terça-feira, 22 de novembro de 2022

Na mata



Não me deixe

Sair sozinho

Quando eu

Tiver medo

De me perder.

 

Me avisa

Todas as vezes

Que eu desafinar

Ao violão

O meu compasso.

 

Não me deixe

ficar sozinho

quando a solidão

se puser ao sol

Numa cena bucólica.

 

Nos edifícios e automóveis

Nas ribeiras e nos altos

Ora sobe-se, ora desce-se

Esta é a linha da vida

A reta é só apatia profunda,

 

Se for lá me chame

Para a água bendita

Que tu me ames

Na profusão

Da energia

Existente na mata

Na pureza mais bonita.

 

 (Cristiano Jerônimo – 221122)

 

  

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Veganos respirando CO2



Do sol... no ar...

Até chegar na pele rara

Até ver o carbono esquentar

Diluir a clorofila

Em motor a combustão

Óleo diesel lá na brisa

E negros olhos de ilusão.

 

Hey jovem, todos os plásticos

As tartarugas em milhares de linhas

Uma vida presa sem elásticos

Não dá para voltar correntes marinhas

Há séculos há uma conexão bizarra

Entre Europa, África e o antes do Brasil

Em vinte anos as geleiras vão derreter

Preferia uma guerra com eles e um fuzil

Do que ver o futuro dos meus filhos morrer

As tragadas dadas em monóxidos de carbono

Veganos terminam respirando a mesma gasolina.

 

Na cidade dos Arrecifes, a Bacia do Pina

O despejo dos rios e istmos da pele da cidade

A capital do dinheiro é uma réplica grande

De todos os níveis de indicadores sociais

Quanto mais prédios eu vejo, mais serras subo

Nos centros de classe alta ou nos subúrbios

A chapa quente cai para todo mundo por aqui

Os bandeirantes começaram toda essa putaria

De tirar tudo que é nosso e entregar para outros povos

Sem deixar uma cota de grão do “agro” no nosso prato.

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – 14112022 – São Paulo – SP)

 

Que seja com alegria!



O tanto que avistava verde

Avisto os prédios infinitos

Que não acabam nunca mais

O tráfego, o tráfico e o grito

A favela mais volumosa do caos

Na cidade símbolo do “cacau”

Onde estão os mapas do tesouro

Na qual estão inclusas as raças

Um sonho, miragem, realização

Muitos por longe da educação

Nem mesmo esmola nos sinais

Nos cruzamentos dos acampamentos

Camping de miséria que repulsa

Bem sucedidos e vagabundos

Sujeitos de vários mundos

As vocações do planeta que guiam

No fluxo da maré alta e da maré vazia

Há um tempo entre os dias

O qual nós não percebemos

São os momentos em que as coisas

Acontecem dentro da nossa mente

E somente nós, somente,

Podemos vê-las se materializar no pensamento

Os tiranos estão aquém das suas dificuldades

Mas não há preço que pague à espiritualidade

O hábito de estender a mão a todos, todos os dias

Seja mesmo na tristeza e que seja com alegria.

 

  

(Cristiano Jerônimo – 14112022 – São Paulo – SP)

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Preste atenção



Todo mundo tem direito de cantar e ser feliz

A paz obrigatória dos ensinamentos divinos

Todo mundo tem direito de ser aquilo que é

Uns são meninos velhos com velhos meninos

Pessoas andam e se procuram para sobreviver

Tudo mundo tem direito à existência e ao ser

Mas chovem as mensagens por todos os lados

Uma é educativa, outra manipula o seu querer

Aquela é a que seria mais legal, com tecnologia

Algoritmos somos, somos mesmo sem querer

Sempre a gente tem direito de andar e de sorrir

Ouvir passarinhos cantarem o que não ouvimos

Revelar aquilo que achamos que não sentimos

Ver no céu pontilhado de luzes as possibilidades

Extrair do campo e da cidade a reciprocidade

Doar, agradecer, cabeça erguida, nós sentimos

Não há mais tantos caminhos que construimos

Ter curiosidade pelo construtivo ou pelo mal

Encher a alma de líquidos que tapem os vazios

Ter a certeza que tem a correnteza do leito do rio

Alimentamos animais e os tornamos como somos

Animal de estimação fala muito da pessoa do dono

A vida é curta para sermos somente os fantoches

O consumismo do capitalismo que nos dá deboche

O protagonismo do avanço é para onde nós vamos

Se a porta não abrir, pegue uma alavanca e force.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 11112022 – Taubaté)

