de 2018

Mais além, brilha como sóis


Ronaldo ficou mais rico
Com a movimentação
Desenrolado e sabido
Aplaudido pela Nação
Que o condenou em vão
A tantos anos de prisão.

Mas Zezinho ama a vida,
De verdade.
E faz dela a sua arte.
Uma canção nas hostes
Dos homens de bem.
Na esperança
De um dia ser alguém.

Meninos e meninas,
O melhor é ser feliz.
Longe do barulho das buzinas,
Numa aldeia não global.
Sem ondas, nem mar ou farol.
Longe de onde o homem se mata,
Num lugar que brilha como o sol.


(Cristiano Jerônimo – 28012018)


sábado, 20 de janeiro de 2018

Fé no criador


O momento
Está de dor.
Fé no Criador
que sustenta
tudo o que flutua.
Perfeito no espaço
Tem a alma nua
E a energia
De todos os sóis
De onde a matéria
Se expande ainda
E donde não chegou.
Fé no criador
Que sustenta
Toda a nossa dor.



(Cristiano Jerônimo – 20.01.2018)

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

XERÉM NA MESA DE QUEM NÃO TEM


Num dia vazio...
O homem de barba
Com o amigo sem barba
Sorriram pra mim.

Eu disse
- Porque,
Meu amigo?
Não venho
Te oferecer
Perigo.

Pensa
Em mim
Assim também.
“Eu tenho,
Você não tem”
És cruel e alheio,
Mas és de bem?

Vou cuidar dessa roça
Combater essa boça
Andar nos trilhos do trem
Para, um dia,
Ir comer xerém
Na mesa de quem
Não tem.



(Cristiano Jerônimo – 18.01.2018)

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

VIDA DE FAZENDA 1

Aos oito anos, acordava às cinco da manhã. O nome das horas era furacão. Eu ia para o curral tirar leite. 

Ordenhava depois as cabras leiteiras que estavam com bondinho novo, um cabritinho. Naquele frio que fugia mais tarde em brancas serrações nas montanhas do céu. 

A neblina da madrugada ensinava a convivermos com o frio. Depois do gado, ia tomar o banho e fazer o desjejum. Bolo de caco, de milho, queijo, ovos, tapioca, beiju, macaxeira do baixio, batata doce, café, leite e chá. “Coisinhas de matuto”. 






E eu sou matuto, de uma fazenda distante muita poeira da enorme maioria dos homens civilizados desta civilizada civilização.


Após o café da manhã, pulava da mesa e ia planejar o que vinha por se fazer. No meio da caatinga do sertão pernambucano, a 25 quilômetros da pista principal (asfaltada), eu era um passarinho que ia pegar voo por volta das 8h. Eu conto.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

CUMBUCA – Aprendendo com os primatas


Abra a mão
Se quiseres
Experimentar
Outro pão...

Diz que macaco
Velho
Não bota na cumbuca
A sua mão.

Até o tempo
Ensinar os seus sinais,
Erramos e acertamos
Mas não somos más...

Este globo...
As matilhas
E os lobos.
Um carretel
De charretes
E preconceitos
Ilógicos, cruéis.

Mas cada qual
Tem a opção
De ser melhor.
E também
A responsabilidade
Do que vem pior.
Então é melhor...
Também corrigir.


(Cristiano Jerônimo – 01.01.2018)


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

JOGA FORA


Ela não ria; chorava.
Sempre se deprecia
Com fragilidade
E medo...
Contou pra todo mundo
Seu segredo;
Viu a falsa vida
Lhe pulsar na veia
Como o próprio canto
Que mais lembra uma sereia
Que se afoga num mar
De loucuras, devaneios,
Com a vida sem freios.
A doença peristáltica do ser.
A vontade de não querer
E loucamente desejar...
E de tanto querer,
E querer tanto ter,
Sem ao menos dialogar.

Este não é um poema de amor.




(Cristiano Jerônimo)

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Vídeo game sete flechas pra rodar pião e empinar as pipas no ar...

Por aqui, na minha casa, atrás das próprias grades, cadeados e correntes... Sem sequer poder pular o muro por causa de uma cerca elétrica imponente e intimidadora. Duas câmeras trazem de fora, para a telona, tudo o que se passa na rua, para dentro do celular. E gravo coisas muitas vezes importantes, como ocorrências policiais, nas quais as imagens são fundamentais na investigação judiciária na elucidação de crimes. De qualquer forma, nada evita o medo e a sensação de insegurança, que além de preocupante, tem-se que a violência já bateu na porta de pelo menos uma pessoa que cada um de nós conhece. Para mim, de acordo com uma observação dos fenômenos sociais, o aumento anual, década a década, só fez subir. A população também cresceu e a desigualdade social permaneceu com a falta de uma política econômica de transferência de renda e geração de oportunidades. Sugiro que entre no google e pesquise as estatísticas na área de ocorrências. Essa “bela” fissura social começou a se aprofundar na segunda metade da década de 1980. 


