sábado, 23 de abril de 2022

A lógica das sentenças - Conectivos do raciocínio

 


Proposições lógicas. Tradução do poema para o raciocínio lógico matemático

Corro ou morro

Se corro não morro

Corro e morro

Morro.

 

Canto e não danço

Se danço, não morro

Danço e morro

Canto.

 

Apenas se cantar

Escuto e falo

Ouço ou canto

Escuto.

 

Fumo ou vivo

Poluição e morte

Se tem azar, tem sorte

Fumo.

 

Jogo ou bebo

Se beber então não jogo

Não bebo aos domingos

Não bebo.

 

C (v) v M (v)

C (v) → ~M (f)

C (v) ^ M (f)

M (v)

 

C (v) ^ ~D (v)

D (v) → ~M (f)

D (v) ^ M (v)

C (v)

 

 

C (v) ↔ E (v)

E (v) ^ F (v)

O (v) v C (v)

E(v)

 

F (v) v V (v)

P (v) ^ M (v)

A (v) → S (v)

F (v)

 

 

J (v) v B (f)

B (f) → ~J (f)

~B domingo (f)

~B (v)

 

(Cristiano Jerônimo – 23.04.2022 – Taubaté – SP)

 

 

 

 

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Sujeito brasil



 De Quatorze na espora

Lá do fundo do meu pensamento

Eu bebo água na fonte ancestral

Lavo os corpos de todo este mal

Com a grota brotou o sentimento

Tem segredos levados pelo vento

Vou ao fundo da água encantada

O riacho com a chuva acumulada

Enche de água todas as bacias

Os fiéis seguem as suas romarias

Os ladrões nasceram para roubar

Quem é que vai conseguir provar

Que a humanidade ainda tem jeito

Com as dívidas atoladas pelo peito

Só não venha inventar de me afanar.

 


(Cristiano Jerônimo – 22042022)

 

 

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Paramatma


Não,

tudo vai e vem

ao contrário

no sentido

exato

medido

pela rosa

dos ventos

do quarto.

não,

tudo sobe e desce

gravitamos

de forma frágil

num corpo

pluricelular

no paramàtma

que recebe o todo

que dão centelhas

de luzes divinas

que alguns dizem

que fomos nós

quem criamos

criação sem criador

viver sem a dor

é algo absolutamente

impossível;

administrar

os sentimentos

nos momentos

mais difíceis

de suportar

é factível...

 

 

(Cristiano Jerônimo – 14042022) 

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Estado de espírito


A não ser o poema que não escrevi

Estás nas linhas e nas entrelinhas

No justo ponto cruzado do globo

Tabuleiro de xadrez, mestre do jogo.

 

Vai tirar as cercas do que é livre

Ressarcir aos donos desta terra

Com a marcha e seu povo de raiz

(Todos os hominídeos têm nariz).

 

Farejadores burgueses e ferozes

A burguesia é estado de espírito

Por dinheiro esta guerra existe

Na cidade só se ouve o grito.

 

Escrevas ao teu contemporâneo

E deixas tuas marcas ancestrais

Muda-te o tamanho do crânio

Mas não muda os teus ideias.

 

A canção te pede apenas a paz

Melodia suave e entre plantas

Lembra daquela criança mito

Que ascendeu todas as santas...

 

 

(Cristiano Jerônimo – 13042022)

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Ao tempo de progredir


No dia em que a fantasia

Tornou-se uma crença real

Corpos se desequilibraram

Mentes assustadas com o mal.

 

O mal que cada um construiu

E é responsável pela colheita

O bem, que não conta, invisível

E a vida que vem sem receita.

 

Não imagine coisas tão sérias

Nem acuse o que nunca existiu

A fragilidade ao fogo da matéria

Na casa que simplesmente ruiu.

 

No longo caminho da trajetória

O passado ficou lá inanimado

Tempos tão presentes no futuro

Especulações com o teu passado.

 

Quebre um retrovisor do carro

Para não olhar tanto para trás

Passado morto e bem enterrado

Coisa que não se repetiu jamais.

