segunda-feira, 12 de março de 2018

Direção...




Ao Seu Kreisson

Quando o carro
Não obedece
A sua direção,
É porque você
Perdeu o controle.
Precisa parar e pensar
Muito mais profundo,
O mundo não é só uma bola.
Você se perdeu;
Não se encontrou.
E se perdeu...
E se reencontrou...

Outros são felizes
Com suas pequenas
Alegrias enormes.
Sexo de Atenas.
Tudo o que pode.

Volte um pouco.
Você se perdeu;
Mas se encontrou
Perdidamente louco!
Melhoras, de coração.

(Cristiano Jerônimo – 12.03.2017)

sábado, 10 de março de 2018

Super pró



Ela desfila
Com sua perna mecânica
E com a destreza de um salto alto,
Quando anda só e corre no atletismo.
E sonha com uma prótese super pró,
Somente sua. E uma prancha
Para surfar na vida e não perder nada.
E ver, lá no fim da estrada,
Que a vida é tudo
E, ao mesmo tempo, nada!


(Cristiano Jerônimo – Sábado – 10.03.2018)

terça-feira, 6 de março de 2018

Amolação moral

Cláudia Rogge
Dedicada a Eva Pirro de Lima

Pudor demais, me arromba!
Hipocrisia, destrói e mata.
A mentira parece uma bomba
De fogo amigo, isso já basta;
Morrer numa guerra ingrata?

Vergonha é não se despir.
Ou colocar short Adidas
No corpo dos índios
E achar tudo lindo.
Fogo, roda e comida.

Politicamente correto
É a RP das palavras feias.
Não tenho mais tempo;
Será minha última ceia.
Antes do pulo do cego.

Meus vermes fertilizarão
A terra mais fecunda
O solo rico do meu sertão.
Seco, verde, morto, vivo.
Mas com amor no coração.

(E nem sei mais...
... de tanta confusão).



(Cristiano Jerônimo – 06.03.2018)

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

DÁFINI E TATY



Dáfini olha estrelas
E não vê o sol...
Taty é gente tão boa,
Mas não se vira só...

E a idade que bateu
em sua porta...
Deu saudades
De abrir essas comportas.

(De represas infindáveis)

E brincar de ser feliz.
E sonhar em ser
O que nunca quis
Pelo ser ou não ter...

Dáfini, um dia,
Foi à mata e deslumbrou-se
Quase se perdeu,
Quase se encontrou.

Como Taty, vivia
O autovampirismo,
Ia sempre ao abismo;
Gostava de se arriscar.

Mas a idade bateu
E, aos trinta, ela tinha 17.
Nunca ouviu uma fita K7;
Procura espaço pra voar.


(Cristiano Jerônimo – 28.02.2018 | Recife | PE | Brazil)

domingo, 25 de fevereiro de 2018

cangaço novo


os cangaceiros deste sertão
vingam-se da morte,
mas não vingam a vida não.
estes coronéis... lá do sertão...

nos baixios e nas serras
nos conflitos e nas guerras,
que ainda assolam o grotão...

olhemos as flores na imensidão,
cultivemos amores, paixões e lembranças;
dos amores de criança e da imaginação...

nos baixios e nas serras,
nos conflitos e nas guerras,
que ainda assolam este chão...





(Cristiano Jerônimo – Letra e música)

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Parlamento que se lixa


Cada parte faz parte
De um todo dentro da gente.
Cada ser engloba
Uma parte da pequena partícula.
O universo se expande no infinito,
O eco leva a longe os nossos gritos
De fome e revolta nestas cidades.
Com nossos doutores do Executivo,
Os representantes do povo
Escolhidos para a nobre legislação
Aquela mesma eleita sem educação.
Para os massacrados da população.
Três semanas de guerra civil
Quem mais sobrevive é o Brasil,
Que morre aos poucos em vão
Por imbecis que se lixam para a Nação.



(Cristiano Jerônimo – 04.02.2018)

domingo, 28 de janeiro de 2018

Mais além, brilha como sóis


Ronaldo ficou mais rico
Com a movimentação
Desenrolado e sabido
Aplaudido pela Nação
Que o condenou em vão
A tantos anos de prisão.

Mas Zezinho ama a vida,
De verdade.
E faz dela a sua arte.
Uma canção nas hostes
Dos homens de bem.
Na esperança
De um dia ser alguém.

Meninos e meninas,
O melhor é ser feliz.
Longe do barulho das buzinas,
Numa aldeia não global.
Sem ondas, nem mar ou farol.
Longe de onde o homem se mata,
Num lugar que brilha como o sol.


(Cristiano Jerônimo – 28012018)


sábado, 20 de janeiro de 2018

Fé no criador


O momento
Está de dor.
Fé no Criador
que sustenta
tudo o que flutua.
Perfeito no espaço
Tem a alma nua
E a energia
De todos os sóis
De onde a matéria
Se expande ainda
E donde não chegou.
Fé no criador
Que sustenta
Toda a nossa dor.



(Cristiano Jerônimo – 20.01.2018)

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

XERÉM NA MESA DE QUEM NÃO TEM


Num dia vazio...
O homem de barba
Com o amigo sem barba
Sorriram pra mim.

Eu disse
- Porque,
Meu amigo?
Não venho
Te oferecer
Perigo.

Pensa
Em mim
Assim também.
“Eu tenho,
Você não tem”
És cruel e alheio,
Mas és de bem?

Vou cuidar dessa roça
Combater essa boça
Andar nos trilhos do trem
Para, um dia,
Ir comer xerém
Na mesa de quem
Não tem.



(Cristiano Jerônimo – 18.01.2018)

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

VIDA DE FAZENDA 1

Aos oito anos, acordava às cinco da manhã. O nome das horas era furacão. Eu ia para o curral tirar leite. 

Ordenhava depois as cabras leiteiras que estavam com bondinho novo, um cabritinho. Naquele frio que fugia mais tarde em brancas serrações nas montanhas do céu. 

A neblina da madrugada ensinava a convivermos com o frio. Depois do gado, ia tomar o banho e fazer o desjejum. Bolo de caco, de milho, queijo, ovos, tapioca, beiju, macaxeira do baixio, batata doce, café, leite e chá. “Coisinhas de matuto”. 






E eu sou matuto, de uma fazenda distante muita poeira da enorme maioria dos homens civilizados desta civilizada civilização.


Após o café da manhã, pulava da mesa e ia planejar o que vinha por se fazer. No meio da caatinga do sertão pernambucano, a 25 quilômetros da pista principal (asfaltada), eu era um passarinho que ia pegar voo por volta das 8h. Eu conto.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

CUMBUCA – Aprendendo com os primatas


Abra a mão
Se quiseres
Experimentar
Outro pão...

Diz que macaco
Velho
Não bota na cumbuca
A sua mão.

Até o tempo
Ensinar os seus sinais,
Erramos e acertamos
Mas não somos más...

Este globo...
As matilhas
E os lobos.
Um carretel
De charretes
E preconceitos
Ilógicos, cruéis.

Mas cada qual
Tem a opção
De ser melhor.
E também
A responsabilidade
Do que vem pior.
Então é melhor...
Também corrigir.


(Cristiano Jerônimo – 01.01.2018)


Por nada!

Mastigando terra Comendo a poeira Motocicletas roncando Napoleão lá guerriano Fuligens no asfaltos Na fenda do asfalto Nascem plantas florid...