quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Limite dos sábios


Bem ao meu lado
Eu não sentia você
Que agora está com o rosto colado
Para assistirmos tevê.

Tomarmos um banho, um café...
nos chamarmos em nossa cama;
Como todo primeiro encontro
e o nervoso da cruel expectativa.

Sinta agora que você está mais viva
Em desmaios juntos numa cama;
Sem nenhum problema ou drama
Na certeza de uma mente ativa...

Mente confiante, Soda Limonada,
Teu limão doce afaga meus lábios
Como quando a casa está fechada
E nós dentro no instinto dos sábios.


(Cristiano Jerônimo - 18.10.2017)

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Cumbuca quente...


Lagartixa gosta de sol
E o sapo mora na lagoa.
Pássaros dormem no arrebol
E os gaviões passeiam numa boa.

Jacaré é sorrateiro tal tubarão,
A seriema corre solta no sertão.
A ave negra Carcará circunda
E come até onde não fecunda.

O tatu faz o buraco e vive muito
As baleias que respiram fundo
E conseguem viver em dois mundos
Uma atmosfera gasosa, outra líquida.

Como a rã é anfíbio, há sapos na lagoa
As mitocôndrias, como dínamo, geram
Nosso torpe comportamento degenera;
E os peixes ficam escondidos na lagoa.

A tartaruga botou só a cabeça de fora;
Virou alvo e viveu por causa da caipora.
Macaco que é velho, ligado e experiente
Não coloca a mão em cumbuca quente...





(Cristiano Jerônimo – 13.10.2017)

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

jovens lob@s



Galáctica peçonha atraente
que me molha os beiços
me aquece a alma
e voa como uma águia.

Incógnita persona bela
que me pinta as aquarelas;
abrandas o vento na barriga
da robustez dos nossos dias.

Acordei-me e acordei-te cedo;
quatro vales do catimbau de altura;
um foguete granulado de metal
pondo fogo em tudo o que é mau...

E as alturas propalaram nova lei,
fundamentado em palavras de amor
e o mesmo cometa que foi, voltará
escrituras sagradas de afanados livros.

E que o fogo não nos consuma
como aquela velha chance à paz
pululam os bailes com dançarinas;
existe uma aura de quero mais.

Isso é o que fascina jovens lob@s...



(Cristiano Jerônimo – 12.10.2017)

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Um casal...


Disse para ele que fugiu pra longe
Da rua onde morava, pois não tinha casa
E que nunca mais ia voltar. Estava decidida.
Já a amiga, zarpou num barco e nem olhou pra trás.
Esperava que a vida fosse a rua à noite toda nua.
(Todos os dias; todas as noites, cabelo, baseado).

Ana branquinha com um sutiã bem azul,
E uma menina ‘perdida’ na comunidade.
São as discrepâncias, numa mesma cidade.
Consola ver Ana vestida de calcinha blue.

Ela disse pra ele que voltaria pra casa;
Recanto dela é o mundo e pouco mais.
Vivia na Argentina. Hoje mora no Brasil.
Poliglota, adora ver essa pátria varonil.

Ele foi passar mais de um ano em Londres;
Ela pegou suas coisas e foi para a Chapada.
Apesar de não estar nem um pouco preparada,
Sabe exatamente aonde está e porque tem ânsia.

Ela sabia que não existia um passado inútil
Ele, que o presente era única realidade;
Futuro é terra de ninguém, do vento, chuva.
Templo dos deuses que habitam nossa cidade.




(Cristiano Jerônimo – 03.10.2017) 

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Águas da Virgem


Pelas surpresas da estrada;
Pelas fitinhas do Senhor do Bonfim.
Pela carne comida, rasgada;
Pelo fato de ter que ser assim...

Então mudemos; digamos que não;
Nós não somos carne em combustão.
Nada tem que assim nem também assado.
A felicidade está em fazer o nosso talhado.

Pelo padrinho Padre Cícero do Juazeiro;
Pelas águas da virgem que correm aqui;
Pelo prazer de voar em céu de brigadeiro;
Vamos acabar com isso e pensar no porvir.

A terra está com o olho piscando de estresse,
O medo do terror e da arrogância cresce;
E mostra o poder das ogivas e da bomba H.
Reze contra uma guerra e peça para se salvar.



(Cristiano Jerônimo - 26.09.2017)

domingo, 24 de setembro de 2017

Dos impropérios


Que chova em tua praia
Que tu topes e então caia.
Que os torpes fracassos
Enrosquem como um laço.

Cortem-lhe cabelos brancos
Todas cinzas serão guardadas
As músicas também cantadas
Com o mais fúnebre dos cantos.

Veja que ferida, querida, na boca
E outra no cérebro involuntária...
Para viver e ser chamada de otária
É melhor subir na mesa e louca.

Você veio prum mundo indecifrável
Já deve ter percebido; já teve provado.
Com “pecados” que são incontáveis;
A hipocrisia vence porque vem do alto.