 

O homem foi acusado de trair

Apedrejado com a cabeça de fora

O lembrar de tempos de outrora

Não leva ao rumo de prosseguir.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 01042022 – Taubaté-SP)

 

segunda-feira, 28 de março de 2022

A vida pelos mares


Procurando o tempo

Próximo ao exato

Vendo o vento

De forma rápida

Tem sempre

Uma isca na frente

Com um apelo fatal

De seguir e seguir

Sem saber aonde ir

Eles vão, vão em vão

Parece ser do coração

Quem procura tempo

Acha encruzilhadas

Quem vai com o vento

Com as mãos aladas

Vai prosseguir com fé

Remar contra a maré

A favor dos sete ventos

Nas procelas das agruras

No gargalhar dos piratas

Na alegria dos cruzeiros

Soltos no mar a seguir

A nossa boa intuição

Ouvir a voz do coração

Entender daquilo que ri

Do porto onde vai ancorar.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 28032022)

sábado, 26 de março de 2022

A balança da vida


Notícias da terra distante

Os giros da roda gigante

A instabilidade do tempo

Do vento e das vazantes

Saudade que nos prensa

O peito ardido em brasa

Homem perdido na casa

E na rua não compensa

Alegria inebriante pensa

Que passadas as ondas

A calmaria mente a paz

Os mares são revoltos

Sem nada da estabilidade.

 

Se fosse só medo,

Os navegadores

Não sairiam mar adentro

Há centenas de anos

Procurando o desconhecido

Derivas correntes marinhas

Intermitência das chuvas

Por onde se esconde o sol

Porque é tão lindo o arrebol

Para quem está na paz da vida

Não há belo fim de tarde

Quando se corre de bombas.

 

  

(Cristiano Jerônimo – 26032022)

sexta-feira, 25 de março de 2022

Plantação de arroz

 


Se a boca fala

Aquilo que o coração

Está cheio,

Escute essa canção

Sem freio e dance!

 

Diga ao fraco

Que sou forte

Diga ao feio

Que sou belo

E singelo,

Quase um sopro;

Um cristal

De rochas.

 

Trago comigo

Guardadas

A coragem das onças

E a tolice dos bodes

Nas florestas

Onde andei criança

Um curandeiro

Que ajudei a curar

Pirotecnia sem som

Uma junta sem boi

Um favo abandonado

Meia dúzia de pecados

Pela plantação de arroz.

 

 

 (Cristiano Jerônimo – 25032022)

segunda-feira, 21 de março de 2022

Terra benquista


Ninguém quer ser colonizado

Mas sempre quer colonizar

Ninguém quer ser escravo

Mas gosta de escravizar...

 

Sempre que podem, convêm

Sempre que juntam muito

Acham que muito pouco têm

Juntos na guerra e carnaval.

 

O ditador mal direcionado

O democrata pelo povo

Desvia os seus trocados

E transforma em milhões.

 

Quanto custa o Centrão?

Vão te cobrar...

Os juízes imunes de plantão

Sem saber se vão julgar...

 

Ninguém quer mais ser visto

Pela cor ou o que tem na carteira

Neste novo mundo bem quisto

Ninguém está para brincadeira.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 21032022)

sexta-feira, 18 de março de 2022

Madeira de Lei


Dedico à minha amada esposa, Andréa.

O que me acalma

É que eu sei

Da tua índole

Fico feliz

Na sinceridade

Estonteante

Que permeia

Nossa verdade

Fico feliz

Que de problema

Só restará solução

O que me atrai

É o seu amor

Sua entrega

E receptividade

Seu cristal

Inoxidável

Sem ser com ferro

O oxigênio

Nunca se desgastar

Penas e plumas

Com óxido de ferro

Mesmo inoxidável,

Tal a madeira

De lei

Que cupim

Não rói.

 

                                                         (Cristiano Jerônimo – 18032022)

[CONTO] Que futuro nos aguarda?


Os fluxos e os refluxos das marés da nossa terra tupiniquim fizeram com que um sábio Pajé, à beira do mar, abrisse uma janela no céu para entender que o Brasil seria a repetição das culturas de guerras e domínios do Velho Mundo, o qual ele não conhecia. Mas via que, no planeta, as forças antagônicas do subir e do descer da qualidade de vida das tribos da cidade faziam com que os invasores da América se dividissem em progressistas e conservadores, da esquerda e da direita, numa miscigenação de brancos, negros e índios. A roda gigante que o ameríndio não conheceu também não pararia de girar e pagaria para morrer. Foi então que, no ano de 1501, naquela mesma praia, o Pajé teve uma visagem melhor do futuro do Brasil. Ele arregalou os olhos como se tivesse dado conta de um pesadelo que o arrematou e guardava a futura humanidade, mesmo ele já estando acostumado com animais ferozes nas selvas do tempo. Só não esperava a pólvora cobrindo de fumaças tribos inteiras.