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Bem tranquilo



Das sete flores que ganhei verão passado

Uma disse que as cores não são artificiais

As altitudes onde brotam os olhos da água

Nas rodovias que sempre levam às capitais

Havia um pedaço paradisíaco e intocado

Longe demais de supostas traições e mágoas

Seguia-se os passos de um caminho iluminado

Onze vezes constatei que sou humano e amado

Vinte e duas vezes pesquisei o que isso significa;

Amor no coração é como um bálsamo de luz

Magnetiza toda a força, aquilo que nos conduz

(As igrejas batizam e santificam falsos profetas)

Mandam queimar todos escritos dos poetas

Alegando atentado ao pudor da posta sociedade;

Eu também guardei a companheira ao meu lado

Afastei de quaisquer maus bocados e iniquidades

O sol passou o ano se pondo num lugar diferente

Movimentos involuntários do alto da nossa mente

Do verso sem nenhum prumo e descomprometido

De quem fala a todo o mundo sem fazer alaridos

Dormia um jovem procurando estar mais tranquilo.


(Cristiano Jerônimo - 10112022)

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

A labuta sem apoio



Na roça do tempo, um menino

Em tempo de fartas plantações

Espelho da visão da consciência

Olhando para o céu das ilusões.

 

Em êxodo, pelo Brasil e afora

Saídas muito altas sem ter rei

Evaporando H2O entre horas

Eu esqueci o pouco que eu sei.

 

O tempo nada mais é

Do que a expansão do espaço

Embora o espaço

Dependa da força do tempo.

 

Anfilófia juntava algodão para candeeiro

As irmãs se foram com a força do destino

As ilhas inabitadas, proibidas nesta ida

A coragem mais profunda e o firmamento.

 

Sem água, sem lavoura, sem gado gordo

O sertanejo vive da própria resistência

Não quer nenhuma esmola de assistência

Apenas condições de o ano todo trabalhar .

 

 

 

(Cristiano Jerônimo – Recife, 7 de novembro de 2022)

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Aflora Flora



 Para Flora

 

A flora flora quando chove no sertão

Flora verdejante nos biomas escondidos

Sob a curiosidade dos amores que vão

Seres semelhantes que foram escolhidos

No altar de deuses meigos e esquecidos

Nas vastidões dos céus enternecidos

Salva o verde que da chuva é a Flora.

 

A mañanita dos campos e a aurora

Os açudes mais bonitos da terra

Onde nos oceanos a água encerra

Na nossa terra não existe sermão

Mas folhagem da flora que aflora

E Flora irradia toda a sua beleza

Com amor, paz, saúde e sutileza.

 

O mundo novo da luz é tão possível

O homem é que parece impossível

Alimentando um sistema não crível

Salve as ladainhas que cantarmos

E o que a flora leva a fome embora

Todos os vegetais que exalam agora

São do futuro que nos espera lá fora.

 

 

(Cristiano Jerônimo – Recife – 02.11.2022)

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Ilusão sem cor


Estado letárgico

Um ar de cinema

Voltando o filme

Retorna ao play

Penso que sei

E fiz diferente

Um dia, dois...

Estágios da vida

Estados de espírito

Onde reside o amor

O mais verdadeiro

Cinema da freguesia

Com um ar espantado

Uma canção de ninar

Vendo a brisa do mar

Suave, plena Nazaré

No ar de uma máquina

Flutua a alma insípida

Um corpo são, inodoro

E uma ilusão sem cor.

 

                                                                        (Cristiano Jerônimo – 27102022) 

terça-feira, 25 de outubro de 2022

Os piratas*


Deita teu corpo cansado

Relaxa que o tempo

Constrói armadilhas

Estranhas

E a vida inventa

Os fantasmas

Que vem lhe assustar.

