terça-feira, 20 de setembro de 2016
Epicentro da nossa consciência
Como
se estivesse à beira da batalha espiritual entre os meus mortos, contemporâneos
e feridos, a minha sobrevivência, a alegria de sorrir e o rosto sério de pensar
profundo, sobre o que está abaixo do magma da alma, no epicentro da nossa
consciência, me disse que o efeito é sempre em cascata. Mas relaxa! Pela eterna
questão da sobrevivência, comum a todos, os sinais (faróis) nunca estarão numa
mesma cor. O delírio amarelo do tempo pede atenção antes do foco vermelho do
asfalto sangrento e frio em essência, chegar rodando como os pneus da
motocicleta. Olhe, é de gente que eu estou falando. Pare, olhe e escute. Gente
simples e gente ‘elegante’. Um Abutre me contou que essa estrada é uma via onde
se precisa saber andar sozinho e também pilotar em grupo, sentindo liberdade e
levando algum tipo de felicidade aos lugares. Foi inesquecível! Subir, subir...
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
A pedra que jaz!
Bom dia!
Tem mais outro dia.
Tem o infinito também.
Bom dia!
Tem o mal espumando.
Há o que salve também.
Olá!
Eu queria mesmo te encontrar.
Só pra bater papo e conversar.
Quiçá!
Chegue o dia de andar na praia.
Sem ninguém correr da raia.
Até mais!
Eu só queria muita, muita paz; mas,
No calabouço, a pedra agora dorme e jaz.
(Cristiano Jerônimo - 15.09.2016)
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Genealogia da cidade
O dia amanheceu sorrindo, lindo
E as pessoas de papelão nem ligaram.
Passaram a noite em mais uma ilusão
E terminaram o outro dia igual ao outro.
Um já me disse que um barraco custa caro
E onde morava não tinha a quem pedir...
Ouviu falar em emprego, não sabia ler;
Queria mandar uma carta, sem escrever.
Escrever que a família mandasse passagem
Para ele voltar de uma desastrosa viagem,
Com gosto de deserto e um oásis de vertigem.
Mofo, poeira, poluição do nosso ar e fuligem.
Outros se jogaram no abismo da Duque de Caxias
E não se deram conta que era a própria vida que jazia.
Todos os outros estão no trabalho e em seus afazeres;
Com cara de segunda-feira e seus profundos quereres...
(Cristiano Jerônimo - 12.09.2016)
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Como a arte
(Para
Lu Rabelo)
Eu pinto com as palavras faladas também
Escrevo minhas crianças e a cigana vem.
Vem sem eu chamar e a recebo feliz;
Falo com ela dos meus medos que vivi!
Não consigo viver longe do mar... Sou do sertão.
Não sei se vá, mas devagar não chego não...
Acelerada e de boa, vou conseguindo
Mudar faces que borram a imagem do nosso grotão!
Todas as ametistas e quartzos, Deus e o cão ---.
São apenas opções que tomaram meus irmãos.
E eu respeitei... Um a um... E, no mínimo, rezei.
Hoje, sei porque preciso mergulhar e sentir-me água.
Como parte de ti, mãe-poderosa, guia da mulher.
Que me aparece e me ajuda como outra guia.
E eu falo com as palavras pintadas também
Porque somos cores, perspectiva e frequência.
Como a arte, devoro a ciência...
(Cristiano
Jerônimo)
terça-feira, 6 de setembro de 2016
Por vir e voltar
Porque, muitas vezes,
Não conseguem ‘desamargar’
O dia a dia...
- O poeta é um analista de sentimentos considerado idiota por 90% das pessoas “normais e sadias” da terra. É isso mesmo, mas nasci poeta. Assim morrerei escondido ou aparecido. Aparecida está comigo.
terça-feira, 30 de agosto de 2016
A crise crazy
Como é bom que já é outro dia
A madrugada estava mesmo fria.
Quando anoitece para se acordar
Buscam secos papelões pra esquentar.
E como é repetitiva a rua, e tão livre;
A vadiagem também é ócio criativo.
O dinheiro é que não foi bem bolado,
Qualquer um precisa de um trocado.
Nas avenidas principais buzinam atenção
De estar num carro possante e sem tesão.
Cada um dá um pouco do que tem em si;
O que é bom pra você tem que ser pra mim.
Que bom que vai entardecer e o sol se por;
Mais uma jornada de uma roda giratória,
Do agradecer pelo aperreio do trabalho...
E jamais decretar qualquer dívida moratória.
Essa crise crazy vai passar!!!
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
Em água e óleos
O dinheiro ficou mais barato
Só não tá dando nos cachos.
Nossos gastos estão mais caros
E a vida só aumenta o trabalho.
Mexe numa parte do salário,
E deixa a gente a desejar...
No carnaval, a gente conserta.
Ando na ciclovia com a bela bicicleta.
Na cidade, só nos trechos que têm rio.
No Ano Novo melhora, eu vou ser atleta.
Vou consertar o quinto chacra róseo
Vou procurar a unção em água e óleo.
(Cristiano Jerônimo)
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Tempo verbal (viver é mais feliz!)
Estas loiras
Loucas,
cobras,
Fadas,
rainhas
E
desfilantes,
Ao lado das
mulatas
E cabelos
reluzentes
Fazem o
requebrado
Das bainhas
das saias
Que vestem o
meu amor.
Lindas,
finas,
Deslumbrantes,
As ilusões da
vida
Seguem a
cegueira
Dos
iludidos...
O elementar
Blinda
possibilidades
Protegidas
pelo futuro
Do destino
mais pretérito
Imperfeito e
pessoal.
Viver é mais
feliz!
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
recife de rua
vagueia um menino qualquer
qualquer rua...
matura qualquer menino
vidrado na lua...
sobre a cidade
de água indecisa,
sob a verdade
crua e concisa
repousam as asas
da contradição:
do que é da terra de Deus
e do que é de um mundo de cão.
Um rebanho de bichos do mato
...meninos...
...cidade...mata...
...MENINOS...
Mauricéia,Veneza, Ribeira e Cidade...
Mauricéia,
Ficarás sob o concreto
Dos lugares aterrados
Juntamente com a história
De uma batalha tão cruel
Entre lanças e armas de fogo.
Veneza,
Serás encoberta de águas
Nesse destino de lama
Na cama em que ti eu me deito
Teu leito perdeu a corrente
e tuas águas estão confusas no mar.
Ribeira,
Por debaixo de tudo
Há ti de verdade.
Nascestes tão simples
Virastes cidade
Para abrigar sua gente.
Cidade,
Quem são teus meninos?
Quem são teus amantes?
Quais são teus destinos?
Quem habitou você antes?
Respondes,
Estás contente, cidade???
Escrito em 1993 e publicado em 1999 no 2º Congresso
Brasileiro de Escritores (UBE)
terça-feira, 16 de agosto de 2016
A alma composta de tudo
São as pessoas.
Não são
dinheiro.
Não são status
Não são inteiros.
Pedaços de tudo,
Um pouco de cada.
Composição da raiz
Da semente germinada.
Somos nós mesmos.
Não é dinheiro,
Mas a expectativa
Também divide o inteiro.
São esses pedaços
que escolhemos
que escolhemos
Para vencer
Os nossos traumas,
Quando temos
Quando temos
Momentos
De calma na alma.
(Cristiano
Jerônimo – 16.08.2016)
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