sexta-feira, 14 de abril de 2023

A cilada de João e Maria



Abelhas fazem mel

Teus olhos de mel...

Não sobrevive um zangão

Em sua cópula, ele afeta

O pulsar do próprio coração;

Zangão, aproveita a tua vida

A morte é certa e vem lhe ver

As abelhas fabricam o mel

Que adoça os teus cabelos

Caminhos de um doce chão

A casa de Maria e de João

Uma casa de fantasia e doces

As abelhas foram lá e comeram

Levaram todo o doce que havia

Nunca mais rolou João e Maria.

 

 (Cristiano Jerônimo – 14042023)

Caçando caminho nas grotas


Enquanto a gente ainda procurar

Nos outros, a nossa responsabilidade

Razão das nossas reações ante o medo

Aventuras incertas dentro da sinceridade.

 

O outro é nosso espelho diante de nós mesmos

Foi difícil olhar primeiro para si e ver os outros

Havia várias pessoas com o comportamento soberbo

Uma pessoa de muita vida, juventude, cultura, poesia.

 

Mas a sapiência vem no tempo em que se é mais menino

Nos primeiros perrengues da vida e no medo dos castigos

É por isso que carrega consigo o terço da divina esperança

Que o Pai Divino interceda abençoando os nossos inimigos.

 

A vida não é bem como o livro Crime e Castigo, de Dostoiévski

O amadurecimento vem com, dor, amor, e desafios de sobrevivência

Sempre abismado com os avanços e novidades da nossa nobre ciência

Aquilo que o ser humano registra há milênios, apura e sempre escreve.

 

Enquanto a gente ainda procurar os pelos nas cascas lisas dos brancos ovos

Estaremos distantes da verdade que fica numa dimensão ao lado, na realidade relativa.

Ao lado da matéria e da alma que renascem em plumas no céu de anil cor de blue o amor.

O silêncio, a fala, a atitude serão preponderantes para sempre em nossas vidas.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 14.04.2023)


“O sofrimento e a dor são sempre obrigatórios para uma consciência ampla e para um coração profundo.”

“Quanto mais astuta a pessoa, menos ela desconfia que vai ser apanhada com uma besteira. É preciso usar exatamente a coisa mais simples do mundo para se pegar o esperto.”

(Dostoiévski)

quinta-feira, 13 de abril de 2023

O escopo da vida (a gratidão do espaço)



Quem pensa que a vida é brincadeira

Pode se assustar e ser surpreendido

Há quem pague muito caro para ver

O elo da vida que era luz tão perdido.

 

O vento estava tão frio, só era esquentar

Mas o gelo que esfria a alma fugiu ao ar

O fogo foi quem esquentou no mar a alma

A vida não é brincadeira para a calma.

 

Desde a última grande e nova descoberta

Ninguém dorme mais de janelas abertas

Na ilha da fantasia, tudo pode todo dia

Até lá o mar revolto e espumante reina.

 

Dizem que quem dorme com morcego,

Acorda sempre de cabeça para baixo

E quem vive com o estigma do apego

Só pouco imagina a gratidão do espaço.

 

Rebeldes são as coisas normais inusitadas

Um dia de paz nos territórios dos morros

Noutro dia, multidões, incêndio, barricada

Se talha a vida o cidadão com seus escopos.

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – Recife-PE)

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Pet Plantas


Os meus Pets não saem para passear

São sempre risonhos, se mexem no ar

Devoram esta água de ração orgânica

Têm segredos escondidos nos caules

Tem nossos inteiros e a outra metade

Os nossos Pets só nos surpreendem

Não sujam quase nada, plantas de raça

Cerca de 30 animais verdes diferentes

Os meus Pets não gostam de coleira

São elemento água e elemento fogo

São os componentes do seu jogo

Nâo latem, nem miam, nem moem,

Nem roem...



(Cristiano Jerônimo - 06042023)

Nosso sol e o próprio verso



Que bom que o suor gela

Após uma subida íngreme

A lua do sertão é mesmo bela

Nela, somos gigantes

Presentes nas constelações.

 

Um menino desenhado no céu

Um menino...

A menina sapeca que pega daqui

Que pega de lá

É tão bom...

 

O ar pegando fogo na lenha

O frio para esfriar o calor

Berço quente do ninho

De onde o bem foi parido

Na natureza reinante o amor.

 

Eu consigo! Você consegue

A propósito, a gente esquece

Você vai se tornar um monge

Não há sonho partido, longe

Nem haverá ali nenhum altar.

 

É o salto para as nuvens de dia

Cortando pela noite a maresia

Do barco que foi; daquele que ia

O mesmo porto, a mesma rota

Bússola escondida e covardia.

 

A tentar descobrir qual a direção

Foi e voltou no seu pensamento

Dançar La Bamba e rock’n’roll

Agitar os amigos desta pobre rua

Pedir que cada um fique na sua.