Eu me lembro muito bem quando eu e meus amigos andávamos de bicicleta pelo bairro da Cidade Universitária. Entrávamos e saíamos dos estacionamentos dos prédios, raro era ver uma guarita, uma sombrinha, apenas. E lembro mais, porque fui um dos atingidos, quando em 1986 houve um boom de colocação de grades nos conjuntos, edifícios, prédios. E era, e é, o mesmo tipo de grade. Agora não podíamos mais entrar nos prédios, usar suas rampas. E neste mesmo ano bombaram os primeiros vídeo games. Confesso que olhei com desdém para o Atari, o MSX, e disse: - “Meu lugar é na na rua brincando”. Na rua e na escola. Mesmo exposto aos muitos riscos que se apresentam numa idade ainda pueril, do alto do falso poder dos nossos 15 anos, quando adolescente pode tudo e quero ser adulto. E não foi lá nem cá que o aperto espremeu. Foi aqui, dentro de mim. Persistindo por uma eternidade, a oportunidade de tentar ser sempre uma pessoa melhor. Muitos anos depois.


Cristiano Jerônimo, 19.12.2017.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Quando o mundo se acaba


Minha cara de hierofante
Escreve em meu alto falante;
Vivam também a indisciplina;
Salve meninos que são meninas.

É pela margem que se anda
No barraco é que se canta
Samba, samba, bamba...
No batuque da umbanda.

Salve o Mariri e a Chacrona,
Salve o rito mito Rastafari,
A infinitude da maconha
Tal dois cálices de vinho
Que eu não tomei.

Tu me dás todo teu carinho
E nós trabalhamos chacras,
Deciframos os pergaminhos
Até onde o mundo se acaba.




(Cristiano Jerônimo – 16.12.2017)

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O Morro Sagrado


Recife é azul quando vem Nossa Senhora,
A procissão toda coberta com seu manto azul.
A coisa mais linda do mundo; Ceça Nossa Senhora,
Limpa minha alma todinha, daqui do norte até o sul.

Nossa Senhora do Carmo com a Santa Conceição
Reverenciam a festa na subida, tanta é a devoção.
Nossa Senhora da Conceição, vou te ver no alto;
Vou te pedir uma coisa: que essa vida dê um salto.

São os livramentos com milagres e tantas graças;
A fé cega não têm olhos nem mesmo coração
A vida pedindo para pedir a última alternativa;
Pedindo pela luz que protegem em dias inseguros.

E o poder da egrégora do mar da querida Iemanjá;
Comandando a presença do azul do céu e do mar...
São as hóstias das oferendas, encruzilhadas pra andar.




(Cristiano Jerônimo – 08.12.2017)

sábado, 2 de dezembro de 2017

Novas entradas; velhas saídas


Cada porta de fora
Toda porta de dentro
Não te servem agora
A chave é o pensamento.

Larga mão de uma coisa
Pr’outra coisa se abarcar.
Velho cetim de estampas
Já não vai mais te abraçar.

Novas entradas
Velhas saídas...
Depois da saída,
Novas entradas.

Cheiro, pele fundamentais.
Para saídas convincentes,
Entradas de gala triunfais
E saber que está presente
Na eternidade e nada mais.

Os cristais são tão felizes
Homens não são pedras;
Muita gente se comporta
Como se fosse só o ouro.

Novas entradas
Velhas saídas...
Depois da saída,
Novas entradas.

Mirou mais no tesouro de lá
Do que se empenhou por cá.
Descobriu um atalho errado,
Caiu no precipício, caiu no mar.

Lembrou de Ícaro até Teseu;
Viu a vida passar rapidamente.
E não sobrou nem Minotauro,
Nem Dédalo nem asas de sonho.

Novas entradas
Velhas saídas...
Depois da saída,
Novas entradas.



(Cristiano Jerônimo – 02.12.2017)

As feras que somos

Ao Boqueirão da Barra O disco acaba, mas o samba segue solto Sempre tem a festa do pessoal do morro Carne assada e sangue no pandeiro ...