 

Tenta esquecer a agonia

E a dor do passado

Empilhe as tristezas

Por sobre o costado

E o peso já morto

Atires no mar.

 

E não tenha medo

Das sombras

Porões e cadeias

E o medo das vagas

Imensas

Que envolvem as sereias.

 

Nem as traições e motins

De governos tiranos

Que arrasam os intentos

Nos aprisionam

Aos mastros quebrados

Das embarcações.

 

Sem se abater

Com o estremeço

Das grandes procelas

Da águas das ondas

Quebrando as janelas;

Junte-se aos homens

E cante canções.

 

A honra do sol e do sal

Lavada de sangue

As bússolas

E as cartas rasgadas

E a terra tão longe...

As conchas, os peixes

E polvos são nossas medalhas

E a grande riqueza

Das nossas batalhas

As glórias da vida

Nos fazem cantar.

 


* (Lula Côrtes – 1996)

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Fantasias da natureza



O voo dos colibris metálicos e verde azulados pairando e bicando as fêmeas das flores, sugando o esplêndido néctar que nasce da vida, me fez pensar na vantagem de ser pássaro e na desvantagem também. Primeiro, eu tenho medo de altura. Os mais altos gaviões que vi voavam muito alto. Acho bonita a missão dos pássaros, das abelhas e de outros insetos que são escola para a vida inteira em sociedade. As formigas respeitam a colmeia e não ousam adentrar no enxame. Uma taça de vida num lugar agradável transformou-se num imbróglio. Foram os piratas da terra e os piratas do mar. Foram imperadores tiranos. Uma ave pousa para beber. O que fizeram com o planeta? As arraias morrem entaladas de plástico nos corais. Coco gelado na beira da praia, canudo. Eu não tenho nada com isso. Mas se for pássaro, terei que acordar às 4h da manhã, voar a maioria do tempo, quilômetros, até umas 17h, procurando um lugar para dormir. Afinal, nem todos os pássaros têm um ninho. Ninhos são diamantes somente antes de aprendermos a voar, porque no ar está a missão de bater as asas com afinco sem sair da rota. Não nego a parte tranquila da vida de um passarinho (todos parecem animados, menos a coruja que passa a noite acordada). Vivem comendo aqui e ali, passeando no vento de um destino diário. Contudo, com a eterna paranoia de viver ansioso fugindo de outros seres animais, do homem terrível. Fosse eu defender pombo. Jamais. Odeio. Mas nunca os matei. Já as garças são todas iguais. Você vai sempre confundir uma com a outra. Disputam com os anuns os carrapatos do gado da pastagem serena. É que nem o gato. Respeito, mas não deixem o seu gato vir se esfregar na minha perna... É a mesma coisa que me mandar embora. É isso mesmo. Também tenho medo de rato e de cachorro brabo. Quem vê diz que eu não sou macho. Até que uma barata saia voando para cima de mim. Acho que vou de pássaro e serei um galo de campina, de terno e gravata, com um lenço saliente no bolso. Poderei entrar na igreja, visitar os distantes. Ninguém acreditava que era eu. Não havia como convencê-los que me transformei num pássaro. Foi quando pintou a oportunidade de trabalhar como estivador ferroviário. Neguei o cargo e disse que poderia fazer a segurança da carga durante todo o seu trajeto. Oras, eu... um portento no voo... vou ficar agora carregando peso. Eu sou um passarinho, rapaz!

 

(Cristiano Jerônimo – 20102022)

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Paramatma


Dentro do coração

Há um ponto de Deus

A parte Divina do ser

O que espera de nós

Muita iniciativa e ação

Diante da nossa inércia

Da nossa indolência

Para ajudar os outros

E, assim, se ajudar

Dentro do seu peito

Paciência e respeito

Parar para pensar

Que dentro do nosso coração

Há um ponto que nos interliga

À fonte sagrada do amor

Por mais infinita que seja

Nos alcança e irá alcançar.

 

 

(Cristiano Jerônimo – 18102022)

Com a tez fanada sob as fechaduras

Nem tudo posso Tenho o que tem Quantos milhos Na roça que vem Pelas paredes Dos prédios Dentro de nós Avenida nua Beco de ru...