 

Que bom que aqui esfria

Após um banho no vento

A lua da praia deserta é legal

Nela, somos gigantes no céu

Passeamos até na expansão do universo

Vivendo em torno do próprio metaverso.

E da nossa vida na nossa cultura digital.

 

(Cristiano Jerônimo – 06042023)

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Um homem chamado Cavalo


Ninguém mais se engana

Todo mundo é tão contente

Agora todo mundo é bacana

Vivem num eterno carnaval...

 

A gente só tem cheiro,

Admiração e não suporta

O espelho, a taça e a porta...

 

Eu fugi para te ver melhor

Enxergar de longe a tua alma

Sentir de lá o aroma do teu suor...

 

Incorporei uma papoula (de fogo)

Não havia nada para ler de novo

Pouco importou do que muito eu vi...

 

Sou a água que matou a tua sede

Sou o súdito bruto de fruta do teu amor

Sou o som das palhas dos coqueiros

que silenciaram os arredores

da cidade adormecida

pelo respeito à alma do pretos

Nas encruzilhadas e terreiros...

 

A gente ainda tem a cama

De melhor pra se entender

Se fosse tudo, já resolveria...

 

Quem tem amor, tem o zelo

Cheira a crina de outro cabelo

Seu cavalo que vai lá te beijar...

 

Na charrete ou nua em pelo

A égua imponente e seu cavalo

Sempre te admira 1, 2, 3 , 4...

 

Sou o pão que aliviou  a tua fome

De ser um homem no teu amor

Sou o som das folhas das bananeiras

Que mostram onde corre o vento em direção

da bondade eternecida

pelo perdão dos indígenas

Na danças das flechas

Com um arco bonito na mão.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo)

quinta-feira, 30 de março de 2023

O que fazemos com nós mesmos


    O que se acredita prejudicar o rumo das nossas vidas é uma incapacidade arraigada que temos de não duvidar das coisas, das pessoas e de nós mesmos, nos acostumamos a não questionar a nós mesmos, dificultando assim o exercício da nossa própria felicidade. Não existem mais os paus de barracas para chutar, nem adolescências. O sentido é crescer mais e mais, com trôpegos e passos para frente e para trás. No meio do caminho, há uma brecha. Um caminho para aparar arestas e enxergar a clara e luminosa luz.

Quando julgamos não sermos merecedores de algo ou de alguém, a psicologia acredita haver um processo de indução à auto-sabotagem que, com um mínimo gatilho, estronda as buchas dos canhões mais letais. Explodir e implodir tornar-se-ia um processo autofágico da alma na terra, quando não enfrentamos os nossos medos e os piores fantasmas. Não nos contentar-se apenas com o que já temos, mas buscar a evolução da alma das coisas, soltando o que nos puxa para baixo, o que é um excelente processo de elevação, evolução.

De um ou do outro ser humano, não importa o que falta para chegar lá. Fala-se em se proteger espiritual, energética, emocional e fisicamente. Agora, pelo outono, é hora de plantar e replantar; colher algo que se tem e mudar o mundo. Ótimo é saber da plenitude da vida, porque a Proteção e a Providência Divina são necessárias e ativadas por nossos pensamentos edificantes. O mais intrigante é que nós mesmos fazemos ou refazemos a nós próprios, nesta infinita jornada que é a verdadeira vida.


(Cristiano – 29.03.2023)

segunda-feira, 27 de março de 2023

Um grupo de luz no umbral

 


Não gosta mais de lembranças

flutuando no cerne da criança

revive uma nostalgia tão áurea

voa no infinito desta via láctea

pelos becos do universo curvo

sobrevoando um lago, imundo

há seres humanos sobre o lixo

passando o dia inteiro abismal.

[A velha e pura cara do umbral

pós-morte endereço semifixo].

 

Um grupo de luz desceu do alto

resgatou uma criatura espiritual

como uma estação muito antiga

deu-lhe a chance de pegar o trem

sempre as novas rotas e partidas

é que no umbral não há o que tem.

 

Enfermeiros da linha frente espiritual

sempre pescam almas do purgatório

mundo em que o inferno não é ilusório

onde não se faz nem o elementar

o que chamam de planeta de sal

sem água, sem rio, sem lago, sem mar.

 

[A velha e pura cara do umbral

Pós-morte endereço semifixo]

 

Gestação capenga de um triste final

a seleção das espécies em devastação

mostra que o quente calor da serpente

ardeu no dia em que pisastes na terra

um feixe de luz estonteante, bravura

tentou iluminar o que não era provável

mas era. Pelas cancelas do destino, provas

pelos ninhos do caminho, a vida se renova

uma centelha de nada ilumina a escuridão de mil almas

um conselho prudente faz com se evite outra estrada

dos cataclismos que, todos sabem, não nos levam à nada.

 

 

“Orai e Vigiai...”