 Dois anos depois, o Pajé saiu da praia deserta onde sempre meditava e subiu até um monte rochoso. Do alto, no céu, abriu-se outra tela mostrando que, a partir de então (1503), a tal “roda gigante sem futuro” não mais pararia de girar. Na montanha, o índio acessou visões dos anos de 1917, 1945, 1964, entre outros marcantes, e viu que, toda vez que a dita civilização avançava 20 anos, voltava logo outros 30. O índio olhou para os dois lados e não viu diferença entre eles, os europeus e os africanos, apesar do início de um genocídio, a escravidão e execuções sumárias se agravarem quando eles partiam para defender o que lhes pertencia de fato e de direito. Foi quando o Pajé viu, do futuro do céu do mar, uma intrigante manchete de jornal vinda do ano de 2021: “300.000 quilômetros quadrados da cobertura vegetal da Amazônia foram devastados nos últimos 20 anos”.

 Perto do fogo, os líderes perguntavam em uníssono, naquela época:

 – Qual o futuro que vamos enfrentar, então? – Enfatizou o Cacique dirigindo-se ao Pajé, em 1742.

 – Há notícias de que eles vêm massacrando nosso povo cada vez mais e usurpando as nossas terras, avançando do litoral para o interior, oeste inteiro –, respondeu o velho índio visionário, com semblante de tristeza.

 O diálogo e as reflexões dos representantes do povo “ameríndio” primitivo e a condição de povo colonizado geográfica e culturalmente também levaram os negros à escravidão, refletia o Pajé. Foi quando o líder negro Zumbi facilitou a vinda de irmãos de outra galáxia para tentar explicar o que estava acontecendo nas “Américas”. Os misteriosos seres do futuro levaram o Pajé do ano de 1545 para se encontrar com Zumbi, no Quilombo dos Palmares, no ano de 1685, no estado de Pernambuco, onde hoje é o estado de Alagoas. Era uma avançada tecnologia de viagem no espaço e no tempo, inexplicável, que somente os irmãos intergalácticos usavam.

 A oportunidade era de saber como seria o futuro daquele turbilhão de bandeirantes e caçadores de escravos, matadores de índios e degoladores de árvores, de florestas, de gente, rios e bichos. E o Pajé falou mais uma vez:

 – Irmão, em dois séculos eles já terão formado cidades, coisas urbanas, e reclamarão muito da vida, sendo tão escravos como os negros, num sistema de trabalho herdado da escravatura. Não haverá saídas para estas cidades... Elas ficarão cada vez mais mortas. O que vai sobrar e parecerá vida serão apenas resquícios da vida indígena que por muito tempo habitou estes espaços. A consciência dos povos de que você pode viver, habitar, a salvo do inferno de automóveis é fundamental para se criar cidades saudáveis; e a consciência popular é que pode contribuir para isso.

 E o Pajé continuou. Presente, Zumbi permanecia ouvindo o sábio índio:

– Nesta terra de tanta riqueza, homens portugueses, espanhóis, aventureiros e mouros vão passar por vários governos, vários regimes e parecerão não saírem do mesmo lugar. Os humanos vão viver mais e o Estado, no final do século XX e início do século XXI, irá transformar num tormento o sistema de saúde pública; desmontarão o trabalho, a assistência social e a previdência, das quais todos precisarão de alguma forma um dia. Escravos de um trabalho cada vez mais escasso, os humanos terão que se reinventar muito. 2021. País em crise, pandemia, o deboche ganhará status de liderança. O futuro é de reivindicação, de mais lutas pelos direitos que tentarão sempre usurpá-los e nos oprimir em prol do capital. 2022: o planeta em pé de guerra.

 E os dois foram transportados novamente aos seus lugares e tempo, ambos esquecendo aquele encontro. Ficaram, no entanto, com a consciência de lutar pelos seus próprios direitos e contra a opressão sobre a parte mais fraca desta equação, para imprimir no DNA do povo brasileiro o gene da luta, da resistência, do espírito de avanços sociais.

 

 

Cristiano Jerônimo é custodiense, escritor, jornalista pernambucano 
e professor assistente do curso de Publicidade da Universidade de Taubaté (UNITAU) – SP.

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...