(Cristiano Jerônimo – 24.09.17)

terça-feira, 12 de setembro de 2017

CÉU DE ANIL


Bem que sou mesmo palhaço
Mas não faço graça para qualquer um.
Ao ponto de qualquer estilhaço,
Corro com todos; corro só um...

E, agora, abrindo estas janelas,
Com as árvores que permeiam
O primeiro plano do nosso céu
Nascente de nuvens que se foram.
Levando a chuva e a ventania...

Que varre, em cada velocidade,
Uma parte do mundo. Na Flórida,
É só intempéries e tempestades.
No Nordeste, em Pernambuco, Recife,
Hoje, é somente céu de anil...
Com todo o sofrimento do Brasil.



(Cristiano Jerônimo – 12.09.2017)

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Palavras de Quevedo - Século XV

As palavras são como moedas: uma pode valer por muitas, e muitas não valer por uma.
A inveja é assim tão magra e pálida porque morde e não come.
Quem recebe o que não merece, poucas vezes o agradece.
Quem julga pelo que ouve e não pelo que entende, é orelha e não juiz.
Feliz serás e sábio terás sido se a morte, quando vier, não te puder tirar senão a vida.
O muito torna-se pouco quando desejamos um pouco mais.
Só o que manda com amor é servido com fidelidade
São curtos os limites que separam a resignação da hipocrisia.
O nascer não se escolhe e não é culpa nascer do ruim, e sim imitá-lo; e é culpa maior nascer do bom e não imitá-lo.

E o avarento mais preferiria que o sol fosse de ouro para o cunhar, do que ter luz para ver e viver.


De Francisco de Quevedo

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

CÁRCERE AMADO


Passarinho preso numa gaiola,
Não sabe se deixou-se prender
Ou simplesmente se o prenderam.
Pássaro preso na gaiola, te fuderam.
Cavaram a própria cova com os cabelos.

Pássaro preso, adrenalizado...
Na sua imensa e letárgica solidão
Parece um dia resignar-se.
Mas, para quem nasceu livre,
A prisão é o maior dos pecados
Com todas as provas processuais.

No Direito da Vida, a Justiça enxerga.
Observa e sabe o que à lei se aplica
Mostra em tudo aquilo que crê
Um pouco de luz, amor e vida.

Pode ir! O retorno é inevitável.
E eu estarei aqui esperando
Para ver ser abres esta gaiola,
Mas deixas a portinha aberta,
Porque... eu desaprendi a voar...





(Cristiano Jerônimo – 31.08.2017)

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Quevedo (A hora...)


Eu não posso dar conta da realidade,
Se toda vez que percorro essa cidade,
Desponta luz toda sorte de iniquidades;
Porque se diz que o que mais vale é estar.

O gosto de inalar teu olhar e sentir tesão
Sempre acontece com toda aquela tensão,
Se dilui em platinas que viram mercúrio
nos minerais das mineradoras, o fim...

Eu não posso dar conta do imaginário
Foge ao que tange as agruras do sumário
Mais resplandece a luminária que a canção
Para que não tenha tanta gente solitária.

Seiva viva na floresta atlântica e o seu coma
Mataram noventa e cinco por cento do bioma
Olhares magnatas fecharam numa dose de uísque
E deram as costas como quem espirra ou até golfa.

Fizemos um esforço tão belicoso e enorme
E eu não posso dar conta de nada nesta vida;
Porque com a destreza de Francisco Quevedo,
O medo que a senhora Hora me pegue distraído.





(Cristiano Jerônimo – 16.08.2017)

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Amores de Madagáscar


Você perdeu-se no tempo
E eu acelerei o meu passo;
Senti a tua força no vento,
E, voei feliz pelo o espaço.

Vi tantas meras crueldades
Que acontecem na cidade.
Traçadas no andar de cima.
Vista nobre e privilegiada,
Com um amor meio de nada.

(Há pessoas boas, pelo menos.)

Mas venha logo!
Antes que eu sinta
A solidão...
E sinta em meu peito
A dor de faltar a fala.

Também fui distante e tudo
E voltei para contar ou calar.
Tudo aquilo o que ocorreu ontem
Lateja aqui como em Madagáscar.

Venha logo!
Antes que eu sinta
A solidão...
Não meta de novo os pés pelas mãos
Ao sentir a grande dor de faltar a fala
Veja que tanto a vida fala quanto cala.

Hoje há que se pensar que nossos filhos
Cresceram e, muitos, ainda são os filhos;
E serão por toda eternidade do tempo
O amor que procuramos e está em nós.

Venha logo!
Antes que eu morra
De solidão...
Não meta de novo os pés pelas mãos
Ao sentir a grande dor de faltar a fala
Veja que tanto a vida grita quanto cala.


(Cristiano Jerônimo – 08.08.2017)


Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...