 

(Cristiano Jerônimo – Taubaté-PE – 27.03.2023)

sexta-feira, 24 de março de 2023

De gosto e de água


O mar e a lua, e Iemanjá

Eu sou de origem de caboclo
Sete flechas para me salvar
Muito escrevem do belo mar
Meu sertão com a água cara
Não tem ninguém para aguar
Tem chupa-cabra pra sangrar.


Com a alma fechada, Iemanjá
Em engano, eu não sirvo pra ti
Parece que desaprendi a te amar
Tanto, tanto que um dia eu insisti
Aprendi um dia a matar o mal
De raiva, de reza e de perdões

Com os fantasmas escurecidos

Imaginei tudo o que significava

Do gosto, da água e dos amigos.


(Cristiano Jerônimo – 24032023)

Panamá



Falácia, a sua eficácia engana a verdade
Sofisma, você produz todas as intrigas
Mentira, inconsciente nela se proteje
Inocente travestida de uma criança
Vítima do sistema feudal, etc e tal
Talvez tanto tempo despertou um mal
Todo aquele sofrimento  reproduzido
Por ninguém mais, ninguém menos
Do que quem se deixou violar em vão
Procurando responsabilizar os outros
Quando o espelho só apontava para si
Importante assumir e, de repente, sumir
Não saber o que é chegar nem partir
Qual é o próximo destino para o vazio?
A parte mais quente ou o gelo do frio
A sabatina mental que procura rusgas
Isso tudo vindo da sua grande mea culpa
De tudo o que eu não queria, tudo findou
Só o meu sentimento que, enfim, acordou
E os teus equívocos viraram a minha luta
Não há mais tempo para você se enganar
Medo do inexistente parece com loucura;
O amor doente de Isabel no Panamá...


Cristiano Jerônimo Valeriano 23.04.2023

Escravos da limpeza


(SÉRIE “AUGUSTIANA DE GREGÓRIO”)

 

Dinheiro não tem duas fábricas

O que é igual ao seu é o que é meu

O bem acumulado, a labuta suada

Escravizado chamado emergente

Um grande cara e tal, inteligente.

 

Antes fosse um cometa

que encantasse

E fosse embora...

 

Antes fosse apenas

Os mistérios da caipora

Mãe-da-lua e o firmamento

Urutau no pensamento

Inigualável ao fundamento

E instável como o luar...

 

Para dar um sentido

A uma vida perdida

Aos amores doentes

Remédios e curas

Sinceridade máxima

Dê no que der as juras,

Vão querer sempre

O sucesso contínuo de vocês

Seja até mesmo dois ou três.

                                     

Os abutres são do bem

Limpam ossos na rapina

Comem o gado já morto

Todo dia essa é sua sina

Como se fosse sua horta

Como ninguém imagina.

 

Carcará, atenção na estrada

Ataca o vazio com sua espada

Chega na frente do alimento

Toma a sua presa em seu alento

Entre os varões, um sangão frágil

Foi-se na cópula da Abelha Rainha.

 

Uma espécie que evolui e involui...

Que guarda tantos traumas de vidas

Das famílias comendo lagartixas

Os répteis se alimentado de formigas

E na terra as suas transformações

A partir das espécies mais antigas.

 

Deram para o vapor criar a indústria

A combustão da imprensa e o capital

A desigualdade que permeia o planeta

Com fome, todos os cabritos berram

Poucos têm muito e muitos muito mal

O sujeito que por si só não prospera.

 

Não é reclamação de adolescente

Nem poesia de ideia de protesto

Fosse assim eu mesmo me revoltava

Jogava os ideais e os sonhos com dor

Descobrindo as profundas diferenças

Do presente, da vida casual e crenças.

 

O que fizeram dos sonhos e esperanças?

São perguntas proferidas por crianças

São jovens que escolhem ser marginais

Porque, às vezes, não possuem mais

Uma opção sequer para seguir em paz.


No chão da fábrica quer ser encarregado

A competitividade em condições desiguais

Vejo uma fraca resistência e uma sensação

De que nosso país sempre anda para trás.

 

Poderia ser teu filho ou até mesmo você

Estendendo a mão ou ignorando o fato

Sendo agradecido ou sendo ingrato

O trabalhador vê a escravidão escurecer

Um patrão que não acredita em abstrato

Nos anos 2020 não deixa você você ser

Ter que apanhar para ter que esclarecer

O ocorrido e toda a natureza dos fatos

De que queres, mas não tens condições

Pois não honram nem o próprio prato.

 

O ser humano não suporta nem a si mesmo

Jamais dará lugar para alguém adentrar

Sentimos nojo de nós mesmos e perfumes

Baratos escondem a nossa vil arrogância

Sob o pretexto de que foi deus quem criou

O limite entre a decisão e as consequências

Entre o incrível e a colheita tão esperada

O avião com a cabeceira da pista preparada.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo Valeriano – 24032023)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...